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domingo, 18 de março de 2012

SOLDADOS DO EXÉRCITO SÃO HOSTILIZADOS NO ALEMÃO; É O NARCOTRÁFICO ARMANDO A RESISTÊNCIA. ALGUMA SURPRESA?

Prezados leitores, boa noite!
Amanhã, sairei cedo em razão da 1a reunião do Conselho de Justificação instaurado em meu desfavor, assim sendo, antecipo os artigos que publicaria pela manhã.
REVISTA VEJA:
BLOG DO REINALDO AZEVEDO.
17/03/2012
às 4:55
Soldados do Exército são hostilizados no Alemão; é o narcotráfico armando a resistência. Alguma surpresa?
No Globo Online:
Apanhei durante tanto tempo por desconfiar do modelo mágico de segurança de Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame que, ao constatar que eu tinha razão, poderia sentir alguma satisfação. Mas sinto é tédio pelo triunfo do óbvio. Leiam o que vai abaixo e assistam aqui ao filme a que alude a reportagem .
A mudança na estratégia de policiamento do Exército nos complexos da Penha e do Alemão vem gerando hostilidade por parte de crianças e de jovens contra as tropas. Desde que os militares intensificaram o patrulhamento a pé nos becos e vielas de áreas mapeadas como pontos de venda de drogas, houve aumento na quantidade de entorpecentes apreendidos. Até ecstasy, droga que não havia sido encontrada nas favelas pelo Exército, foi encontrado nas incursões feitas a partir de fevereiro. Com a perda de drogas e de território, os traficantes partiram para o contra-ataque. Segundo o serviço de inteligência do Exército, bandidos dão ordens a moradores para que provoquem os soldados que patrulham a região.
Como numa brincadeira de gato e rato, crianças usam as mãos para formar as iniciais de uma facção criminosa, e fogem quando os militares avançam na sua direção. Imagens do Exército obtidas pelo GLOBO revelam como garotos agem. Em casos mais extremos, jovens pulam entre as lajes para atirar garrafas, pedras e até lançar rojões.
“Sabemos que estamos incomodando. O nosso serviço de inteligência nos informou que as ações de hostilidade são orquestradas pelo tráfico. Afinal, estamos estragando o “negócio” deles. A finalidade do Exército aqui é proteger a população”, disse o comandante da Força de Pacificação, general Tomás Miguel Paiva.
Nos complexos desde o dia 26 de janeiro, os 1.800 militares da 11 Brigada de Infantaria Leve, de Campinas (SP), e da 6ª Divisão de Exército de Porto Alegre (RS) já apreenderam 300 unidades de ecstasy, cerca de cinco quilos de cocaína e dois quilos de maconha. A quantidade de cocaína representa mais do que o dobro do volume encontrado em patrulhas anteriores. Para driblar a vigilância, segundo o general, os bandidos criaram mecanismos que vão além de radiotransmissores e celulares.
Os traficantes não só reposicionaram barricadas feitas com sofás e restos de obras, como instalaram campainhas. Quando acionadas por olheiros, elas dão o alarme a mais de 300 metros de distância. À noite, o sistema que os bandidos adotaram é o de fazer ligações clandestinas na iluminação pública. Ao avistarem os militares, eles piscam as luzes nos postes.
(…)
Por Reinaldo Azevedo.
Juntos Somos Fortes!

sábado, 17 de março de 2012

RIO: SEGURANÇA OLÍMPICA.

O GLOBO:
Militares enfrentam hostilidade no Complexo do Alemão.
Crianças e jovens atiram pedras e garrafas nas tropas por ordem do tráfico, segundo afirma o Exército.
RIO - A mudança na estratégia de policiamento do Exército nos complexos da Penha e do Alemão vem gerando hostilidade por parte de crianças e de jovens contra as tropas. Desde que os militares intensificaram o patrulhamento a pé nos becos e vielas de áreas mapeadas como pontos de venda de drogas, houve aumento na quantidade de entorpecentes apreendidos. Até ecstasy, droga que não havia sido encontrada nas favelas pelo Exército, foi encontrado nas incursões feitas a partir de fevereiro. Com a perda de drogas e de território, os traficantes partiram para o contra-ataque. Segundo o serviço de inteligência do Exército, bandidos dão ordens a moradores para que provoquem os soldados que patrulham a região (Leiam mais).
Juntos Somos Fortes!

domingo, 11 de março de 2012

POR QUE COLETES À PROVA DE BALAS EM ÁREA PACIFICADA, PERGUNTOU O PRÍNCIPE HARRY.

Prezados leitores, bom dia!
JORNAL DO BRASIL:
"Por que coletes à prova de balas em área pacificada?", pergunta Harry
Príncipe questiona UPP
Fabrício Ivasse é 1º tenente do Exército brasileiro que ocupa, desde novembro de 2010, as treze favelas que formam o complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. Aos 26 anos, recebeu neste sábado a missão mais atípica de sua carreira, que nem por isso deixou de trazer um alto grau de responsabilidade: foi ele o interlocutor dos militares diante do príncipe Harry, que visitou as comunidades por quase quatro horas. "Fui escolhido porque eu sou formado em inglês", disse, humilde.
Tão logo desceu do teleférico da estação Palmeiras, no Alemão, Ivasse recepcionou, junto com outros homens do Exército, entre eles o general Tomás Miné Ribeiro, chefe da Força de Pacificação, sua alteza para lhe explicar, nos mínimos detalhes, como funciona o trabalho do Exército na comunidade - antes dominada pela maior facção criminosa do Rio (Ler mais).
Juntos Somos Fortes!

sábado, 10 de março de 2012

O BLOG ACERTOU (NOVAMENTE): NEM QUERIA SE ENTREGAR.

O DIA:
Nem diz em depoimento que tentou se entregar três vezes.
À Justiça, ele acrescenta que plano não avançou porque queriam que ele delatasse policiais.
POR Gabriela Moreira
Rio - O traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, falou ontem à Justiça que tentou se entregar três vezes às polícias Civil, Militar e Federal nos últimos anos. As negociações não teriam ido à frente porque, segundo o traficante, as autoridades queriam que ele delatasse policiais corruptos.
A afirmação foi feita durante audiência de processo no qual é acusado de ter oferecido R$ 20 mil a policiais militares do Batalhão de Choque para que não o prendessem, durante tentativa de fuga na mala de um carro, em novembro. Os advogados Luiz Carlos Azenha e Demóstenes Armando Dantas Cruz também são réus no processo. De acordo com Nem, o advogado dele à época, Jaime Fusco, que hoje voltou a defendê-lo, foi pessoalmente à Secretaria de Segurança e à Superintendência da Polícia Federal para negociar a rendição.
“Eles queriam que eu delatasse (os policiais corruptos), mas eu não tenho quem delatar. A vez que chegou mais perto foi quando o AfroReggae tentou negociar. Porque eles disseram que não precisava delatar”, disse o traficante, por videoconferência. Ele está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul (Leiam).
Juntos Somos Fortes!

quinta-feira, 8 de março de 2012

POLÍCIA MILITAR - O TRATAMENTO À BANDA PODRE E À BANDA BOA.

SITE R7:
Operação para combater milícia na baixada termina com 16 presos.
Milicianos atuavam em ao menos 15 bairros de Duque de Caxias.
Do R7 | 07/03/2012 às 18h51.
A operação para combater uma milícia que atua em pelo menos 15 bairros de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, terminou no fim da tarde desta quarta-feira (7) com 16 presos, segundo a Secretaria Estadual de Segurança. Comandada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, a ação foi denominada como Operação Pacificador.
(...)
Entre os presos nesta quarta-feira, estão nove PMs, entre eles um tenente, um fuzileiro naval e um ex-PM. Os outros quatro são civis. Dez pessoas ainda eram consideradas foragidas até às 13h (Leiam mais).]
O jornal O Globo de hoje também noticiou a operação (página 23), afirmando que no grupo existem onze PMs e destaca que os milicianos presos de ontem já haviam sido presos em 2010 e foram soltos no ano passado.
Pergunto:
Será que algum PM preso ontem, já tinha sido preso em 2010?
Se isso ocorreu, surge uma nova pegunta:
O Conselho de Justificação (Oficial) e os Conselhos de Disciplina (Praças) foram instaurados em 2010 e concluídos com a mesma velocidade que foram instalados e estão sendo concluídos os Conselhos de Disciplina dos Praças que lutam por melhores salários da própria PMERJ e do CBMERJ?
Eis um bom tema, afinal, mostrará o tratamento dado à banda podre e à banda boa, pois a podre não luta por melhores salários, não precisa. 
Igual paralelo pode ser feito entre a instauração do Conselho de Justificação do Coronel PM que foi presso preventivamente por duas vezes, recentemente, acusado de ter envolvimento com o tráfico de drogas em São Gonçalo e a instauração dos Conselhos de Justificação a que serei submetido, o Coronel PM Rabelo e o Major PM Hélio, nós que lutamos por melhores salários. O CJ dele foi instaurado rapidamente? Já começou? Já foi concluído?
Lembro que critiquei a forma como foram conduzidas midiaticamente as duas prisões do  Coronel PM citado. Mas o fato é que ele foi preso preventivamente como nós também fomos. Inclusive cabe ainda destacar que apesar da natureza da acusação, ele não ficou preso em Bangu 1 (nem poderia, isso é ilegal) como nós que lutamos por salários justos, ele ficou preso no Quartel General.
Qual a razão dos tratamentos diferenciados?
Juntos Somos Fortes!

segunda-feira, 5 de março de 2012

EFEITO UPP - CONTRA-INDICAÇÃO - INSEGURANÇA PÚBLICA.

O nosso espaço inaugurou a divulgação das contra-indicações das UPPs, que são maravilhosas para as comunidades atendidas, mas que espalham os criminosas para outras comunidades, já que o governo não prende praticamente nenhum deles, com raríssimas exceções.
A transferência dos criminosos está prejudicando a Baixada Fluminense, a Zona Oeste e parte da Zona Norte do Rio, Niterói e São Gonçalo, principalmente.
O GLOBO:
Bandidos fazem arrastão na Avenida do Contorno.
Ocupantes de três carros tiveram pertences roubados pelos marginais.
RIO - Por volta das 15h deste domingo, bandidos interromperam a principal via de acesso à Ponte Rio-Niterói, para quem vem da Região dos Lagos, e assaltaram os ocupantes de três veículos, na Avenida do Contorno, no Barreto, em Niterói. O arrastão aconteceu durante um engarrafamento e provocou pânico entre os motoristas. Muitos tentaram fugir de ré.
Os crimes foram praticados por dois homens armados com pistolas, que dirigiam um Polo cor chumbo. A placa do veículo não chegou a ser anotada. As vítimas estavam em um Siena, num Gol e numa motocicleta. Dinheiro, celulares e documentos, entre outros pertences, foram levados pelos criminosos.
Segundo policiais do 12º BPM (Niterói), os bandidos levaram as chaves do Siena, possivelmente para interromper o trânsito, e, assim, facilitar a fuga. O veículo ficou parado na pista por cerca de uma hora, causando engarrafamento até a altura do Gradim, em São Gonçalo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada para rebocar o carro.
O comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Wolney Dias, informou que seis equipes fizeram rondas na região para tentar localizar os criminosos. O 7º BPM (São Gonçalo) também foi acionado e fez buscas para encontrar o carro, mas a principal suspeita é de que os bandidos tenham fugido em direção ao Rio.
Os roubos foram registrados na 78º DP (Fonseca). A polícia pede para que outras vítimas compareçam à delegacia para registar a ocorrência, o que poderá ajudar na localização dos bandidos envolvidos (Fonte).
Juntos Somos Fortes!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

UPPs; O SIMBOLISMO DE UM ASSALTO.

O nosso espaço foi a primeira voz que se levantou contra a transferência dos criminosos promovida pelo governo estadual para implantar as UPPs. O governo não prende os traficantes ao implantar as UPPs, avisa antes sobre a ocupação e os traficantes se deslocam para outras comunidades.
Graças ao nosso bom Deus, ninguém se feriu, no assalto sofrido pelo Comandante das UPPs e seu motorista, que não foram reconhecidos. Foram perdidos a viatura e as armas.
Sem dúvida, o assalto simbolicamente expressa com precisão os efeitos das UPPs.
Juntos Somos Fortes!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

NOVO LIVRO (E FILME) DE FICÇÃO SOBRE A SEGURANÇA PÚBLICA NO RIO DE JANEIRO.

EMAIL RECEBIDO:
REVISTA VEJA
Cultura
A Batalha do Alemão
Comentarista da Globo vende direitos de livro para editora.
A Objetiva comprou os direitos de publicação de A Batalha do Alemão, livro que Rodrigo Pimentel está escrevendo sobre a tomada da favela em 2010.
José Padilha também comprou os direitos da obra para adapta-la ao cinema. O livro deverá ser lançado em junho.
Por Lauro Jardim.
Juntos Somos Fortes!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

CORONEL PM PAÚL - ENTREVISTA - REDE RECORD - PROGRAMA BALANÇO GERAL.

Hoje eu gravei uma entrevista para a Rede Record, a qual deverá ser exibida no programa Balanço Geral, apresentado pelo deputado estadual Wagner Montes. Agradeço a oportunidade e solicito o apoio dos nossos leitores para a gravação da entrevista, o que possibilitará a exibição no nosso espaço democrático, pois estarei impossibilitado de fazê-lo. 
Agradeço antecipadamente.
Juntos Somos Fortes!

domingo, 15 de janeiro de 2012

REDESCOBRINDO O BRASIL - CABRAL DEFENDE A LEGALIZAÇÃO DE MAIS UM CRIME - JORNALISTA REINALDO AZEVEDO.

Recordar é viver.
REVISTA VEJA:
BLOG DO REINALDO AZEVEDO:
17/12/2010
Redescobrindo o Brasil - Cabral defende a legalização de mais um crime
Sérgio Cabral, determinado a ocupar o vácuo que Lula deixará quando encerrar o seu mandato, deu seqüência hoje ao estilo “deixa que eu chuto”. Depois de defender a descriminação das drogas — só das leves, claro!; não sei se ele enquadra o crack entre as pesadas — e de ter indagado quem aí nunca fez um abortinho na namoradinha, saiu-se com a defesa da legalização do jogo.
As três defesas já nos permitem ter um padrão. Cabral segue um norte ético: “Já que a gente é incompetente para combater o crime, então que nos unamos a ele”. O governador é mesmo um prático: se o crime deixa de ser crime, tudo é da lei, e acaba essa história de punição, pronto!. O miolo-mole certamente acha que viveremos no bem-bom do contrato social, né?, com uma chateaçãozinha aqui, outra ali. Mas pode acontecer, e aconteceria, de conhecermos o estado da natureza.
Ele tem um jeito muito peculiar de dizer suas bobagens, mimetizando o estilo lulístico, só que sem aquela certa, como posso chamar?, autenticidade rústica e telúrica do Apedeuta das Esferas. Cabral é só um rapazola da Zona Sul, já meio velhusco, que busca emprestar a sua dicção certo veneno e picardia da mítica malandragem do Rio. Dá em bufonaria. Para este pensador desabrido, se todos deixarmos de ser hipócritas, acabaremos pensando como ele. Assim ele fez a defesa da legalização do jogo:
“O Brasil, francamente, tem problemas muito maiores quando se torna ilegal. Quando é ilegal, não vai para vocês, não vai para instituições como a Andef [instituição de caridade que cuida de deficientes físicos]. No mundo inteiro, quando é legal, vai para aplicação e recursos meritórios. Chega de demagogia, chega de hipocrisia, é isso que me deixa impressionado”.
Esse discurso cheio de anacolutos — consta que ele não gostava de escola, e isso certamente é verdade — foi feito durante a entrega de veículos para entidades de assistência social, financiados com recursos da Loterj (Loterias do Rio de Janeiro). Cabral poderia nos dizer quais crimes ele considera inaceitáveis para termos mais ou menos uma noção de por onde caminha a mente deste senhor.
Sabem o que é isso? Delírio de potência! Com todo o respeito, a imprensa carioca está criando um monstro inimputável, com a diferença de que ele é, acreditem, bem mais irresponsável do que Lula, que jamais trataria qualquer um dos três assuntos com tal ligeireza. O presidente não é operário desde 1975, mas aquela é sua origem. Esse vale-tudo cabralino tem um corte que é de classe social, de formação. É coisa de moleque que enfiou o pé na jaca. Pobre, como foi Lula, é um pouco menos licencioso do que isso —nos costumes ao menos.
Entendo! Cabral celebra o sucesso de suas Unidades da Polícia Pacificadora do Tráfico. Experimenta o sucesso de crítica e de público de uma nova abordagem do crime — aquela em que o criminoso passa a ser parte interessada na solução do conflito.
Este senhor se definiu para mim quando a Câmara aprovou a lei que redistribuía ente os estados os royalties do petróleo — o que, de fato, é um absurdo. Ele chorou copiosamente e convocou uma manifestação popular. Os deslizamentos em decorrência das chuvas mataram 229 pessoas logo depois. Cabral não só não salgou a terra com suas lágrimas como aproveitou para acusar, nesta ordem: a) os adversários políticos; b) as próprias vítimas.
Há 50 mil homicídios por ano no Brasil. O Rio apresenta um dos maiores índices do país. É um escândalo! Assim como Cabral nos convida a deixar de ser hipócritas no caso das drogas, do aborto e do jogo, eu gostaria de saber o que é não ter hipocrisia nesse particular. Talvez fosse o caso de legalizar o assassinato, não é?, combinando com os matadores uma cota aceitável segundo os padrões da ONU, por exemplo. Como diria Cabral, não podemos ser hipócritas: se, sem acordo, morrem 50 mil, podemos baixar para 20 mil com acordo. Pensem a partir do resultado: o que é pior?
Cabral ainda não entendeu — e lhe falta bem mais do que leitura para isto — que nem todas as idéias que “resolvem” são aceitáveis. É perfeitamente possível controlar um surto de contaminação virótica eliminando-se os hospedeiros. Funciona? Funciona! É o que se faz com o gado quando tem febre aftosa — ainda menino, lembro-me das matanças. Mas, como se dizia antigamente, “com gente, é diferente”.
Àquilo que Cabral chama “hipocrisia”, muita gente boa chama “ética”.
Juntos Somos Fortes!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

UPPs: GOVERNO PROTEGE RICOS E EXPÕE POBRES TRANSFERINDO CONFRONTOS.


Se você quiser conhecer outras contra indicações das UPPs assista a minha entrevista na TV ALERJ (vídeo).
Juntos Somos Fortes!

EX-COMANDANTE DO 7o BPM É PRESO NOVAMENTE.

BOL NOTÍCIAS:
FOLHA.COM
Polícia do RJ prende novamente tenente-coronel Djalma Beltrami.
MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO
O tenente-coronel Djalma Beltrami, ex-juiz de futebol, foi preso novamente esta tarde pela Corregedoria Geral Unificada. A decisão da Justiça aconteceu a partir da denúncia feita por seis promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público estadual. Em dezembro, ele já havia sido detido na operação Dezembro Negro, que investigou homicídios praticados por traficantes em São Gonçalo e que baseou esta denúncia.
Beltrami foi preso em casa e levado para a 64ª DP (Vilar dos Teles). O seu advogado, Marcos Espínola informou, através de sua assessoria, que ainda não irá se pronunciar. Apenas após tomar conhecimento da decisão judicial. Ele esteve na Corregedoria Interna da PM, no Centro do Rio, e de lá, seguiu para a delegacia localizada na Baixada Fluminense.
As investigações que levaram Beltrami de volta à prisão foram conduzidas pela Delegacia de Homicídios de Niterói com o apoio do Gaeco. Elas identificaram um esquema de distribuição de drogas na Região dos Lagos do Rio que tem origem no Complexo da Maré, no Rio, passando por entrepostos nos municípios de São Gonçalo e de Niterói.
De acordo com a denúncia, os homicídios relacionados ao tráfico em São Pedro da Aldeia se intensificaram após a tomada do Complexo do Alemão pelo Estado.
Para a manutenção do esquema, os promotores e o delegado Alan Luxardo concluíram que seria necessário o auxílio de PMs. Foram identificados policiais do 7º BPM (São Gonçalo). Além do tenente-coronel Beltrami, outros 12 policiais militares foram denunciados.
Ao longo da investigação, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, revelaram que os PMs negociavam propinas com traficantes para não coibir o tráfico de drogas. Sargentos, cabos e soldados, que integravam o Grupo de Ações Táticas (GAT), combinavam com o denunciado Maico dos Santos "Gaguinho" o pagamento de propina semanal no valor de R$ 20 mil, dos quais R$ 10 mil eram, de acordo com a denúncia, repassados ao então comandante da unidade, Djalma Beltrami.
O tenente-coronel chegou a ser preso no dia 20 de dezembro após a decretação de sua prisão temporária, porém, obteve o benefício do habeas corpus, concedido durante o plantão judiciário, no dia 21 de dezembro
Na ocasião, o Tribunal de Justiça considerou que não havia elementos para manter Beltrami preso. Na denúncia, os promotores afirmam que um policial informa que repassará a propina ao "01", ao "comandante", que seria Beltrami.
Para os promotores está claro que se trata do policial. Em seu relatório, o delegado Alan Luxardo se utiliza da gravação na íntegra, além de notícias crimes baseadas em disque-denúncia que tratam da época em que o tenente-coronel comandava o 14º BPM (Bangu). As informações para informar que o esquema de corrupção não aconteceria sem a participação do tenente-coronel Beltrami. Luxardo também explica em seu relatório que ele "não produziria provas contra si" e que os PMs não reprimiram o tráfico no morro da Coruja de onde todos receberiam propinas.
O tenente-coronel Djalma Beltrami deve passar a noite em algum quartel da PM, no Rio, e amanhã, seguir para alguma unidade prisional.
A seguir trechos de interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, que basearam o mandado de prisão contra o tenente-coronel:
Primeiro, uma conversa entre o traficante Gaguinho e um policial militar:
GAGUINHO: ALÔ!
PM: FALA AÍ, TÁ PODENDO FALAR AÍ PARCEIRO?
GAGUINHO: OI?
PM: TÁ OUVINDO AÍ?
GAGUINHO: TÔ
PM: ENTÃO AQUELA HORA EU TIVE QUE INTERROMPER QUE TAVA COM UM PROBLEMINHA PARA RESOLVER AQUI.
GAGUINHO: HÃ!
PM: ENTÃO! É EU FALEI COM O MAIS ALTO (Comandante do Batalhão) AQUI ENTENDEU DESENROLEI COM ELE MAIS OU MENOS O QUÊ A GENTE FALOU AQUELA HORA AQUI, É VOCÊ TINHA FALADO QUE CONSEGUE CHEGAR ATÉ UNS "DEZ" (dez mil reais) NO NOSSO DIA PARA MANTER O DO COMANDO (Comando do Batalhão) E O NOSSO?
ALVO: NÃO RAPÁ NÃO TEM COMO NÃO MANDAR "10 MIL" (dez mil reais) NÃO, TÔ FALANDO PARCEIRO QUE TEM COMO EU AUMENTAR O DE VOCÊS "MIL" (mil reais) A MAIS E DAR "DEZ" (dez mil reais) POR SEMANA PARA O "NÚMERO 1" (Comandante do batalhão), COMANDANTE ENTENDEU? ARREGAR ELE TAMBÉM ISSO QUE EU QUERO FAZER ENTENDEU?
PM: O NOSSO É DA SEGUINTE FORMA; O QUE VOCÊ MANDAR PRA MIM EU VOU TIRAR UM PEDAÇO DO MEU PRA MANDAR PRO MEU COMANDO (Comandante do Batalhão), PRA MANDAR PRO "01" (Comandante do Batalhão), ENTENDEU? POR ISSO QUE EU QUERO FECHAR UM VALOR SÓ JUNTO, MEU E DO COMANDO (Comandante do Batalhão), PORQUE O QUE VOCÊ TIRAR PRA MIM, A PARTE DO COMANDO (Comandante do Batalhão) EU VOU TIRAR DAQUI PRA MANDAR, PORQUE CADA DIA É INDIVIDUAL, CADA DIA O CARA VAI PERDER UM PEDAÇO PRA LÁ, ENTENDEU?
GAGUINHO: ENTÃO! E EU TAMBÉM, VOCÊ VAI PERDER UM PEDAÇO E ELE VAI FICAR TRANQUILÃO, QUE EU VOU MANDAR "DEZ" (dez mil reais) PRA ELE PRA ELE FICAR TRANQUILO, POR SEMANA, ENTENDEU? IGUAL AQUI ONDE EU TÔ, OS CARAS PAGA AS QUE RODA, ENTENDEU? E MANDA "DEZ" (dez mil reais) PRO "NÚMERO 1" (Comandante do Batalhão) ENTENDEU?
PM: TÔ ENTENDENDO.
GAGUINHO: O QUE ERA PRA ESSE QUE ASSUMIU AGORA QUE TAVA AÍ, MANDADÃO MANÉ, PORRA, TE FALAR HEIM! AQUILO ALI É UMA MULA.
PM: EU VOU PASSAR A SITUAÇÃO PRO "01" (Comandante do Batalhão) AQUI E PRA GENTE VOCÊ MANDARIA "QUATRO" (quatro mil reais)?
GAGUINHO: É! PÔ! MAS AÍ, E O QUE EU TÔ TE FALANDO, SE O OUTRO ENTRAR NUM ACORDO TAMBÉM, O COMANDANTE MAIOR (Comandante do Batalhão) TEM QUE ENTRAR NUM ACORDO.
PM: POIS É! É O QUE EU VOU TENTAR FAZER AQUI. SÓ QUE POXA, O NOSSO PODE DAR UMA MELHORADINHA, SÓ O NOSSO, INDEPENDENTE DOS OUTROS DOIS DIAS, NÃO PODE? PRA FICAR LEGAL PRA TODO MUNDO.
GAGUINHO: É O QUE EU TÔ FALANDO, POR CAUSA DE QUE EU VOU PODER TRABALHAR TRANQUILO E MELHORAR O DE VOCÊS, ENTENDEU? O DO CARA JÁ TÁ INDO, NÃO VAI ENTRAR MAIS NINGUÉM.
PM: JUSTAMENTE ISSO, A INTENÇÃO É ESSA E QUEM TÁ ARTICULANDO TUDO É A GENTE, PORQUE A PRIMEIRA QUE FORMOU ESSE PAPO DE ACABAR COM ISSO TUDO E FICAR SÓ GENTE, FOI COM O NOSSO DIA, FOI COM O PLANTÃO DE HOJE.
GAGUINHO: ENTÃO! VOCÊ VÊ AÍ SE CONSEGUE ENTRAR EM CONTATO COM O "01" (Comandante do Batalhão) DE VOCÊS, AÍ VOCÊ ME FALA O DIA, ME LIGA E MANDA ELE VIR AQUI AGORA E MARCA COM ELE ANTES, ME FALA UM DIA ANTES PRA EU MANDAR IR AÍ ENTENDEU?
PM: TÁ! ENTÃO VAI MANDAR O NOSSO E "DEZ" (dez mil reais) POR SEMANA DO "01" (Comandante do Batalhão), É ISSO?
GAGUINHO: É!
PM: INDEPENDENTE DAS OUTRAS ALAS, AS OUTRAS ALAS É IGUAL AO NOSSO.
GAGUINHO: AS OUTRAS EU DESENROLO.
PM: BELEZA! EU VOU FALAR COM ELE AQUI. VAMOS FAZER O SEGUINTE, VOCÊ TEM COMO FAZER O NOSSO EM "CINCO" (cinco mil reais).
GAGUINHO: ENTÃO! VAMOS VER, DEIXA EU VER COMO VAI FICAR ESSE DESENROLADO AÍ, PRA PODER O CARA, ELE ATÉ CONHECE O GRAVATA (advogado), O GRAVATA CONHECE ELE, MANDO O GRAVATA NA DIREÇÃO DELE E CONVERSA COM ELE, AÍ O GRAVATA VAI CONVERSAR COM ELE O QUE EU QUERO TAMBÉM, ENTENDEU?
PM: JÁ É! TÁ FECHADO. VOU PASSAR PRA ELE AQUI E DAQUI A POUCO EU TE RETORNO.
No dia 07 de outubro de 2011, às 20:03 hs, o traficante "Gaguinho" trava conversa com policial militar sobre a liberação de bailes funks na comunidade, destacando-se o trecho abaixo:
Interlocutor: Ué, mas o bagulho da questão não é parar o arrego, não, o bagulho é vai lombrar o baile e se lombrar amanhã não enche"
Gaguinho: Tá bom, pô, isso aí que tem que segurar é o Comandante, é com eles mesmo, muito dinheiro que eles estão levando, tá maluco"
Interlocutor: Tem que ver Erick (presidente da Associação de Moradores do Morro da Coruja) para ver essa parada"
Gaguinho: Só mandar ir lá pra ver, ué. Manda ele ligar lá pro Maior dele lá, fala pro Maior dele lá que esses caras do DPO quiser os R$ 500,00 vai parar o arrego se eles zoar, manda falar, assim mesmo a gente está dando o maior dinheirão, então ele tem que segurar esses caras aí"
Interlocutor: Tá tranqüilo, vou ligar pra ele aqui agora"
E, noutra ocasião, dentre tantas, no dia 10 de outubro de 2011, às 17:39 hs, há mais:
Gaguinho: Fala aí, parceiro. O que que houve aí, cara. Tá quebrando o arrego (descumprindo o acordo para não reprimir o tráfico)
PM: Não, eu não quebrei não.
Gaguinho: Escuta! Olha só, deixa eu falar contigo. Eu anotei o número da sua viatura, vou mandar lá pro seu comandante maior, que ele leva 40 mil aí. Vai acabar o arrego por causa de tu e aí tu desenrola com ele.
PM: Parceiro, olha só. O trato que temos contigo é não entrar no seu negócio. Nós pegamos o cara aqui na pista (fora da favela). Não entrei não. Não tenho trato com você na pista, não. O trato é não zoar (reprimir o tráfico) aí dentro. Agora tu vai me ameaçar? Então, tu liga pra quem tu quiser, parceiro."
Juntos Somos Fortes!
Comentário:
No jornal O Globo (página 21)existe um novo trecho das conversações:
"Numa das escutas, há uma instrução de Beltrami a um dos seus subordinados: "Tira tudo que tiver (sic) errado nas viaturas:touca ninja, munição errada e armamento para não ter problema com a corregedoria". Para a polícia, essa é uma das provas da participação dele nos crimes do tráfico, corrupção e formação de quadrilha".
Ficar comentando partes de investigações é muito complicado, corre-se o risco de tomar a parte pelo todo. Na prisão anterior eu comentei que se as provas eram as que tinham vazado para a imprensa, não existia motivo para manter Beltrami preso, o que não significava que os fatos não devessem ser investigados. Ocorre nova prisão e, novamente, se as provas são as exibidas nessa reportagem, devo repetir que Beltrami deve ser solto a qualquer momento e a prisão só servirá para aumentar a crise entre as cúpulas da Polícia Civil e a Polícia Militar. O trecho publicado pelo O Globo, não comprova recebimento de propina do tráfico, embora comprove o seu relacionamento direto com um subordinado". Obviamente, existindo outras provas, como afirmei na primeira prisão, posso mudar a minha opinião.
Juntos Somos Fortes!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

SÃO PAULO: A RETOMADA DA CRACOLÂNDIA - REINALDO AZEVEDO.

REVISTA VEJA
09/01/2012
às 5:39
A RETOMADA DA CRACOLÂNDIA: Homens de bem têm de renovar sua confiança no estado democrático; os bandidos têm de temê-lo. Ou: O “especialista” como mau engenheiro social.
O governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo decidiram fazer uma radical intervenção numa área da região central da cidade que ganhou o nome de “cracolândia”. Muitas outras existem Brasil afora, inclusive nas imediações da Esplanada dos Ministérios, a poucos metros do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, sob as barbas do ministro da Justiça e do batom de Dilma Rousseff. É uma vergonha que várias esferas do Poder Público, Brasil afora, tenham permitido a formação dessas comunidades de zumbis, de mortos-vivos, de andrajosos que perambulam, como disse o poeta, “sem ar, sem luz, sem razão”, escravos do seu vício, promovendo e se submetendo a toda sorte de violência, condenados à miséria material e espiritual pelo casamento infeliz da incúria do Estado com os nefelibatismo de teóricos mancos da política de redução de danos — que assumiu, entre nós, a danosa face da tolerância que mata e que corrói indivíduos, famílias e áreas da cidade.
Uniram-se o Estado e a Prefeitura para asfixiar o tráfico do crack e para fazer a coisa certa: retomar uma parte do território que há anos vem sendo ocupada por traficantes e usuários, num espetáculo grotesco, cruel, de degradação humana e urbana. O objetivo é impedir a chegada da droga para forçar o usuário a procurar ajuda. Infelizmente, ainda não existe uma lei que permita a internação compulsória daquelas pessoas que já não podem mais responder por si mesmas, que já perderam o poder de escolha, que não têm mais como arbitrar sobre a própria vida.
Não tardou para que os “reacionários” resolvessem, afinal de contas…, reagir! A ação de governo e Prefeitura fere a sensibilidade dos “engenheiros sociais” de algumas ONGs, de que os viciados, afinal de contas, são uma espécie de clientes afetivos e morais. Há muitos anos, essa população que está na rua se tornou uma reserva de mercado dessas entidades e de uns dois ou três “padres de passeata”, que entendem de drogas o que entendem da Bíblia: NADA!!! Essa gente brada, pede, reivindica uma “política alternativa” ao que considera “repressão”. Ora, a “política alternativa” , que é a deles, está em curso. E qual tem sido o resultado efetivo? A multiplicação de viciados e a ampliação das áreas das cidades ocupadas pelos chamados “nóias”. Não há hoje município brasileiro, por menor que seja, livre do crack, que já chegou às comunidades indígenas. O flagelo social tem um nome: TOLERÂNCIA. A lógica elementar indica o óbvio: a única forma de conter o crime é combatendo-o. Sem isso, o traficante fica livre para buscar seu lucro, e o dependente, para buscar o seu prazer. Ainda que seja um prazer suicida e seja ele próprio o principal prejudicado, isso não implica que a sociedade deva arcar com as conseqüências nefastas de sua escolha inicial, tornada depois uma doença. Haver nas cidades regiões dedicadas ao consumo, ocupadas pelo estado paralelo do tráfico e por indivíduos destituídos de cidadania, é um escárnio.
Que governo e Prefeitura não recuem de sua disposição e respondam com convicção aos protestos estridentes do humanismo de pé quebrado e à gritaria ideológica. Não tenho pesquisas em mãos, mas estou certo de que a maioria dos paulistanos e dos paulistas apóia a retomada daquele território, que havia sido entregue ao outro mundo. Mas as dificuldades são imensas. No Estadão deste domingo, o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira escreve um artigo que traz uma impressionante soma de equívocos. Ele é diretor do Programa de Orientação, Atendimento a Dependentes (Proad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e merece, claro, a minha consideração por isso. Mas nem ao mais experimentado especialista no que quer que seja se faculta o direito de jogar no lixo a história e a lógica. Reproduzo o seu artigo em vermelho. E contesto-o em azul.
Estou muito pessimista em relação ao resultado dessa operação. Estão fazendo tudo o que não se pode fazer. A história mostrou por diversas vezes que a adoção de medidas repressivas não dá certo. Pelo contrário, provoca os piores resultados. Se uma ação como essa ocorresse na Europa, por exemplo, renderia até processo contra o governo.
Se é de história que Dartiu quer falar, posso inverter os seus termos, e os fatos estarão comigo. A história provou que abrir mão das medidas repressivas faz as cracolândias: em São Paulo, Brasília, Rio, Belo Horizonte ou Xiririca da Serra. Quanto à sua afirmação de que uma ação como essa renderia processos contra o governo, trata-se apenas, vênia máxima, de retórica oca. A “Europa” não é um país de legislação única. Seria preciso que ele apontasse as “cracolândias” européias e demonstrasse, então, que não há repressão por lá. A propósito: que legislação “européia” — ou brasileira — Estado e Prefeitura estariam infringindo? Ou Dartiu explica, ou serei obrigado a afirmar que não se trata de um argumento, mas de mera trapaça retórica.
Temos um exemplo clássico. Na década de 1960, os Estados Unidos resolveram iniciar a chamada guerra às drogas. Após 30 anos, o próprio governo americano chegou à conclusão de que jogou US$ 20 bilhões no ralo. Mas esse discurso de repressão policial vende voto e capta a simpatia da população menos familiarizada com as nuances do problema.
Há aqui vários equívocos. Dartiu se refere à suposta ineficácia da política americana de repressão ao tráfico de drogas. O que se faz na cracolândia
Em nossa realidade, é ridículo pensar que uma pessoa não vai usar drogas porque a Polícia Militar está na cracolândia. Os usuários vão para as ruas vizinhas.
E é preciso que se coíba o tráfico e o consumo de drogas também nas ruas vizinhas. Quem disse que a retomada da região hoje chamada “Cracolândia” é uma política de prevenção ao uso de drogas? Não é! É uma política de combate ao tráfico e, reitero, de combate ao estado paralelo.
O segundo equívoco é pensar que a droga é que causa a situação de miséria de quem a consome. É exatamente o contrário. O que leva as pessoas para o buraco é a ausência do Estado, que não oferece escola de qualidade, habitação digna nem chance de trabalho. A droga é consequência, não é causa. É por isso que o trabalho não deve ser reprimir, mas prevenir. E, claro, trabalhar para devolver dignidade às pessoas.
Aqui Dartiu já não fala mais como psiquiatra, mas como político, sociólogo e ideólogo. Se o psiquiatra merece respeito por sua expertise na área, o pensador é desprezível porque… bem, porque o que ele diz é o contrário da verdade factual. Terei de ser didático com ele. Não tenho a esperança de que mude de idéia. A minha aposta é que outros não sigam os seus equívocos.
1 - o salário médio do brasileiro anda na casa dos R$ 1.600. Uma imensa quantidade, no entanto, ganha muito menos. Isso que passaram a chamar de “classe média” é, na verdade, pobreza. Não quero deixar o ideólogo Dartiu chateado, mas a esmagadora maioria dos pobres NÃO CONSOME DROGAS. Durante muito tempo, diga-se, cometeu-se o equívoco de associar violência à pobreza, transformando uma mera correlação em relação de causa e efeito. O fato de toda área muito violenta ser pobre não implica que toda área pobre seja violenta. Nunca é tarde para Dartiu aprender: se as “comunidades” A, B e C são pobres, mas só a B e a C estão entregues ao crime, a pobreza não faz os criminosos. Outros fatores condicionam a ocorrência;
2 - Dartiu comete o equívoco detestável de achar que pessoas pobres são incapazes de fazer escolhas morais. Por isso, segundo o seu ponto de vista, o consumidor de drogas, eventualmente pobre, é só uma vítima da incúria do estado. E o que ele diria dos consumidores que tiveram casa, comida, escola e roupa lavada?;
3 - O Mapa da Violência demonstra que houve uma explosão de homicídios em vários estados do Nordeste, como já demonstrei aqui. Não obstante, a economia na região cresceu mais do que no resto do país;
4 - segundo o doutor, o tráfico e o consumo de drogas não podem ser reprimidos enquanto o país não der por resolvidas todas as mazelas sociais, como se esses dois crimes não alimentassem o ciclo da violência e da exclusão social. Sua tese é desmentida pelos fatos. O crime, reitero, cresceu junto com a economia no Nordeste. O observador apressado diria que crescimento econômico induz a violência. Seria uma tolice! Os dados do Mapa da Violência demonstram, para qualquer observador isento, que é a impunidade que alimenta o crime.
Mesmo que fosse planejada, essa ação repressiva não daria certo, assim como a internação compulsória não resolve. Estudos mostram que a taxa de recaída chega a 98% entre os internados à força. O máximo que essa operação pode promover é pulverizar a cracolândia e higienizar a área.
Pronto! Apareceu a palavrinha mágica com que ideólogos sociais de quinta categoria pretendem silenciar o debate: “higienizar”. Dartiu pode até ser um psiquiatra de primeira, mas, como pensador social, é um falastrão. Quais são os “estudos” que demonstram que a “recaída” dos “internados à força” chega a 98%??? Não existe essa política pública no Brasil! Quando muito, se muito, ele se refere a famílias que tomam essa decisão, recorrendo a clínicas privadas. Qual é a série histórica de que dispõe? Qual é o perfil dessas famílias? De que tipo de droga ele está falando?
Dartiu recorre a um vício típico das esquerdas quando vencidas num debate: basta chamar o adversário de “fascista”, e tudo se resolve num passe de mágica. Ora, se o adversário é “fascista” — e isso quer dizer que ele é mau —, então não é preciso expor os próprios argumentos nem contestar os do outro. A acusação de “higienismo” é o correlato do “fascismo” quando o assunto é combate às cracolândias e intervenção do poder público nas cidades.
Os zumbis que vagam pelas ruas, muitos deles crianças, perderam os vínculos com a família ou com qualquer outro grupo. Se é verdade que não tiveram escola, habitação e trabalho de qualidade (o argumento é falacioso), o que Dartiu propõe como compensação? O abandono? O homem é psiquiatra, e isso quer dizer que não é bobo. Sabe que, ao afirmar que a ação do Estado e da Prefeitura está errada, tem de propor, especialista que é, algo no lugar. E o que ele propõe? Releiam: “O trabalho não deve ser reprimir, mas prevenir.”
É uma sorte dos pacientes, talvez nem tanto dos vendedores de túmulos, que Dartiu não seja pneumologista. Ao receber um paciente com pneumonia, ele não teria dúvida: recomendar-lhe-ia muito exercício aeróbico, natação para fortalecer os pulmões e a capacidade respiratória, quem sabe o ar fresco das manhãs… Essas coisas que ajudam a prevenir a pneumonia, mas que matariam um doente.
É uma estupidez do raciocínio opor prevenção a repressão. São políticas complementares para lidar com fases distintas do problema. Ademais, ignorar que a repressão também tem caráter preventivo corresponde a fazer pouco caso dos fatos. O ideal, e por isso todos apostamos na educação, é que as pessoas não cometam delinqüência porque interiorizaram valores morais. Mas é preciso que o Estado democrático dê a certeza aos homens de bem e aos bandidos de que os delinqüentes serão punidos. Os primeiros precisam ter confiança nesse estado, para reforçá-lo. Os outros têm de ter medo. Para reforçá-lo.
O bandido também exerce um importante papel social. Atrás das grades!
Por Reinaldo Azevedo.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA: MEGA OPERAÇÃO, SEM MEGA RESULTADO.

O GLOBO:
PM faz megaoperação de combate ao tráfico em favelas do Rio.
No Morro do Chapadão, agentes descobrem casa que funcionaria como esconderijo de FB.
RIO - Cerca de 700 homens da Polícia Militar participam da megaoperação de combate ao tráfico realizada em comunidades das zonas Norte e Oeste do Rio. Desde as 5h as equipes estão espalhadas em pelo menos dez morros e favelas das zonas Norte e Oeste. Pelos menos 12 pessoas foram presas e dois menores apreendidos. Ainda foram apanhadas 28 granadas, 97 caça-níqueis, 185 tabletes, 50 kg de e 1600 papelotes de maconha, 85 cápsulas de cocaína, 1.020 pedras de crack, uma espingarda calibre 12 mm, uma pistola calibre 9 mm, 106 munições de diversos calibres, rádios, motos e carros. Um homem, ainda não identificado, foi ferido durante a operação no Morro do Chapadão, em Costa Barros, e foi levado para o Hospital Carlos Chagas. Ainda não há informações sobre seu estado de saúde. Na comunidade, os policiais apreenderam 100 quilos de maconha. De acordo com a polícia, entre os quatro presos na região está um homem conhecido Preto, que seria um dos gerentes do tráfico na localidade (Leiam).
Juntos Somos Fortes!

CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA: OS EFEITOS DA TRANSFERÊNCIA DE TRAFICANTES PROMOVIDA PELO SECRETÁRIO DE SEGURANÇA BELTRAME.

O GLOBO:
Traficantes da Mangueira se mudam para Niterói.
Moradores do pacato morro de Preventório reclamam da invasão de bandidos na área.
RIO - Comunidade conhecida por, diferentemente de tantas outras, escapar do controle de traficantes de drogas, o Morro do Preventório, em Jurujuba, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, viu sua rotina mudar no ano passado, depois que a Secretaria de Segurança anunciou a ocupação do Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio, para instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Criminosos da Mangueira teriam se refugiado na favela niteroiense.
Segundo moradores, cerca de 40 bandidos invadiram o Preventório. Alguns deles armados com fuzil e pistolas.
— A paz abandonou a nossa comunidade — lamenta uma moradora.
Secretário de Segurança e Controle Urbano de Niterói, o coronel Ruy França disse ter sido procurado por moradores há duas semanas, que pediram providências ao oficial.
— Como é um assunto que diz respeito à ação da polícia, procurei o comandante do 12º BPM (coronel Wolney Dias). Ele fez operações na comunidade, com prisões e apreensões — disse o coronel.
Para os moradores, o objetivo principal, expulsar os invasores, não foi atingido.
— Eles continuam aqui. O Preventório precisa ser ocupado pela polícia de forma definitiva. De que adianta tirarem os bandidos de lá e eles virem para cá? — diz o morador.
Comento:
Eu apelidei jocosamente a transferência de traficantes promovida pelo secretário de segurança Beltrame, empregada a cada implantação de UPP ou a cada ocupação (Complexo do Alemão, por exemplo), de "triplo T" (tática de transferência de traficantes), embora o assunto seja seríssimo, como comentei na TV ALERJ:


Penso que em lugar nenhum do mundo tal tática tenha sido empregada por forças policiais, ela deve ser inédita. Avisar os criminosos antes de atuar na área, facilitando a fuga para outros locais, onde se instalam e passam a atuar.
Isso transforma o governo em elitista, pois escolhe onde não quer que os criminosos fiquem, mas não os prende, impedindo que passem a atuar em outros locais. 
Repito o que já escrevi dezenas de vezes, em qualquer lugar do mundo civilizado, Beltrame teria sido exonerado na primeira ação que resultasse nessa transferência de bandidos de um lugar para outro. No Rio de Janeiro, o apoio maciço das Organizações Globo, quase o está transformando em um semideus. Ele já foi premiado diversas vezes, inclusive como personalidade do ano. O mais completo absurdo.
A matéria foi encaminhada por um amigo que perguntou, surpreso com O Globo ter noticiado tal fato (embora Beltrame tenha sido preservado novamente), se eu conhecia alguém da cúpula das Organizações Globo que resida perto da comunidade. Respondi que não sabia.
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sábado, 7 de janeiro de 2012

CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA: A POLÍCIA (BANDA PODRE) QUE NÃO SE PREOCUPA COM OS SALÁRIOS.

REVISTA VEJA:
Rio de Janeiro.
Munição de Nem vinha da polícia.
Investigações revelam que policiais corruptos venderam mais de 2 000 cartuchos e balas ao bando de Nem na Rocinha. Só falta agora apontar os responsáveis.
Leslie Leitão.
Dias antes da ocupação da favela da Rocinha por forças de segurança no Rio de Janeiro, a Polícia Federal prendeu cinco traficantes que tentavam escapar da operação iminente. Os bandidos eram do alto escalão da quadrilha do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, e estavam sendo escoltados por três policiais civis. Nos quatro carros usados na fuga havia quase 500 cartuchos e balas, dez pistolas e três fuzis. Boa parte era de uso exclusivo das forças de segurança e chegara aos marginais pelas mãos dos próprios policiais. A prisão escancarou a simbiose entre o crime organizado e agentes da lei que manteve aquela área imune à ação do estado durante décadas. Desde então, por força da nova ordem que se estabeleceu ali, os esqueletos começaram a sair do armário. O mais recente emerge de um relatório de inteligência da Secretaria de Segurança do Rio obtido por VEJA. O documento deixa claro que vigoravam, entre o bando de Nem e policiais corruptos, canais permanentes de fornecimento de armas e munições. Dos 23 000 cartuchos e balas já encontrados em covas e paióis clandestinos espalhados pela Rocinha, pelo menos 2 300 foram desviados de quartéis do Exército, de batalhões da Polícia Militar e dos estoques da Polícia Civil. Os bandidos tinham até munição da Polícia Militar de São Paulo (Leiam mais).
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A MORTE NO COMPLEXO DO ALEMÃO.

SITE R7:
Investigação de morte de jovem no Alemão será acompanhada pela Justiça Militar.
Procuradora vai se encontrar com o comandante da Força de Pacificação.
As investigações sobre a morte do menino Abraão da Silva Maximiliano, de 15 anos, durante um suposto confronto entre militares do Exército e traficantes no complexo de favelas da Penha, na zona norte do Rio, na noite da última segunda-feira (26) estão sendo companhadas pela Procuradoria de Justiça Militar.
Nesta sexta-feira (30), a procuradora Hevelize Jourdan Covas Pereira vai se encontrar, às 10h, com o general Otávio do Rêgo Barros, comandante da Força de Pacificação do Complexo do Alemão, na base operacional, para verificar o andamento das apurações.Ela também espera ouvir parentes e vizinhos do jovem, bem como testemunhas do confronto (Leiam).
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

CRISE NA POLÍCIA CIVIL: TRAFICANTE NEM, COMO ANDA A INVESTIGAÇÃO?

"Folha de São Paulo:
12/11/2011.
Delegado suspeito de ajudar tentativa de fuga de Nem.
Folha de S.Paulo.
Rio - A cúpula da Segurança do Rio investiga possível participação de um delegado na tentativa de fuga do chefe do tráfico da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, 35 anos. Além disso, querem saber quem seriam os policiais que receberiam propina de cerca de R$ 500 mil por mês, conforme Nem disse em depoimento informal à PF.
"Faço votos que essa pessoa revele o que sabe tanto em relação a desvios de conduta de agentes públicos, quanto na arquitetura do tráfico", disse o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.
Na noite da captura de Nem, um dos membros do Batalhão de Choque furou o pneu do Toyota Corolla em que o traficante estava escondido, para impedir que o delegado Roberto Gomes Nunes, da 82a DP (Maricá), seguisse com o veículo para a 15ª DP (Gávea).
Em depoimento à CGU (Corregedoria Geral Unificada) da Secretaria de Segurança, o tenente Disraeli Gomes disse que o delegado da Polícia Civil surgiu acompanhado do inspetor Fernando Ribeiro de Carvalho Mussi, no local em que o carro de Nem estava parado, por volta das 23h50 de quarta-feira, na Lagoa.
Segundo o tenente, o delegado "tentou dispensar todos, alegando que a ocorrência seria dele", impedido a abertura do porta-malas e insistia em levar o veículo para a delegacia. Após ser acionado, o delegado da PF João Luiz Caetano de Araújo chegou ao local e Nem foi descoberto e preso.
O delegado Nunes disse que não comentaria o caso. O inspetor Mussi não foi localizado. Os dois policiais civis prestaram depoimento ontem. O subchefe operacional da Polícia Civil, Fernando Veloso, disse que advogados de Nem negociavam há cerca de dez dias a rendição dele na delegacia da Gávea. Veloso diz que a PM não sabia da operação sigilosa da inteligência da Civil.
Ocupação
Uma megaoperação é preparada pelas polícias militar, civil e federal para a ocupação das favelas da Rocinha e do Vidigal amanhã. Para isso, além do cerco à Rocinha, a polícia fez ontem operações em outras favelas. Na Vila Vintém, dez homens foram presos, entre eles segurança de Nem". 
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A PRISÃO DO COMANDANTE DO 7º BPM.

SITE G1:
(...)
Os dois interlocutores da escuta telefônica fazem referência a uma pessoa conhecida como "zero um" que, segundo a investigação, seria o comandante Djalma Beltrami. As patrulhas da PM são tratadas de "gêmeas”. Mas o comandante Beltrami não aparece em nenhuma conversa gravada pela polícia. Veja o diálogo abaixo.
Policial: “Só que também vai ter que levantar, aumentar aquele negócio, porque tem gente, rapaziada mais alta chegando, vai ser tudo, tudo com a gente, entendeu? Vai ser tudo com este telefone que você tá falando aí, tudo com o 'zero um', entendeu?”
Traficante: “Olha só, eu quero perder pra vocês, entendeu. E perder pro cara que assumiu agora, eu tenho condições de dar 10 pra ele por semana, entendeu?”
Policial: “10 pra, pra... Tem que ser pra cada "gêmea", por final de semana”
Traficante: “Como é que vou dar 10 pra 'tú'? E depois tem que dar tanto pras outras "gêmeas"?
Tá louco, aí eu morro, fico na 'bola', a boca não é minha, não, cara” (Leiam).
Comento:
Reafirmo minha opinião, se for só isso que existe contra o Comandante que foi preso, ele vai tomar um bom dinheiro do Estado, aliás, um bom dinheiro de cada um de nós, pois será indenizado com dinheiro público.
Juntos Somos Fortes!