domingo, 11 de abril de 2010

ENTRE POMBOS E FALCÕES.

Eu sinto falta da voracidade adolescente para a leitura, a qual me permitia ler livros em série, uma capacidade que a falta de tempo foi enfraquecendo ao longo da vida em face das diversas demandas que surgem no nosso cotidiano.

Convivo com duas forças que ainda não consegui equacionar, uma a capacidade de ler, outra a vontade de comprá-los. Isso faz com que olhe para a estante e veja alguns livros quase terminados e outros mal iniciados, festejando a conclusão de cada um, como o último lido de autoria de Palmério Dória:

Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney.

Abro uma janela, antes de seguir nos livros, para tratar de outras perdas.

Uma das minhas perdas nessa luta pela construção de uma nova Polícia Militar e de uma segurança pública eficiente, iniciada em 2007, sem dúvida foi o futuro programado, considerando que a minha vida mudou sobremaneira.

Nas condições normais de temperatura e pressão, caso Cabral tivesse cumprido as suas promessas de campanha (2006) e ombreado com os Coronéis Barbonos e os 40 da Evaristo, hoje eu poderia estar contando os dias para dedicar-me a área da gestão ambiental, o meu projeto pessoal pós-Polícia Militar.

No próximo dia 21 de abril estaria faltando um ano para a minha transferência para a inatividade, um renascimento para as minhas atividades no magistério, meu grande prazer. Hoje já teria concluído a minha pós-graduação de gestão, que cheguei a iniciar e estaria me preparando para um mestrado na área.

Em síntese, teria tempo para voltar aos livros, tentar recuperar o tempo perdido e a vontade de crescer através da leitura sistematizada, indispensável ao estudante de todos os níveis.

Em face das mudanças impostas pela vida e pela minha vontade de não deixar a nossa luta morrer, vivo um presente muito diferente do futuro planejado e me assombro ao constatar que sou um pré-candidato a deputado federal, um objetivo muito difícil de ser alcançado e que os sonhos estão no passado.

Familiares e amigos têm afirmado com freqüência que sou um teimoso crônico, quando tentam me convencer a viver a vida que planejei, o futuro que tinha traçado, alicerçados no argumento que eu já fui além da conta e que ninguém pode cobrar nada mais de mim, que sacrifiquei carreira, função e gratificações para mergulhar nessa luta contra o poder, contra o sistema. Os mais incisivos citam o meu período de transtorno emocional que tanto me custou, talvez a mais terrível decorrência das lutas da vida nos últimos anos, nos terrenos pessoal e profissional, como argumento definitivo para que me afaste da vida que vivo e que transforme meus sonhos em realidade, nas salas de aula.

Eles têm razão, sou um teimoso incorrigível, vou seguir em frente lutando por uma nova Polícia Militar, as salas de aula podem esperar um pouco mais.

Voltando aos livros, Honoráveis Bandidos é um tiro no coração, uma viagem por um mundo inacreditável e que descortina um Brasil assustador, uma terra de oligarquias, de poderosos e de dinheiro farto.

Se dez por cento do narrado for verdade, nenhum de nós pode ter orgulho de ser brasileiro e todos nós devemos ter vergonha de torcer pela seleção no mundial da África do Sul. Os fatos contados no livro fazem de cada torcedor da seleção um grande babaca, perdoem a rudeza da palavra, penso que otário seria mais suave, embora menos contundente.

O Brasil do livro não pode ser considerado um estado democrático de direito, na verdade é apenas um lugar onde no máximo se confunde eleição com democracia, um grande erro.

O crime escorre pelas páginas tendo como aliado à impunidade quase que completa.

Palmério Dória apresenta a política como um jogo de troca de favores e de milhões e milhões de reais (dólares).

Nem as togas escapam.

O livro é muito interessante, mas fede e embrulha o estômago, sobretudo nos dias atuais quando estivemos à beira de ter Sarney na presidência da república, novamente.

Aconselho a leitura, em local reservado e longe das crianças.

Lamento que o Movimento Fora Sarney tenha morrido tão cedo.

Ontem, iniciei a leitura de um livro indicado por um amigo, tendo como autor João Ricardo W. Dornelles:

Conflito e Segurança – Entre Pombos e Falcões.

O livro é o resultado de um trabalho acadêmico e o início foi promissor.

Outros livros da estante, iniciados, não gostaram da preterição.

Vida que segue.

JUNTOS SOMOS FORTES!

PAULO RICARDO PAÚL

CORONEL DE POLÍCIA

Ex-CORREGEDOR INTERNO

4 comentários:

Anônimo disse...

Cabral se esconde na hora da cobrança e manda PM expulsar blogueiro




A visita do governador Sérgio Cabral, ao Morro do Bumba, em Niterói teve um episódio lamentável, que mostra o seu comportamento autoritário, digno de um “ditador”.

Assistam o video, do blogueiro Ricardo Gama. O vídeo mostra o momento em que um líder comunitário cobra de Cabral a presença do poder público, dizendo que desde segunda-feira, os moradores estão abandonados. Ao perceber que está sendo filmado, Cabral com arrogância chama o líder comunitário para entrar em um container e logo depois surge o chefe da segurança de Cabral, o coronel Benac que expulsa Ricardo Gama, com a ajuda do coronel Millan, chefe do Estado-Maior da PM e de um soldado que acompanha o blogueiro.

Cabral só quer perto dele, os repórteres que ele sabe que controla, através das verbas publicitárias. Que papelão lastimável de Cabra

Anônimo disse...

Corpo de Bombeiros não tem retroescavadeira



As retroescavadeiras que estão revolvendo a terra no Morro do Bumba, em Niterói, foram emprestadas pela empreiteira que toca as obras da Refinaria de Itaboraí. Segundo o Corpo de Bombeiros, a opção não ter retroescavadeira é porque o custo de manutenção é muito alto.

Se a corrupção não fosse tão grande na secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil haveria dinheiro para a retroescavadeira. Afinal, como mostrei aqui no blog, lá embaixo (10 notas antes), o Corpo de Bombeiros por um serviço de manutenção em uma viatura que custou R$ 1.800 pagou R$ 415 mil, conforme a nota reproduzida. Hoje, o Corpo de Bombeiros paga por ano pela manutenção de cada viatura R$ 45 mil. Dá pra comprar uma viatura nova e ainda sobra dinheiro.


Em tempo: Mais uma vez tenho que parabenizar o trabalho incansável dos soldados do Corpo de Bombeiros, que mesmo sem máscaras anti-gás e com todas as dificuldades, se portam como heróis nesta hora de sofrimento.

Paulo Ricardo Paúl disse...

Grato pelos comentários. Juntos Somos Fortes!

ROBERTA LIMA disse...

Pior do que termos o CABRAL é saber que o filhote dele, o EDUARDO PAES pode vir a substitui-lo no futuro.