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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O ESCÂNDALO DAS GRATIFICAÇÕES NA POLÍCIA MILITAR - ENTREVISTA - NOSSA OPINIÃO.

AME/RJ - Janeiro - 2008
Coronel de Polícia Paúl

Apesar do forte bloqueio que o governo Sérgio Cabral exerce sobre parte da mídia fluminense, vez por outra, nós conseguimos com o apoio da mídia independente, furar esse bloqueio.
Ontem, eu concedi uma entrevista para o repórter PEDRO DANTAS do jornal O Estado de São Paulo:
Oficiais da PM criticam reajuste salarial do Bope
Pedro Dantas - Agencia Estado
RIO - "O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, publicou hoje, no Diário Oficial, o reajuste da gratificação concedida aos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, que passou de R$ 1 mil para R$ 1,5 mil. Até 2009, o benefício era de R$ 500.
O aumento causou insatisfação entre os oficiais da Polícia Militar. Eles alegam que um cabo da unidade, cujo salário inicial é de R$ 1.369,73, passará a ter vencimentos mais altos do que um 1º tenente que não pertence à "tropa de elite" e recebe R$ 2,530,02.
"É de uma imoralidade sem parâmetros. Trata-se de uma subversão dos valores hierárquicos da instituição, além de discriminatório com pensionistas e inativos que não recebem o benefício", disse o coronel da Polícia Militar Paulo Ricardo Paúl. Ele disse estuda entrar na Justiça para receber o benefício por discordar sobre os critérios na concessão da gratificação.
O Governo do Rio adotou o sistema de gratificações para compensar os vencimentos da PM do Rio, um dos mais baixos do país. Todos os policiais aptos ao patrulhamento passaram a ganhar R$ 350. Os policiais que integram as Unidades de Polícia Pacificadora e aqueles que dão aulas no Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) também ganham mais R$ 500 no contracheque.
O governador Sérgio Cabral já anunciou que tenta obter junto ao Governo Federal recursos para pagar aos policiais e bombeiros uma bolsa olímpica para os jogos de 2016".
Todos nós que lutamos por salários dignos para os Bombeiros e Policiais Militares agradecemos muito ao repórter Pedro Dantas e ao jornal O Estado de São Paulo, Juntos Somos Fortes!
A independência da mídia é condição sem a qual não existirá nunca um Brasil democrático.
A parcela da mídia que se deixa pautar por interesses políticos e comerciais, unicamente, presta um desfavor ao povo brasileiro.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O ESTADÃO CONTINUA IMPEDIDO DE DAR PUBLICIDADE À INVESTIGAÇÃO ENVOLVENDO FILHO DE JOSÉ SARNEY (PMDB).

STF rejeita recurso e censura ao 'Estado' continua em vigor
Por 6 a 3, ministros rejeitaram tese de que mordaça desrespeita decisão que derrubou a Lei de Imprensa
Mariangela Gallucci e Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF), por 6 votos a 3, arquivou nesta quinta-feira, 10, a reclamação em que os advogados do Estado pediam o fim da proibição ao jornal de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Com isso, fica mantida a censura imposta no fim de julho pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DF). A mordaça ao Estado já soma 133 dias.
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Confira os votos dos ministros
A maioria dos ministros não concordou com a tese defendida pelos advogados do jornal, de que a censura desrespeita a decisão do próprio Supremo que derrubou a Lei de Imprensa e consagrou o pleno direito à liberdade de expressão. Naquela decisão, tomada em abril deste ano, há referência explícita contra a censura imposta pelos Poderes estatais, como o Judiciário.
"Não há liberdade de imprensa pela metade ou sob as tenazes da censura prévia, inclusive a procedente do Poder Judiciário", diz o texto publicado no Diário da Justiça. A Lei de Imprensa que vigorou até o julgamento de abril era um documento legal do tempo do regime militar (1964-1985).
Interceptações
Apesar de ter decidido dessa forma neste ano, a maioria dos ministros do STF afirmou nesta quinta-feira que o resultado do julgamento sobre a Lei de Imprensa não poderia ser aplicado ao caso do Estado. De acordo com a ala do Supremo vencedora no julgamento desta quinta, a decisão judicial do TJ-DF de censurar o jornal baseou-se na Constituição e na legislação que trata de interceptações telefônicas. Portanto, não haveria referência à Lei de Imprensa e ao julgamento de abril do STF. Por esse entendimento, não caberia reclamação ao Supremo por suposto desrespeito à decisão da corte.
O voto vencedor do julgamento foi dado pelo vice-presidente do STF e relator do caso, ministro Cezar Peluso, que arquivou sem discussão do mérito a ação apresentada pelo Estado. "A decisão ora impugnada não tangencia sequer aspectos da Lei de Imprensa", afirmou Cezar Peluso durante o julgamento. Votaram com Peluso os ministros Eros Graus, José Antônio Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Ricardo Lewandowski.
Além de concordar com a argumentação técnico-jurídica de Peluso, o presidente do STF, Gilmar Mendes, disse que a honra e a intimidade, citados por Dácio Vieira para impor a censura ao jornal, têm de ser preservadas. "Se é inviolável a honra e a intimidade, é preciso que isso tenha alguma consequência. Esses valores são invioláveis. E o que é inviolável não é para ser violado", afirmou.
'Visões autoritárias'
Primeiro ministro a votar pela derrubada da mordaça imposta ao Estado, Carlos Ayres Britto lembrou que ao declarar o fim da Lei de Imprensa, em abril, o tribunal levou em conta dispositivos da Constituição que vedam a censura prévia à mídia, às manifestações e às publicações. A ministra Cármen Lúcia e o decano do STF, Celso de Mello, acompanharam Ayres Britto.
Para Celso de Mello, é profundamente grave e preocupante que ainda remanesçam no aparelho de Estado "visões autoritárias" que buscam justificar a prática da censura a publicações em geral. Ele lembrou que no dia 13 serão rememorados os 41 anos da data em que o marechal Artur da Costa e Silva, segundo presidente do regime militar, impôs ao País o Ato Institucional nº 5, o AI-5. "O passado deve ser respeitado pela corte, pelos magistrados e pelos tribunais", afirmou Celso de Mello. "O poder geral de cautela é o novo nome da censura em nosso país."
Alternativas
De acordo com ministros do STF, o jornal ainda pode questionar a censura por meio de outros instrumentos que não sejam a reclamação. Um dos ministros da corte afirmou que a solução do caso, seguindo esse caminho, certamente vai demorar.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 29 de novembro de 2009

O BOCA DE SABÃO CONTINUA INFERNIZANDO A ATUAL GESTÃO DA POLÍCIA MILITAR.

Eu sou partidário na transparência do serviço público e adotei essa postura prática na minha vida profissional, na Corregedoria Interna tivemos um ótimo relacionamento com a mídia, tendo o cuidado de não expor nomes e fotogrfaias de investigados.
Creio ser a transparência uma das ferramentas para a construção de uma polícia democrática e cidadã.
Ontem, fui um dos entrevistados pelo jornal O Estado de São Paulo:
Anônimo do Twitter acusa PMs de desvios
Perfil Boca de Sabão foi criado por grupo que inclui oficiais e praças
Clarissa Thomé
Um perfil anônimo na rede social Twitter está provocando polêmica na Polícia Militar fluminense. Batizado com o sugestivo nome Boca de Sabão - fofoqueiro, na gíria policial -, o microblog se destina, principalmente, a apontar desvios de conduta cometidos por PMs. O suposto envolvimento de oficiais e praças com milícia, jogo do bicho, bingo e o recebimento de propinas aparecem no exíguo espaço de 140 caracteres, como é a regra do site. Em seis meses de atuação, o Boca de Sabão arregimentou 1.200 seguidores - inclusive o Escritório das Nações Unidas para Crime e Drogas -, postou mais de 2 mil mensagens e provocou reações indignadas, como a do chefe do Estado Maior da PM, coronel Álvaro Garcia, que chamou de "covardes" blogueiros que "tentam macular" a imagem da PM.
O Boca foi fundado por um grupo de oficiais, praças e "pessoas interessadas em segurança pública", segundo um dos criadores do microblog em conversa com o Estado por um sistema de mensagens instantâneas. "Desde o primeiro momento nosso foco era denunciar irregularidades, sejam elas administrativas ou de responsabilidade (incompetência).
"O e-mail denunciasproboca@gmail.com recebe cerca de dez mensagens por dia. Dessas, três são publicadas, depois de passar por uma espécie de checagem. Os criadores do perfil também são irreverentes: criaram o prêmio Ray Charles para o comandante "mais cegueta", ou seja, que não enxerga a corrupção em seu batalhão.
"O que há é uma corrupção institucionalizada, que vem desde o comandante do batalhão até o soldado na rua. Não são todos, mas o fato de os comandantes se envolverem contamina indiretamente o trabalho até dos policiais honestos, que são muitos", afirma o criador do blog.
"A corrupção na PM é simples, pois ironicamente segue os pilares de hierarquia e disciplina - um comandante honesto, só pela sua atitude, ou até sua fama, já dissuade bastante a corrupção em um batalhão."
O grupo já recebeu ameaças de morte pelo Twitter. Para garantir a segurança e escapar de punições dos superiores, posta as mensagens por telefone celular, para evitar ser rastreado.
"Soubemos por fontes que trabalham dentro do quartel general que há uma caçada, sim, para nos identificar. Em verdade, não temos como saber se há algum procedimento de apuração aberto contra nós, porque pode estar correndo em sigilo."
O comandante geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, informou que a corregedoria da corporação não investiga nenhuma das denúncias feitas pelo perfil Boca de Sabão no Twitter.
"A corregedoria realiza um sério trabalho de investigação sobre denúncias contra policiais, mas o denuncismo não fundamentado do perfil o invalida como fonte." Duarte informou ainda que o perfil também não está sob investigação.
O consultor de segurança Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e um dos roteiristas do filme Tropa de Elite, acha a iniciativa do Boca de Sabão válida, apesar de sofrer ataques dos criadores do microblog e criticar o anonimato do grupo. "É importante expor a corrupção policial. Há denúncias que fazem sentido e precisam ser investigadas. Eles já vinham falando da atuação do major Dilo (Dilo Pereira Soares) e o capitão Epaminondas (Epaminondas de Queiroz Medeiros) à frente da milícia de Rio das Pedras", afirmou Pimentel, a respeito de policiais que tiveram a prisão decretada nesta semana e estão foragidos. Ele alerta, no entanto, para o fato de o perfil estar sendo usado na disputa de poder na PM.
"É consenso hoje que o coronel Mário Sérgio Duarte é um oficial com histórico de honestidade e com competência para ficar à frente da Polícia Militar. Não faz sentido que seja atacado, a não ser que seja uma estratégia para desestabilizá-lo."
O coronel Paulo Ricardo Paúl, ex-corregedor da PM, também acredita em uso político do microblog. "A Polícia Militar está em processo de autofagia", afirmou. Mas ele defende a apuração de todas as denúncias. "O Estado aceita denúncia anônima pelo Disque-Denúncia. Como a PM toma conhecimento de um fato por Twitter ou blog e não apura? Tem de investigar, e tem de reforçar a corregedoria para dar conta do volume de informação."
Eu comento.
É muito estranho que a atual gestão não investigue as denúncias feitas através do twitter e isso deve merecer uma avaliação do Ministério Público, considerando que não faz o menor sentido que a PM investigue disque-denúncias e não investigue outras denúncias anônimas.
Afinal, como Mário Sério pode determinar que uma denúncia feita ao disque-denúncia também não constitui um denuncismo não fundamentado sem investigar.
Ele, mais uma vez, foi profundamente incorrente, como deverá ser também na promoção de dezembro, quando provavelmente promoverá a Coronel um Tenente Coronel que nunca comandou Unidade Operacional, o que seria obrigatório no seu comando, como afirmou categoricamente. Tal afirmação provoucou inclusive a saída do Tenente Coronel Carlos Mendes da DGAL, logo após empossado, que saiu para comandar uma Unidade Operacional para poder ser promovido, cumprindo a nova regra.
Como citei na reportagem as denúncias anônimas podem estar sendo utilizadas para desestabilizar a atual gestão, mais ainda, pois desestabilizada ela já está há muito tempo, desde o começo, ao ponto de ser clara a expectativa por mudanças a qualquer momento na área da segurança pública.
Essa tática de usar as denúncias anônimas sempre ocorreu na Polícia Militar para enfraquecer comandos gerais e comandos de Unidades Operacionais, não seria novidade.
Temos que condenar o anonimato, todavia temos também que entender que não podemos esperar que um Soldado, por exemplo, denuncie formalmente um comandante corrupto, pois não temos como evitar plenamente futuras represálias.
Isso é fato.
O que o boca de sabão denuncia deve ser apurado, não fazê-lo constitui uma grave irregularidade.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORRGEDOR INTERNO

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

JUDAS, IMPRENSA E PODER - CARLOS ALBERTO DI FRANCO.

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO:
Judas, imprensa e poder.
Carlos Alberto Di Franco
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente Lula afirmou que o papel da imprensa não é o de fiscalizar, e sim de informar. "Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. É informar. Para ser fiscal tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas. A imprensa tem de ser o grande órgão informador da opinião pública. Essa informação pode ser de elogios, de denúncias sobre o governo, de outros assuntos. A única coisa que peço a Deus é que a imprensa informe, da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas nos editoriais", disse Lula.
O presidente da República questiona um dos pilares da democracia: o papel fiscalizador da imprensa. Suas declarações são uma contradição com seu suposto respeito à liberdade de imprensa. Fiscalizar faz parte integrante do processo informativo. E como Lula não é tonto, o falso disjuntivo (informação versus fiscalização) tem uma finalidade precisa: limitar o papel fiscalizador dos jornais e desacreditá-los. Na verdade, caro leitor, Lula manifesta crescente desconforto com aquilo que é rotineiro em qualquer democracia: o necessário contrapoder exercido pela imprensa.
Afinal, qual é a perversidade que deve ser debitada na conta dessa imprensa tão questionada pelo presidente? A denúncia de recorrentes atos de corrupção que cresceram como cogumelos à sombra da leniência presidencial? A veiculação de reportagens mostrando um presidente que dá olímpicas bananas à legislação eleitoral? Os jornais, por exemplo, sem uso de adjetivos e com textos sólidos, mostraram o que aconteceu recentemente às margens do São Francisco: uma fantástica operação de marketing montada pelo presidente da República e por sua candidata num explícito confronto à legislação eleitoral. Ou será que a azia de Lula é provocada pelo desnudamento de suas aparentes contradições? Recentemente, Lula criticou o criminoso vandalismo do MST, mas seu governo continua irrigando o caixa da entidade e seu partido, o PT, quer o MST na elaboração do programa de Dilma.Eu e outros colegas da imprensa estávamos, em 2006, na Costa Rica. Lá participamos de um seminário promovido pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).
O encontro foi aberto por Oscar Arias, presidente da República e Prêmio Nobel da Paz de 1987. Impressionou-me a qualidade intelectual e a entranha democrática do presidente Arias. Suas palavras foram um panegírico à liberdade de imprensa. "Juntamente com eleições periódicas e com a separação dos Poderes, a liberdade de imprensa é o instrumento mais poderoso para realizar, efetivamente, uma das grandes conquistas da civilização ocidental: a ideia de que o poder político, se pretende ser legítimo, deve estar submetido a limites e que o poder absoluto, como intuía lorde Acton, não é senão uma forma absoluta de corrupção. Quanto mais livre for a imprensa, mais limitado estará o exercício do poder e maior será a probabilidade de que nossas liberdades individuais permaneçam a salvo", sublinhou o presidente.
O discurso de Oscar Arias tem a força da coerência. Na Costa Rica a democracia é sólida e operativa. Dois ex-presidentes, julgados e condenados por crime de corrupção, estão na cadeia. Guerra à impunidade e educação de qualidade fizeram daquele pequeno país um belo modelo de democracia possível. Trata-se do único binômio capaz de transformar uma sociedade. Crescimento econômico é importante. Mas sem ética, sem normas e sem lei, dá no que deu. O Primeiro Mundo está pagando a dura conta da orgia financeira e da irresponsabilidade do mercado. E nós, não obstante os bons indicadores da nossa economia, poderemos trombar com as consequências funestas de um populismo que encolheu a oposição, estimulou o cinismo, encurralou algumas togas e tenta algemar as redações.
O presidente da República, esgrimindo sua retórica direta, deu outro recado carregado de pragmatismo aético. Segundo Lula, nenhum dos vencedores das eleições de 2010 poderá fazer um governo "fora da realidade política".
"Se Jesus Cristo viesse para cá e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão."
Lula não fez nada para mudar esse quadro. Ao contrário, seu estilo de governança fortaleceu o que de pior existe na vida pública brasileira. O oportunismo de Lula foi a arma de defesa de José Sarney. Mas o realismo presidencial, talvez num ato falho, levou Lula a reconhecer que seus aliados têm os traços de um Judas tupiniquim.
Para o antropólogo Roberto DaMatta, há um lado mais dramático em tudo isso. "Lula tem a virtude de falar claro", diz ele. "Às vezes penso que ele não tem inconsciente. De perto, a declaração pode parecer horrível. De longe, é a constatação da nossa face dupla, das nossas cumplicidades com o partido que não ia roubar nem deixar ninguém fazê-lo, mas fez o mensalão; ressuscitou Sarney e quejandos, tem desmoralizado o Congresso; enfim, o nosso lado que odeia a lei valendo para todos - esse Judas dentro de cada um de nós que não quer mudar o "você sabe com quem está falando?"", conclui DaMatta.
O diagnóstico é duro, mas verdadeiro. Como lembrou alguém, existe um elo indissolúvel entre o político que rouba, o cidadão que ultrapassa o farol vermelho, o governante que confronta as normas e o assaltante que mata: todos deixaram de levar em conta a ética e a lei. E só há um modo de reverter essa distorção da nossa cultura: educação, exercício de cidadania, ética, liberdade de imprensa e fiscalização do poder.
O Brasil depende, e muito, da qualidade ética da sua imprensa e de sua indispensável força fiscalizadora.
Carlos Alberto Di Franco, doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, professor de Ética, é diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br) e da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com).
E-mail: difranco@iics.org.br
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 1 de novembro de 2009

BLOGS DE PMs SUBVERTEM HIERARQUIA ( ? ).

O ESTADO DE SÃO PAULO:
Blogs de PMs subvertem hierarquia
Estudo da Unesco mostra como a web 2.0 torna mais horizontais relações entres comandante e comandados
Tatiana de Mello Dias - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Ferramentas capazes de revolucionar a comunicação entre internautas, blogs e Twitter passaram a subverter a hierarquia em quartéis e nas delegacias. O estudo Do Tiro ao Twitter, lançado ontem pela Unesco, mostra que esses instrumentos criam canais de troca de informações entre as forças policiais na chamada web 2.0 e promovem mudanças em instituições de segurança pública. As pesquisadoras Sílvia Ramos e Anabela Paiva, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, registraram a existência de cem páginas na blogosfera policial - e o número é crescente
(leia).
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

BAILE DOS DESCARADOS - CHRISTIAN CARVALHO CRUZ.

O ESTADO DE SÃO PAULO:
O Baile dos descarados
Um desfile de tipos ao redor do corpo que virou símbolo da violência anônima no Rio
Christian Carvalho Cruz - O Estado de S.Paulo
- SÁBADO, 24 DE OUTUBRO
"Cadáver delivery.
Em Copacabana, manifestantes enfileiraram carrinhos de supermercado com pessoas dentro, em alusão ao corpo encontrado no acesso ao Morro dos Macacos. Todos usavam máscaras, simbolizando as mortes sem rosto ocorridas no Rio de Janeiro.
Descarada. Taí um termo razoável para definir, hoje, a violência no Rio de Janeiro. Descarada no sentido de abusada, sem-vergonha, sem limite na hora de matar, invadir, atirar, traficar, atacar, contra-atacar e outros verbos surrados desses aí, usados quando o bicho pega numa favela ou morro qualquer. Descarada também - com licença, Houaiss - por não ter cara, nem nome, nem lenço ou documento na hora de morrer, sofrer, chorar, ou simplesmente tentar contar como a desgraceira sucede. Veja o caso do sujeito que amanheceu morto dentro de um carrinho de supermercado na entrada do Morro dos Macacos, em Vila Isabel. As fotos do corpo amarfanhado como pacote de biscoito Globo correram o mundo. Tinha nego assustado em volta. Mas tinha nego rindo também.
Cartão-postal da terra da Copa e da Olimpíada. A terra que previu com seis anos de antecedência, no maior descaramento, quantos de seus jovens serão assassinados até 2012: coisa de 33 mil garotos e garotas sem cara, segundo relatório do governo federal, Unicef e Observatório de Favelas.
Esta, portanto, é uma história dos descarados da tragédia nacional - que, diga-se, não é exclusividade do Rio de Janeiro. História contada rodeando o cadáver do homem do carrinho, o famoso anônimo que ficou sem passado depois de morto e provavelmente não tinha futuro desde quando alguém o pariu. Na segunda-feira ele foi enterrado como indigente, porque ninguém o reclamou nos seis dias que ficou no necrotério do Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, em São Cristóvão. Ninguém nem sequer foi ver as sete fotos que tiraram dele para reconhecimento. Três do rosto (uma de frente e duas de perfil), três das tatuagens (duas tribais nos ombros; e o nome Rosa enfeitado por uma estrelinha, entre o polegar e o indicador da mão direita) e uma da etiqueta amarrada com barbante no dedão do pé. O bombeiro tirou o falecido do carrinho, esticou suas canelas no saco preto, o enfiou no rabecão e anotou com caneta azul num pedacinho mequetrefe de papel branco: "Não identificado 134/20 20-10-2009".
No Rio é o Corpo de Bombeiros que passa fazendo a rapa dos defuntos de mortes matadas, também chamadas "homicídios" ou "assassinatos". A polícia solicita o serviço e eles vão buscar. "Dá uns 30 por dia", diz o bombeiro que atende ao telefone na Coordenação do Serviço de Recolhimento de Cadáveres. "Quando tem guerra no morro aumenta um pouco, mas na média é isso aí, cê tá entendendo?" Positivo. Seu nome, por gentileza, bombeiro? "Veja bem, há uma hierarquia aqui, eu não posso dar entrevistas" e blá-blá-blá... Vá somando os descarados. Nesse caso do carrinho, a delegacia que registrou a ocorrência foi a de número 20, em Vila Isabel. Naquele 20 de outubro de 2009, ela pediu a sua 134ª remoção de corpos no ano. Daí o 134/20 na etiqueta: 134 remoções, 20ª delegacia. Parênteses para uma continha rápida: a cidade do Rio tem 38 delegacias; se cada uma solicitou pelo menos cem remoções de corpos este ano (arredondemos pra baixo), isso dá 3.800 mortos de morte violenta de janeiro pra cá. São 12 por dia, cê tá entendendo?! Fecha parênteses.
Assim, um-três-quatro-vinte se tornou o jeito mais comum de se referir ao defunto em sua curta temporada de peladão abaixo de zero na geladeira do IML. Também o chamavam de "aquele do carrinho", "o do carrinho", ou "isso aí é vagabundo" e "é bandido merrrmo, traficante" quando tentavam lhe adivinhar o passado. Nome, sobrenome, pai, mãe, endereço - necas. Até tiraram suas digitais e mandaram para o Instituto de Identificação Félix Pacheco, cujos arquivos reúnem as marcas dos dedos de todos os cidadãos nascidos no Estado do Rio de Janeiro. Nada. "Ou esse camarada não nasceu aqui ou nunca tirou documento aqui, ou nasceu aqui e nunca tirou documento na vida, o que é mais provável em se tratando de marginal", explica um funcionário, obviamente descarado, do IIFP. No IML, o laudo da necropsia diz que o um-três-quatro-vinte morreu de bala. Muita bala. Foram 11 buracos produzidos "por entrada de projéteis de arma de fogo". Tiro na sobrancelha, nos braços, no peito e no abdome. Pulmões, fígado, estômago, intestino, tudo perfurado. O "cadáver de homem branco, medindo 170 cm de estatura", aparentava "bom estado nutricional e cerca de 21 a 24 anos de idade". Tinha "cabelos ondulados, curtos e castanhos, íris castanha, cavanhaque crescido e dentes em regular estado de conservação". Causa mortis: "lesão de múltiplas vísceras". O legista que assina o laudo - e a pedidos deve ser mantido sem cara - só não descreveu as quatro balas que retirou do corpo. "Ah, é tudo tiro de arma de guerra, de fuzil merrrmo. Aqui não chega vagabundo morto com 38", diz um outro legista que toma o elevador para ir almoçar. "Os peritos do Rio são os mais experientes do mundo em ferimentos causados por armas grandes", comenta, sem decidir se fica chocado ou orgulhoso. "Esses ferimentos só ocorrem em situação de guerra, mas aí não tem necropsia. É só constatar óbito e pronto. Então, nós somos especialistas mundiais nisso aí. Podemos dar curso." Seu nome, doutor? "Assim você me complica..." Descarado número 5.
Outro sem cara e sem nome é o carrinho que acondicionou o morto. Pelas fotos, sabe-se que ele não tinha a barra de empurrar que geralmente leva a marca do dono. Até a sexta-feira passada seu paradeiro era desconhecido. No Instituto de Criminalística Carlos Éboli, um prédio soturno com paredes bege, gradil azul e jeitão de colégio antigo no centro do Rio, um perito dá uma pista. O "transporte" (vulgo carrinho) foi descrito nos mínimos detalhes no relatório feito sobre a cena da desova, lá na baixa do Morro dos Macacos, ele explica, de gravata solta no colarinho desabotoado e revólver na cinta. "É uma peça importante da investigação. Vai que alguma testemunha aparece dizendo que viu o carrinho na casa de fulano ou beltrano? Temos como comparar."
E onde estaria o "transporte" neste momento? "Certamente na delegacia, que o encaminhará para nós. Aqui ele passará por exames periciais complementares e depois será guardado no Depósito de Evidências Criminais até o fim do processo judicial.
"Toca pra delegacia. "Recolher o carrinho? Cê tá de brincadeira, parceiro? Ia enfiar onde o trambolho? Ficou por lá mesmo", informa um policial, muito gentil e sorridente, enquanto seu colega, esparramado na cadeira, lê Harry Potter e As Relíquias da Morte. Leu bastante, já passou da metade. Conta que a situação ficou mais tranquila desde a queda do helicóptero, abatido a tiro pelos bandidos no início da guerra no Macacos. "Antes a gente fazia uns 15, 20 R.O. (registro de ocorrência) por dia. Era muito roubo de transeunte, saidinha de banco tinha bastante, agora acalmou. Caiu pra sete, oito no máximo. Mas do carrinho eu não sei mesmo." Bom, desse nem adiantava perguntar o nome...
Tentemos alguma informação no sítio do abandono do cadáver - popularmente conhecido como "lugar da desova": Rua Luiz Barbosa, próximo ao número 65. Essa via passa pela Praça Barão de Drummond e termina no pé do Morro dos Macacos. Distante do mar e tomada por um casario antigo e meio maltratado, a região tem ares de cidadezinha do interior. No centro da praça, o flanelinha vai logo se afastando: "Não tô sabendo, não, dotô. Nem sou daqui. Moro em Madureira". Mais adiante, o frentista garante que o carrinho pertencia a um mendigo que catava sucata. Para a moça da banca de jornal, ele voltou para cima do morro e qualquer dia desce outra vez, com presunto novo dentro. Às vezes também usam carrinho de pedreiro e latão de lixo nesse tipo de serviço. Na lojinha de artigos de umbanda, a atendente ouviu dizer que "o rapaz era trabalhador, não era vagabundo, não". É ruim, hein!, duvida o borracheiro. "O que me contaram é que ele era da facção rival que invadiu o morro e ficou escondido na mata. Aí acharam, executaram e empurraram aqui pra baixo." Mas por que diabos nenhum irmão, primo, sobrinho, cunhado que fosse, apareceu para reconhecer o corpo no IML? Uma explicação do perito do Instituto Carlos Éboli: "Tem casos em que a família dá graças a Deus que o sujeito morreu. Em outros, sem dinheiro, ela prefere não reclamar o morto por não ter como pagar o funeral".
O enterro do um-três-quatro-vinte, praxe nessas situações, foi o Estado que bancou: cerca de R$ 500, contanto só transporte, serviço funerário e caixão. Na segunda-feira, dia 26, o pobre diabo entrou na kombi da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e baixou no Cemitério de Santa Cruz, zona oeste - mas põe zona oeste nisso - da cidade, 58,7 quilômetros adiante. Ali, cartazes desbotados do prefeito Eduardo Paes asseguram que ainda se trata de Cidade Maravilhosa. Chega-se a Santa Cruz passando por localidades que muita gente só conhece de ouvir falar: Parada de Lucas, Deodoro, Realengo... O cemitério fica bem mais pra lá.
A administração do lugar está instalada numa sala abafada de paredes pintadas de cor de salmão. Lá fora, diante de um caixão de bebê e protegido da garoa sob uma lona marrom, um pastor evangélico diz para a família que "não precisa se conformar, basta aceitar a vontade do Senhor". Cá dentro há quatro máquinas de escrever, um relógio pendurado e um ventilador inútil. Dos quatro funcionários, três são idosos e parecem... bem... funcionários de cemitério. O mais jovem vem trazer o livro dos mortos do ano, um caderno grandalhão, meio ensebado e de capa preta. Na página 12, ele localizou o um-três-quatro-vinte, o que só foi possível devido ao código 134/20 e ao dia correto do enterro. Está assim anotado no livro: "Nome: homem"; "Nº da sepultura: 772"; "Tipo da sepultura: rasa".
O que é sepultura rasa? "Sete palmos, como manda a lei", resume o administrador do local, que pede para não dar as caras. Tanto melhor se forem sete palmos dele, um crioulo enorme, de barriga pronunciada e que sua sem parar. Ele afirma que em cemitério seu indigente é enterrado com dignidade. Tem direito a reza "das duas senhoras voluntárias da pastoral da criança", vai no mesmo caixão mais-ou-menos dos que têm família e recebe a mesma cruzinha de cimento que traz só o número do túmulo pintado de preto. Sem nome, sem foto, sem epitáfio. É a cruzinha e estamos conversados. A do um-três-quatro-vinte não tinha ficado pronta até a última quinta-feira. "É que tem entrado muita gente. Só hoje sepultamos quatro indigentes, todos dessa guerra do tráfico", conta o administrador. A produção local de cruzes estava parada no morto 712.Na saída do campo santo, uma plaquinha avisa: "Sr. proprietário de túmulos, a SCM não se responsabiliza por objetos que possam gerar cobiça sobre os mesmos". Só não explica se em cima ou embaixo da terra. Em todo caso, atenção descarados desse Brasil varonil: "o homem do carrinho", o "isso aí é vagabundo", o "bandido merrrmo, traficante" encontra-se com os únicos pertences com os quais foi encontrado: bermuda azul e tênis preto.
Quanto ao escapulário de cordão marrom, o administrador não tinha certeza".
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CORONEL PAÚL - ENTREVISTA AO JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO.

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO.
Em 22 anos, só 10 oficiais foram expulsos da PM.
Pedro Dantas, RIO
"A punição para o capitão da Polícia Militar acusado de omissão de socorro no latrocínio de Evandro João da Silva, coordenador do AfroReggae, pode levar anos. A comprovação das demais suspeitas, como receptação e liberação dos assassinos, também exigirá esforço da perícia do Centro de Criminalística da Polícia Militar. A avaliação é do ex-corregedor da Polícia Militar, coronel Paulo Ricardo Paúl.
Segundo ele, desde 1987, apenas dez oficiais foram excluídos da corporação.
"O processo de expulsão dos oficiais demora anos. Caso opte pela punição, o Conselho de Justificação da PM vota se o oficial deve ser excluído, reformado ou reintegrado. Em caso de exclusão, a punição é enviada para o secretário de Segurança Pública. Se o secretário mantiver o expurgo, o caso vai para o Tribunal de Justiça do Estado e ainda caberá recurso", revelou Paúl.
Em sua gestão na Corregedoria, a partir de março de 2005, ele excluiu mais de 500 praças e enviou "dezenas de oficiais" para o Conselho de Justificação, mas os processos contra os oficiais não foram concluídos antes de Paúl deixar o cargo, em janeiro de 2008.
As expulsões de soldados, cabos e sargentos são rápidas e aos borbotões. A cada dois dias, um é expurgado da corporação. Foram 1.716 policiais excluídos entre 1999 e 2009, segundo a Corregedoria da PM.
PROVAS FRÁGEIS.
O ex-corregedor diz que o caso do coordenador do AfroReggae causou comoção, mas ressalta que as provas contra os policiais são frágeis. Nos depoimentos, o capitão Dennys Leonard Nogueira Bizarro, sentado no banco do carona, disse não ter visto Evandro. O cabo Marcos de Oliveira Sales, que dirigia o carro e passou ao lado do corpo, também alegou não ter visto a vítima. Os dois disseram que após a liberação dos dois suspeitos - agora identificados e presos - jogaram a jaqueta e o par de tênis roubados em uma lixeira.
"É muito grave colocar os pertences na viatura e não apresentar na delegacia, mas essa é a única infração clara no vídeo", avaliou Paúl. Ele aponta que apenas uma perícia pode provar que eles viram a vítima.
"Eles podem ter confundido com um morador de rua, pois essa população é numerosa no centro do Rio. A velocidade da viatura e os horários das câmeras podem definir ainda se eles ouviram ou não o tiro antes da ocorrência. Até o momento, a defesa deles pode ser sustentada", afirmou o ex-corregedor".
Agradeço a oportunidade.
Obviamente, o espaço da matéria não permite a transcrição de tudo o que comentamos.
Eu disse que apenas uma reconstituição dos fatos poderá estabeler a mecânica dos fatos, principalmente no que diz respeito às distâncias e aos horários de cada fato apresentado nas imagens apresentadas.
Comentei sobre a "perda" da pressunção de inocência dos Policiais Militares e que no judiciário existe a possibilidade de vários recursos.
E no tocante ao número de Oficiais demitidos eu solicitei que fosse ouvida a Polícia Militar, pois o número poderia ser menor que o estimado.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

TRÊS HORAS PARA REGISTRAR UMA OCORRÊNCIA.

Espera por BO leva 3 horas na maioria das DPs de SP.
Agencia Estado.
O tempo de espera para registrar um boletim de ocorrência (BO) é de no mínimo três horas em 71% das delegacias da capital paulista, segundo levantamento feito pela reportagem. Em alguns casos, a demora pode ultrapassar oito horas. Um BO deveria ser feito em até 40 minutos, conforme especialistas em segurança. Além da perda de tempo, as pessoas que necessitam dos serviços dos distritos policiais sofrem com o mau atendimento de escrivães, investigadores e até dos delegados.
Em dez dias, foram visitados os 93 DPs de São Paulo. Solicitou-se o registro simples de uma ocorrência fictícia: a morte de um cachorro que teria sido envenenado pelo vizinho. Em nenhum dos distritos a reportagem concluiu o registro, o que poderia caracterizar falsa comunicação de crime.
O Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) admite a má qualidade no atendimento das delegacias. O órgão promete adotar nova forma de trabalho nos distritos, a partir de 13 de outubro. A longa espera acontece, na maioria das vezes, em ambientes desconfortáveis. Em metade das delegacias falta privacidade, os banheiros são sujos e os móveis estão quebrados.
Mas nada supera o despreparo dos funcionários. Eles criam todo tipo de obstáculo para registrar as ocorrências e desestimulam a notificação, o que compromete as estatísticas criminais. Uma das estratégias adotadas foi despachar a reportagem para distritos vizinhos. Alegaram que a vítima não estava na unidade certa ou que as delegacias próximas eram mais vazias. Houve funcionários que exigiram nomes de suspeitos e até laudos.
A reportagem também flagrou casos de tratamento inadequado. No 101º Distrito Policial (DP), do Jardim das Imbuias, uma mulher perguntou ao escrivão se havia bebedouro no local. "Tem sim, atravessa a rua e vai comprar água na padaria", disse o servidor, que acabara de voltar do almoço - de uma hora e meia. Nesse período, o distrito ficou sem atendente.
'Corriqueiras'
O diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Marco Antonio Pereira Novaes de Paula Santos, reconhece os problemas no atendimento nas delegacias e afirma que as situações vividas pela reportagem "infelizmente são corriqueiras". Santos considera como "muito pouco" o fato de que em apenas 22 delegacias seria possível registrar o boletim no prazo de até uma hora. No entanto, ele aposta que a situação deve melhorar com o novo modelo de gestão, que será implantado em 15 dias.
Na opinião do diretor, o problema dos atendentes não seria falta de preparo - eles contam com o suporte do Grupo de Apoio ao Plantão(GAP) - mas stress e o fato de o sistema estar saturado. "Os funcionários não acreditam mais no resultado do que fazem e os boletins são registrados de maneira mecânica", diz. Com relação às constantes quedas da rede de computadores, usadas como desculpa para o não registro das ocorrências, o diretor do Decap afirma que os problemas estão sendo sanados. "Mas, provavelmente, muitos se valeram dessa desculpa."
Parte dos atendentes que se recusaram a registrar a ocorrência disse que era necessário esperar um laudo para comprovar o envenenamento. Além disso, muitos pediram um nome do suspeito. O diretor do Decap nega que isso seja preciso. Outra estratégia dos atendentes para se livrar dos usuários é dizer que a ocorrência deve ser feita na delegacia da região onde se deu o crime. "As pessoas têm direito de ser atendidas em qualquer distrito." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

27/08 - QUINTA-FEIRA - MAIS UM FORA SARNEY NO RIO.


REVISTA VEJA - O FILTRO - JULIANO MACHADO.
- Surdos e mudos.
A manchete do Estadão afirma que o PMDB, partido aliado, aumentou ontem a pressão sobre o governo ao obstruir as votações na Câmara. Depois de enterrar as denúncias contra José Sarney (PMDB-AP) no Conselho de Ética do Senado, exigindo o voto dos petistas do Conselho, e de cobrar apoio do Planalto e do PT para os candidatos peemedebistas nos Estados (tudo em troca do apoio à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência), o partido lidera agora ofensiva para a liberação do dinheiro de emendas dos parlamentares. O PMDB paralisou a Câmara até que o governo mostre um cronograma de liberação das emendas, com as datas de desembolso para obras dos municípios que são base eleitoral dos deputados. “Não pode a equipe econômica se fazer de surda e muda. Se é assim, aqui nós ficamos surdos e mudos também”, disse o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).
Cidadão brasileiro, salve o Brasil, não vote 15 em 2010.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

terça-feira, 28 de julho de 2009

O RIO DE JANEIRO DO CABRAL E DO PAES, O RIO DO PMDB...

O EXCLUÍDO FARDADO PROTESTA NA ALERJ

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO
Cidadão fluminense, você merece uma segurança pública de qualidade, o que já se mostrou impossível com a atual gestão da segurança pública.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A OLIGARQUIA MINC - MAIS UMA OLIGARQUIA PETISTA NO BRASIL DAS OLIGARQUIAS.

O GLOBO - ARTUR XEXÉO

O nosso espaço democrático denunciou à Ouvidoria do Ministério Público (RJ), o fato do Guia Ecológico da ONG Defensores da Terra, elaborado com dinheiro público e privado, conter mais de 20 fotografias onde aparecem Carlos Minc.
O guia é uma retrospectiva da militância ecológica do petista, que agora possa para fotos ao lado do lixo importado pelo Brasil (ou exportado para o Brasil).
Se você quiser reler os artigos e rever as fotos, basta digitar na pesquisa do blog; ONG Defensores da Terra.
Ontem, na sua coluna no jornal O Globo, Artur Xexéo informou que a mulher de Carlos Minc, Margarida Oliveira, a Guida, é a presidente da ONG Defensores da Terra há 10 anos!
Então, tudo está explicado, a mulher fez propaganda do marido.
Leiam a matéria que abre esse artigo.
Sem dúvida, adicionaremos à denúncia feita, esse novo fato, na esperança que o Ministério Público faça a sua parte.
Por favor, agora leiam O Estadão:
Filho de Minc é assessor parlamentar na Câmara do Rio.
Alexandre Rodrigues - Agencia Estado
RIO - Além da mulher, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tem um filho empregado como assessor parlamentar. O advogado José Luís Galamba Minc Baumfeld, de 27 anos, está lotado desde o início do ano no gabinete do vereador petista Adilson Pires na Câmara de Vereadores do Rio. O vereador, líder do governo do prefeito Eduardo Paes (PMDB) na Câmara, nega ter empregado o rapaz a pedido do ministro. Conhecido nos corredores da Câmara como Zezé, o filho de Minc foi nomeado para o cargo em comissão de Assistente 1, símbolo DAS-6, com salário bruto de R$ 4.587, aumentando a lista de parentes de políticos empregados nos gabinetes da Casa. Em abril, a mulher de Minc, Maria Margarida Galamba de Oliveira, também ganhou um cargo de secretária parlamentar, mas em Brasília, onde o ministro carioca passa a maior parte da semana desde que se tornou ministro do Meio Ambiente. Conhecida como Guida, ela foi nomeada no gabinete da deputada federal Cida Diogo (PT-RJ) na Câmara, ocupando a vaga de uma funcionária que foi empregada no Ministério do Meio Ambiente, numa espécie de nepotismo cruzado que o ministro negou. O salário dela é de cerca de R$ 4 mil. Cida e Pires integram a mesma corrente petista, a Mensagem ao Partido, liderada nacionalmente pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.Procurado na Câmara, José Luís não foi encontrado. Segundo Ribamar Pereira, chefe de gabinete de Pires, o rapaz participou da campanha do vereador, mas não foi contratado por motivos políticos. "Ele é um assessor técnico, está todos os dias no plenário e tem excelente desempenho". Embora não saiba informar sobre a experiência profissional dele, Pereira disse que ele foi escolhido por seu "notório saber em direito constitucional". Em nota, Pires reiterou que a contratação do rapaz, formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) com especialização em Direito Público, "se deu por critérios técnicos e de confiança política, não por indicação do pai". O vereador destaca que o rapaz é filiado ao PT e mostrou bom desempenho como advogado de sua campanha em 2008.
E, agora, leiam, por favor, os comentários do jornalista Reinaldo Avezedo (Revista Veja):
Comento:
É incrível como os filhos, mulheres, namorados, namoradas, agregados, amantes etc dos homens públicos brasileiros são competentes, não é mesmo? O que me causa espécie é que, sendo tão hábeis, em vez de procurar emprego na iniciativa privada, eles todas decidam ser “homens públicos” — em alguns casos, “mulheres públicas” também.
Sim, o leitor severo poderia dizer: “Pô, Reinaldo, porque o pai, a mãe, o marido ou mulher estão na política, um parente muito próximo não pode ter vocação para servir ao Estado? Ah, claro que pode. Então pergunto: por que essa gente nunca presta concurso? Por que o cargo é sempre arranjado? Por que a “vocação para servir” depende sempre de um pistolão, hein? Entenderam o ponto? O filho de Minc, a netaiada toda de Sarney (mais seus respectivos pares amorosos), a mulher de não sei quem… Toda essa gente quer servir? Excelente! Que faça a prova, não? Que concorra às vagas.
Carlos Heitor Cony, engrolando desculpas (ver posts abaixo) poderia dizer que isso, entre nós, é mesmo coisa muito antiga. É, sem dúvida. E, por isso mesmo, o pais é o que é. A sem-vergonhice se tornou uma tradição.
É A OLIGARQUIA MINC, MAIS UMA OLIGARQUIA PETISTA.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O SENADOR SARNEY (PMDB) E O FINANCIAMENTO DE CAMPANHAS FEITAS PELAS FARCS.

REVISTA VEJA - O FILTRO - JULIANO MACHADO.
- Sarney: mais denúncias e o filósofo Sêneca.
Ainda que de forma menos volumosa, surgem mais suspeitas contra a família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A Folha de S.Paulo (para assinantes) cita inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar sobrepreço de R$ 17 milhões na ampliação do aeroporto de Macapá, obra que Sarney trabalhou para viabilizar. Além disso, revela repasse de verba da Eletrobrás feito por associação ligada aos Sarney. Na sexta-feira, o parlamentar fez um balanço de seis meses no comando do Senado. E incluiu sua defesa em um discurso que lista 40 medidas que ele teria tomado “para a modernização do funcionamento e o saneamento dos graves problemas de natureza ética e legal” da Casa. Pela ótica do senador, tudo não passa de uma campanha pessoal contra ele, arquitetada pela imprensa. O discurso, com exatas 2.711 palavras e ouvida por apenas 5 dos 81 senadores, termina com uma citação do filósofo Lúcio Aneu Sêneca (4 a.C-65 d.C). “Sêneca dizia que as grandes injustiças só podem ser combatidas com o silêncio, a paciência e o tempo”, diz a íntegra do discurso reproduzida pelo portal do jornal o Estado de S.Paulo.
- Financiamento das Farc:
O governo da Colômbia encaminhou ontem à OEA (Organização do Estados Americanos) vídeo em que um dos líderes da Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) afirma que a guerrilha fez doações para a campanha de Rafael Correa à Presidência do Equador. Segundo o diário El Universo, o governo colombiano busca “investigações pertinentes” sobre as imagens. O vídeo, divulgado no final da semana pela Associated Press, põe mais fogo na crise diplomática entre os governos de Álvaro Uribe e Correa. As relações foram estremecidas após um ataque de Bogotá a um acampamento da guerrilha colombiana em solo equatoriano, em 2008. Correa nega relações com as Farc. No Equador, o caso será investigado pelo Ministério Público e por uma comissão independente.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O POVO MORRE NAS FILAS DOS HOSPITAIS PÚBLICOS E OS SENADORES POSSUEM UM PLANO DE SAÚDE VITALÍCIO.

O fantástico Plano de Saúde vitalício dos senadores.
Eugênia Lopes e Rosa CostaFonte.
O Estado de São Paulo (26.04.09).
Basta passar seis meses como Senador para ter garantido, sem nada mais pagar, um plano de saúde familiar vitalício que consome por ano R$ 17milhões.
O pior e que com um plano de saúde desses e a despreocupação com a vida,tornam os senadores, como esse aí, quase imortais, não morrem nunca, se perpetuam no planeta, causando despesas eternas aos cofres públicos.
Esse é o melhor plano de Saúde familiar do mundo, um custo benefício sem precedentes: uma cobertura total, desde o começo, sem preocupações com doenças preexistentes, sem limites de idade e nenhum custo, para o resto da vida, que se alonga pelas facilidades com o atendimento médico e custa ainda mais ao contribuinte.
A matéria de Eugênia Lopes e Rosa Costa no Estadão de hoje, põe a descoberto mais um exagerado beneficio que o senhores senadores e senadoras se autopremiaram apesar nas costas de todos os brasileiros:
Os 310 ex-senadores e seus familiares pensionistas custam pelo menos R$ 9milhões por ano, cerca de R$ 32 mil por parlamentar aposentado.
Detalhe: para se tornar um ex-senador e ter direito a usar pelo resto da vida o sistema de saúde bancado pelos cofres públicos é preciso ocupar o cargo por apenas seis meses. Antes de 1995, a mordomia era ainda maior: bastava ter ficado na suplência por apenas um dia.
No total, os 81 senadores da ativa e os 310 ex-senadores e seus pensionistas usufruem de um sistema privilegiado de saúde que consome cerca de R$ 17 milhões por ano.
Os parlamentares da ativa e seus familiares não têm limite de despesas com saúde: em 2008, gastaram cerca de R$ 7 milhões - R$ 80 mil por senador.
No ano passado, os gastos globais do Senado com saúde para parlamentares e servidores foram de R$ 70 milhões. O Senado não divulga, no entanto, o valor dessas despesas apenas com senadores. O diretor-geral, Alexandre Gazineo,alega que precisa de "tempo" para obter esses dados.
O Estado apurou que, em 2008, o Senado gastou cerca de R$ 53 milhões com a saúde de 18 mil servidores efetivos e comissionados, entre ativos e inativos. Ao contrário dos senadores, que não descontam um tostão para ter todas as despesas de saúde pagas, os servidores em atividade e inativos têm descontados, em média, R$ 260 por mês. O custo de cada servidor ao ano é de cerca de R$ 3 mil.
E não precisam nem trabalhar: O senador Mão Santa preside a sessão para ninguém.
A foto é de uma sexta-feira, 24 de abril de 2009 - 13h03, horário de sessão. As sexta-feiras não há mais senadores em Brasília, chegam na terça e abandonam o senado e Brasília na quinta a noite, no mais tardar, aestá altura já estão em casa, ou em Nova Iorque , Miami, Paris, Londres...
Para este ano, a previsão feita no Orçamento estabeleceu R$ 61 milhões paraarcar com a saúde dos senadores e servidores. Na quinta-feira, o Senado anunciou contingenciamento de R$ 25 milhões nas despesas médicas e odontológicas. Ou seja: o orçamento de 2009 deverá ficar em R$ 36 milhões. A área técnica do Senado está convicta de que o corte recairá integralmente sobre a saúde dos servidores. Os senadores continuarão com as despesas ilimitadas.
Técnicos começaram a fazer estudo para compensar o corte no orçamento deste ano no plano de saúde dos servidores. Uma das hipóteses é aumentar a contribuição dos funcionários. Atualmente, existem 262 servidores efuncionários comissionados em tratamento de câncer à custa do Senado. Diante do anúncio de contingenciamento, 18 famílias procuraram a direção do Senado nas últimas 24 horas para saber se serão atingidas com o corte de gastos.
O pagamento das despesas médicas de senadores, ex-senadores e dependentes é regulamentado pelo Ato nº 9, de 8 de junho de 1995. A norma prevê que oSenado arca com todas as despesas dos senadores, sem limites. Estabelece até o pagamento de cirurgias e tratamento médico no exterior. Tudo tem de ser autorizado pela Mesa Diretora, que raramente nega o pedido de gastos médicos.
O limite de R$ 32 mil de gastos anuais para ex-senadores, aliás, é frequentemente ignorado. É o caso, por exemplo, do ex-senador ReginaldoDuarte (PSDB-CE) - ele recebeu R$ 45.029,02 de ressarcimento em gastos médicos, em fevereiro deste ano.
Só o senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL), já colocou no plano de saúde vitalício familiar do senado, seus dois primos: o primeiro suplente, senador Euclydes Affonso de Mello Neto (PTB-AL) e a segunda suplente AdaMercedes de Mello Marques Luz (PTB-AL), que assumem alternativamente nas ausências do primo ilustre. Euclydes já está garantido, Ada precisa de mais alguns meses de suplência, mas vai chegar lá, podem ter certeza.
Além dos senadores e ex-senadores, a regalia de atendimento médico vitalício também é estendida aos servidores que ocuparem o cargo de diretor-geral e secretário-geral da Mesa. Essa mordomia, criada em 2000, beneficia hoje Agaciel Maia, que deixou o cargo em março por não ter registrado em seu nome a casa onde mora, avaliada em R$ 5 milhões. Outro favorecido é Raimundo Carreiro, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Esse mesmo senado aprovou, por emenda constitucional, os funcionários públicos já em gozo de aposentadoria a passarem a contribuir com 11% de taxa previdenciária. Quem mandou não ser senador? (clique e leia).

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

sábado, 11 de abril de 2009

REVISTA VEJA - O ESCÂNDALO DO AUMENTO DE SERVIDORES NO GOVERNO LULA (PT).

Presidência,com Lula, tem dobro de servidores de Obama.
11 de Abril de 2009.

Brasília - O total de servidores que trabalham hoje na estrutura da Presidência, sob a gestão Luiz Inácio Lula da Silva, é quase o dobro da equipe que assessora o presidente americano, Barack Obama. O americano emprega 1.800 pessoas, de acordo com informações oficiais do site da Casa Branca, enquanto o presidente brasileiro conta com 3.431.
O número de servidores do Palácio do Planalto vem crescendo ano a ano. No fim do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em dezembro de 2002, estavam lotados na Presidência 2.133 servidores. Ao se encerrar o primeiro mandato de Lula, já eram 3.346. Agora, são 57% a mais que no fim da gestão tucana.
De longe, o órgão que mais inchou foi a Casa Civil: quase triplicou o número de funcionários. No fim de 2002, eram 636, distribuídos entre 428 ocupantes de DAS e 208 GRs - as siglas referem-se aos servidores que recebem gratificação. Só podem ocupar as vagas de GRs funcionários de carreira de outros órgãos públicos cedidos à Presidência. Já os DAS podem ou não ser integrantes do funcionalismo.
No fim do primeiro mandato de Lula, quando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, havia recentemente assumido o cargo, a pasta já tinha inchado bastante, aumentando em 2,7 vezes a quantidade de funcionários, totalizando 1.746 servidores. Antes dela, o cargo era ocupado por José Dirceu.
Em dezembro de 2006, o número de DAS saltou de 428 para 513 e o de GRs foi de 208 para 1.233. Ao término de 2008, esse número sofreu um pequeno ajuste, caindo para 466 cargos DAS e 1.210 GRs. Os números são da própria Casa Civil.
A Casa Civil explicou que a multiplicação de órgãos e a criação de secretarias justificam o maior número de servidores. Informou que, em 2002, a estrutura da Presidência tinha sete órgãos, em 2006 eram nove e, no ano passado, totalizava dez.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO - BLOGOSFERA POLICIAL CRESCE E VIRA ESTUDO DA ONU.

Dificuldade dos oficiais para se manifestar na estrutura rígida é um dos aspectos apontados para o crescimento.
Mário Sérgio Lima - Agência Estado.
SÃO PAULO - O número de blogs feitos por policiais vem aumentando expressivamente no País. Desde 2006, ano da criação do primeiro deles, o "
Diário de um PM", do policial Alexandre Souza, já entraram no ar 65 sites, ainda hoje ativos, segundo levantamento do blog "Abordagem Policial", espalhados por 14 Estados brasileiros. Entre os motivos da proliferação desses blogs estão a dificuldade que os policiais têm para se manifestar dentro da estrutura rígida de disciplina e hierarquia da corporação e a facilidade da construção dos diários virtuais. O crescimento chamou atenção da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que resolveu fazer um estudo para ver no que esses blogs podem contribuir para a discussão de soluções para a segurança pública. O trabalho está em andamento e é feito em parceria com Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro.

"Já era blogueiro, então já conhecia o meio. E havia uma necessidade de expressão e não encontrávamos um ambiente próprio", conta Danillo Ferreira, um dos autores do blog "Abordagem Policial". De acordo com a socióloga Silvia Ramos, que está coordenando a pesquisa da parceria com a Unesco, esse é o primeiro estudo sobre essa nova tendência na cobertura de assuntos relativos à segurança e à criminalidade. "O que me chamou a atenção foi a maneira como muitos blogs se posicionavam. Eles queriam falar, chamar a palavra, dar a versão deles sobre os acontecimentos", explica a socióloga. "Queremos entender como o fenômeno dos blogs pode ajudar na definição da agenda de discussões sobre segurança, qual o poder multiplicador por trás deles", explica Guilherme Canela Godoi, coordenador do setor de comunicação e informação da representação da Unesco no Brasil.

Uma característica marcante do movimento de blogueiros policiais é a busca pela integração. Praticamente todos os blogs policiais têm os outros policiais blogueiros como público. Souza, o pioneiro, cunhou a expressão "Blogosfera Policial" para denominar o conjunto de blogs cujos autores são policiais, e a contagem dos blogs ativos é compilada pelo "Abordagem Policial". "Acho que em nenhuma outra profissão há essa ligação e união entre os blogueiros, como entre os policiais", aponta Ferreira. Para Silvia Ramos, há ainda outra explicação para o fenômeno crescente: "Há um choque entre os policiais novos entrando nas corporações e a tradição da polícia", afirma.

Além da necessidade de expressão, a repercussão possibilitada pela internet é também motivadora. "Queria dar mais visibilidade à minha visão sobre a administração da Segurança Pública no Rio, ainda na época do Marcelo Itagiba (deputado federal e secretário de segurança durante o governo Rosinha Garotinho)", afirma o major
Wanderby Medeiros, do blog com seu nome.

O blog de Wanderby é um dos mais ácidos nas críticas à administração do Rio. O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, é alvo de diversas críticas no blog. As enquetes feitas por Wanderby também são fortemente críticas: questões propostas variam desde "Houve fraude na eleição de (Eduardo) Paes?" a "O delegado Beltrame deve ser exonerado?". Sobram farpas para o governador Sérgio Cabral. O major foi denunciado por críticas ao chefe do Estado Maior, coronel Antônio Carlos Suárez David, e ao comandante-geral da PM do Rio, Gilson Pitta Lopes. "Meu blog é um retrato do que eu penso", afirma.

Embora a pesquisa da Unesco ainda esteja no começo, duas tendências já se destacam entre os blogs de policiais, segundo Silvia Ramos: existem blogs mais rebeldes, com críticas ao comando e revolta por salários e condições de trabalho, e aqueles que privilegiam "serviços". "No blog 'Diário de um PM', por exemplo, há muitos comentários em postagens sobre concursos da PM e cursos voltados aos policiais", afirma. Ela também observa que vários dos blogs de policiais acabam se limitando a reproduzir notícias veiculadas na imprensa. "Não há em alguns deles uma produção própria", observa.

Censura

A temática dos blogs é variada, embora a discussão da questão salarial seja um fator em comum na maioria deles. Outro tema recorrente é a censura a que são submetidos os blogs policiais. O Blog "Abordagem Policial", por exemplo, tem posts discutindo as restrições a que são submetidos os militares e defendendo maior liberdade de manifestação. O capitão da PM do Rio Luiz Alexandre também discorre sobre o tema, embora com tom mais crítico. Luiz Alexandre, que já foi chamado a prestar esclarecimentos à Corregedoria da PM por conta de postagens no blog, não poupa críticas a Beltrame em sua página. O governo do Rio também é duramente criticado em páginas mantidas anonimamente por policiais. A maioria dos blogueiros policiais, contudo, assume nome e posição na corporação. Há ainda o blog "
Depoimento Anônimo", cujo autor se identifica apenas como "um escrivão de polícia". A temática de seu site é contar casos do cotidiano de um escrivão.

Sobram também críticas para a cobertura que a imprensa faz sobre assuntos de polícia, como no blog "
Crônicas de um Sargento de Polícia", que também fala bastante das situações difíceis encontradas pelos policiais durante sua atuação profissional. Além de notícias sobre concursos da polícia e sobre eventos e cursos disponíveis para policiais, o blog "Diário de um PM" tem como um diferencial a contagem dos PMs mortos no Rio no ano. Já o "Diário do Stive" (com "i" mesmo) mantém uma tabela com dados sobre os salários de policiais pelo Brasil, abastecida com informações pelos agentes de todos os Estados.

"Desde que fiz meu blog pude conhecer PMs do Brasil inteiro", afirma o soldado Robson Niedson, do blog "Diário do Stive". Ele também tem um fórum dedicado às discussões relevantes para a categoria, como a questão salarial. "Ainda não tem a movimentação que eu esperava", admite. No seu Estado, Goiás, a própria Polícia Militar tem um blog corporativo (o primeiro da América Latina), e o comandante-geral da PM do Estado, coronel Carlos Antônio Elias, também é blogueiro. "Isso acaba com a visão de que a liderança é ausente e traz um reflexo positivo da figura do comandante, reforçando o princípio comunitário da polícia. Estou tendo uma boa resposta da tropa", afirma o coronel, sobre seu blog pessoal. Sobre a página corporativa, ele aponta que surgiu da necessidade de aproximar a PM do cidadão, criando um ambiente mais interativo. "Queremos implementar a polícia comunitária, mais próxima da população", diz. Para Danillo Ferreira, é importante estimular mais policiais a usarem a ferramenta da internet para manifestação de opiniões.

Estudo

Para realizar o estudo, previsto para ser concluído em novembro deste ano, as pesquisadoras Silvia Ramos e Anabela Paiva vão estudar cada um dos blogs, analisando o conteúdo. Também estão previstos encontros de discussão: o primeiro foi realizado no dia 27 de março, organizado pelas embaixadas de Canadá e Estados Unidos, no Rio de Janeiro. O estudo será completado com entrevistas com os blogueiros. A Unesco financiará o projeto. De acordo com Godoi, coordenador do setor de comunicação e informação da representação da Unesco no Brasil, a organização lançou um edital para a escolha do pesquisador que seria responsável por coordenar o estudo.
"Recebemos cerca de 15 a 20 interessados, e a professora Silvia foi a escolhida por causa do seu currículo e de seus estudos sobre relação entre mídia e violência", explica Godoi. Segundo ele, os resultados obtidos na pesquisa irão ajudar a Unesco a determinar suas novas ações sobre discussão de segurança pública no País.
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A "CRISE DA MAROLINHA" DERRUBA OS EMPREGOS.

O ESTADÃO:
EMPREGO NA INDÚSTRIA CAI PELO QUINTO MÊS SEGUIDO EM FEVEREIRO, DIZ IBGE.
Índice no setor caiu 1,3% na comparação com janeiro e 4,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. (clique e leia).


PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

AGONIZA O SEGREDO BANCÁRIO SUÍÇO - JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO.

EMAIL RECEBIDO:
A maior lavandaria de dinheiro do mundo ameaça falir e poderá arrastar consigo, um país inteiro! União de Bancos Suiços, a coisa está muito feia! Está pegando fogo!
Agoniza o segredo bancário suíço.
Artigo de Gilles Lapouge (correspeondente de O Estado de São Paulo em Paris).
A Suíça tremula.
Zurique alarma-se.
Os belos bancos, elegantes, silenciosos de Basileia e Berna estão ofegantes.
Poderia dizer-se que eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um moribundo. Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o segredo bancário suíço.
O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo com o presidente Obama.
O primeiro tiro de advertência foi dado na quarta-feira.
A UBS - União de Bancos Suíços, gigantesca instituição bancária suíça - viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes americanos por ela ajudados para fraudar o fisco. O banco protestou, mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos. Os suíços, então, passaram os nomes.
E a vida bancária foi retomada, tranquilamente.
Mas, no fim da semana, o ataque foi retomado. Desta vez os americanos golpearam forte, exigindo que a UBS forneça o nome dos seus 52.000 clientes titulares de contas ilegais!
O banco protestou.
A Suíça está temerosa.
O partido de extrema-direita, UDC (União Democrática do Centro), que detém um terço das cadeiras no Parlamento Federal, propõe que o segredo bancário seja inscrito e ancorado pela Constituição federal.
Mas como resistir!
A União de Bancos Suíços não pode perder sua licença nos EUA, pois é nesse país que aufere um terço dos seus benefícios.
Um dos pilares da Suíça está sendo sacudido. O segredo bancário suíço não é coisa recente. Esse dogma foi proclamado por uma lei de 1934, embora já existisse desde 1714. No início do século 19, o escritor francês Chateaubriand escreveu que neutros nas grandes revoluções nos Estados que os rodeavam, os suíços enriqueceram à custa da desgraça alheia e fundaram os bancos em cima das calamidades humanas.
Acabar com o segredo bancário será uma catástrofe econômica. Para Hans Rudolf Merz, presidente da Confederação Helvética, uma falência da União de Bancos Suíços custaria 300 bilhões de francos suíços ou 201 milhões de dólares. E não se trata apenas do UBS. Toda a rede bancária do país funciona da mesma maneira.
O historiador suíço Jean Ziegler, que há mais de 30 anos denuncia a imoralidade helvética, estima que os banqueiros do país, amparados no segredo bancário, fazem frutificar três trilhões de dólares de fortunas privadas estrangeiras, sendo que os ativos estrangeiros chamados institucionais, como os fundos de pensão, são nitidamente minoritários. Ziegler acrescenta ainda que se calcula em 27% a parte da Suíça no conjunto dos mercados financeiros "offshore" do mundo, bem à frente de Luxemburgo, Caribe ou o extremo Oriente.
Na Suíça, um pequeno país de 8 milhões de habitantes, 107 mil pessoas trabalham em bancos. O manejo do dinheiro na Suíça, diz Ziegler, reveste-se de um caráter sacramental. Guardar, recolher, contar, especular e ocultar o dinheiro, são todos actos que se revestem de uma majestade ontológica, que nenhuma palavra deve macular e realizam-se em silêncio e recolhimento...
Onde páram as fortunas recolhidas pela Alemanha Nazi? Onde estão as fortunas colossais de ditadores como Mobutu do Zaire, Eduardo dos Santos de Angola, dos Barões da droga Colombiana, Papa-Doc do Haiti, de Mugabe do Zimbabwe e da Mafia Russa? Quantos atuais e ex-governantes, presidentes, ministros, reis e outros instalados no poder, até em cargos mais discretos como Presidentes de Municipios têm chorudas contas na Suiça? Quantas ficam eternamente esquecidas na Suíça, congeladas, e quando os titulares das contas morrem ou caem da cadeira do poder, estas tornam-se impossíveis de alcançar pelos legítimos herdeiros ou pelos países que indevidamente espoliaram? Porque após a morte de Mobutu, os seus filhos nuncam conseguiram entrar na Suíca? Tudo lá ficou para sempre e em segredo...
Agora surge um outro perigo, depois do duro golpe dos americanos. Na minicúpula européia que se realizou em Berlim, em preparação ao encontro do G-20 em Londres, França, Alemanha e Inglaterra (o que foi inesperado) chegaram a um acordo no sentido de sancionar os paraísos fiscais.
"Precisamos de uma lista daqueles que recusam a cooperação internacional", vociferou a chanceler Angela Merkel.
No domingo, o encarregado do departamento do Tesouro britânico, Alistair Darling, apelou aos suíços para se ajustarem às leis fiscais e bancárias européias.
Vale observar, contudo, que a Suíça não foi convidada para participar do G-20 de Londres, quando serão debatidas as sanções a serem adotadas contra os paraísos fiscais.
Há muito tempo se deseja o fim do segredo bancário. Mas até agora, em razão da prosperidade econômica mundial, todas as tentativas eram abortadas. Hoje, estamos em crise.
Viva a crise!!!
Barack Obama, quando era senador, denunciou com perseverança a imoralidade desses remansos de paz para o dinheiro corrompido.
Hoje ele é presidente. É preciso acrescentar que os Estados Unidos têm muitos defeitos, mas a fraude fiscal sempre foi considerada um dos crimes mais graves no país.
Nos anos 30, os americanos conseguiram laçar Al Capone.
Sob que pretexto? Fraude fiscal.
Para muito breve, a queda do império financeiro suiço!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

segunda-feira, 16 de março de 2009

POLICIAIS DE TODO O PAÍS ADMITEM QUE TOLERAM A CORRUPÇÃO E FALHAS DE COLEGAS.

JORNAL O ESTADÃO - SÃO PAULO - 16/03/2009.
Policiais de todo o País admitem que toleram corrupção e falhas de colegas.
Quanto mais baixa é a escolaridade maior é a complacência com atos ilícitos; eles ainda ligam crime e pobreza.
Luiz Alberto Weber e Vannildo Mendes, BRASÍLIA.

Meio assistente social, meio agente de repressão. Uma radiografia inédita do policial civil e militar brasileiro revela um profissional que possui ao mesmo tempo ideias "ongueiras" e conservadoras sobre a criminalidade. Na relação com os colegas, porém, desvendam-se pactos de silêncio e cumplicidade. E nos questionários da Fundação Getúlio Vargas (FGV) detecta-se um comportamento comum em todos os Estados: complacência com atos de corrupção, que impedem o policial de denunciar colegas envolvidos em atos ilícitos. A pesquisa revelou associação significativa entre o padrão de escolaridade do policial, o nível de aceitação da corrupção e outras transgressões policiais. Menos anos de escola, mais "deixa pra lá". Como, em média, 49,77% dos policiais brasileiros possuem apenas ensino médio, o quadro é preocupante. "Mostramos que a educação tem um papel muito importante no processo de construção de um sistema de segurança mais eficaz e imune à corrupção", dizem os coordenadores da pesquisa, os professores Marco Aurélio Ruediger e Vicente Riccio.Esse levantamento traz "opiniões e valores" dos agentes sobre temas de segurança pública e sobre o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), carro-chefe das políticas do Ministério da Justiça para reverter o cenário de violência no País. Os policiais entrevistados recebem o bolsa-formação do Ministério e são cadastrados no Programa de Ensino a Distância. Foram realizadas 23.540 entrevistas em 23 Estados de todas as regiões, entre 3 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro deste ano. Amapá, Goiás, Paraná e Distrito Federal ficaram de fora.
MAIORIDADE PENAL.
Na análise dos dados, observa-se que policiais tendem a ver o ingresso no mundo do crime como produto de pressão do ambiente, do meio social, e não como opção pessoal ou fruto da repressão insuficiente. Para 74,38% dos entrevistados, a pobreza e a desigualdade são as causas principais da criminalidade. Mas 89,11% defendem a redução da maioridade penal, atualmente em 18 anos. E quase todos - 91,39% - mostraram-se contrários à liberalização de drogas leves. Já 75,67% acreditam que os crimes de homicídio, tráfico de drogas e estupro têm punição branda pela lei penal brasileira.A pesquisa identificou um buraco negro na segurança pública, com repercussões óbvias no combate à criminalidade. As queixas se referem à formação dos policiais e às condições de trabalho. Na origem do problema, segundo diagnóstico da FGV, está a licenciosidade na aplicação dos recursos públicos, que são alocados nem sempre da maneira mais eficiente. Apenas 16,55% dos entrevistados afirmaram que as condições físicas do local de trabalho e dos equipamentos utilizados, como armas, veículos, rádios e computadores, eram boas. Para 45,02%, são "precárias" ou "muito precárias". No quesito formação, quase um terço dos policiais (32,39%) apontou que não há ofertas de cursos de reciclagem em suas corporações. Os questionários expõem uma situação preocupante para os cidadãos. Grande parte do aprendizado policial ocorre nas ruas, na prática. E menos de um quarto dos entrevistados (23,53%) considerou que o treinamento padrão recebido na academia pode ser classificado como "muito utilizado" - 77,24% dos militares e civis consideraram "regular" ou "ruim" essa preparação.Verdadeira epidemia nas polícias estaduais, o bico, que os divide entre a missão pública e os clientes privados, é visto pelos civis e militares como problema orçamentário. Indagados sobre qual deveria ser a remuneração mínima para que um policial se dedicasse exclusivamente à atividade na polícia em tempo integral, PMs e civis de todo o Brasil responderam, respectivamente, R$ 3.202,93 e R$ 4.471,94 em média. Para o agente da Polícia Civil de São Paulo, esse valor seria ainda maior: R$ 5.028,46. Hoje, do total pesquisado, 84,48% ganham entre dois e cinco salários mínimos.
MINORIA SATISFEITA.
Por causa de condições salariais e de formação, só 26,23% dos entrevistados estão satisfeitos com a profissão, embora 87,6% a considerem "muito importante". A maioria (72,94%) está total ou parcialmente insatisfeita com as condições de trabalho e grande parte (41,4%) até admite mudar de profissão, enquanto outros 9,1% acham que dificilmente se manterão nela.Com um sistema de bolsa-formação, remuneração extra e treinamento, o Pronasci é bem recebido pelos entrevistados, que aprovam, segundo a FGV, o papel do governo federal na valorização da corporação e no incremento da segurança pública do País. Seria uma espécie de antídoto contra a corrupção e outras transgressões. "Há uma aceitação crescente e positiva do Pronasci e os resultados estão dentro da filosofia do programa. O desafio que se coloca é fixá-lo como um programa de Estado, de forma a ter continuidade para além da atual administração, com um horizonte mínimo de dez anos", dizem Ruediger e Riccio.
METODOLOGIA.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou 23.540 entrevistas, no período de 3 de dezembro de 2008 a 18 de janeiro de 2009. Dentre os profissionais de segurança pública entrevistados, 88,23% são do sexo masculino e 11,77% do sexo feminino. O estudo, nessa versão, não considerou os Estados de Amapá, Goiás e Paraná e o Distrito Federal. O objetivo da pesquisa é aferir opiniões e valores dos policiais e demais profissionais do setor sobre a segurança pública em geral e sobre o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania do Ministério da Justiça.Para realizar os questionários, a FGV enviou e-mails para todos os profissionais que recebem o bolsa-formação e também para os profissionais cadastrados no Ensino a Distância - EAD, explicando o objetivo da pesquisa e solicitando a resposta do questionário no formato online.

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO