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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

REFLEXÃO: O DISQUE DENÚNCIA DEVE SER 0800?

COMENTÁRIO POSTADO:
Não entendo o motivo pelo qual as autoridades insistem para que a população faça denúncias no disque denúncia, pois, este orgão é uma ONG, e além disso, a ligação é paga. Se temos o 190 que é gratuito e recebe chamada também de celular.
Qual será o motivo pelo qual sempre se evidencia o disque denúncia?
Agindo assim, as autoridades reconhecem que a Polícia pelo 190 não é confiavél.
Na Alerj tem o disque denúncia da segurança pública que é 0800 e nem os deputados divulgam.
Se realmente as autoridades quiserem investigar denúncias, imitariam São Paulo que é 0800.
Cada um defende o que favorece a ele ou tem a certeza que a Polícia e as autoridades não são confiavéis?
Anônimo
Qual a sua opinião?
O DD deve ser 0800?
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

A CORREGEDORIA GERAL UNIFICADA, A OUVIDORIA DE POLÍCIA E O DISQUE DENÚNCIA.

Político gosta de criar órgãos e colocar seu nome na parede, o que provoca uma multiplicidade de órgãos com funções semelhantes e no Rio de Janeiro não é diferente.
No Rio foi criado o Disque Denúncia (DD) um órgão que recebe denúncias anônimas através de ligações telefônicas e que tem funcionado muito bem, eu sou testemunha da eficiência, considerando que na função de Corregedor Interno da PMERJ recebia parte significativa das denuncias.
O DD recebe informações sobre a criminalidade em geral, como no caso do Complexo do Alemão, assim como, recebe denúncias contra Policiais Militares, Policiais Civis e Bombeiros Militares.
O DD não investiga, apenas encaminha as denúncias recebidas.
No Rio também existe a Ouvidoria de Polícia que recebe também denúncias contra policiais e também não investiga.
Ainda existe na estrutura governamental a Corregedoria Geral Unificada (CGU), que além de receber denúncias, promove investigações, quando o fato envolve simultaneamente profissionais de segurança pública de mais de uma instituição (Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros), embora, também avance em casos que envolvam profissionais de uma única instituição, o que foge do seu código genético.
Em termos de publicidade, apenas o DD consegue apresentar um trabalho com visibilidade.
Uma rápida olhada e salta aos olhos que temos dois órgãos para receber denúncias, isso sem falar nas Corregedorias Internas, o que nos leva a propor que o governo estadual busque uma unificação das denúncias, no intuito de buscar a eficácia, otimizando as ações e economizando esforços e recursos públicos, o nosso dinheiro.
Penso que o órgão central deva ser a Ouvidoria de Polícia que gerenciaria o sistema, dividindo as denúncias, ficando com as presenciais e com as oriundas de emails e das redes sociais, enquanto as anônimas por telefone continuariam com o Disque Denúncia.
A distribuição atual seria mantida.
A centralização das denúncias permitiria a GERAÇÃO DE CONHECIMENTO um ponto cego da dupla Ouvidoria-DD que só recebe as denúncias, mas não as analisa e nem correlaciona.
O conhecimento produzido alimentaria todos os órgãos de controle interno e externo.
É só uma ideia.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 29 de novembro de 2009

O BOCA DE SABÃO CONTINUA INFERNIZANDO A ATUAL GESTÃO DA POLÍCIA MILITAR.

Eu sou partidário na transparência do serviço público e adotei essa postura prática na minha vida profissional, na Corregedoria Interna tivemos um ótimo relacionamento com a mídia, tendo o cuidado de não expor nomes e fotogrfaias de investigados.
Creio ser a transparência uma das ferramentas para a construção de uma polícia democrática e cidadã.
Ontem, fui um dos entrevistados pelo jornal O Estado de São Paulo:
Anônimo do Twitter acusa PMs de desvios
Perfil Boca de Sabão foi criado por grupo que inclui oficiais e praças
Clarissa Thomé
Um perfil anônimo na rede social Twitter está provocando polêmica na Polícia Militar fluminense. Batizado com o sugestivo nome Boca de Sabão - fofoqueiro, na gíria policial -, o microblog se destina, principalmente, a apontar desvios de conduta cometidos por PMs. O suposto envolvimento de oficiais e praças com milícia, jogo do bicho, bingo e o recebimento de propinas aparecem no exíguo espaço de 140 caracteres, como é a regra do site. Em seis meses de atuação, o Boca de Sabão arregimentou 1.200 seguidores - inclusive o Escritório das Nações Unidas para Crime e Drogas -, postou mais de 2 mil mensagens e provocou reações indignadas, como a do chefe do Estado Maior da PM, coronel Álvaro Garcia, que chamou de "covardes" blogueiros que "tentam macular" a imagem da PM.
O Boca foi fundado por um grupo de oficiais, praças e "pessoas interessadas em segurança pública", segundo um dos criadores do microblog em conversa com o Estado por um sistema de mensagens instantâneas. "Desde o primeiro momento nosso foco era denunciar irregularidades, sejam elas administrativas ou de responsabilidade (incompetência).
"O e-mail denunciasproboca@gmail.com recebe cerca de dez mensagens por dia. Dessas, três são publicadas, depois de passar por uma espécie de checagem. Os criadores do perfil também são irreverentes: criaram o prêmio Ray Charles para o comandante "mais cegueta", ou seja, que não enxerga a corrupção em seu batalhão.
"O que há é uma corrupção institucionalizada, que vem desde o comandante do batalhão até o soldado na rua. Não são todos, mas o fato de os comandantes se envolverem contamina indiretamente o trabalho até dos policiais honestos, que são muitos", afirma o criador do blog.
"A corrupção na PM é simples, pois ironicamente segue os pilares de hierarquia e disciplina - um comandante honesto, só pela sua atitude, ou até sua fama, já dissuade bastante a corrupção em um batalhão."
O grupo já recebeu ameaças de morte pelo Twitter. Para garantir a segurança e escapar de punições dos superiores, posta as mensagens por telefone celular, para evitar ser rastreado.
"Soubemos por fontes que trabalham dentro do quartel general que há uma caçada, sim, para nos identificar. Em verdade, não temos como saber se há algum procedimento de apuração aberto contra nós, porque pode estar correndo em sigilo."
O comandante geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, informou que a corregedoria da corporação não investiga nenhuma das denúncias feitas pelo perfil Boca de Sabão no Twitter.
"A corregedoria realiza um sério trabalho de investigação sobre denúncias contra policiais, mas o denuncismo não fundamentado do perfil o invalida como fonte." Duarte informou ainda que o perfil também não está sob investigação.
O consultor de segurança Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e um dos roteiristas do filme Tropa de Elite, acha a iniciativa do Boca de Sabão válida, apesar de sofrer ataques dos criadores do microblog e criticar o anonimato do grupo. "É importante expor a corrupção policial. Há denúncias que fazem sentido e precisam ser investigadas. Eles já vinham falando da atuação do major Dilo (Dilo Pereira Soares) e o capitão Epaminondas (Epaminondas de Queiroz Medeiros) à frente da milícia de Rio das Pedras", afirmou Pimentel, a respeito de policiais que tiveram a prisão decretada nesta semana e estão foragidos. Ele alerta, no entanto, para o fato de o perfil estar sendo usado na disputa de poder na PM.
"É consenso hoje que o coronel Mário Sérgio Duarte é um oficial com histórico de honestidade e com competência para ficar à frente da Polícia Militar. Não faz sentido que seja atacado, a não ser que seja uma estratégia para desestabilizá-lo."
O coronel Paulo Ricardo Paúl, ex-corregedor da PM, também acredita em uso político do microblog. "A Polícia Militar está em processo de autofagia", afirmou. Mas ele defende a apuração de todas as denúncias. "O Estado aceita denúncia anônima pelo Disque-Denúncia. Como a PM toma conhecimento de um fato por Twitter ou blog e não apura? Tem de investigar, e tem de reforçar a corregedoria para dar conta do volume de informação."
Eu comento.
É muito estranho que a atual gestão não investigue as denúncias feitas através do twitter e isso deve merecer uma avaliação do Ministério Público, considerando que não faz o menor sentido que a PM investigue disque-denúncias e não investigue outras denúncias anônimas.
Afinal, como Mário Sério pode determinar que uma denúncia feita ao disque-denúncia também não constitui um denuncismo não fundamentado sem investigar.
Ele, mais uma vez, foi profundamente incorrente, como deverá ser também na promoção de dezembro, quando provavelmente promoverá a Coronel um Tenente Coronel que nunca comandou Unidade Operacional, o que seria obrigatório no seu comando, como afirmou categoricamente. Tal afirmação provoucou inclusive a saída do Tenente Coronel Carlos Mendes da DGAL, logo após empossado, que saiu para comandar uma Unidade Operacional para poder ser promovido, cumprindo a nova regra.
Como citei na reportagem as denúncias anônimas podem estar sendo utilizadas para desestabilizar a atual gestão, mais ainda, pois desestabilizada ela já está há muito tempo, desde o começo, ao ponto de ser clara a expectativa por mudanças a qualquer momento na área da segurança pública.
Essa tática de usar as denúncias anônimas sempre ocorreu na Polícia Militar para enfraquecer comandos gerais e comandos de Unidades Operacionais, não seria novidade.
Temos que condenar o anonimato, todavia temos também que entender que não podemos esperar que um Soldado, por exemplo, denuncie formalmente um comandante corrupto, pois não temos como evitar plenamente futuras represálias.
Isso é fato.
O que o boca de sabão denuncia deve ser apurado, não fazê-lo constitui uma grave irregularidade.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORRGEDOR INTERNO