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quarta-feira, 16 de julho de 2008

A FALTA DE VALORES - UMA GESTÃO EQUIVOCADA.

Willian Andrew, que trabalhou na reestruturação da polícia de Nova York, declarou durante uma entrevista para a Revista Época que para alcançar resultados positivos era necessário investir no policial e melhorar a gestão.
Eu concordo plenamente.
Uma organização que no terceiro milênio não possui plenamente definidos e operacionalizados a sua MISSÃO, os seus VALORES e a sua VISÃO DE FUTURO está condenada ao fracasso.
Cabe destacar que as instituições policiais têm as suas MISSÕES definidas na Constituição Federal, porém precisam estabelecer os seus VALORES INSTITUCIONAIS e definir a sua VISÃO DE FUTURO.
Quais são os VALORES das instituições policiais?
Qual é a VISÃO DE FUTURO destas instituições?
Infelizmente, gerenciamos as Polícias ao sabor da política e sem essa visão empresarial, agindo assim, não implementamos mudanças, ficando presos a arcaicos paradigmas e acabamos por repetir estratégias erradas, considerando que desviamos o FOCO, comprometendo todo o processo.
Dias atrás eu compareci a uma empresa particular (LABS D’OR) e logo na entrada, tive a oportunidade de ler em um cartaz os VALORES da empresa:
"VALORES:
- HUMANIZAÇÃO - Tratar todo cliente com respeito, prevalecendo a generosidade e a solidariedade na relação.
- CREDIBILIDADE – Construir relações verdadeiras com todos os clientes, através da confiança e da transparência.
- ÉTICA – Praticar conduta moral, humana e profissional despertando o orgulho de trabalhar na empresa.
FOCO NO CLIENTE – Fazer com que o cliente se sinta sempre importante e especial.
COMPROMETIMENTO – Agir consciente de que a participação de cada um é fundamental para o sucesso do negócio.
RECONHECIMENTO – Valorizar a contribuição individual nos resultados com senso de justiça e celebrando o sucesso."
Uma rápida leitura nos permite identificar claramente que a empresa cultua VALORES focados no SUCESSO da EMPRESA, nos FUNCIONÁRIOS e nos CLIENTES.
Os FUNCIONÁRIOS são colaboradores para o sucesso da EMPRESA.
Fazendo um paralelo com a atual política de segurança pública implementada no Rio de Janeiro, percebemos que existe uma preocupação com o SUCESSO POLÍTICO, porém o FOCO não tem sido o CLIENTE e muito menos o FUNCIONÁRIO.
O CLIENTE - o cidadão fluminense - parece estar se transformando mais em vítima da “política” de segurança do que em CLIENTE dessa segurança pública, que deveria estar voltada para a proteção da vida, acima de tudo.
O FUNCIONÁRIO – o Policial - cada vez mais esquecido pelo poder político, recebe um salário famélico que o obriga a procurar outro emprego para garantir o sustento de sua família. Ele trabalha em duas ou mais EMPRESAS e na maioria das vezes a EMPRESA PÚBLICA – Polícia – vira o “bico”.
O FUNCIONÁRIO – o Policial – desgastado física e emocionalmente, totalmente desmotivado, não consegue interagir corretamente com o CLIENTE.
Refém de uma "política" equivocada VITIMIZA O CLIENTE e VITIMIZA A SI PRÓPRIO, considerando que a ele todas as culpas e todas as penas legais.
Por favor, releiam os VALORES da LABS D’OR e analisem como a “política” de segurança pública trata os CLIENTES e os FUNCIONÁRIOS.
Como trata os POLICIAIS e os CIDADÃOS.
O resultado só poderia ser um, o fracasso da EMPRESA.
Concluindo, a GESTÃO está totalmente equivocada!

terça-feira, 15 de julho de 2008

BLOG DA SEGURANÇA - O DIA - GUSTAVO DE ALMEIDA

Quinta-feira, 10 de julho de 2008.
MAIS UMA REUNIÃO TENSA NA CÚPULA DA SEGURANÇA PÚBLICA.
Por Gustavo de Almeida.
"Na tarde desta quinta-feira (10 de julho), às 15h, no quartel-general da PM na Rua Evaristo da Veiga, o comandante-geral e mais todos os comandantes de batalhão se reúnem na presença do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.
As informações dão conta de que cabeças podem ser cortadas. A tensão é gigantesca - principalmente porque a Inteligência já apurou que os praças na rua começam a fazer uma silenciosa Operação-Padrão Vampeta ("Fingem que nos pagam, a gente finge que trabalha").
Em muitas áreas da cidade, a PM já não vai mais subir morro ou se meter em situação de risco ou tiroteio. E nas mesmas áreas, a promessa é de não fazerem mais abordagens.
A situação é grave e pode demandar intervenções ainda mais sérias".
Postado às 12:26 h.
O KNOW-HOW AMERICANO.
Por Gustavo de Almeida.
"A reunião no quartel-general da PM chegou ao fim sem mortos ou feridos. Estiveram presentes oficiais da Diretoria de Ensino e Instrução. Ao que parece, o Rio terá em breve ares nova-iorquinos - para o encontro com o comandante-geral e todos os comandados, o secretário de Segurança levou os conceitos assimilados na véspera, quando se encontrou com Willian Andrew, coordenador de Polícia da gestão Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York até 2002 que ficou notório pela política de Tolerância Zero.
Andrews, que teve reunião de horas ontem com Beltrame e com Hugo Acero, de Bogotá, trabalhou em um período dramático da polícia de NY - logo depois de um caso semelhante ao do menino João Roberto. Em 1997, um imigrante africano havia sido assassinado por quatro policiais e a opinião pública estava se voltando contra a cúpula da segurança e os policiais de rua. Artistas como Susan Sarandon chegaram a criar ONGs para contestar o trabalho da polícia novaiorquina.
Com a assessoria de Andrews, Giuliani conseguiu virar o jogo. A reunião desta quinta-feira pode ser o início de uma retomada. Os comandantes de cada unidade devem mudar o relacionamento com a tropa.
E o detalhe: ninguém saiu exonerado da reunião desta quinta-feira".
Postado às 17:42 h.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O CIDADÃO FLUMINENSE (ALGUNS) E OS POLICIAIS MILITARES PEDEM SOCORRO, POR FAVOR, NOS OUÇAM!

Cidadãos fluminenses, as tragédias ocorridas no Rio de Janeiro, nos últimos dias, envolvendo integrantes da Polícia Militar, têm enlutado a todos nós, inclusive aos que amam a instituição e escolheram ser Policiais Militares para servir e proteger o cidadão. Uma missão heróica e que exige do Policial Militar uma exposição constante ao risco de morte para defender a sociedade fluminense.
O heróico policial tem gritado por socorro e não tem sido ouvido, quem sabe temos a capacidade de ouvir outras vozes e assim iniciarmos as mudanças que precisam ser feitas, caso contrário, as tragédias continuarão a ocorrer.
A Revista Época desta semana trás uma excelente matéria da jornalista Solange Azevedo (páginas 64 e 66), uma entrevista com Willian Andrews, “um dos cérebros por trás” da reforma da polícia de Nova York e “braço direito do então chefe do Departamento de Polícia, Willian Bratton”.
O título da reportagem, por si só, representa o melhor conselho para que possamos começar a mudar a realidade que vivemos:
“É PRECISO INVESTIR NOS POLICIAIS”.
A proposta lógica nunca foi desenvolvida no Rio de Janeiro, como já escrevemos diversas vezes neste espaço, sendo que os Policiais Militares do Rio de Janeiro continuam recebendo os piores salários do Brasil, o que os obriga a sacrificar os horários de descanso desempenhando uma segunda atividade nos horários de folga – o “bico”.
O resultado desta perversa realidade é um Policial Militar desgastado física e emocionalmente, policiando as ruas do Rio de Janeiro, utilizando armas de guerra – os fuzis - que só poderiam ser utilizados por profissionais com um treinamento qualificado e o indispensável equilíbrio emocional, diante do seu poder de letalidade e do alcance útil da munição.
Um recente levantamento feito na instituição demonstrou que os problemas emocionais são uma das principais causas de afastamento dos Policiais Militares do serviço, confirmando o desgaste emocional da tropa.
O entrevistado declarou que:
" O principal motivo para o recuo da criminalidade em Nova York foi a mudança na forma de gerenciar a segurança. O Departamento de Polícia foi descentralizado. Não adianta concentrar todo o planejamento da segurança nas mãos de alguém distante da realidade local [...]".
Willian Andrews tratou ainda da qualificação profissional quando afirmou que:
“É preciso investir nos Policiais. Oferecer melhores salários e educação melhora o desempenho do policial e pode reduzir a corrupção. Em Nova York, pagamos curso universitário para muitos agentes. Os policiais que estão nas ruas têm de tomar decisões o tempo todo. Precisam estar preparados para fazer julgamentos corretos”.
Acrescento que o julgamento mais importante é quanto a usar ou não o armamento – atirar ou não atirar. A decisão adotada pode significar a morte do próprio Policial Militar, do criminoso ou de pessoas inocentes.
Uma decisão com efeitos definitivos, como nas tragédias recentes.
Todo Policial Militar aprende que antes de executar um disparo de fogo precisa respeitar três parâmetros:
- A legalidade (legítima defesa).
- A oportunidade de efetuar o disparo (análise de risco).
- O seu adestramento para o uso do armamento, ou seja, nos treinamentos conseguiu efetuar disparos eficazes com o armamento que pretende utilizar.
Será que o nosso Policial Militar nas condições de estresse vivenciadas, possui o equilíbrio emocional para sempre tomar a decisão mais acertada, em frações de segundo e obedecendo aos três parâmetros básicos?
E faço mais um questionamento:
Os Policiais Militares que portam e usam tais armas de guerra foram devidamente qualificados (treinados) para utilizar este armamento ao longo da sua formação e tem participado de instruções de manutenção de armamento e tiro nas suas Unidades Operacionais?
As respostas aos dois questionamentos deveriam ser SIM, ninguém tem dúvida, porém quem se atreve a afirmar que todos os Policiais Militares têm esse equilíbrio emocional e esse adestramento diante do quadro atual.
Os Coronéis Barbonos e os 40 da Evaristo – Oficiais e Praças da Polícia Militar – expuseram publicamente as necessidades mais urgentes da Polícia Militar: a concessão de salários dignos que permitam a dedicação exclusiva ao serviço e a disponibilização de adequadas condições de trabalho, o que inclui a qualificação adequada.
Os Coronéis que estavam no exercício das principais funções da instituição não se omitiram diante da realidade enfrentada pelos Policiais Militares e apontaram os primeiros caminhos, não foram ouvidos e ainda foram exonerados, embora sejam os profissionais que melhor conheçam os problemas da Polícia Militar.
O que estamos esperando para mudar a gestão da segurança pública?
Novas tragédias, certamente não.
A hora de mudar esta gestão já passou há muito tempo e continuamos empregando as táticas do passado, que nenhuma eficácia demonstraram.
Por exemplo, qual a realidade atual do Complexo do Alemão, onde desenvolvemos uma “guerra” por mais de um mês, com dezenas de mortos?
Policiais Militares não são guerrilheiros urbanos, eles têm a missão de servir e de proteger o cidadão através da realização do policiamento ostensivo e da preservação da ordem pública e se o Rio de Janeiro vive uma “guerra”, sem dúvida, os Policiais Militares não são a tropa que tem a missão de “guerrear”.
Não somos um exército estadual, somos uma polícia organizada militarmente e que deve ter o foco na proteção ao cidadão fluminense.
Quantos ainda terão que morrer, quantas famílias serão destruídas e quantos atos cívicos teremos que realizar para que a sociedade fluminense e o poder político sejam sensibilizados e ouçam o nosso pedido de socorro?
Iremos continuar apenas lamentando cada fato ocorrido, dia após dia, com grandes manchetes na mídia e incontáveis discursos, eivados de acusações à instituição, enquanto continuamos sem ouvir os que devem ser ouvidos?
Isto nada resolverá, nunca resolveu!
Cidadão Fluminense, enquanto o grito de socorro dos Policiais Militares e de alguns cidadãos fluminenses que estão mobilizados para a reversão do quadro de insegurança continuar ecoando no vazio, as tragédias continuarão acontecendo e nunca teremos a segurança pública que precisamos e que merecemos.
Reverter o quadro é tarefa para muitos anos de árduo trabalho, ultrapassa o tempo político de um governo estadual, não podemos nos iludir, porém precisamos começar a caminhar na direção correta.
O CIDADÃO FLUMINENSE (alguns) E OS POLICIAIS MILITARES PEDEM SOCORRO, POR FAVOR, NOS OUÇAM!