quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O FIM DAS POLÍCIAS MILITARES.

As Polícias Militares do Brasil têm a missão de realizar o policiamento ostensivo e são responsáveis pela preservação da ordem pública, conforme o contido no texto constitucional.
Organizadas militarmente, como outras polícias espalhadas pelo mundo, as Polícias Militares brasileiras correm o risco de serem extintas, considerando os movimentos que existem no Planalto Central nesta direção, isso há alguns anos e que estão sendo reacendidos.
Os caminhos para a extinção passam pela desmilitarização, apontada como a grande solução por alguns, que consideram o modelo organizacional inadequado para uma organização policial e, ainda, pela unificação com as Polícias Civis, nascendo uma nova polícia estadual, não organizada militarmente.
Eu sou contra a desmilitarização e contra a unificação, não identifico qualquer vantagem que possa surgir como produto dessas ações, conforme já escrevi em vários artigos, todavia todos nós temos que ser receptivos a qualquer ideia que possa melhorar a grave situação de insegurança pública que a população brasileira vivencia no seu cotidiano. Assim sendo, espero ansioso para conhecer o modelo proposto e, sobretudo, como ele será implantado, tendo em vista as características próprias de cada uma das polícias estaduais.
Defendo algumas mudanças, que podem ser adotadas de forma isolada ou em conjunto:
- Extinção das secretarias de segurança e a ascensão das instituições policiais ao nível de secretarias estaduais, sem qualquer aumento de despesas, considerando que as secretarias atuais só possuem a missão de coordenar as polícias e são órgãos caríssimos para os cofres públicos, em face dos seus cargos comissionados. Além disso, os seus efetivos são formados por Policiais Militares, Policiais Civis e Bombeiros Militares, que acabam desviados de suas funções e deixando as suas funções em suas instituições.
- Federalização da segurança pública, considerando que os governos estaduais enfrentam enormes dificuldades para gerir a segurança e promovem uma interferência política enorme na gestão da segurança.
- Valorização dos profissionais de segurança pública que devem receber o mesmo salário em todo Brasil. Os vencimentos devem ser transformados em subsídios, pondo fim em todas as gratificações e favorecendo que os inativos e as pensionistas possam receber os mesmos valores dos ativos.
- Independência completa da perícia criminal, permitindo inclusive que a perícia funcione como controle externo da atividade policial.
- Fim dos concursos externos para delegado de polícia (Polícia Civil e Federal) e para Aluno Oficial PM (Cadete da PM), estabelecendo uma porta de entrada única em cada instituição policial. A ascensão na instituição se dará por concursos internos, premiando a meritocracia e a história de vida dos policiais e evitando que um “alienígena” ingresse na instituição no topo ou no meio da carreira.
- Adoção do ciclo completo de polícia para as duas polícias estaduais, sendo a área de atuação definida geograficamente. O Brasil deve ser o único país no mundo onde existem meias polícias, algo que não pode dar certo, como não dá efetivamente.
Penso que essas mudanças possam resultar em mudanças positivas, proporcionando uma melhora no desgastado e ineficiente sistema policial atual do país.
Pena que no momento as vozes que clamam por mudanças sejam monocórdias e só falem em unificação como solução.
Vamos aguardar.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

12 comentários:

Anônimo disse...

Cel, parabéns mais uma vez por tocar em uma chaga enorme que é esse modelo de POLICIA no país. Essas chagas estão sangrando!!!
Precisamos cura-la!!!
Estamos dando um forte inicio!!!
E com essa sua ajuda audaciosa vamos seguir em frente!
Eduardo
JSF

majmadureira disse...

Cel coaduno com com vosso pensamento e acrescento que a tendência das PM`s e' elevar o nível de ingresso em nossas Instituições, facilitando assim a inclusão do ciclo completo de policia.

Anônimo disse...

concordo com tudo que o senhor escreveu!

Alexandre, The Great disse...

Ainda bem que tal processo NÃO depende exclusivamente da bancada do RJ, senão "já era".

Anônimo disse...

Penso o seguinte: precisamos de açoes catalisadoras...precisamos de organizaçao...precisamos nos congregar!!!
Vamos nos mobilizar para fazermos, em primeiro plano ,um Congresso Regional de associaçes (Regiao Sudeste) das nossas categorias: PMs BMs PCs e APs.
Se deixarmos correr solto virá de cima e ai ficará mais dificil...vamos nos antecipar!!!
Temos que nos fortalecer e esse é um antigo caminho!!
CEL PAUL, se concordar, seria possivel iniciar a mobilizaçao pelo seu site?
Vamos tentar!!!
Eduardo
JSF

Anônimo disse...

Parabéns coronel,
quando temos a humildade em mudar nossas opiniões, demonstramos o nosso caráter e as reais condições de representar uma classe.
Não tem cabimento aluno de escola de oficiais ou aspirantes mandarem em subtenentes, pois, além de são terem experiencia profissional, não tem maturidade para tal comando.

Helio disse...

Caro Paúl.
Concordo em parte com o seu artigo, sou contra a desmilitarização como você.
No tocante a entrada única discordo, pois iremos nivelar por
baixo.
O que precisa é exigência do curso de direito completo, para a entrada na Academia D. João VI.
Um grande abraço.
J. S. F.
Helio.

Anônimo disse...

O militarismo torna a entidade policial militar uma insttuição amadora, além de fazer com que seus integrantes se tornem violentos e arbitrários, visto ser isso que veem e aprendem (de forma indireta nos cursos e treinamentos) no intramuros da organização.
Essa mesma instituição militarizada funciona oa sabor dos egos de comandantes despreparados e até déspotas, cujo tribunal miltar é a sua última e corporativa guarida.
Sem esse militarismo arcaico e desumano todos teriam de ser profissionais de segurança pública, o que o militarismo, por ser amador, não permite. Os 200 anos de criação desse monstro público está aí para não deixar dúvidas. O respeito tem de vir de dentro para fora. O militarismo também não permite que seja assim.
Pelo fim desse monstrengo militar que já levou muitos servidores militares ao túmulo (suicídios) porque não tem a quem recorrer.
Claro que os oficiais são contra. As PMs têm verba prórpia e não prestam contas a ninguém, fazendo com a maioria dos oficiais se autointitulem "acionistas " do estado (sócios). E é verdade. São mesmo.
Perder essa mamata nem pensar.
Marcos Simões

Anônimo disse...

Sou Oficial e nao vejo nada mais justo a entrada unica na PMERJ. Quando entao somente subtenentes, com alto nivel moral-etico, conduta ilibada e "inteligencia" compativel com o oficialato fariam concurso,, se possuidores de nivel superior em area de humanas, para o ingresso na academia D. João VI.
É obvio que teria que se modificar profundamente nossa legis.
EDUARDO
JSF

Anônimo disse...

Entrada única não necessariamente significa nivelar por baixo. Tem praça em melhores condições morais, técnicas e culturais que oficiais. O que falta é nivelar as oportunidades e os testes de qualidades. Submetendo todos aos mesmos processos, avaliaremos as condições de todos com igualdade. A exigência do curso de direito poderia ser para candidatar-se a uma vaga de oficial, mediante concurso é claro. Seria um incentivo a que todos estudassem, a fim de poder concorrer. Mudança de paradigma com grande economia para o contribuinte em todos os sentidos, inclusive no tempo de aproveitamento para o serviço efetivo. Que melhore o curso e o concurso de entrada, assim como se eleve o nível de possíveis cursos de adaptação ao exercício de funções como graduados e oficiais (parte à distância e presencial), tudo mediante concurso a partir da base. Sugestão de pré-requisitos: tempo de serviço, títulos (superior e aprovação em cursos na corporação), tempo de serviço na atividade fim (da corporação apenas), ficha disciplinar, aptidão de saúde (quanto tempo é apto A?, quantas vezes IFP? no período?), exame físico etc. Seria uma forma de privilegiar quem trabalha e trabalha bem.

Anônimo disse...

Também seria uma ótima jogada política para quem não quer pagar o que o piso da PEC 300. Aprovariam a PEC 300 e logo depois desmilitarizavam a polícia, aí ela se tornaria apenas um belo efeito de pirotecnia política e os policiais continuariam a ganhar salários miseráveis.

Anônimo disse...

Caro amigo Paul
Vejo nos comentários, um grupo ávido pela desmilitarização e por- ta única de entrada, mais uma vez digo que sou contra.
Antes de entrar em explicações vou citar outras polícias no mundo que são militares, todos nós sabemos. Vamos a elas Gendarmerie França, Polícia Civil Espanha ( de civil não tem nada é militar ), Carabinieri Itália , Carabineiros
Chile e ainda os EUA que aqui são tão decantados estão com projeto de tornar militares algumas polícias.
As instituições militares dos países mencionados desempenham bem suas funções.
Portanto podemos ver que não é a organização militar a causa dos males vivenciados hoje e sim os desmandos e subserviência dos in-
tegrantes da instituição.
A entrada única não existe em lugar nenhum, nem no meio civil, cada um faz concurso para a função que irá exercer.
Essa idéia não traz benefícios diretos à corporação, pois nivela por baixo.
Temos sim que melhorar o nível tanto de entrada para Academia condição sine qua non formação em Direito, criar Escola de Adminis-
tração com o Quadro Complementar, Escola de Saúde e um concurso mais adequado e abrangente selecionando melhor as praças.
O argumento de que a violência policial está ligado a formação é balela, visto que os policiais civis são mais violentos e truculentos, com diferente forma-
ção.
Finalmente se não queriam ser militares optassem por carreira civil, além do mais a grande
contaminação encontra-se no seio das praças.
Abraço.
J. S. F.
Helio.