segunda-feira, 21 de julho de 2008

POLICIAIS CIVIS: INVESTIGADOS NO RJ E AMEAÇA DE GREVE EM SP.

O DIA ONLINE.
Viaturas investigadas.
http://odia.terra.com.br/rio/htm/viaturas_investigadas_186596.asp
Corregedoria faz levantamento sobre 74 carros da Polícia Civil para saber qual deles teria participado do seqüestro de chinesa.
Paula Sarapu.
Rio - A polícia está fechando o cerco para tentar descobrir a viatura que teria seqüestrado a comerciante chinesa Ye Guoe, 35 anos, desaparecida desde quinta-feira, quando foi levada por supostos policiais depois de trocar R$ 220 mil por dólares em uma casa de câmbio na Barra da Tijuca. A corregedora da Polícia Civil, Ivanete Araújo, iniciou levantamento para saber quais dos 74 novos Palio Weekend, com adesivo dos Jogos Pan-Americanos, pode estar envolvida no sumiço da estrangeira.
Ye Guo foi retirada de um táxi por ocupantes da viatura pouco após sair do Shopping Downtown. Segundo o taxista, ele seguia para o Centro quando três homens desceram e apresentaram distintivos da polícia. Sem reagir, a chinesa os acompanhou.
Imagens da CET-Rio e do 31º BPM (Recreio) já vistas pelos policiais não flagraram viatura com essas características. Os carros, segundo Ivanete, não possuem GPS, mas precisam comunicar as saídas das delegacias ao Centro de Comando (Cecopol) e preencher boletim de tráfego ao abastecer no posto de combustível da polícia.
Hoje, o delegado Alessandro Thiers, da 16ª DP (Barra da Tijuca), vai analisar as imagens do shopping, onde a estrangeira foi vista pela última vez. Ele também pretende confirmar em qual das três casas de câmbio do local Ye Guoe teria feito a transação.
“A história não está encaixando e, com certeza, as pessoas mais próximas poderiam nos auxiliar mais. Precisamos saber a origem do dinheiro e quem mais sabia que ela estaria com aquela quantia. O marido negou que tivessem problemas com a Máfia Chinesa e que tivessem sofrido extorsões”, afirmou o delegado.
Um irmão da vítima, que mora em Ponta-Porã (MS), chegou ao Rio. Parentes estiveram na delegacia e ainda têm esperança de que a polícia a encontre com vida.
Várias versões para dinheiro.
O marido Ye Guoe, Chen Chien Hou, 34 anos, disse que falou com ela pouco antes do desaparecimento, pelo celular. Funcionário de uma pastelaria, ele apresentou ao delegado três versões diferentes sobre a quantia que a mulher portava. De início, não mencionou que ela estava com o dinheiro. Depois, chegou a dizer que eram economias para enviar a parentes na China. Por último, falou que era “coisa dela”.
O casal se conheceu no Brasil há sete anos. Eles têm duas filhas, de 5 e 7 anos, moram na Tijuca e possuem visto permanente. Ye Guoe trabalhava como vendedora de artigos trazidos da China e viaja muito para São Paulo. O consulado chinês acompanha as investigações.
O marido diz que estava em São Paulo. “Ela estava saindo do shopping com aquele dinheiro. Não sei para o que era. Não sei se foi seqüestro. Mas queremos ela de volta”, disse, angustiado.

O GLOBO ONLINE.
Delegado requisita imagens de câmeras de segurança para investigar desaparecimento de chinesa na Barra.
Clique e leia:
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2008/07/20/delegado_requisita_imagens_de_cameras_de_seguranca_para_investigar_desaparecimento_de_chinesa_na_barra-547336500.asp

O DIA ONLINE.
SP: Polícia Civil ameaça greve em agosto.
http://odia.terra.com.br/brasil/htm/sp_policia_civil_ameaca_greve_em_agosto_186632.asp

São Paulo - A partir do dia 13 de agosto, a Polícia Civil pode entrar em greve em todo o Estado de São Paulo para reivindicar por reposição salarial. Neste domingo, sindicatos do setor realizaram manifestação na Praça da Sé reunindo cerca de 500 policiais.
De acordo com o jornal Folha de São Paulo, o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp), João Batista Rebouças da Silva Neto, 30% do efetivo seguirá trabalhando, conforme manda a lei. "Os policiais ficarão em greve por tempo indeterminado se o governo não negociar", garantiu.
As informações são do Terra.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

TENENTE-CORONEL PRÍNCIPE ENTREVISTADO POR GUSTAVO DE ALMEIDA.

Blog do jornalista Gustavo de Almeida:
18 de julho de 2008.
O PRÍNCIPE CONTRA MAQUIAVEL.
Política de confronto, Polícia Comunitária, inteligência policial, investigação, política na polícia, polícia corrupta, enfrentamento, PAC da Segurança: há anos o discurso varia nas palavras mas a ação é a mesma, ou seja, apenas o despejo nas ruas de pessoas pouco instruídas, oriundas de classes sem acesso à educação ,à saúde e à cultura. Pessoas que vão para as ruas pagando uma farda do próprio bolso, com uma arma e virando noites como os dois policiais assassinados na Fonte da Saudade, em um atentado monstruoso contra o Estado. Não se trata aqui de comparar os crimes, e nem de diminuir o horror da morte de João Roberto.
Mas é fato que João Roberto foi morto por pessoas que jamais quiseram matá-lo. Pessoas que pagarão na Justiça pela morte, mas que nunca quiseram, com certeza, matar uma criança. Atiraram porque vivem na política do confronto, da guerra - a solução que se pensou contra o subemprego do tráfico absorvido pelo crime organizado e armado.
No atentado contra o Estado perpretado na manhã desta quinta-feira, a intenção de matar, de cometer um crime bárbaro, está mais do que clara. Esta é a diferença.Se o Estado brasileiro quiser dar uma resposta só para os PMs que mataram João Roberto e para os PMs que foram (e são) assassinados na esquina, a resposta começa com uma palavra só: SALÁRIO.
Jogar um sujeito com uma arma na mão, fazendo bico de segurança por R$ 30 por noite, para se sujeitar a proteger a população é IRRESPONSABILIDADE.
Precisamos parar com o discurso do idealismo. Nem médico faz mais sacerdócio. Segurança Pública é algo seríssimo, é o setor que mais precisa de intervenção. A tropa precisa de lideranças, comandantes, referências, e SALÁRIO. Salário bom, que permita ao policial pensar duas vezes antes de se corromper. Salário que permita o sujeito dar um presente para o filho. Na verdade, salário que permita ao sujeito ter um filho.
É preciso que a sociedade inteira acorde para o perigo que vivemos: policiais mal-pagos, armados e passando necessidades nas ruas são a gênese do banditismo, da corrupção, da violência, da milícia criminosa, da INSEGURANÇA PÚBLICA.Não é o salário que "justifica" a corrupção (se fosse assim, na Alerj, Câmara e Senado só teríamos honestos ganhando mais de R$ 7 mil). Mas não se pode mais fechar os olhos, não se pode mais invocar idealismo com o rabo alheio. Não se pode mais negar que a soma Arma + Má formação em casa + baixo salário só dá um resultado: polícia que gera INSEGURANÇA PÚBLICA.
Chega dos erros de todos os governos até agora (principalmente os "democráticos"). Precisamos consertar do zero. Pagar bem e cobrar idem.
Quem comandar esta virada, esta retomada de posição, poderá estar inscrevendo automaticamente seu nome na história.
Quem quiser entender o segredo de tudo, basta ver os quatro vídeos que coloco abaixo, entrevista feita por mim com o tenente-coronel Fernando Príncipe Martins, ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), atualmente na "geladeira", FORA DA PM DO RIO.
É preciso ver e ouvir para entender o que é COMANDAR e LIDERAR (peço desculpas pela escuridão, foi imprevista. O quarto vídeo está mais claro).
O secretário José Mariano Beltrame disse ao colunista Fernando Molica, de O DIA, que não tem sentido o policial se formar e sair da academia para ganhar R$ 1 mil. Foi feliz nas palavras. Que a prática agora traga a luz".
Acesse o link e assista aos vídeos com a entrevista:

ONG RIO DE PAZ - A INDIGNAÇÃO DE TODA UMA POPULAÇÃO


Faixa colocada no local onde os dois Policiais Militares do 23º BPM foram covardemente assassinados.
A sociedade começa a se mobilizar, clamando por mudanças!

JORNAL DO BRASIL - 18/07/2008 - RIO COBRA SAÍDA PARA A GUERRA.


O DIA - 18/07/2008 - É A CIDADE DO LUTO.

É A CIDADE (O ESTADO) DO LUTO!

EXTRA - 18/07/2008 - MORRE INOCENTE, MORRE POLICIAL, MORRE BANDIDO.


quarta-feira, 16 de julho de 2008

A FALTA DE VALORES - UMA GESTÃO EQUIVOCADA.

Willian Andrew, que trabalhou na reestruturação da polícia de Nova York, declarou durante uma entrevista para a Revista Época que para alcançar resultados positivos era necessário investir no policial e melhorar a gestão.
Eu concordo plenamente.
Uma organização que no terceiro milênio não possui plenamente definidos e operacionalizados a sua MISSÃO, os seus VALORES e a sua VISÃO DE FUTURO está condenada ao fracasso.
Cabe destacar que as instituições policiais têm as suas MISSÕES definidas na Constituição Federal, porém precisam estabelecer os seus VALORES INSTITUCIONAIS e definir a sua VISÃO DE FUTURO.
Quais são os VALORES das instituições policiais?
Qual é a VISÃO DE FUTURO destas instituições?
Infelizmente, gerenciamos as Polícias ao sabor da política e sem essa visão empresarial, agindo assim, não implementamos mudanças, ficando presos a arcaicos paradigmas e acabamos por repetir estratégias erradas, considerando que desviamos o FOCO, comprometendo todo o processo.
Dias atrás eu compareci a uma empresa particular (LABS D’OR) e logo na entrada, tive a oportunidade de ler em um cartaz os VALORES da empresa:
"VALORES:
- HUMANIZAÇÃO - Tratar todo cliente com respeito, prevalecendo a generosidade e a solidariedade na relação.
- CREDIBILIDADE – Construir relações verdadeiras com todos os clientes, através da confiança e da transparência.
- ÉTICA – Praticar conduta moral, humana e profissional despertando o orgulho de trabalhar na empresa.
FOCO NO CLIENTE – Fazer com que o cliente se sinta sempre importante e especial.
COMPROMETIMENTO – Agir consciente de que a participação de cada um é fundamental para o sucesso do negócio.
RECONHECIMENTO – Valorizar a contribuição individual nos resultados com senso de justiça e celebrando o sucesso."
Uma rápida leitura nos permite identificar claramente que a empresa cultua VALORES focados no SUCESSO da EMPRESA, nos FUNCIONÁRIOS e nos CLIENTES.
Os FUNCIONÁRIOS são colaboradores para o sucesso da EMPRESA.
Fazendo um paralelo com a atual política de segurança pública implementada no Rio de Janeiro, percebemos que existe uma preocupação com o SUCESSO POLÍTICO, porém o FOCO não tem sido o CLIENTE e muito menos o FUNCIONÁRIO.
O CLIENTE - o cidadão fluminense - parece estar se transformando mais em vítima da “política” de segurança do que em CLIENTE dessa segurança pública, que deveria estar voltada para a proteção da vida, acima de tudo.
O FUNCIONÁRIO – o Policial - cada vez mais esquecido pelo poder político, recebe um salário famélico que o obriga a procurar outro emprego para garantir o sustento de sua família. Ele trabalha em duas ou mais EMPRESAS e na maioria das vezes a EMPRESA PÚBLICA – Polícia – vira o “bico”.
O FUNCIONÁRIO – o Policial – desgastado física e emocionalmente, totalmente desmotivado, não consegue interagir corretamente com o CLIENTE.
Refém de uma "política" equivocada VITIMIZA O CLIENTE e VITIMIZA A SI PRÓPRIO, considerando que a ele todas as culpas e todas as penas legais.
Por favor, releiam os VALORES da LABS D’OR e analisem como a “política” de segurança pública trata os CLIENTES e os FUNCIONÁRIOS.
Como trata os POLICIAIS e os CIDADÃOS.
O resultado só poderia ser um, o fracasso da EMPRESA.
Concluindo, a GESTÃO está totalmente equivocada!

DIA ON LINE - 1a Delegacia de Polícia Judiciária Militar - Prisão de Traficante.

DIA ON LINE.
Rapaz é preso transportando mais de 50 Kg de maconha na Av. Brasil.
Celso Oliveira.

Rio - "Cinqüenta quilos e 700 gramas de maconha foram apreendidos, no final da noite desta terça-feira, na Avenida Brasil, por policiais da 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). A droga, distribuída em 62 tabletes, estava no porta-malas de um carro dirigido por Rogério Oliveira de Sá, de 27 anos. Ele confessou que receberia R$ 500 para levar o carregamento da Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, para o Morro da Pedreira, em Costa Barros, Zona Norte.
Os PMs da 1ª DPJM passavam em dois carros descaracterizados na Avenida Brasil, em frente à Vila dos Pinheiros, por volta das 23h30, quando viram o Golf preto LAS 9734/RJ saindo da favela e seguindo na pista lateral em direção à Zona Oeste. Desconfiados, os policiais perseguiram o veículo e fizeram sinal para o motorista encostar, mas ele acelerou. O Golf só parou após ser fechado na pista seletiva, perto do acesso à Ilha do Governador.
"Ele ainda tentou nos subornar, perguntou se íamos levá-lo para 'dura' ou se tinha acordo", contou o tenente Macedo, que levou o preso para a central de flagrantes da 21ª DP (Bonsucesso), onde foi autuado por tráfico de drogas. O delegado Márcio Braga disse que o acusado não tinha antecedentes criminais. Os tabletes foram levados para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), onde foram examinados e pesados.
Morador de Anchieta, Rogério negou fazer parte da facção Amigos dos Amigos (ADA), que controla a venda de drogas na Vila dos Pinheiros. Ele contou aos policiais militares que pela primeira vez estava fazendo o transporte de drogas porque precisava de dinheiro. O rapaz afirmou que trabalha há seis anos em uma casa lotérica em Anchieta, com carteira assinada, e que havia comprado o Golf na última sexta-feira, por R$ 4 mil financiados. "Ele disse que ainda deve R$ 1 mil do carro", disse um dos policiais que participaram da perseguição.
De acordo com o tenente Macedo, a equipe da 1ª DPJM prendeu Rogério enquanto fazia ronda para verificar as condições de trabalho dos policiais militares que atuam na Avenida Brasil, além de tentar flagrar infrações administrativas e crimes militares que possam ser cometidos por colegas de farda.
"Nossa missão era essa, mas estamos atentos a qualquer crime que possa acontecer na rua e às vezes nos envolvemos em ocorrências desse tipo", concluiu o tenente Macedo".

O DESCOMANDO - CORONEL DE POLÍCIA HILDEBRANDO QUINTAS ESTEVES FERREIRA.

O DESCOMANDO
"Um oficial precisa de sua tropa treinada, segura de si e, principalmente, confiante em seu comandante para poder desempenhar suas missões exitosamente, mas, por outro lado, há uma interdependência, ou seja, a tropa precisa de um comandante que lhe inspire confiança, que lhe oriente e lhe diga o que e como fazer, resumindo, de um comandante que comande.
Parece pleonasmo, mas não é, existe comandante e COMANDANTE, a diferença se vê, principalmente, no resultado.
Aquele que está à frente de um contingente e que, apesar da legalidade, não possui junto aos comandados a legitimidade para tal, executa com muito mais esforço sua missão. As ordens que normalmente se concretizam com naturalidade, neste caso ocorrem com dificuldade e pesar, pois os subordinados se sentem inseguros e fragilizados, gerando mais um fator de estresse.
Porque digo isso? Ora o quadro dantesco da Segurança Pública do nosso estado, além de envergonhar-me como profissional, leva-me a reflexão e a projeção de um futuro mais nefasto, desta feita, minha lucidez se torna prejudicial, pois, como sou cliente desta “segurança”, me conduz ao pânico.
Os fatos estão aí para quem tiver dificuldade em ver.
Medidas, não muito complexas nem tampouco radicais, têm que ser tomadas de imediato. Antes da instauração de um estado de sítio em que o homem de bem será penalizado por tal comportamento".
HILDEBRANDO QUINTAS ESTEVES FERREIRA.
Coronel de Polícia.

DESPREPARADO? QUEM? - CORONEL DE POLÍCIA HILDEBRANDO QUINTAS ESTEVES FERREIRA.

DESPREPARADO? QUEM?
"Estou cansado de ouvir as autoridades tentando justificar um erro com a alegação do despreparo do Policial.
Primeiramente há de se responder algumas perguntas:
1 - Quem está despreparado, o homem na ponta da linha ou quem o mandou pra lá, mesmo estando ciente de suas limitações?
2 – Despreparado para que? Se observarmos, o PM recebe orientações para o patrulhamento a pé, de como agir ao abordar um carro suspeito, um “elemento” suspeito, etc, depois é lançado numa viatura, numa escala desumana, vê seus colegas serem elogiados, serem premiados com pecúnia e folgas de serviço por matarem marginais da Lei, enquanto a prevenção, imensurável, é relegada a segundo plano. Ainda a este jovem, nos píncaros do estresse, é cobrado produtividade, como se uma força policial fosse igual a uma fábrica, onde o produto final é material. “Quantas armas você apreendeu? Quantos marginais matou? Quantos traficantes e quanta droga você conseguiu pegar?” Diante desta diária cobrança que é feita ao PM a pergunta é, Será que ele realmente não está preparado para fazer o que as autoridades esperam, ou são estas autoridades que estão despreparadas e conduzem o policial a este tipo de ação e depois o abandonam a própria sorte por ter “executado” a pessoa errada.
Vamos refletir: É esse risco que queremos? Nossos entes sob a mira constante de homens preparados para matar ou morrer? Se não, está na hora de mudar. De exigir, aos que pusemos no poder para gerenciar o nosso Estado em benefício do povo, que se adéqüem a realidade do que desejamos para o futuro".
HILDEBRANDO QUINTAS ESTEVES FERREIRA.
Coronel de Polícia.

BLOG REPÓRTER DE CRIME - 16/07/2008 - JORGE ANTONIO BARROS.

SUCESSÃO DE ERROS.
É compreensível que o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, esteja cansado. Cansado de, como ele mesmo diz, enxugar gelo. Cansado ver policiais envolvidos com corrupção e crimes. Cansado de ver aumentarem as estatísticas de assaltos a transeuntes e ele não ter como aumentar o policiamento e nem pagar melhor os policiais. Cansado de ter que reconhecer erros e pedir desculpas a parentes de vítimas da violência policial ou criminal.
Mas nada justifica que uma das pessoas mais equilibradas no trato com a segurança pública pela primeira vez não meça as palavras e venha a público dizer, sem cerimônia, que aprova a ação dos policiais militares que receberam alguns tiros de pistola e devolveram chumbo grosso na forma de balas de fuzis, sem ao menos se certificar de que a situação era de alto risco porque havia um refém.
Além do novo erro dos PMs, que mais uma vez custou a vida de um inocente - agora de um colega nosso, o Luiz Carlos Soares da Costa, com quem convivemos na redação - o mais duro foi ter que ouvir o secretário de Segurança dizer que os policiais cumpriram o regulamento e que polícia nenhuma no mundo vai receber tiros. Sinceramente, fiquei meio decepcionado porque sempre tive o secretário na maior conta, com seu jeito simples, honesto e cauteloso, sem fazer bazófia nem tripudiar sobre ninguém. Ainda lembro do secretário chorando no enterro do menino João Hélio e de sempre reagir com prudência diante da aparente vitória da polícia no confronto com criminosos. Se havia alguma morte, mesmo de bandidos, o secretário dizia que a suposta vitória não havia sido total.
Estaria o secretário começando a ficar insensível diante da tanta violência?
Suas declarações sobre o novo caso foram feitas mesmo após a exibição de cenas dramáticas em que os PMs aparecerem retirando a vítima sem o menor cuidado, exatamente como fazem com qualquer criminoso baleado por eles e jogado na porta dos hospitais da Faixa de Gaza.
Não sei, não, mas a manifestação de Beltrame sinaliza que a crise na segurança pública do Rio é mais grave e está muito mais distante de soluções do que imaginamos.
A Polícia Militar, ao menos, poderia nos informar se os PMs envolvidos no episódio se deram ao trabalho de checar se havia algum registro de que o carro perseguido fora roubado. Porque se não fizeram isso, já falharam antes mesmo de atirar. E se fizeram, não usaram a cabeça para raciocinar e imaginar a hipótese de que o dono do carro estava ali dentro com o bandido.
O comandante-geral da PM, coronel Pitta, bem que poderia quebrar o silêncio e contar para nossos leitores o que está acontecendo com sua corporação.

O GLOBO - 15/07/2008 - JOÃO ROBERTO E JOÃO NINGUÉM - ANA PAULA MENDES DE MIRANDA

"João Roberto e João Ninguém".
Ana Paula Mendes de Miranda.
Antropóloga.
O que há em comum entre a morte do menino João Roberto e o aumento de 14,9% no primeiro quadrimestre de 2008 das mortes em confronto na cidade do Rio? Ambos são frutos de ordens emitidas pelas autoridades, que há 18 meses propagam o enfrentamento, visando exterminar o crime, como se fosse possível “dedetizar” a cidade à bala.
A fala lúcida e emocionada do pai de João Roberto deveria ser motivo de reflexão: “que polícia é essa, gente?” Mesmo vivendo um momento de dor intensa, inimaginável para quem nunca perdeu um ente querido de forma violenta, ele tentou responder a sua própria pergunta: “o estado não tem carta branca para matar ninguém”.
Talvez jamais saibamos o que pensaram os policiais quando perceberam que haviam matado um menino de três anos, mas sabemos o que seus comandantes disseram muitas vezes ao comemorar a morte de outros meninos, aqueles cujas famílias não tiveram nem o direito de clamar por justiça porque já nasceram marcados para morrer, aqueles chamados João Ninguém.
Acho que o governo deve mais do que um pedido de desculpas ao cidadão Paulo Roberto Soares, que trabalhava num domingo, quando viu um carro de polícia passar, sem imaginar que sua família seria o próximo alvo. O governo deve a ele e a todos os cidadãos deste estado uma prestação de contas do que está sendo feito para mudar este cenário. Infelizmente, até o momento só temos ouvido bravatas.
Gostaria de responder ao pai do João Roberto, que essa não é a polícia que nós queremos. Mas foi esta polícia que matou 1.832 pessoas em nosso estado, de janeiro de 2007 até abril de 2008. O governo pedirá desculpas a essas famílias?
Acredito que esta também não é a polícia que os policiais querem, pois neste mesmo período foram mortos em serviço 38 policiais civis e militares. Não me lembro de ter ouvido nenhum pedido de desculpas às famílias. Alguém lembra?
Quantas outras vítimas terão que contar, para que seja compreendido que não importa se o tiro aconteceu em Copacabana, no Alemão ou na Tijuca. As balas não ficam perdidas, elas sempre acham seus alvos. Quantas tragédias precisam ocorrer para que autoridades entendam o que o pai do João já sabe: “se fossem bandidos? Que prendessem os caras.”

terça-feira, 15 de julho de 2008

BLOG DA SEGURANÇA - O DIA - GUSTAVO DE ALMEIDA

Quinta-feira, 10 de julho de 2008.
MAIS UMA REUNIÃO TENSA NA CÚPULA DA SEGURANÇA PÚBLICA.
Por Gustavo de Almeida.
"Na tarde desta quinta-feira (10 de julho), às 15h, no quartel-general da PM na Rua Evaristo da Veiga, o comandante-geral e mais todos os comandantes de batalhão se reúnem na presença do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.
As informações dão conta de que cabeças podem ser cortadas. A tensão é gigantesca - principalmente porque a Inteligência já apurou que os praças na rua começam a fazer uma silenciosa Operação-Padrão Vampeta ("Fingem que nos pagam, a gente finge que trabalha").
Em muitas áreas da cidade, a PM já não vai mais subir morro ou se meter em situação de risco ou tiroteio. E nas mesmas áreas, a promessa é de não fazerem mais abordagens.
A situação é grave e pode demandar intervenções ainda mais sérias".
Postado às 12:26 h.
O KNOW-HOW AMERICANO.
Por Gustavo de Almeida.
"A reunião no quartel-general da PM chegou ao fim sem mortos ou feridos. Estiveram presentes oficiais da Diretoria de Ensino e Instrução. Ao que parece, o Rio terá em breve ares nova-iorquinos - para o encontro com o comandante-geral e todos os comandados, o secretário de Segurança levou os conceitos assimilados na véspera, quando se encontrou com Willian Andrew, coordenador de Polícia da gestão Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York até 2002 que ficou notório pela política de Tolerância Zero.
Andrews, que teve reunião de horas ontem com Beltrame e com Hugo Acero, de Bogotá, trabalhou em um período dramático da polícia de NY - logo depois de um caso semelhante ao do menino João Roberto. Em 1997, um imigrante africano havia sido assassinado por quatro policiais e a opinião pública estava se voltando contra a cúpula da segurança e os policiais de rua. Artistas como Susan Sarandon chegaram a criar ONGs para contestar o trabalho da polícia novaiorquina.
Com a assessoria de Andrews, Giuliani conseguiu virar o jogo. A reunião desta quinta-feira pode ser o início de uma retomada. Os comandantes de cada unidade devem mudar o relacionamento com a tropa.
E o detalhe: ninguém saiu exonerado da reunião desta quinta-feira".
Postado às 17:42 h.

BLOG DA SEGURANÇA - O DIA - GUSTAVO DE ALMEIDA

Quinta-feira, 10 de julho de 2008.
VIRÁ AÍ UMA NOVA ONDA VERDE-OLIVA.
Por Gustavo de Almeida
No próximo fim de semana a cúpula da Segurança no Rio se reúne com deputados federais para discutir a possibilidade de uso das Forças Armadas como polícia, não só no Rio de Janeiro como em todo o país. Nesta quinta-feira, os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Jair Bolsonaro (PP-RJ) defenderam a regulamentação da Constituição Federal para autorizar que o Exército possa patrulhar as ruas com poderes para prender e conduzir à Justiça. A decisão foi tomada depois da reunião que os dois deputados e mais Biscaia (PT-RJ) e Hugo Leal (PSC-RJ) tiveram com o chefe do Comando Militar do Leste, general Luiz Cesário.
Jair Bolsonaro lembra que no caso da ocupação da Providência, a Lei acabou se voltando contra os soldados. "Era comum que pessoas da comunidade afrontassem os militares sabendo que eles não tinham poder de polícia, e isso acabou se tornando uma rotina", disse o deputado, para quem os insultos agravaram a situação ao ponto do tenente Vinícius perder a cabeça.
A tese começa a se tornar consenso entre os deputados. Passaram a não ver o tenente apenas como um criminoso, e sim TAMBÉM como um homem que foi o resultado de uma política errada de intervenção armada em favela.
A grande barreira ao uso das FFAA vêm das leis que são muito claras: as Forças Armadas só podem agir como polícia em caso de intervenção federal. Outro artigo que impossibilita é que a Segurança Pública não se encontra entre as áreas de atuação do poder público nas quais a União possa concorrer com os Estados - isto é, na saúde, é comum termos hospitais federais, estaduais e municipais. Mas a Segurança Pública é, constitucionalmente, atribuição exclusiva do Estado.
A Câmara, nesta quinta-feira, em meio ao recesso, sinalizou fortemente de que pretende mudar a Constituição neste sentido.
Se confirmado, pode vir aí uma nova onda verde-oliva.

O DIA ON LINE - 14/07/2008 - SOMOS TODOS CULPADOS - TICO SANTA CRUZ..


Tico Santa Cruz: Todos somos culpados.
Cantor e compositor.
Rio - "Vamos analisar com calma a situação. Mais uma vez, a sociedade vai dormir com o sangue de um inocente escorrendo por seus dedos. O governador afirma categoricamente que os policiais que mataram o menino João são despreparados. Acrescentaria os seguintes ingredientes: mal pagos, mal-armados, psicologicamente abalados, mal-educados, envolvidos pelo medo cego que atormenta os cariocas, fardados ou não. A cena é típica de animais agindo por instinto, tomados pelo pavor, e esse sentimento é inimigo da razão.
Quando se fez necessário autocontrole para agir numa situação de risco, percebemos que damos poder a indivíduos sem vocação para a atividade policial. Serão presos, execrados e esquecidos, até que surja novo caso de clamor público, que mobilizará protestos da apática e preguiçosa sociedade.
Observando por esta ótica, por que então não valorizamos os bons policiais? Por que não oferecemos melhores condições de trabalho, melhores salários para que possamos cobrar atitudes mais inteligentes e coerentes?
Não estou aqui para defender PM e sim para salientar que fica complicado exigir qualidade onde não se oferece o mesmo. A quem interessa o modelo de sociedade, no qual políticos ganham salários milionários e policiais, médicos, e professores entre outros servidores importantes estão jogados às traças.
Temos uma cidade que é o reflexo de nosso comprometimento com o que é público, ou seja, decadente. Conseguem perceber que estão todos perdidos? Que aqueles homens agiram exatamente como tantos por aqui desejam, atirando para matar, movidos pelo ódio e cegos de medo e vingança. Lavem as mãos com o sangue de mais um inocente. Todos somos culpados."

QUE PAÍS É ESSE? - AGENTE DA POLÍCIA FEDERAL MARCELO PASQUALETTI

QUE PAÍS É ESSE?
Marcelo Pasqualetti
“Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação...” (Que país é esse? Legião Urbana)

O importante não é a prisão um banqueiro há muito citado por suas praticas não convencionais.
O importante não é a prisão do homem que tem em seu currículo o escândalo que extinguiu a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, condenado em primeira instância a 24 anos de prisão, que teve seu processo anulado e com isso viu-se livre das barras da Justiça, graças as artimanhas de uma justiça pelo instituto da prescrição.
O importante não é a prisão do político, afilhado político daquele outro político, ambos conhecidos pelo escândalo dos Precatórios, cuja Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar os fatos apurou que de 1 bilhão e 500 milhões de arrecadação com os títulos públicos, somente 300 milhões foram usados efetivamente para quitá-los, sem que no entanto ninguém tenha efetivamente cumprido sanção penal até o presente momento.
Não senhores, o que o representante da mais alta corte judiciária tem a dizer para o país é que a Polícia Federal espetaculariza suas ações e faz uso abusivo do emprego de algemas, o que colide com chamado Estado Democrático de Direito.
Talvez não exista afronta ao Estado Democrático de Direito os encontros nos restaurantes do Planalto Central, os conchavos, a tentativa de um homem em comprar o Estado, através de um seu servidor, por um milhão de reais.
Talvez fosse melhor que o Brasil voltasse a ser o que era antes, com aquele Estado que só se fazia presente nas periferias através de suas polícias, a invadir residências miseráveis, sem autorização judicial, com o uso aí sim “justificado”, de algemas.
Não, eu não me importo se todo grande escândalo vivido pelo meu país não resulta em condenação criminal, porque afinal de contas a nossa Carta Magna antevê que se presume a inocência até o trânsito em julgado da sentença condenatória, e essa é a minha função: a guarda da nossa Constituição. E não se pode dizer que eu não a respeito e nem que eu não acredito no futuro. Ainda que não o da nação.
Marcelo Pasqualetti é agente de polícia federal em Florianópolis/SC.

VOCÊS ESTÃO LIVRES - MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

VOCÊS ESTÃO LIVRES
MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA
5/7/2008

2 de julho de 2008. Data marcante para Ingrid Betancourt, libertada depois de ter estado seis anos e cinco meses como prisioneira dos narcoguerrilheiros das Farc. Ela e mais quatorze pessoas, entre as quais três norte-americanos, Marc Gonsalves, Keith Stansell e Thomas Howes, ouviram no vôo que os conduzia para a liberdade a frase salvadora: “Somos do Exército nacional e vocês estão livres”.
O resgate foi descrito pela imprensa mundial como cinematográfico e impecável, e a própria Ingrid afirmou numa emissora de rádio: “nos resgataram com grandeza”. “A ação mostra que podemos alcançar a paz se confiarmos em nossas Forças Armadas ”. Ela desmentirá depois a versão capciosa de uma rádio suíça que, tentando achincalhar o estrondoso êxito do presidente Álvaro Uribe, noticiou que tudo não passara de uma farsa porque os guerrilheiros tinham recebido dinheiro para libertar os reféns.
Esta desinformação e outras mais revelam a inconformidade de alguns diante da vitória do presidente colombiano, que prometera acabar com as Farc e está cumprindo sua promessa. Já deixaram esse mundo os principais líderes do movimento facinoroso, moedas de troca como Ingrid Betancourt e os norte-americanos estão livres, o bando está consideravelmente diminuído. É certo que centenas de reféns ainda padecem nas garras dos terroristas, mas estes estão enfraquecidos.
Os grandes perdedores no episódio do resgate foram o venezuelano Hugo Chávez, o equatoriano Rafael Correa, as esquerdas latino-americanas e, porque não, o Brasil com sua política externa dúbia. Inclusive, Lula da Silva se negou a declarar as Farc como terroristas. Afinal, aos companheiros do Foro de São Paulo tudo é permitido, tudo é perdoado em nome da causa: Assassinatos, torturas, seqüestros.
Espertamente Chávez, que chamara Uribe, entre outras coisas de “assassino” e “narcoparamilitar”, e que ameaçara invadir a Colômbia, agora chama o presidente colombiano de “irmão”. Coisa de metamorfose ambulante. Também o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que felicitou Uribe, parece querer atrair para si os louros do resgate. Ingrid reforçou essa idéia dizendo que sua ida à França foi um gesto de gratidão para quem mais lhe ajudou a deixar o cativeiro. Ela não mencionou Uribe e não lembrou que antes de Sarkozy o ex-presidente, Jacques Chirac, propôs negociação diplomática para sua libertação, assim como o chanceler Dominique Villepin.
Villepin foi o autor da idéia de enviar um avião com soldados, médicos e diplomatas que, sem consultar Brasília e Bogotá, pousaria em Manaus. O plano era retirar Ingrid da selva e levá-la sã e salva para Paris no dito avião. O romântico e mirabolante plano aconteceu, mas, como era de se esperar, fracassou.
Ressalve-se que o Exército Colombiano, que segundo foi noticiado, recebeu treinamento norte-americano e israelense, portanto o melhor do mundo se saiu brilhantemente e sem o lance rocambolesco do francês. Venceu o recurso militar e não o diplomático. Venceu a estratégia competente de Uribe que era malvisto em Paris, segundo Gilles Lapouge (O Estado de S. Paulo, 04/07/2008), como “um político cínico, cruel e indiferente, a soldo dos americanos”. Os franceses se esqueceram de que, se não fossem os norte-americanos teriam sido subjugados por Hitler.
Quanto a Ingrid, que apareceu bem disposta, com aparência saudável, pele impecável, muitos quilos mais gorda do que sua figura na foto que correu mundo e provocou comiseração, se hoje é considerada de forma quase unânime uma heroína, começa a suscitar críticas.
Um dos críticos é o etnólogo André-Marcel d’Ans citado por Lapouge: “Disse d’Ans, que Ingrid é uma mulher bem nascida numa dessas famílias colombianas em que se respira dinheiro e política”. “Seu pai foi diretor adjunto da Unesco em Paris”, ‘o que valeu a Ingrid longos anos de opulência em residências suntuosas e, para os filhos, estudos em francês nos estabelecimentos freqüentados pelo jet set’. ‘Era só a boa vida’. “De repente larga tudo, marido e filhos e parte em socorro de sua Pátria mártir”. ‘Ela mergulha na política na forma de uma esquerdista dândi, disposta a bater no peito, num gesto de mea culpa, desde que o peito não fosse o dela’. Torna-se uma perfeita chata, acabando com as reservas de paciência de alguns e de condescendência de outros’.
Ingrid se declarou inclinada a voltar novamente à política como candidata à presidência da República, apesar de ter dito depois que, se o povo quisesse não veria nada de mal numa candidatura de Uribe a um terceiro mandato. Algo no meu entender que, apesar da importância do admirável presidente colombiano seria lamentável do ponto de vista da democracia. Inclusive, se tal fato vier a ocorrer em muito ajudará a consolidar a mesma idéia desastrosa do PT em relação a Lula da Silva.
Para o escritor colombiano Fernando Vallejo, apesar das idas e vindas da política, nada muda de forma essencial na América Latina. Conforme Vallejo: “Toda classe política na América Latina só pensa em seus próprios interesses, quando não está claramente envolvida com o crime e a corrupção”.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, escritora e professora.
mlucia@sercomtel.com.br

segunda-feira, 14 de julho de 2008

40 DA EVARISTO - ATO CÍVICO - PRAIA DE COPACABANA - ANO I


O grupo dos "40 da Evaristo" formado por Oficiais e por Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro escreveu páginas de idealismo, honra e destemor na história das duas instiuições militares estaduais.
Construído a partir de reuniões realizadas na residência de Oficiais e posteriormente, realizadas na Academia de Polícia Militar D. João VI, o grupo "40 da Evaristos" realizou três atos cívicos, todos ordeiros e pacíficos, sendo dois na praia de Copacabana e um na Cinelândia.
Eles estavam de folga, em trajes civis e desarmados.
Cantaram o hino nacional, a canção do Policial Militar e a canção do Bombeiro Militar.
Levaram o grito de socorro dos integrantes das instituições às ruas da cidade do Rio de Janeiro, buscando a cidadania do Policial Militar e do Bombeiro Militar através da concessão de salários dignos e de adequadas condições de trabalho.
Representantes dos "40 da Evaristo" e dos "Coronéis Barbonos" participaram de duas reuniões formais com o governo estadual, realizadas no gabinete do governador do estado.
Não foram ouvidos, nem os "40 da Evaristo", nem os "Coronéis Barbonos".
Participaram de duas marchas democráticas alertando - mais uma vez - o governo estadual e a sociedade fluminense.
O grito de milhares continuou não sendo ouvido.
Um ano se passou e a situação se agravou ainda mais.
O Soldado da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros continua recebendo menos de R$ 30,00 por dia para arriscar a própria vida em defesa da sociedade fluminense.

Hoje, 14 de julho de 2008, o primeiro ato cívico completa o seu primeiro ano de realização e os seus participantes são verdadeiros CAMPEÕES!

Parabéns a todos!
A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a sociedade fluminense devem muito a cada um de vocês pela demonstração de amor corporativo e de cidadania.

A seguir transcrevo um texto recebido através de um email que destaca a importância da confiança e a necessidade de seguir em frente:



CRESCENDO EM CONFIANÇA

"CAMPEÕES não são aqueles que nunca fracassam;
são aqueles que nunca desistem."
Edwin Louis Cole


"Para vivermos positivamente, para desfrutarmos as melhores realizações que a vida pode oferecer, para seguirmos em frente na realização e concretização dos nossos sonhos é necessário confiança.
Freqüentemente se faz necessário seguirmos em frente, mesmo quando o nosso coração parece nos indicar que devemos voltar atrás.
Confiança vem, e gradualmente aumenta, quando cremos naquilo que estamos fazendo.
Confiança cresce quando, continuamente, empreendemos uma ação a fim de encararmos o desafio de frente, quando enfrentamos o nosso medo e agimos a despeito.
A partir de então, a confiança passa a se tornar parte de nós mesmos.
Confiança é uma avenida de duas mãos.
Primeiramente cremos em Deus, que nos criou e nos fez singulares e, em seguida, passamos a crer em nós mesmos.
Tudo o que fazemos se torna mais eficiente quando abordado através de um forte senso de confiança.
Sempre irá haver milhares de razões pelas quais não deveríamos levar avante uma determinada ação.
A confiança irá nos dar a habilidade de transcendermos essas dúvidas e irá nos levar em direção ao nosso destino.
Construamos a nossa confiança porque ela irá nos trazer enormes benefícios e incríveis gratificações."

A PUSILANIMIDADE JÁ FOI MAIS BEM EDUCADA - LUIZ EDUARDO SOARES.

Texto copiado do blog do Tenente-Coronel de Polícia Antônio Carlos Carballo Blanco:
Segunda-feira, 14 de Julho de 2008.

A PUSILANIMIDADE JÁ FOI MAIS BEM EDUCADA
Luiz Eduardo Soares.

“O governador dorme o sono dos justos; o secretário descansa em berço esplêndido; o comandante repousa como um cristão; e o soldado, lá na ponta, suja as mãos de sangue. Se der merda, o bagulho estoura no elo mais fraco, é claro. Quem paga o pato é o soldado. Quem vai a juízo é o soldado. Quem freqüenta as listas das entidades internacionais de direitos humanos é o soldado. O governador é ambíguo para descansar em paz; o secretário é sutil para preservar a consciência; o comandante cultiva os eufemismos e opta pelo vacabulário enviesado para proteger a honra e o emprego. Sobra para o soldado (...). É curioso: a ambigüidade só pode ser cultivada nos ambientes solenes do Palácio do Governo, onde a impostura e a violência são adocicadas pela coregografia elegante da política.
“Quando a arena é a favela, os rituais são outros, menos sofisticados. Na praça de guerra não há espaço nem tempo para a solenidade e as ambivalências. O que era doce fica amargo, azeda e cai de podre. A gente, que atua lá na ponta da cadeia de decisões, colhe o fruto podre e faz o que pode para digerir. Por isso, talvez seja mentira dizer que só há ambivalências nos salões da corte. Elas estão por toda a parte. E estão aqui entre nós. E dentro de nós, em mim e em você”.
Quando ouvi no rádio a notícia trágica do assassinato do menino João Roberto Soares, no dia 8 de julho, lembrei-me desse trecho do livro Elite da Tropa (Objetiva: 2006), que escrevi com André Batista e Rodrigo Pimentel. João, de três anos de idade, foi morto por policiais militares simplesmente porque confudiram o carro, onde ele estava com o irmãozinho e a mãe. Foi sem-querer. Havia outro carro que eles teriam metralhado por-querer, mesmo que os suspeitos não resistissem às suas ordens --a mãe o faria, se tivesse tido a oportunidade de fazê-lo, ou seja, sairia do carro com as mãos na nuca e se deitaria no chão, se os policiais tivessem tido a misericórdia de lhe dar essa chance ou apenas tivessem aplicado o manual de instruções.
Além do inominável –tirar a vida de uma criança e arruinar uma família, além de degradar ainda mais a imagem da instituição que deveria fundar sua eficiência, exatamente, na confiança da população-, o que mais há na cena selvagem e nas reações oficiais que a sucederam?
O acontecimento inclassificável revela que os policiais sequer supuseram a hipótese de que poderiam estar matando inocentes. Não se trata, portanto, de agir com ou sem competência técnica. Trata-se, antes de tudo, de sequer duvidar da legitimidade de atirar às cegas para matar. Registre-se, ainda, que os policiais não estavam acuados, não estavam sendo perseguidos e não atiraram para proteger-se, errando o alvo. Nada disso. Eles é que perseguiam suspeitos em fuga.
Claro que seria razoável mencionar a absoluta inépcia técnica, a ausência de treinamento (por mais rudimentar que fosse), a precariedade extrema da formação profissional, a tensão psicológica em que vivem os policiais fluminenses (sem qualquer apoio nessa área), a exaustão física, fruto do acúmulo de jornadas de trabalho sucessivas, na segurança pública e no “bico” (ao qual recorrem para sobreviver, dado o baixíssimo nível salarial). Mesmo assim, faltaria algo à compreensão do episódio: por que não duvidar, por um segundo sequer, da legitimidade do emprego da força letal?
A resposta é uma só: a política de segurança, em vigência, se é que merece esse título, sustenta a necessidade do confronto e a justeza da morte dos “inimigos” do Estado, a qualquer preço, mesmo que seja a vida de inocentes. Casos e casos foram objeto de questionamentos, nos morros, nas favelas, por parte de entidades de direitos humanos. Mas as críticas foram rechaçadas por editorialistas que saudaram a “nova” política de segurança do governo do Rio (curiosamente, nenhum método, nenhuma abordagem do problema é mais antiga, em nosso estado). As autoridades aplaudiram seus policiais e celebraram o suposto triunfo da “nova” política. Esse tipo de orientação se casa, perfeitamente, com a cultura tradicional de nossas corporações policiais, herdada dos tempos sombrios da ditadura. Somadas, a “nova política” e a velha cultura profissional, tem-se a bomba-relógio. Enquanto ela explode nas favelas, os efeitos colaterais são postos na conta do imaginário “fim superior” (como disse o secretário, certa vez: não se fazem omeletes sem quebrarem-se ovos –desde que esses ovos que se partem não sejam os filhos da classe média, porque, como ele mesmo disse, os mesmos eventos têm significados diferentes e repercussões políticas distintas, na zona sul e nas favelas ou periferias).
Ano passado, no estado do RJ, 1330 pessoas foram mortas em ações policiais –o número é oficial e, certamente, subestimado. Quantas dessas mortes foram execuções? Quantos desses casos foram investigados pelas polícias, pelo MP, pela Justiça? O que fizemos, enquanto sociedade, a esse respeito? Nos Estados Unidos, há 20 mil policiais, aproximadamente, e 300 milhões de habitantes. Morrem cerca de 300 pessoas, por ano, vítimas de ações policiais. Todo ano, no Rio, a brutalidade letal das polícias produz mais de mil vítimas. Esse ano, mais uma vez –e assim como em 2007--, o recorde será batido. E quem é a vítima típica da violência policial letal? O jovem pobre e negro. O Rio já avançou o sinal que separa as “casualties” do genocídio.
Esse é o ambiente mental e valorativo em que são tomadas decisões sobre uso da arma de fogo por profissionais das instituições que deveriam, segundo a Constituição, proteger a vida. A prioridade de qualquer política consequente de segurança pública teria de ser a defesa da vida.
Por isso, tanto quanto cobrar responsabilidades dos policiais que puxaram o gatilho, matando, dessa vez, uma criança de três anos –depois de tantos de seus colegas terem matado tantas outras crianças e jovens, e antes que voltem a fazê-lo-, deveríamos questionar os editorialistas que ajudaram a montar a bomba e os gestores superiores, que atearam fogo à pólvora.
É profundamente lamentável ouvir o governador Cabral chamar os policiais de “débeis mentais”. A pusilanimidade já foi mais bem educada.

DIA ON LINE - MORTE DE POLICIAIS MILITARES.

O DIA ONLINE.
PM morre na frente do filho ao reagir a assalto em Vila Isabel
Vânia Cunha

Rio - Dois policiais militares foram mortos por bandidos, sábado à noite. Em Vila Isabel, o soldado do 17º BPM (Ilha do Governador) Anderson Azevedo, 31 anos, reagiu a assalto e foi baleado na frente da família. Ele seguia para festa de um amigo do filho, de 9 anos, quando ladrões o renderam na Rua Maxwell. Segundo seu pai, José Azevedo, 59, Anderson recusou-se a entregar o Astra preto, recém-comprado.
O pai disse que o policial ainda pegou arma na bolsa e atirou no ladrão, que é menor. Azevedo contou que, mesmo sangrando, Anderson imobilizou o assaltante até a chegada da polícia. Mas a PM informou que o bandido foi preso por populares. O PM morreu no Hospital do Andaraí, e o menor foi levado à 19ª DP (Tijuca).
Anderson faria aniversário sexta-feira. “Semana passada, foi o menino João Roberto. Agora, o meu filho. Aonde vamos parar?”, lamentou Azevedo. No enterro, em Sulacap, o comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (CPA), coronel Marcus Jardim, destacou ato heróico. “Morreu salvando vidas. Até o final, cumpriu seu papel de policial bem-preparado”, disse.
Em São João de Meriti, o policial do 21º BPM (Meriti), Márcio Machado, 33, estava em bar, quando foi morto por 10 criminosos que descobriram sua identidade. Ele estava de férias. Outras duas pessoas ficaram feridas.

http://odia.terra.com.br/rio/htm/pm_morre_na_frente_do_filho_ao_reagir_a_assalto_em_vila_isabel_185011.asp

domingo, 13 de julho de 2008

POR INCRÍVEL QUE PAREÇA! - MAJOR DE POLÍCIA WANDERBY BRAGA DE MEDEIROS.

(Ato Cívico dos "40 da Evaristo" - 2007)

(Cinelândia - Escadaria da Câmara de Vereadores)


Cidadão Fluminense:

No artigo anterior você leu uma entrevista histórica do ex-Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel de Polícia UBIRATAN de Oliveira Angelo, que foi exonerado de sua função após Oficiais e Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar - inclusive os Coronéis Barbonos, que ocupavam as principais funções da PMERJ e recebiam as melhores gratificações - levarem às ruas do Rio de Janeiro o seu pedido de socorro, diante da falência das institucioções militares estaduais, decorrentes das péssimas condições de trabalho e sobretudo, dos salários famélicos pagos aos Policiais Militares e aos Bombeiros Militares.
O Major WANDERBY Braga de Medeiros, punindo disciplinarmente recentemente, foi um dos protagonistas deste grito de socorro, como integrante do grupo "40 da Evaristos".
Ele publicou neste domingo o artigo que trancrevo a seguir, um texto que parece surreal diante da crise da segurança pública que enfrentamos e a situação de miserabilidade da tropa da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar.
Infelizmente não consegui encontrar as palavras adequadas para qualificar o meu sentimento de repúdio, diante apenas da possibilidade de serem verdadeiros os valores anunciados pelo Major WANDERBY.

Enquanto isso, um Soldado da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar continua recebendo menos de R$ 30,00 por dia para arriscar a sua vida em defesa do cidadão fluminense!

Sinceramente, o que iremos comemorar no dia 13 de maio de 2009?


Domingo, Julho 13, 2008

Blog do Major WANDERBY:

http://wanderbymedeiros.blogspot.com/2008/07/por-incrvel-que-parea.html


As gratificações de determinados cargos de coronel na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro receberam significativo reajuste.
O "DG", por exemplo, passou para R$7500,00.
A gratificação destinada ao cargo de comandante geral passou para algo em torno de R$10.000,00 (além do salário de coronel).
Com isso, os vencimentos de um coronel ocupante do cargo de comandante intermediário passaram a representar algo em torno de 1500 % do que ganha um soldado da mesma PM.
Se o parâmetro for o cargo máximo da Corporação, a discrepância passa a ser superior a 1750%.
Os vencimentos líquidos de um soldado da PM giram em torno de estapafúrdios R$850,00!

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO - ENTREVISTA - CORONEL UBIRATAN DE OLIVEIRA ANGELO.

Jornal o Estado de São Paulo – O ESTADÃO
12/07/2008.

''Para quem nunca ouviu tiro é fácil chamar PM de débil mental''
Ex-comandante diz que há pressão política para pôr soldados na rua, mas não se investe na formação deles.
Alexandre Rodrigues

O ex-comandante da Polícia Militar do Rio, coronel Ubiratan Ângelo, mora perto do local onde o carro da mãe de João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, foi alvejado por policiais no domingo, na Tijuca. Ele conhece parentes do menino e foi ao enterro abraçar a família. Mas também se solidariza com as famílias dos dois soldados presos pela morte do menino. Para ele, são duas vítimas da falta de investimentos em treinamento e condições de trabalho para a polícia. Antes de comandar a PM, Ubiratan havia sido diretor de Ensino e comandante do Centro de Formação de Praças (Cfap), mas não conseguiu implementar mudanças significativas na formação. Foi afastado do cargo no início do ano, em meio a um movimento de oficiais por melhores salários. Em entrevista ao Estado, ele admite que há constante pressão política sobre o comando da PM para que se priorize o efetivo na rua e não a formação.
O que o senhor sentiu ao ver o erro dos policiais nesse caso?
Passei 32 anos na polícia. Será que eu cometeria um erro desses? Na teoria é fácil dizer que não. Nunca cometi. Quando soube, pensei: e se eu tivesse cometido? Estaria na prisão. Imagino meus filhos na escola, ouvindo: o governador chamou o seu pai de débil mental. Ontem, aquele PM era o herói da sociedade. Não se faz isso com a família de quem ganha um salário de fome, tem uma escala inadequada e condições de trabalho que precisam ser melhoradas.
O senhor está dizendo que esses policiais também são vítimas?
São. Mas não estou defendendo a ação deles, não sei exatamente o que aconteceu. É fácil criticar longe da pressão à qual os policiais são submetidos. Quem nunca passou por isso não sabe o que fala. Para quem nunca ouviu um tiro passar perto do ouvido é fácil chamar soldado de débil mental.
O comandante da PM havia suspendido treinamentos recentemente. Existe pressão política para atender à demanda operacional por policiais na rua?
Sim. Isso porque se clama sempre por mais e mais polícia na rua. Essa tendência, que leva a tirar o cara da folga ou do curso para cobrir a atividade ostensiva, ninguém me convence que é política de segurança. Hoje a política de segurança se reduz a suprir o déficit de efetivo?Não existe política. Não falo só desse governo. Nunca teve. Uma política é algo traçado, planejado e inoculado nos gestores, operadores e clientes (a população). Há estratégias dos chefes e comandantes de polícia. Se houvesse uma política, o que você perguntasse para qualquer um seria a mesma coisa. Os comandantes da PM têm o hábito de colocar na parede suas marcas e diretrizes. No dia que assumi, coloquei três marcas. Se cada um põe a sua é porque não há política.
Que nota o senhor daria para o treinamento dos policiais?
Eu não vou ser leviano de avaliar porque não sei o que está acontecendo hoje no centro de treinamento. O que eu posso dizer é que oito meses para a formação do policial é pouco. Todo mundo admite que é pouco. Agora o difícil é tomar a decisão de aumentar, porque entram fatores políticos. A promoção automática também influencia muito. O policial pensa: se eu vou ser cabo daqui a oito anos, não preciso estudar.
Os governantes são responsáveis pelos resultados?
Se não há política de manutenção da boa preparação do policial, você interfere no resultado, direta ou indiretamente.
Que esforço o senhor encontrou no governo estadual para aumentar os salários dos policiais?
Nenhum. A Força Nacional veio para suprir a carência de efetivo do Rio. Então, por que a PM tem mais de 2 mil homens fora? Hoje a PM vive o dilema: sou grande ou sou pequena? O secretário de Planejamento me disse que não podia dar aumento para a polícia porque o efetivo é muito grande. Afinal, é grande ou pequeno? Se é grande, como você empresta 2 mil para outros órgãos? Cada vez que policiais são cedidos e entram novos, reduzem-se as chances de aumentar os salários. Então, quem é que quer valorizar o capital humano da polícia? Não sei.
Quem é:
Ubiratan ÂngeloEx-comandante da PM do Rio, formado em Direito, e atual diretor do Instituto Universitário de Políticas de Segurança e Ciências Policiais da Cândido Mendes.
Afastado do cargo neste ano, em meio a um movimento de oficiais por melhores salários.

A HISTÓRIA SE REPETE - UMA ESTRATÉGIA VITORIOSA.

Todos que criticam a "política" de segurança pública adotada pelo atual governo estadual repetem sistematicamente que o principal erro é a repetição da "tática do confronto armado" como "única política", uma opção que nunca controlou a criminalidade violenta e que já feito experimentada em vários governos anteriores.
Em síntese, a crítica foca na repetição do erro, ao invés de buscar novas alternativas, como a valorização do Policial como base para uma reformulação da segurança pública estadual.
Talvez na política estadual a regra lógica de não repetir erros anteriores não possa ser usada.
Entretanto, nesta mesma política fluminense as "táticas" que deram certo são repetidas, obecendo a lógica de repertir o que deu certo.
O jornal "O Globo" deste domingo estampa na página 11:
"CRIVELLA E PAES VÃO A ÁREAS DE TRÁFICO E MILIÍCIA"
"Senador passa sem problemas por traficantes armados na Mangueira; ex-secretário percorre ruas de Rio das Pedras".
E a vida política segue o seu curso e o cidadão fluminense assiste a tudo...

AUTORIDADE x RESPONSABILIDADE.

O Tenente-Coronel de Polícia Márcio Romero encaminhou através de email o texto que transcrevo a seguir:

“Momento de Reflexão”
http://www.reflexao.com.br/
"A adversidade leva alguns a serem vencidos, e outros a baterem recordes."
William Arthur Ward

Autoridade X Responsabilidade

Quanto pesa a responsabilidade de um cargo?
Observa-se que muitos perseguem nomeações para cargos e disputam, com ardor, lugares que lhes conferirão autoridade sobre outros.
Contudo, quando assumem postos de comando esquecem-se dos objetivos reais para os quais foram ali colocados, passando a agir em seu próprio favor.
Tal posição nos recorda a história de um homem que foi nomeado mandarim, uma espécie de conselheiro na China.
Envaidecido com a nova posição, pensou em mandar confeccionar roupas novas. Seria um grande homem, agora.
Importante.
Um amigo lhe recomendou que buscasse um velho sábio, um alfaiate especial que sabia dar a cada cliente o corte perfeito.
Depois de cuidadosamente anotar todas as medidas do novo mandarim, o alfaiate lhe perguntou há quanto tempo ele era mandarim. A informação era importante para que ele pudesse dar o talhe perfeito à roupa.
Ora, perguntou o cliente, o que isso tem a ver com a medida do meu manto?
Paciente, o alfaiate explicou: "a informação é preciosa.
É que um mandarim recém-nomeado fica tão deslumbrado com o cargo que anda com o nariz erguido, a cabeça levantada. Nesse caso, preciso fazer a parte da frente maior que a de trás.
Depois de alguns anos, está ocupado com seu trabalho e os transtornos advindos de sua experiência. Torna-se sensato e olha para diante para ver o que vem em sua direção e o que precisa ser feito em seguida. Para esse costuro um manto de modo que fiquem igualadas as partes da frente e a de trás.
Mais tarde, sob o peso dos anos, o corpo está curvado pela idade e pelos trabalhos exaustivos, sem falar na humildade que adquiriu pela vida de esforços. É o momento de eu fazer o manto com a parte de trás mais longa.
Portanto, preciso saber há quanto tempo o senhor está no cargo para que a roupa lhe assente perfeitamente."
O homem saiu da loja pensando muito mais nos motivos que levaram seu amigo a lhe indicar aquele sábio alfaiate, e menos no manto que viera encomendar.

sábado, 12 de julho de 2008

O PRIMEIRO PASSO DA SOCIEDADE ORGANIZADA CONTRA A "POLÍTICA DO CONFRONTO ARMADO" NO RJ.

Por uma nova Polícia
Em Defesa da Vida: Manifesto pela Redução de Mortes por Arma de Fogo e Reforma das Instituições Policiais do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com os dados oficiais do Instituto de Segurança Pública, nos últimos oito anos ocorreram 51.473 homicídios dolosos no estado do Rio de Janeiro. Uma média de 6.434 assassinatos por ano. No mesmo período, 7.588 pessoas foram mortas por policiais, em conseqüência de uma suposta reação à ação de polícia. Uma média de 948 mortes por ano. Somente no 1º quadrimestre do ano de 2008, 2.030 vidas humanas foram ceifadas em razão das mortes violentas intencionais e 502 pessoas já faleceram em decorrência de presumidas situações de confronto com a polícia. Como se tudo isso não bastasse, acredita-se que 70% dos casos de desaparecimento são na realidade ocorrências de homicídio doloso.
À guisa de projeção para o ano de 2.008, segundo estimativa do CESEC / UCAM (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), o número de pessoas mortas em razão da violência intencional pode ultrapassar mais de 11.000 casos, somados os homicídios dolosos, as lesões corporais seguidas de morte, os latrocínios (roubos seguidos de morte), os autos de resistência (pessoas mortas em decorrência da ação policial) e os casos de pessoas desaparecidas com suspeitas de homicídio. Nessa hipótese, no final do ano a taxa de homicídio ultrapassaria o patamar de 60 mortes para cada 100.000 habitantes.
Para agravar essa triste realidade de violência e criminalidade que assola a qualidade de vida da população fluminense, em alguns espaços geográficos da nossa cidade maravilhosa (sobretudo nas favelas), a comunidade local, por força da omissão e da permissividade do Poder Público, encontra-se refém do medo, subjugada ao domínio territorial armado, que é imposto através do terror, por grupos de narcotraficantes ou de “milicianos”, em detrimento do exercício do monopólio do uso legítimo da força legal por parte do Estado, inclusive com a instalação de tribunais de execução.
A situação no Estado do Rio de Janeiro é, portanto, de grave perturbação da ordem pública. Tão grave, particularmente na Capital, que as forças de segurança do estado são insuficientes em número e tecnicamente limitadas para o desafio que se impõe. Uma luta que extravasa os limites operacionais do aparelho policial do estado.
O medo, o estresse, o sentimento de impunidade, a insegurança pública que interfere na qualidade de vida das pessoas, a desconfiança da população nas instituições policiais, a falta de policiamento ostensivo, os altos índices de criminalidade violenta, a alta taxa de letalidade da ação policial, a baixa taxa de produção de laudos periciais criminais e a impunidade resultante da insignificante taxa de elucidação dos delitos são alguns dos indicadores que legitimam as demandas e expectativas da sociedade fluminense que clama por reformas profundas nas instituições policiais do nosso estado.
Nesse contexto, nós, cidadãos fluminenses, representantes das instituições e entidades abaixo relacionadas, reunidas no “Fórum Pela Vida e Pela Paz”, exigimos do governo estadual que, em parceria com a sociedade cível organizada, se inicie o processo de construção de uma nova política de segurança pública que tenha como resultado, dentre outras coisas, uma outra instituição policial.
Desejamos e queremos uma nova Polícia. Uma nova polícia composta por cidadãos plenos. Por mulheres e homens tecnicamente bem capacitados, bem equipados e bem remunerados para o exercício de sua nobre arte e missão. Uma polícia constituída de profissionais que se dediquem integralmente e exclusivamente a sua atividade funcional.
Não queremos uma polícia que mate e que morra de forma gratuita. Desejamos e exigimos uma polícia que valorize acima de tudo a vida. Uma polícia que saiba administrar os conflitos e que atue na proteção das pessoas e do patrimônio de forma efetiva, de modo a compatibilizar a eficácia da ação operacional com o respeito aos direitos civis, sobretudo o direito à vida, à liberdade e à propriedade.
Enfim, uma nova polícia que proteja e sirva à população e que cultive a preservação da vida como principal valor institucional.
Cremos que as mudanças que desejamos como sociedade civil organizada, só será possível com a participação de todos e todas!
Rio de Janeiro, 11 de julho de 2008.

Rio de Paz
Viva Rio
Movimento Segurança Cidadã
Mães do Rio
Gabriela Sou da Paz
FAFERJ
Rede Comunitária
Movimento Contra Violência

SITE DO JORNALISTA SIDNEY RESENDRE - ENTREVISTA - CORONEL UBIRATAN DE OLIVEIRA ANGELO

"A competência sobre expulsão não é do governador"
Letícia Simões.
Os policiais militares acusados da morte do menino João Roberto Soares, 3 anos, baleado na Tijuca, foram indiciados pelo delegado Walter Alves de Oliveira na terça-feira (08) por homicídio doloso qualificado - com intenção de matar e sem possibilidade de defesa da vítima. Oliveira ainda pediu a prisão temporária por 30 dias do cabo William de Paula e do soldado Elias Gonçalves da Costa.
O governador Sérgio Cabral declarou que o acidente ocorrido no domingo (6) à noite foi uma "atrocidade", e que "os policiais envolvidos foram incompetentes, pois não souberam agir em um momento de tensão". Cabral anunciou ainda a expulsão dos policiais miliares da corporação. "O presos responderão não só do ponto de vista administrativo, mas do ponto de vista criminal", completou o governador.
O ex-comandante da Polícia Militar, Ubiratan Ângelo, disse, em entrevista exclusiva ao SRZD, que a decisão sobre a permanência do cabo e do sargento na corporação depende exclusivamente do comandante-geral da PM, e não do governador. "Essa expulsão é um pré-julgamento. Filosoficamente, eles já estão condenados. Tecnicamente, você tem o lado penal e o lado administrativo. Pelo primeiro, se o entendimento for que eles cometeram crime doloso contra a vida , serão julgados pela justiça comum, como prevê o código militar. Já pelo lado administrativo, eles serão submetidos a uma apreciação do conselho disciplinar, para saber se eles têm condições de permanecer na polícia. A decisão vai ser levada ao comandante-geral, e ele, apenas ele, tem competência para manter ou excluir na corporação. Essa competência não é do governador".
Em relação às críticas sobre o despreparo e a má formação dos policiais militares, Ubiratan concordou que o tempo - oito meses - é curto, mas disse ser "ainda maior que a formação da Polícia Civil, por exemplo - em dois, três meses um policial civil está pronto".
"O que não pode acontecer de maneira nenhuma é reduzir esse curto período, colocando como desculpa a necessidade de maior efetivo na rua. Há a necessidade, sim, de pessoal, mas de um pessoal mais bem qualificado", reclamou.
Para o ex-comandante, uma reforma ampla nas condições de trabalho dos policiais é necessária - principalmente no salário e no tempo de serviço. "O policial não pode trabalhar na rua 24 horas, ainda mais porque ele não mora perto do batalhão. A maior concentração de policiais é na Baixada Fluminense, Zona Oeste e São Gonçalo, e ele tem que trabalhar em Ipanema, Copacabana, São Conrado. Depois, ganhando mal, ele vai fazer alguma atividade paralela entre um serviço e outro, seja como segurança, motorista de táxi, camelô ou professor".
"Mesmo numa posição de risco, muita gente quer fazer parte da polícia porque está em situação de desespero, não tem outra oportunidade. O policial hoje sofre pressão o tempo inteiro - em janeiro desse ano tivemos uma onda de ataques dos bandidos. Ele fica cansado, desmotivado. É muito simples jogar a culpa apenas no policial - ele tá errado e deve ser punido. Existe uma série de erros do sistema. Há uma necessidade de melhorar o foco da polícia, de puxá-lo para o cidadão. Porque hoje em dia, mesmo não verbalizada, a ideologia é que, mais importante do que a segurança do cidadão, é o bandido preso. A sociedade aplaudiu Tropa de Elite, mas não aplaude um parto feio pelo policial", ele argumentou.
Sobre a política de segurança pública do Estado, Ubiratan disse que não existe uma definição específica - e, por isso, as polícias no Rio vem atuando apenas através de estratégias organizadas pelos chefes da corporação. "A política de segurança tem que fazer parte de um contexto muito disciplinar dentro dos cargos públicos. Qual a integração entre o sistema de polícia e o sistema de segurança pública? Dentro dessa 'política', ano passado foi entregue ao governo um conjunto de 13 propostas, entre as quais melhoria no salário, mudanças na escala - houve alguma melhora - Se você tem uma política de segurança, deve-se buscar economizar esforços e atender ao cidadão - isso, definitivamente, não é uma política de segurança pública".
Em relação à tática do enfrentamento, o ex-comandante da PM disse ser a favor em determinadas situações. Como exemplo, citou os ataques desferidos a policiais em dezembro de 2006, quando a tática de confronto foi utilizada. "Não pode o policial ficar na viatura escondido porque sabe que o bandido vai passar e ele não poderá atacar. Para você reduzir o acesso dos bandidos às armas de fogo, o policial tem que tirar da mão dele - e não vai ser por campanha 'entregue sua arma e ganhe uma bala'".
Ubiratan concluiu dizendo que a culpa pelo despreparo dos policiais não é da academia militar - já que ela oferece cursos -, mas sim de decisões superiores para retirar os policiais dos centros. "Todo mundo quer colocar efetivo na rua - efetivo despreparado. Não pode tirar policial da sala de aula para fazer cobertura na praia. É mais fácil interromper o curso e botá-lo para garantir a segurança de um jogo - ele fica despreparado e não volta mais".

sexta-feira, 11 de julho de 2008

AMAI - NOTA SOBRE A MORTE DE UMA CRIANÇA NO RIO DE JANEIRO.

A notícia da violência contra uma família no ultimo domingo, resultando na morte de uma criança, nas ruas do Rio de Janeiro foi uma ação desastrada da Polícia Militar, que trás à baila a velha retórica do despreparo policial.
As nuances que a Guanabara ofereceu são de que esse despreparo é degeneração corporativa e vem se acumulando de governo para governo. O atual governador Sergio Cabral e seu secretário de segurança o delegado federal, José Mariano Beltrame, tiveram a oportunidade de “reiniciar “ a partir da atitude dos Barbonos – movimento dos oficiais da PMRJ, inspirados na velha ética e moralidade dos tempos em que o quartel era como a rua dos Barbonos.
O movimento procurou chamar a atenção com um manifesto que propunha um reordenamento da PM, com melhores princípios militares de respeito mútuo, de todos com a população, e uma nova relação da corporação com o governo. Tratava de questões pequenas e grandes, como a dos desvios financeiros, dos aquartelamentos, das remunerações e preparo da tropa para as funções de segurança e ordens públicas.
O governo recebeu mal o pleito de reestruturação física e moral da PM e o governador Sergio Cabral incitado pelo delegado de polícia do Rio de Janeiro, trataram de impedir o diálogo das elites da PM com o governo, pondo fim ao movimento com a repressão dos seus líderes, dentro os quais o comandante – geral da PMRJ, que foi substituído pelo Cel. Pitta, oportunista que de participante do movimento dos Barbonos, no dia seguinte, era o herói governamental.
Quantas crianças inocentes continuarão a morrer no Rio de Janeiro, que de acordo com pesquisas divulgadas no Jornal Gazeta do Povo (09/07/2008), é a cidade onde a polícia mais mata no mundo? Vale ressaltar a hipocrisia do governador do estado fluminense ao chamar os PMs de “débeis mentais”, “assassinos” e garantir-lhes as expulsões sem respeito ao direito de defesa, e também do secretário de segurança pública ao ambos afirmarem que essa degeneração não era previsível. Em nossa opinião, assassinos são todos eles. Vítimas só a população do Rio de Janeiro.

Cel PMRR Elizeu Ferraz Furquim
Presidente da AMAI
www.amai.org.br/descompressao
Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas - AMAI
Avenida Presidente Getúlio Vargas, nº 650 - Rebouças - Curitiba - Paraná
CEP: 80.230-030Tel/Fax: (41) 3224-1141

MODISMO POLÍTICO: O GOVERNO FALAR MAL DO PRÓPRIO GOVERNO.

O Brasil tem sido invadido por um modismo político que parecia estar dando muito certo e que começou no planalto central.
O Governo passou a falar mal do próprio Governo, criticando duramente fatos que aconteciam sob as suas vistas e assim o Governo conseguia ficar de fora do problema, embora todos caíssem ao seu redor.
E olha que esta estratégia, somada a estratégia do "EU NÃO SABIA", a estratégia do "ACEITE AS MINHAS SINCERAS DESCULPAS" e a estratégia do "NUNCA SE INVESTIGOU TANTO NESTE PAÍS", estava sendo um sucesso absoluto, a tal ponto que passou a se espalhar pelo país e chegou a nossa caixa de ressonância nacional - o Rio de Janeiro.
Porém, não existe mal que dure para sempre e bem que nunca se acabe, como ensina o ditado popular e a estratégia começou a perder força diante da sua utilização sistemática.
A mídia finalmente começou a focar no governo a responsabilidade pelas tragédias resultantes da crise na segurança pública vivenciada no Rio de Janeiro.
E melhor, a sociedade fluminense começa a estruturar uma grande mobilização com a união de diferentes vetores sociais, exatamente para cobrar a responsabilidade governamental.
Nós sabemos, nós que não somos "sindicalistas", "insanos", "despreparados" ou "débeis mentais" - palavras ofensivas usadas na estratégia citada - que outra estratégia surgirá para que o Governo possa repassar as suas responsabilidades para outras pessoas, esta é a regra atual na política brasileira, o Governo não faz parte do problema.
Dezoito meses se passaram e as prioritárias áreas da Educação, da Saúde e da Segurança não apresentaram qualquer melhora significativa.
O funcionalismo público teve um reajuste de 4%!
Um Soldado da Polícia Militar teve cerca de R$ 30,00 de reajuste e continua tendo que exercer uma segunda atividade (o bico), quando deveria estar descansando e sendo melhor qualificado. O resultado é um homem desgastado física e emocionalmente, armado com uma arma de guerra, patrulhando as vias públicas e tendo que decidir com um total equilíbrio, quando empregá-la!
E não podemos esquecer que o funcionário público atende às classes mais necessitadas, que precisam buscar o serviço público, pois não podem matricular seus filhos em escolas particulares, pagar um plano de saúde ou blindar seus veículos e contratar seguranças.
A matéria do Extra online transcrita a seguir, a respeito de mais uma grande tragédia, contém este grito de "CHEGA DE DESCULPAS!"
EXTRA ONLINE.
João Roberto: Mãe de menino morto afirma que não aceita desculpas de autoridades.
Ediane Merola - O Globo e O Globo Online.
RIO - "A mãe do menino João Roberto, de 3 anos, que morreu depois de ser baleado na Tijuca , afirmou que não aceita as desculpas das autoridades pelos erros que causaram a morte de seu filho. Em entrevista ao programa 'Mais Você', da TV Globo, a advogada Alessandra Soares teve uma crise de choro ao lado do pai da criança, o taxista Paulo Soares, e lembrou que antes de ser atingido pelos tiros, disparados por PMs, ela chegou a pedir ao filho para abaixar. De acordo com a assessoria direta do governador Sérgio Cabral, ele não se pronunciará sobre a entrevista , e o secretário José Mariano Beltrame, que também esteve no programa, disse que a polícia não pode ser tratada como 'Geni'. ( Confira as imagens da câmera de segurança do prédio em frente ao local onde o carro foi atingido )
- Não tem desculpa de secretário, governador. Só eu sei o que estou passando. A sensação que eu tenho é que ele terá que dar desculpa para outras pessoas. Tenho outro filho e temo muito pela vida desse outro filho. Eu não desculpo. Mamãe te ama. Eu disse pelo amor de Deus, meu filho, abaixa. E ele perguntou por quê mamãe? - dissa Alessandra, que ainda chorando muito disse à apresentadora Ana Maria Braga:
- O nome dele é João Roberto, não é um número, não é uma estatística. Ele é um menino, criado com muito amor, que tiraram de mim, disse ao lado do pai do menino que, bastante emocionado, ele voltou a pedir justiça pela morte de João Roberto.
No mesmo programa, a apresentadora recebeu o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame. Visivelmente abalado, ele afirmou que os policiais envolvidos, que na terça-feira
foram presos temporariamente na terça-feira por determinação da Justiça , serão expulsos, e chamou o ato de insano. O secretário, no entanto, afirmou saber que a não há justificativa plausível, e reconheceu que a expulsão dos policiais é apenas um paliativo, mas defendeu a instituição da Polícia Militar como um todo.
- Não podemos aceitar que a PM vire a "Geni" - disse Beltrame, se referindo à música do compositor Chico Buarque.
O secretário disse ainda que não acredita que policiais
cheguem nas ruas sem ter dado um tiro sequer durante o treinamento, conforme denúncias feitas em reportagem exclusiva do GLOBO ONLINE , e anunciou medidas para melhorar o treinamento da tropa, como turnos extras de aulas, a compra de armamentos não-letais e a compra de dois simuladores de tomadas de decisões, que cria situações de perigo que avaliam a decisão tomada pelo policial.
Mais tarde, o secretário de Segurança Pública disse, após deixar a 19ª DP (Tijuca), que entende a atitude da advogada ao não aceitar as desculpas pela morte de seu filho. Beltrame disse que vai tentar se encontrar com essa família para conversar sobre o episódio. O secretário acrescentou, ainda, que viu as declarações da advogada na TV e percebeu que ela não critica a instituição, mas sim a maneira de agir dos policiais. Tiros também podem ter vindo de bandidos
A perícia deve concluir nesta quinta-feira a análise no carro da mãe de João Roberto. Até agora, os peritos constataram 17 perfurações na traseira do carro. No interior do veículo foram, encontrados 16 fragmentos de balas, que serão comparados com as armas dos PMs.
Três perfurações, no entanto, chamaram a atenção dos peritos: foram feitos no vidro dianteiro do carro da família . As marcas sugerem que pode ter havido, pelo menos, dois disparos vindos do lado oposto de onde estavam os policiais."