sexta-feira, 11 de julho de 2008

SAPOS, BORBOLETAS, POLÍCIA E EXÉRCITO - LÚCIO ALVES DE BARROS..

SAPOS, BORBOLETAS, POLÍCIA E EXÉRCITO.

Lúcio Alves de Barros
Professor e sociólogo, licenciado e bacharel em Ciências Sociais pela UFJF, mestre em Sociologia, doutor em Ciências Humanas: sociologia e política pela UFMG. Autor do livro, Fordismo: origens e metamorfoses. Piracicaba: Ed. UNIMEP, 2004; organizador da obra Polícia em Movimento. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006 e co-autor do livro de poesias, Das emoções frágeis e efêmeras. Belo Horizonte: Ed. ASA, 2006.

"Viver é um soco no estômago" (Clarice Lispector)

Mais um sapo a engolir. Não é possível, em todo lugar percebe-se somente pessoas entaladas, “ensapeadas”, enfezadas e alienadas. Coitado do sapo. Ele é engolido de manhã e cuspido à noite como borboleta. No estômago sofre refluxos e o ataque de gases e ácidos, mas de pouco adianta. Os erros se sucedem e vamos continuar a comer os pobres coitados.
O sapo da vez é a atabalhoada ação do exército no dia 14 de julho, em pleno sábado, no Morro da Mineira, centro do Rio de Janeiro. Como foi alardeado aqui e acolá, um tenente do Exército, Vinícius Ghidetti, acompanhado de um sargento e alguns soldados, portanto, um pelotão, prenderam três jovens negros (mulatos como quer parte da mídia), Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, 19 anos, David Wilson Florêncio da Silva, 24, e Marcos Paulo Rodrigues Campos de 17. Vejam bem, eles prenderam os jovens e atuando como polícia, diga-se de passagem uma polícia corrupta, os entregaram para uma região rival, o “Morro da Providência”. Tal como juízes, pelo menos em teoria, os traficantes torturaram, literalmente arrancaram partes dos corpos dos jovens e distribuíram 46 tiros, a maioria na cabeça.
O Rio de Janeiro é uma caixa de ressonância dos males que ocorrem no Brasil. O caso acontece lá e causa reboliço em todo lugar. Contudo, não deixa de ser enganosa a tentativa do governo em apontar o caso como algo pontual e não generalizável. O próprio governo tenta se eximir de sua responsabilidade, chegando a ponto do ministro da Defesa, Nelson Jobim ir ver as famílias e pedir desculpas. O Presidente Lula, o qual não fez mais do que a obrigação, falou em indenização das famílias como se o Estado estivesse fazendo um favor e não cumprindo o dever de restituição por um erro institucional. Esse sapo será difícil de engolir. Mas, na realidade, já o engolimos e talvez seja possível somente verificar o que está incomodando o estômago, vamos aos fatos.
Em primeiro, definitivamente o Exército não é polícia. Sua tropa não é treinada para isso e, mesmo se fosse, não justificaria aquela ação. Existe um grande detalhe que não se deve esquecer, por trás de um tenente existe um capitão, um major, um tenente coronel e um coronel. No caso do Exército, ainda temos um general, o Ministro, e o presidente da República. Todos são responsáveis. Cada uma destas autoridades, forjadas com nossos impostos e legitimidade de voto, tem sua parcela de culpa. E culpa com “C” maiúsculo. Em um governo respeitável era para cair a maioria das pessoas que estão nestes postos, responsabilizando os agentes que estão empurrando o sapo em nossa goela e punindo os que deixaram os sapos e mataram os três jovens. E não posso esquecer que o Exército estava atuando há tempos naquele local, fazendo o trabalho não somente de polícia, mas de verdadeiros leões de chácara do programa “Cimento Social”, criado pelo senador Marcelo Crivella (PRB), que faz parte da base governamental. Dizer que é vergonhoso e lamentável o caso ocorrido é o mesmo que nada dizer. O ato em é tirânico, fascista, maldoso, covarde, insano, perverso e...
Em segundo, é de causar náusea, mas é certo afirmar que mais um caso vai para a caixa de pandora que é o Brasil: atende-se uma vítima ali, outra acolá, prende-se um suspeito lá outro cá, depois mais uma criança morre em uma ação da PM contra o tráfico em uma “zona quente de criminalidade”, uma pessoa é seqüestrada e fica tudo por isso mesmo. Os mesmos intelectuais são chamados na TV. Falam da mesma coisa de poucos anos atrás. Colocam umas palavras difíceis no discurso, analisam como deveria ser a PM do futuro, o que é um país democrático, que o Lula, tal como outros que por lá passaram, é isso, é aquilo, que as instituições devem ser fortalecidas e por aí vai. È uma conversa de botequim, mas como está na Globo News, Jornal Nacional, Veja ou IstoÉ, parece que tudo vai se resolver. A verdade é que estamos em crise aberta no campo da segurança pública. Indubitavelmente, não existe justiça, tampouco instituições confiáveis nesse país. Assustada está a maioria das pessoas, e, pior que isso, estão caladas, abafadas, amedrontadas, assustadas e desencantadas. Enclausuradas elas vegetam no silêncio e longe da poesia do conflito e da contradição. Isso não é bom para a democracia, palavra de qualquer cientista político, mas não é bom também saber que a vida está banalizada e, dependendo da cor, idade, sexo, fisionomia, condição social e moradia o valor de determinada pessoa cai, tal como caíram os corpos dos três garotos.
Em terceiro, é forçoso denunciar o mito da sociedade pacífica e cordial que perpassa o campo midiático, normativo e político brasileiro. Não é plausível que tanto os homens como as mulheres não estejam percebendo a intolerância, a tensão e o descontrole social. O Estado não é vulnerável: ele é fraco socialmente e sua fraqueza há muito está sendo revestida de contornos perversos e demagógicos. É inadmissível uma instituição como o Exército, erroneamente, entregar para o tráfico as devidas funções que deve cumprir o judiciário. Mais que isso: é inacreditável, mas o Exército seguiu à risca a linha governamental da política de segurança pública levada a efeito pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Sua linha é aquela defendida por muitos que hoje estão liderando o campo da política, do judiciário e do imaginário acadêmico, “se as cadeias andam cheias, os cemitérios estão vazios”. Em tais circunstâncias, esperar o que de um país que presencia a morte de três jovens como se fossem galinhas e somente pune os de baixa patente? Há um detalhe: até o momento no qual escrevo estas linhas, não foi punido nenhum traficante açougueiro que cortou partes dos órgãos daqueles que foram entregues para o abate. A impunidade é a marca e a aura deste país. Está na alma do brasileiro o sadismo e o gozo diante do sofrimento dos mais pobres. Não por acaso que crescem os condomínios de luxo e as cidades fortificadas. A situação vai piorar e a cisão social, crescente e vitalizada pela má distribuição de renda e recursos simbólicos, não cheira a boa coisa em longo prazo.
Finalmente, é de causar mal-estar viver em um país no qual se sabe que, mais do que nunca, vigoram os seguintes princípios: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, “a corda arrebenta sempre para o lado mais fraco”, “não adianta remar contra a maré”, “quem tem dinheiro pode tudo, inclusive, comprar o papa”, “ladrão bom, é ladrão morto”, “quer ficar rico, entre para a política, roube um banco ou vire traficante”, “estudar para que se podemos comprar o diploma”, “basta conhecer alguém influente que você se dá bem em qualquer lugar”, “passado o perigo, se esquece o santo”, “boa aparência é carta de apresentação”, “mulher e galinha são bichos interesseiros: galinha por milho, mulher por dinheiro”, “sorria sempre e bajule”, “quem tem competência, não se estabelece”, “dos males o menor”, “dizendo-se as verdades, perdem-se as amizades”, “seja colaborador, esqueça o trabalho e vista a camisa de sua empresa”, “puxe o saco do patrão e deixe o pau comer” e “engula sapos durante o dia e cuspa borboletas à noite”.
“Ao vencedor, as batatas!” (Quincas Borba, 1891 - Machado de Assis).

quinta-feira, 10 de julho de 2008

CORONÉIS BARBONOS e 40 DA EVARISTO - O FOCO DE RESISTÊNCIA, O GRITO NÃO OUVIDO...

Os documentos encaminhados pelos Coronéis Barbonos e as mobilizações cívicas, ordeiras e pacíficas, realizadas inicialmente pelos "40 da Evaristo" e depois, por milhares de Policiais Militares e Bombeiros Militares representaram o grito de alerta dos militares estaduais que amam as suas corporções e que escolheram servir e proteger o cidadão.
Um grito abafado politicamente.
Exoneração do Comandante Geral, Coronel Ubiratan de Oliveira Angelo e do Chefe do Estado Maior Geral, Coronel Samuel Dias Dionísio.
Exonerações de Comandantes.
Transferências de Oficiais.
E o quadro de insegurança pública se agrava dia após dia.
Tais fatos são de domínio público, porém nem todas as perdas institucionais se tornaram de conhecimento público, como o encerramento de carreiras na Polícia Militar.
O Coronel de Polícia Dario Cony dos Santos - Coronel Barbono - na época Comandante das Unidades Operacionais Especiais, foi o primeiro a solicitar a sua transferência para a inatividade, logo após a exoneração do Comandante Geral.
E as perdas continuam.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro está perdendo o melhor dos seus quadros, os seus melhores Coronéis.
O Coronel Rodolpho Oscar LYRIO Filho - Coronel Barbono - que exercia na época a função de Comandante da Academia de Polícia Militar D. João VI, recentemente, solicitou a sua transferência para a inatividade.
O Coronel Francisco Carlos VIVAS - Coronel Barbono - que exercia na época a função de Diretor Geral de Pessoal, solicitou na terça-feira a sua transferência para a inatividade.


Eu conheço o Coronel LYRIO e o Coronel VIVAS há mais de 32 anos e posso afirmar:
Perde a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
Perde a Sociedade Fluminense.
Perdemos todos nós, perdemos líderes, perdemos Oficiais que sempre foram exemplos para todos os que amam a Polícia Militar.
Eles continuarão na luta pela cidadania do Policial Militar através da concessão de salários dignos e de adequadas condições de trabalho, não tenham dúvidas!
A seguir transcrevo dois parágrafos da Carta dos Coronéis Barbonos, o grito de socorro que não foi ouvido...

"Aos três dias do mês de julho do ano de dois mil e sete, os Coronéis signatários, encaminham ao Exmo Sr Coronel PM Ubiratan de Oliveira Ângelo, mui digno Comandante Geral da Bicentenária Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro; ao Exmo Sr Delegado de Polícia Federal José Mariano Benincá Beltrame, Secretário de Estado de Segurança Publica; ao Exmo Sr Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho e a todos os Cidadãos Brasileiros, através dos órgãos da mídia, o presente documento contendo as principais e urgentes necessidades dos Oficiais e Praças da Corporação, objetivando resgatar a cidadania, a dignidade pessoal e profissional de todos nós, permitindo que possamos cumprir as nossas missões constitucionais, servindo e protegendo cada cidadão desse estado, mesmo com o sacrificio de nossas vidas.

[...]

Os Coronéis signatários são contemporâneos de agruras, aspirações e decepções ao longo de mais de 30 (trinta) anos de serviço ativo e tendo por objetivo o desejo de que, ao menos agora, à chegada ao topo da escalada, como legítimos representantes, propor e desenvolver atividades concretas para a promoção de mudanças objetivas no quadro de falência múltipla da Polícia Militar que hoje se apresenta, certos de que devem agir assim, senão por imposição legal, por obrigação moral de fazer algo para reverter tal quadro.

[...]"
Quem ouvirá o grito de socorro?
E quando?

EX-BLOG DO CÉSAR MAIA - 10/07/2008 - NÃO SABEM MAIS O QUE FAZER! OU NUNCA SOUBERAM?

NÃO SABEM MAIS O QUE FAZER! OU NUNCA SOUBERAM?
1. "Quando uma secretaria de segurança, em qualquer estado ou mesmo em nível federal, não sabe o que fazer, investe em veículos e armamentos, ambos de ampla visibilidade. Quanto mais coloridos e chamativos, melhor. Funcionam como publicidade para que as pessoas pensem que aquilo ali é polícia e aumentem a percepção de segurança. Bem, isso quando não vem junto uma "comissãozinha" tão comum nestas macro-compras de veículos, como ocorreram nestes anos pelo Brasil afora.
2. Em seguida, o governador do estado passa em revista a frota de veículos que sai em passeata com seus letreiros reluzentes piscando, algumas sirenes ligadas. De preferência com fuzis novos a mostra.
3. Quando isso ocorre, todos podem escrever: é tudo empulhação e não há chance de dar certo. De um lado, em vez de aumentar a sensação de segurança, aumentam a sensação de insegurança, pois a ostensividade coreográfica sinaliza para as pessoas que aquela região é de alto risco. Outro dia colocaram uma cabine blindada no final da Av. Princesa Isabel, na Praia de Copacabana. Será que querem dizer que só o policial dentro da cabine está seguro? Cabines imobilizam o policial. Só tem aqui.
4. Veículo é feito para transporte, para dar mobilidade quando necessário. Imobiliza o homem, ao inverso do que parece e descola o policial da rua e das pessoas. Se foram treinados para abordagem, o uso excessivo de veículos os destreina. E quando esse deslocamento em carro, como se estivesse patrulhando, é feito com fuzil, coloca em risco a população civil em seu entorno. Um fuzil desses tem alcance efetivo num raio de 2 km.
5. Mesmo quando há delinqüentes em fuga, o policial deve medir na captura se está colocando a população civil no entorno em risco. Se estiver, pode interromper a perseguição para evitar que a emenda seja pior que o soneto. Isso tem ocorrido freqüentemente no Rio. Tiroteios nas ruas em ações de perseguição pela cidade toda. Na Av. Vieira Souto e Av. Atlântica foram várias, em Ipanema na área frontal ao Pavãzinho, na Tijuca -Conde Bonfim- na Avenida Brasil, nas vias principais da zona norte e da zona oeste. Em todos os casos há pelo menos um ferido. Quando não há vários feridos e mortos, como as tragédias dos últimos dias.
6. Patrulhamento se faz a pé. É com este que a população se sente mais segura. É com este que o policial treina todos os dias as práticas de abordagem que aprendeu na escola militar. Em Londres o patrulhamento é feito com os policiais sozinhos, para evitar distração. E sem arma. Mas com uma letal: seu rádio e a memória do código de localização em cada ponto que estiver de forma a chamar apoio da intensidade que necessitar e na direção necessária que se desloca em menos de 2 minutos.
7. Nos anos 30, na Inglaterra, um policial só era autorizado a usar armas quando todos os testes-surpresa feitos com ele garantiam que ele não tinha mais como primeiro reflexo levar a mão ao coldre. O primeiro reflexo deve ser avaliar a situação e o recurso da arma deve ser uma decisão e não um reflexo.
8. Dias atrás, numa exibição de soldados do exército, na França, o sargento não trocou a munição por festim. Feriram 14 pessoas. O comandante geral do exército entregou seu cargo, o que foi aceito pelo presidente Sarkozy. Esta semana, uma operação de perseguição na cidade do México atingiu vários civis sendo que dez faleceram. O Chefe de Polícia e o Procurador de Justiça pediram exoneração, o que foi aceito. Aqui, são desculpas, lamúrias, xingamentos aos policiais, empurrando para baixo uma responsabilidade que inevitavelmente é de cima. Quando não há essa consciência, não há autoridade, não há comando, não há polícia, não há mais nada".

GLOBO ONLINE - OPINIÃO DO LEITOR - RECEITA PARA CRIAÇÃO DE UMA NOVA POLÍCIA

Leiam o artigo escrito por um cidadão e publicado no Globo Online:
RECEITA PARA A CRIAÇÃO DE UMA NOVA POLÍCIA.
Alexandre Sviatopolk-Mirsky Raimundo.
"Que cidadão hoje, em sã coinciência, predispõe-se a ingressar na PM para auferir um salário mensal de pouco mais de R$ 800?"

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/07/09/receita_para_criacao_de_uma_nova_policia-547171178.asp

quarta-feira, 9 de julho de 2008

BLOG DO GUSTAVO DE ALMEIDA - 09/07/2008 - OS SUSPEITOS DE SEMPRE.

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Os suspeitos de sempre

"A cena é clássica e traduz a velha e boa preguiça de investigar, de analisar com mais profundidade. Quem viu o filme “Casablanca” deve se lembrar do chefe de polícia dizendo, “Prendam os suspeitos de sempre”. Pois é o que acontece agora, no caso do menino João Roberto, quando todos, absolutamente todos os responsáveis pela formação, gestão e controle da Polícia Militar se contentam em ver os dois soldados miseráveis, mortos de fome, presos em uma cadeia imunda como se isto realmente fosse resolver os problemas e como se a PM não fosse matar mais ninguém desastrosamente.
Ora, os dois suspeitos de sempre já não estão enjaulados? Quem mataria outra criança?
Falta à maior parte das pessoas capacidade para separar fatos e opiniões de forma adequada. Sim, vamos separar: os dois policiais do 6ºBPM que mataram a criança de quatro anos merecem, sim, a prisão. Foram incompetentes, e imprudentes. A imprudência e a imperícia configuram nexo causal para inferir a Responsabilidade Civil. Ponto final.
Mas será que foram estes dois que mataram o músico em Senador Camará? O menino Ramon em Guadalupe? A empregada doméstica na Penha?
Não, não foram. O que isto significa, na prática? Que a responsabilidade pelos episódios paira acima de todos eles. Paira sobre as autoridades da área de Segurança Pública. Que vivem dizendo que “lutam por um futuro diferente” como se o passado tivesse sido igual ao presente. No passado, digamos em um passado não muito distante, seria certa a exoneração do comandante-geral da PM em uma situação esdrúxula como a que temos hoje – nem que fosse como demonstração de autoridade e indignação. E, claro, seria apenas mais um dos “suspeitos de sempre”.
A coisa vai mais além. Os policiais andam na rua irritados. Com a falta de salário, com os plantões trocados, com a movimentação nas áreas de patrulhamento, com as cobrança$ de superiores, com as ameaças constantes às vidas deles. E quem é responsável por isto? Sim, é o Estado. É preciso atribuir responsabilidades, com urgência.
O Estado, caro cidadão pagador de impostos, está colocando nas ruas pessoas com armas que ganham R$ 800 ao mês e que, muitas vezes, em vez de estarem recebendo aulas nos centros de formação já estão trabalhando no Maracanã, em dias de grandes jogos.
É isto que o cidadão tem de saber, desde sempre.
Quanto ao pai do menino João Roberto, vi nele a imagem do brasileiro-herói: “Eu estava trabalhando para juntar um dinheirinho, para fazer uma festinha para o meu filho”. Quem, em um país governado por pilantras, pela escória, por salafrários e canalhas corruptos, não se comove com a dor de um pai trabalhador, honesto, de bem, que luta pelo filho, sinceramente, não se comoverá com mais nada. Um pai que perdeu o filho amado – não era apenas um filho. Era um filho por quem ele lutava diariamente, trabalhando honestamente.
O Brasil está punindo quem trabalha honestamente. Estamos sendo punidos com a guerra. Quem pode, quem tem muito dinheiro para pagar, fica longe da guerra de irmão contra irmão que estamos vivendo.
O que dizer diante da dor do pai de João Roberto? Que a PM é mal paga e mal formada? Tem razão ele quando desabafa: “Sei que são mal pagos, mas não é por isso que precisam matar meu filho”.
João Roberto, pelo pai-herói que tem, merece isto: a sociedade brasileira-carioca precisa urgentemente responsabilizar as autoridades pela tragédia, pela desgraça. Nunca, jamais, poderemos nos contentar apenas com a prisão de dois policiais mal preparados e estúpidos.
É o que o povo do Rio de Janeiro precisa: responsabilizações de verdade, não de faz-de-conta. Senão, um dia seremos todos mortos pelos suspeitos de sempre".
Postado por Gustavo de Almeida às
01:35

ENTREVISTA DO CORONEL UBIRATAN DE OLIVEIRA ANGELO - EXTRA ON LINE

EXTRA ONLINE.
Ubiratan: "baixo salário não é o único problema."
O Coronel Ubiratan falou sobre os baixos salários; as escalas de serviço dos Policiais Militares; a estratégia política de responsabilizar os Policiais Militares; o termo circunstanciado e outros temas.

EX-BLOG DO CÉSAR MAIA - 09/07/2008.

- Do jornalista e escritor Dimmi Amora, no blog do Jorge Antonio Barros -Globo-ON: trechos!
GOVERNADOR, O SENHOR É RESPONSÁVEL DIRETO POR ISSO! PARE!
1. "Escrevo esta carta por dois motivos. O primeiro é a comoção. Poderia ter sido o meu filho a vítima da sua Polícia na noite de domingo. O segundo é porque já não dá mais para ficar ouvindo o senhor falar sobre casos iguais a estes, e não são poucos, como se fosse um comentarista de debate esportivo. Vamos deixar as coisas bem claras. O senhor tornou-se automaticamente o responsável direto por tudo isso, tornou-se o comandante das polícias do Rio de Janeiro.
2. Então, os policiais obedecem ao que o senhor determina. E o senhor, nestes 18 meses (um terço do mandato, e não dá mais para fazer promessas), só deu uma única ordem para seus policiais: matem. Do que o senhor vem dizendo, os policiais só conseguem entender: mate! E a sua política pública, demonstrada no número cada vez mais crescente e assustador dos chamados "autos de resistência", é a política da matança.
3. E o que o senhor fez para parar este atos coletivos de homicídio policial? Nada. Sua polícia continua mal treinada e mal preparada e, para piorar, incentivada pelo senhor. O senhor garante que esta sua ordem é de confronto (que, repito, é entendida pelos policiais como ordem para matar). Imediatamente. Pare de incentivar seus policiais ao confronto. Pare de incentivá-los a matar."
- EX-BLOG VEM DIZENDO ISSO HÁ MUITO TEMPO!
Globo-OnEx-comandante da PM vai a enterro e critica "falta de política de segurança".
O ex-comandante da Polícia Militar Coronel Ubiratan Ângelo foi ao enterro do menino João Roberto, no Cemitério do Caju, e disse que a criança "é uma vítima do desinteresse pelo capital humano na polícia". Ele afirmou ainda que "não existe política de segurança alguma, nem a do 'atire primeiro e pergunte depois".
- AINDA SOBRE A ANTI-POLÍTICA DE SEGURANÇA!
Elio Gáspari hoje:
"Acreditar que os enfrentamentos da polícia de Sérgio Cabral têm algo a ver com uma política de segurança pública é correr atrás do papel de bobo."

MEIA DÚZIA DE INSATISFEITOS - TENENTE-CORONEL ANTONIO JORGE GONÇALVES MOREIRA

"O Governador do Estado do Rio de Janeiro, há alguns meses atrás, rotulou mais de mil manifestantes policiais militares que participaram das Marchas Democráticas em prol de melhores salários e condições de trabalho para os profissionais de segurança pública, como uma ?meia dúzia de insatisfeitos que não querem trabalhar?.
Hoje por ter feito parte desta ?meia dúzia de insatisfeitos? como Tenente Coronel e como Conselheiro da Associação dos Oficiais Militares do RJ, estou impedido de exercer qualquer função de comando na atual administração da segurança pública do Estado.
Pela primeira vez em vinte e seis anos de profissão recebo meu salário sem servir ao cidadão carioca e fluminense, pois fui taxado, assim como outros colegas, como persona non grata junto ao mandatário de nosso Estado. Mas hoje pelo menos ao me deparar com as manchetes dos jornais que me atingiram profundamente e também à minha família, posso amenizar nosso sofrimento dizendo que os homens de bem da Corporação, nos quais eu me incluo, tentaram alertá-lo Governador sobre o que estava acontecendo e o que estava para acontecer.
Quantas vezes veremos as autoridades públicas deste Estado pedindo desculpas às famílias das vítimas e ao mesmo tempo execrando os policiais militares que cometem erros, pois na verdade todos somos vítimas desta política de enfrentamento, de desvalorização do profissional de segurança pública e de descaso com a vida humana."
ANTONIO JORGE GONÇALVES MOREIRA
TENENTE-CORONEL DE POLÍCIA

O ESTUDO DE CASO - A ABORDAGEM CIENTÍFICA COMO FONTE DE SOLUÇÕES, CHEGA DE DESCULPAS E DE CRÍTICAS.

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro já realizou no passado pesquisas qualitativas para o completo esclarecimento de ocorrências policiais militares através do desenvolvimento de “estudos de casos”.
Tal categoria de pesquisa tem como objetivos primordiais identificar plenamente o “como” e os “porquês” de uma situação específica, procurando identificar as suas características e os seus aspectos essenciais.
O resultado final dos “estudos de caso” permite uma melhor qualificação da tropa, diante da constatação dos erros e dos acertos ao longo de uma ocorrência policial, que passam a ser objeto de análise e discussão ao longo das instruções dos cursos de formação e de aperfeiçoamento.
A Diretoria de Ensino e Instrução da corporação poderia voltar a desenvolver tais pesquisas através das unidades de apoio ao ensino e o estudo da trágica ocorrência envolvendo a guarnição do 6º BPM pode ser o reinício do processo.
A filmagem da ação é o ponto de partida, onde podemos constatar que a abordagem feita ao veículo e as ações que se seguiram contrariaram a legalidade e a técnica policial-militar.
Isso é um fato, entretanto precisamos descobrir o que fez com que os Policiais Militares agissem de uma forma de todo condenável?
Portanto, independente das investigações realizadas pela Polícia Civil e pela Polícia Militar, creio que devemos realizar um “estudo de caso” da ocorrência, precisamos conhecer todos os fatores que contribuíram para um desfecho tão assustador, para que possamos evitar que tais fatos se repitam ceifando novas vidas inocentes no Rio de Janeiro.
O estudo precisa ser multidisciplinar e passo a relacionar alguns parâmetros que podem subsidiar a pesquisa – o “estudo de caso” - na certeza de que existem inúmeros outros pontos a serem investigados e que este artigo não esgota o tema:
O ponto de partida são os Cursos de Formação de Soldados e de Formação de Cabos, considerando que segundo a mídia, a guarnição era composta por um Cabo, com mais de 8 (oito) anos de serviço e por um Soldado.
Precisamos definir o treinamento recebido pelos dois Policiais Militares, especificamente no tocante às instruções de abordagem de veículos, pessoas e edificações e de armamento e tiro.
Os cursos foram realizados no CFAP – 31 de Voluntários ou foram realizados em outra Organização Policial Militar, considerando que existem cursos realizados fora do CFAP?
Como foram realizadas as instruções de abordagem e de tiro?
As instruções foram teóricas e práticas?
Quantas instruções práticas foram ministradas?
Quantos disparos cada Policial Militar realizou ao longo dos cursos de formação com o armamento que estavam utilizando no dia da ocorrência?
Precisamos ouvir os instrutores das matérias e ouvir ainda - através de uma amostragem – os companheiros do mesmo pelotão do Cabo e do Soldado para uma melhor avaliação do processo ensino-aprendizagem.
E não podemos esquecer que o Cabo participou de dois cursos de formação, o de Soldados e o de Cabos, precisamos avaliar os dois cursos.
Em seguida, precisamos analisar a vida profissional de cada um.
Em quais unidades operacionais os Policiais Militares foram lotados ao longo da vida profissional para que possamos avaliar a experiência prática?
Nestas unidades participaram de instruções de abordagem e de tiro?
Qual foi a última vez que cada um realizou um disparo durante um treinamento?
Freqüentaram algum curso ou estágio após os cursos de formação?
Participaram de ocorrências de confronto armado? Quantas? Resultados? Vítimas?
Realizaram disparos de arma de fogo em serviço no último ano? Quantos? Resultados? Vítimas? Quantidade de munição consumida?
A Polícia Militar possui um programa de análise e controle dos disparos de arma de fogo realizados por Policiais Militares em serviço, gerenciado pela Corregedoria Interna, de onde alguns dados poderão ser extraídos.
Finalmente, a situação do “homem” precisa ser analisada em detalhes, tendo em vista que “O Policial Militar é o patrimônio da Polícia Militar”.
Qual a escala de serviço dos Policiais Militares?
Os Policiais Militares eram escalados em serviço extra com prejuízo das folgas? Qual a freqüência dos serviços extras?
Qual a situação sanitária dos Policiais Militares? Estavam sendo submetidos a algum tratamento de saúde?
Qual a situação sócio-econômica dos Policiais Militares? Vivenciam algum problema de ordem pessoal ou familiar em razão de dificuldades financeiras?
Complementavam os baixos salários realizando outra atividade para prover o sustento da família? Qual e com que freqüência?
No dia anterior estavam de folga? Descansaram ou trabalharam no “bico”?
Precisamos conhecer a realidade do “homem” e conhecer a realidade do processo ensino-aprendizagem desenvolvido pela instituição para que possamos começar a entender o aparentemente inexplicável, como a trágica ação que assombrou a todos.
Precisamos conhecer todo o processo que conduziu ao desfecho, eis o primeiro passo para que possamos adotar soluções ao invés de desculpas e de críticas.
Concluindo, nada do que possamos fazer tem como reverter a tragédia que se abateu sobre as famílias após o desfecho da ocorrência, todavia, buscando o “como” e os “porquês” poderemos evitar que tragédias semelhantes parem de ocorrer e devemos investir todos os recursos públicos necessários para obter esse imensurável benefício.
“O Policial Militar é o patrimônio da Polícia Militar!”
Será que a linda frase não tem ficado apenas no terreno do discurso politicamente correto?
Investir realmente no patrimônio - o homem - é o primeiro passo na direção da reformulação das instituições policiais do Rio de Janeiro, uma mudança que levará muitos anos e que precisa ser iniciada de imediato.

terça-feira, 8 de julho de 2008

ESTADÃO.COM.BR - ESTAMOS COLHENDO OS TRÁGICOS RESULTADOS - BRUNO PAES MANSO.

''Estamos colhendo os trágicos resultados''
Autora de livro sobre a abordagem policial no Rio afirma que o aplauso do governo e da sociedade a ações letais é perigoso
Bruno Paes Manso.
Um em cada cinco homicídios no Rio é provocado pelas forças de segurança do Estado.
Para a cientista social Sílvia Ramos, é preciso mudar a cultura policial beligerante para reverter a crise.
Depois de mais uma tragédia, há algo que ainda não foi dito?
Nesse caso, em especial, os ingredientes expõem o pior resultado da cultura policial que valoriza a morte do bandido e não a segurança do cidadão.Quando policiais, caçando criminosos, dão 15 tiros no carro de cidadãos inocentes, a pergunta não é apenas sobre o disparate da tragédia.
Devemos perguntar também: era correta a lógica de dar 15 tiros no carro dos bandidos em fuga?
Entre os policiais, consolidou-se uma cultura de morte. Boa parte da sociedade carioca tem aplaudido ações letais quando ocorrem nas favelas. Estamos colhendo os trágicos resultados dessa situação.
Não houve despreparo por parte dos policiais?
É simples apontar o dedo para o policial que atirou, dizer que eles são truculentos e despreparados. O problema é que tem havido, por parte do comando, da Secretaria de Segurança, do governo, uma política de aplauso ao confronto. Mesmo os bons policiais acabam entrando nessa lógica. Nesse caso, se eles matassem quatro jovens de morro, a operação teria sido considerada um sucesso, heróica.
Por que é ruim que policiais matem bandidos?
Primeiro porque a atividade de polícia é uma atividade de produção de segurança e não de produção de morte. O uso da violência e força letal degrada e desvaloriza a polícia, os trabalhos de inteligência, prevenção, articulação da sociedade. No Rio, o policial que troca tiros é considerado eficiente e não o que desenvolve trabalho comunitário de prevenção.
Tragédias como essas ajudam a mudar alguma coisa?
Espero que esse caso ajude a despertar, nos comandos e na população, a reflexão. A perplexidade muitas vezes é um ingrediente necessário para mudanças.

EX-BLOG DO CÉSAR MAIA - 08/07/2008.

- ESSA AÇÃO PRODUZIU UMA TRAGÉDIA COM UMA CRIANÇA! MAS VÁRIAS -DO MESMO TIPO- TEM SIDO EXATAMENTE IGUAIS: DESASTROSAS!
"Este Ex-Blog insiste no que vem afirmando: não há política de segurança pública, mas voluntarismo repressivo!
GLOBO-ON
Beltrame diz que ação de policiais durante tiroteio na Tijuca foi desastrosa.
Durante entrevista coletiva nesta segunda-feira para falar sobre o tiroteio na Tijuca, que atingiu uma criança de três anos, no domingo, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, admitiu que há uma falha na polícia e classificou a ação de policiais como desastrosa.
- Não há desculpas numa tragédia dessa. Foi uma ação desastrosa. Eu, como pai e policial, me sinto constrangido com essa situação. Houve um total despreparo e falta de discernimento dos policiais - disse.
- EM 2007, SOBRE A FORMAÇÃO DE POLICIAIS!
Governador quer apressar formação de policiais.
A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro vota a partir das 16h30 de hoje - em regime de urgência e discussão única - o Projeto de Lei, enviado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB). O objetivo é reduzir o tempo de duração do curso de formação para policiais civis no Estado. A proposta altera a legislação atual, que estipula o tempo mínimo de seis meses para a preparação. Pelo projeto, os policiais vão poder ser graduados em um período mais breve. Segundo o governador, esta é a solução para tornar mais rápida a formação do policial, dada a carência do efetivo atual do Rio."

FENEME - LONGE DA REALIDADE PEC PRETENDE TRANSFORMAR DELEGADOS EM JURISTAS.

Site da FENEME.
08 de julho de 2008.
Longe da realidade PEC pretende transformar delegados em juristas.
Valacir Marques Gonçalves - Agente da Polícia Federal.
As polícias brasileiras estão vivendo uma situação surrealista. Os delegados de polícia estão lutando para implantar algo difícil de ser imaginado até mesmo pelos novelistas mais consagrados do horário nobre. Tal qual os autores televisivos, eles estão escrevendo um folhetim em que o enredo está sendo tramado somente por eles.
Este tipo de proposta idealizada pelos delegados não ajuda em nada o nosso país a encontrar soluções para o grave problema da segurança pública. Nosso povo está sendo trucidado pelos bandidos, enquanto pessoas que ocupam cargos importantes como eles não se preocupam em apresentar soluções para que isso tenha um fim.
Milhares de policiais estão vendo alguns tentarem implantar, através de uma Emenda Constitucional, um sistema em que "executivos de inquérito" serão promovidos a "agentes políticos". No ideário dos beneficiados, os policiais que estão na linha de frente, que investigam e prendem, passarão a ser "usados" como uma mão de obra barata e "desqualificada", que ficará à disposição da emergente classe, agora equiparada aos membros do Ministério Público e do Judiciário, principalmente na parte referente aos salários.
Os delegados estão tentando fazer passar no Congresso uma Proposta de Emenda Constitucional totalmente desconectada da realidade. Quando tomei conhecimento dela, fiquei impressionado com a competência dos novos alquimistas, pois pretendem transformar em coisas ruins (para não dizer coisa pior) o pouco de bom que ainda resta no sistema policial brasileiro.
Preocupam-se somente em consolidar uma estratégia que impede qualquer avanço que ajude o país a sair dessa crise de segurança que atormenta a todos. Acham que todos devem engolir esse produto (mal) acabado que apresentaram para um Congresso que precisa saber exatamente o que está decidindo e a importância da transformação que estão tentando implantar quando, entre outros absurdos, tentam modificar o artigo da Constituição Federal que prevê a Polícia Federal como uma instituição instituída em carreira única.
Como tantos outros, tenho amigos entre os delegados. Mas uma questão precisa ser colocada na mesa: na reunião feita em Brasília para elaborarmos uma proposta de Lei Orgânica para a Polícia Federal foi impossível qualquer tipo de acordo, pois foram evidentes os espetáculos de arrogância explícita e intimidatória, sendo inviabilizado qualquer tipo de entendimento. Agora, no Congresso Nacional, é realizado mais um capítulo dessa disputa que não precisaria estar acontecendo, pois toda vez que nos apresentamos desunidos — nos mais variados fóruns — fomos vencidos. Quanto isso não aconteceu e houve um arremedo de união, conseguimos avançar.
A desunião voltou com força. Perdoem-me os interessados, mas esta Proposta de Emenda Constitucional que pretende transformar delegados em juristas me fez lembrar da piada do turco. Acreditem, não é desrespeito, não é ironia, mas é inevitável a associação. Assisti a um filme iraniano com o nome de "Gosto de Cereja" no qual é contada a tal piada que reproduzo agora. Dizem que um turco foi ao médico e disse: "Quando toco meu pescoço, dói; quando toco minha cabeça, dói; quando toco meu corpo, dói". O médico respondeu: "Não tem nada de errado com seu corpo, é seu dedo que está machucado". Está aí a associação: fazer parte das carreiras jurídicas deve ser bom, ser chamado de "Excelência" deve fazer bem ao ego, ganhar um salário (sempre) competitivo, melhor ainda. Como podemos ver, os delegados se preocupam com vários detalhes importantes e sadios, mas o que está doente é a idéia, a absurda idéia de transformar policiais em juristas. Ela está doente por uma simples razão: a insistência em olhar as coisas com apenas uma perspectiva, a egoísta e elitista perspectiva deles.
A segurança do Brasil já tem problemas demais, ela não funciona, ninguém precisa deixá-la pior ainda. Para acabar de vez com a tranqüilidade dos brasileiros, não precisamos de uma proposta como esta, que implantará o caos em todas as polícias, pois aumentará, entre os policiais, distâncias já inaceitáveis. Está na cara que estão sofrendo do problema do turco — querem aumentar prerrogativas, querem ganhar bem mais do que seus pares, mas o que está doente é o dedo; o dedo que apontou para alguém criar esse monstrengo.
Ainda há tempo das coisas serem mudadas. Se isso não for possível, só nos restará o confronto. Vamos mostrar aos congressistas que o Brasil precisa de uma polícia que seja polícia. Eles precisam saber o que é melhor para a sociedade. Policiais, promotores, juízes, advogados; todos sabem ou deveriam saber suas atribuições. O país precisa ter certeza de que eles não desconhecem seus ofícios.
Não poderia concluir sem um último comentário. Sou do tempo em que não existia grampo. Andei dezenas de quilômetros a pé, e até jumento era usado para os deslocamentos em lugares remotos. Entrei jovem para a instituição e muito tempo passou. Desde o início convivi com coisas boas e também com todo tipo de vaidade e prepotência. Com alegria e orgulho vejo, hoje, uma Polícia Federal forte, respeitada e reconhecida como uma das instituições em que o povo mais confia. Para chegar nesse ponto não foi preciso o auxílio de "juristas". Não foi preciso termos em nosso meio "agentes políticos". Fizemos concurso para policiais e é o que temos orgulho de ser. Está na hora de entendermos que, se estivermos unidos numa carreira única, a PF será mais forte ainda. Todos precisam entender que os nossos adversários precisam estar do outro lado. Chega de confronto. Chega de discórdia.
O dedo do turco precisa ser curado..
Revista Consultor Jurídico, 27 de junho de 2008.
Sobre o autor Valacir Marques Gonçalves: é bacharel em Direito, agente da Polícia Federal e jornalista.

BLOG DO GUSTAVO DE ALMEIDA - QUEBRARAM A CARA.




QUEBRARAM A CARA.
"Vocês, que acharam que o governo, a secretaria de segurança e o comando-geral da PM iriam deixar impunes a morte do menino Ramon no Muquiço e a morte do jovem evangélico e guitarrista em Senador Camará.
Vocês, que acharam que o governo, a secretaria de segurança e o comando-geral da PM iriam deixar apenas "quatro pracinhas presos" pagarem o pato no caso da extorsão organizada no Aterro do Flamengo.
Vocês que acharam que o governo, a secretaria de segurança e o comando-geral da PM jamais trocaria o comando do 6ºBPM pela morte de um menino de três anos e pela volta do policiamento de trânsito.
Vocês, que acharam que o governo, a secretaria de segurança e o comando-geral da PM jamais demitiria sumariamente o comandante do 2ºBPM por trocar todos, absolutamente todos as equipes de lugar e causar um furdunço danado, fazendo com que um cabo descontrolado atacasse uma equipe de jornal aos gritos por causa de um farol aceso.
Vocês, que acharam que o governo, a secretaria de segurança e o comando-geral da PM jamais, em tempo algum, cobrariam do comandante do 19º pelos assaltos a turistas, pelo abandono, pelas viaturas vazias usadas para enfeitar a orla, como denunciou um jornal carioca recentemente.
Vocês, que duvidaram da polícia no caso da denúncia do padre da Igreja de São Jorge em Quintino - aquele padre que, na brilhante reportagem do jornalista Francisco Édson Alves, denunciou extorsão aos comerciantes do bairro - e apostaram que nada iria ser feito em relação àquelas milícias.
Pois saibam vocês que QUEBRARAM A CARA!
Sim, o governo, a secretaria de segurança e o comando-geral da PM mostraram que não estão para brincadeiras e atacaram todo o mal de uma vez só, com coragem, valentia e destemor!
Agora sim, está tudo resolvido, podemos ir para casa tranqüilos.
O governo, a secretaria de segurança e o comando-geral da PM mostraram que não compactuam com tanto descaso!"
Postado por Gustavo de Almeida às
13:04

As fotos que eu postei para ilustrar o artigo do jornalista Gustavo de Almeida são de dois atos cívicos realizados pelo grupo "40 da Evaristos", formado por Oficiais e por Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Atos cívicos, ordeiros e pacíficos, realizados no ano passado por Policiais Militares e Bombeiros Militares que estavam de folga, desarmados e em trajes civis.

Os idealistas que realizaram tais demonstrações de amor corporativo e de cidadania bradaram pela primeira vez para que TODOS ouvissem a penúria vivenciada pelas instituições militares estaduais e pelos seus integrantes.

O que precisa ainda acontencer para que toda a sociedade fluminense ouça o grito de socorro que eclode da caserna!

BLOG REPÓRTER DE CRIME- JORGE ANTÔNIO BARROS.

Dimmi Amora: Governador, o senhor é responsável direto por isso

O jornalista e escritor Dimmi Amora, meu colega do GLOBO, pediu que eu publicasse um artigo dele sobre o caso do alvo errado, em que PMs metralharam o carro de uma mulher com duas crianças dentro e uma delas morreu.
"Por favor, pare Sr. Governador Sr. Governador,
João Roberto, de três anos, morava no mesmo bairro que eu. Daqui a alguns anos, ele poderia ser colega do meu filho e os dois estarem brincando na minha casa. Ou talvez na sua, já que o senhor também tem um filho de três anos e os jovens se misturam muito nos seus grupos de interesse neste mundo de hoje. Um pouco mais velho, Ramon, que tinha seis anos, poderia se juntar aos novatos para participar de alguma festa de aniversário, show de rock ou curso universitário. Eles poderiam ter como professora, amiga, chefa ou ídolo, Deise Machado, que tinha 32 anos. Mas nada disso vai acontecer porque, a exceção do seu filho e do meu nesta história, os outros foram assassinados na semana passada pela polícia que o senhor comanda.
Escrevo esta carta por dois motivos. O primeiro é a comoção. Poderia ter sido o meu filho a vítima da sua Polícia na noite de domingo. Ou eu. Ou minha mulher. Ou os três. Passei por aquela rua quatro horas antes em direção a uma festa. Poderia ter voltado pelo mesmo caminho, no exato horário em que o crime ocorreu. Mas a prudência da minha esposa (que eu não tenho) fê-la pegar um caminho diferente. O humilhante motivo: a região onde ela mora desde que nasceu, ela hoje considera perigosa demais para passar com a família. "Por que caminhos você nunca volta? A que horas você nunca sai?", os versos de Hebert Vianna nunca fizeram tanto sentido para mim.
O segundo é porque já não dá mais para ficar ouvindo o senhor falar sobre casos iguais a estes, e não são poucos, como se fosse um comentarista de debate esportivo. Vamos deixar as coisas bem claras. O senhor é o responsável direto por tudo isso. Ao receber 5,1 milhões de votos em outubro de 2006, que o senhor pediu e lutou por cada um deles, o senhor automaticamente torno-se o comandante das polícias do Rio de Janeiro. Então, os policiais que mataram o João Roberto na Tijuca, o Ramon em Guadalupe e a Deise em Ramos (se não foram os policiais, foram em confrontos iniciados por eles sem que eles tivessem a prudência de pensar se poderia haver uma vítima inocente) são seus comandados. Obedecem ao que o senhor determina.
E o senhor, nestes 18 meses (um terço do mandato que lhe conferiram as 5,1 milhões de pessoas que vivem neste estado e não dá mais para fazer promessas) só deu uma única ordem para seus policiais: matem. É certo que o senhor jamais usou esta palavra. Seu passado democrata e humanista jamais permitiria que o senhor falasse uma coisa dessas até mesmo para o caso do pior dos bandidos sob o domínio de um dos seus comandados. Mas pouco importa o que o seu passado, as suas justificativas, o seu pensamento. Do que o senhor vem dizendo, os policiais só conseguem entender: mate!
Muito pouco adianta colocar conjunções adversativas sempre que o senhor diz que o confronto é inevitável. A falta de preparo, a falta de treinamento e o sadismo policial jamais vão perceber este pequeno detalhe entre as palavras confronto e inevitável. A opção será por atirar em qualquer circunstância e sem pensar em conseqüência. E isto vai acontecer em todos os lugares: na porta da minha casa, na porta da sua, na favela, na frente de uma escola, ao lado de uma delegacia de polícia.
Não se trata de defender que a polícia não atire nunca e dê flores aos bandidos, como o senhor já sugeriu. Ninguém é idiota a este ponto. Trata-se de cumprir a lei que o senhor jurou cumprir. Usar o que se chama gradação do uso da força e, quando necessário, isso poderá resultar em morte de quantos forem. Qual o preparo e a determinação de sua polícia para isso? Nenhum. Qual o incentivo de sua polícia para isso? Nenhum. Qual a punição exemplar para quem comente o que o senhor tem chamado de equívoco neste uso? Nenhuma.
O senhor pode dizer que não é responsável por atos individuais. De fato, não é. Mas é responsável por atos coletivos, que em caso de governança são os vários atos individuais de servidores, caracterizando uma política pública. E a sua política pública, demonstrada no número cada vez mais crescente e assustador dos chamados "autos de resistência", é a política da matança. E o que o senhor fez para parar este atos coletivos de homicídio policial? Nada. Sua polícia continua mau treinada e mau preparada e, para piorar, incentivada pelo senhor, pela falta de punição e pelo crescimento profissional dos que assim agem, a confrontar e, consequentemente, matar.
Orientado por estudos diversos (que todos têm estudos tão bons quanto dizendo justamente o oposto, pode apostar), o senhor garante que esta sua ordem de confronto (que, repito, é entendida pelos policiais como ordem para matar) vai devolver ao Rio um estado de tranqüilidade há muito inexistente. Ainda que sua bola de cristal esteja correta, do que vai adiantar se isso for conseguido às custas da vida de milhares de inocentes? Para os pais do João, do Ramon, da Deise não há mais volta a lugar nenhum de paz. A sua guerra já destruiu o mais importantes das vidas deles. Seu legado para o estado de paz será uma tropa de assassinos?
Por isso, governador, em nome do seu filho, em nome do meu filho, em meu nome, em nome do senhor e de sua biografia, em nome de quem ainda está vivo, eu peço que o senhor, por favor, pare. Imediatamente. Pare de incentivar seus policiais ao confronto. Pare de incentivá-los a matar."
Eu assino embaixo."
Jorge Antônio Barros.

O CIDADÃO FLUMINENSE (ALGUNS) E OS POLICIAIS MILITARES PEDEM SOCORRO, POR FAVOR, NOS OUÇAM!

Cidadãos fluminenses, as tragédias ocorridas no Rio de Janeiro, nos últimos dias, envolvendo integrantes da Polícia Militar, têm enlutado a todos nós, inclusive aos que amam a instituição e escolheram ser Policiais Militares para servir e proteger o cidadão. Uma missão heróica e que exige do Policial Militar uma exposição constante ao risco de morte para defender a sociedade fluminense.
O heróico policial tem gritado por socorro e não tem sido ouvido, quem sabe temos a capacidade de ouvir outras vozes e assim iniciarmos as mudanças que precisam ser feitas, caso contrário, as tragédias continuarão a ocorrer.
A Revista Época desta semana trás uma excelente matéria da jornalista Solange Azevedo (páginas 64 e 66), uma entrevista com Willian Andrews, “um dos cérebros por trás” da reforma da polícia de Nova York e “braço direito do então chefe do Departamento de Polícia, Willian Bratton”.
O título da reportagem, por si só, representa o melhor conselho para que possamos começar a mudar a realidade que vivemos:
“É PRECISO INVESTIR NOS POLICIAIS”.
A proposta lógica nunca foi desenvolvida no Rio de Janeiro, como já escrevemos diversas vezes neste espaço, sendo que os Policiais Militares do Rio de Janeiro continuam recebendo os piores salários do Brasil, o que os obriga a sacrificar os horários de descanso desempenhando uma segunda atividade nos horários de folga – o “bico”.
O resultado desta perversa realidade é um Policial Militar desgastado física e emocionalmente, policiando as ruas do Rio de Janeiro, utilizando armas de guerra – os fuzis - que só poderiam ser utilizados por profissionais com um treinamento qualificado e o indispensável equilíbrio emocional, diante do seu poder de letalidade e do alcance útil da munição.
Um recente levantamento feito na instituição demonstrou que os problemas emocionais são uma das principais causas de afastamento dos Policiais Militares do serviço, confirmando o desgaste emocional da tropa.
O entrevistado declarou que:
" O principal motivo para o recuo da criminalidade em Nova York foi a mudança na forma de gerenciar a segurança. O Departamento de Polícia foi descentralizado. Não adianta concentrar todo o planejamento da segurança nas mãos de alguém distante da realidade local [...]".
Willian Andrews tratou ainda da qualificação profissional quando afirmou que:
“É preciso investir nos Policiais. Oferecer melhores salários e educação melhora o desempenho do policial e pode reduzir a corrupção. Em Nova York, pagamos curso universitário para muitos agentes. Os policiais que estão nas ruas têm de tomar decisões o tempo todo. Precisam estar preparados para fazer julgamentos corretos”.
Acrescento que o julgamento mais importante é quanto a usar ou não o armamento – atirar ou não atirar. A decisão adotada pode significar a morte do próprio Policial Militar, do criminoso ou de pessoas inocentes.
Uma decisão com efeitos definitivos, como nas tragédias recentes.
Todo Policial Militar aprende que antes de executar um disparo de fogo precisa respeitar três parâmetros:
- A legalidade (legítima defesa).
- A oportunidade de efetuar o disparo (análise de risco).
- O seu adestramento para o uso do armamento, ou seja, nos treinamentos conseguiu efetuar disparos eficazes com o armamento que pretende utilizar.
Será que o nosso Policial Militar nas condições de estresse vivenciadas, possui o equilíbrio emocional para sempre tomar a decisão mais acertada, em frações de segundo e obedecendo aos três parâmetros básicos?
E faço mais um questionamento:
Os Policiais Militares que portam e usam tais armas de guerra foram devidamente qualificados (treinados) para utilizar este armamento ao longo da sua formação e tem participado de instruções de manutenção de armamento e tiro nas suas Unidades Operacionais?
As respostas aos dois questionamentos deveriam ser SIM, ninguém tem dúvida, porém quem se atreve a afirmar que todos os Policiais Militares têm esse equilíbrio emocional e esse adestramento diante do quadro atual.
Os Coronéis Barbonos e os 40 da Evaristo – Oficiais e Praças da Polícia Militar – expuseram publicamente as necessidades mais urgentes da Polícia Militar: a concessão de salários dignos que permitam a dedicação exclusiva ao serviço e a disponibilização de adequadas condições de trabalho, o que inclui a qualificação adequada.
Os Coronéis que estavam no exercício das principais funções da instituição não se omitiram diante da realidade enfrentada pelos Policiais Militares e apontaram os primeiros caminhos, não foram ouvidos e ainda foram exonerados, embora sejam os profissionais que melhor conheçam os problemas da Polícia Militar.
O que estamos esperando para mudar a gestão da segurança pública?
Novas tragédias, certamente não.
A hora de mudar esta gestão já passou há muito tempo e continuamos empregando as táticas do passado, que nenhuma eficácia demonstraram.
Por exemplo, qual a realidade atual do Complexo do Alemão, onde desenvolvemos uma “guerra” por mais de um mês, com dezenas de mortos?
Policiais Militares não são guerrilheiros urbanos, eles têm a missão de servir e de proteger o cidadão através da realização do policiamento ostensivo e da preservação da ordem pública e se o Rio de Janeiro vive uma “guerra”, sem dúvida, os Policiais Militares não são a tropa que tem a missão de “guerrear”.
Não somos um exército estadual, somos uma polícia organizada militarmente e que deve ter o foco na proteção ao cidadão fluminense.
Quantos ainda terão que morrer, quantas famílias serão destruídas e quantos atos cívicos teremos que realizar para que a sociedade fluminense e o poder político sejam sensibilizados e ouçam o nosso pedido de socorro?
Iremos continuar apenas lamentando cada fato ocorrido, dia após dia, com grandes manchetes na mídia e incontáveis discursos, eivados de acusações à instituição, enquanto continuamos sem ouvir os que devem ser ouvidos?
Isto nada resolverá, nunca resolveu!
Cidadão Fluminense, enquanto o grito de socorro dos Policiais Militares e de alguns cidadãos fluminenses que estão mobilizados para a reversão do quadro de insegurança continuar ecoando no vazio, as tragédias continuarão acontecendo e nunca teremos a segurança pública que precisamos e que merecemos.
Reverter o quadro é tarefa para muitos anos de árduo trabalho, ultrapassa o tempo político de um governo estadual, não podemos nos iludir, porém precisamos começar a caminhar na direção correta.
O CIDADÃO FLUMINENSE (alguns) E OS POLICIAIS MILITARES PEDEM SOCORRO, POR FAVOR, NOS OUÇAM!

MOVIMENTO SEGURANÇA CIDADÃ - BOLETIM INFORMATIVO Nº 4.

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Movimento Segurança Cidadã - BI nº 4
Ano I – nº. 4, 3 de julho de 2008
Uma nova Polícia, feita por Policiais Cidadãos.
OS BASTIDORES DA SEGURANÇA NO RIO DE JANEIRO

Sumário:
Editorial: "Os 4.000 que estão para morrer”
1º Artigo: A mobilização cívica como ferramenta eficaz para o controle da atividade policial.
2º Artigo: O combate à corrupção como política pública.
3º Artigo: Operação segurança pública ltda.
Notícias: Imperdível!!! Saiba quem é quem: Com vocês, o projeto Excelências.
Para saber mais: Sites e blogs de interesse.
Editorial
"Os 4.000 que estão para morrer”
Antônio Carlos Costa
Presidente do Rio de Paz

O Estado do Rio de Janeiro tem enfrentado o drama de enterrar anualmente 8.000 pessoas vítimas de homicídio. Se somarmos a essa estatística o número de cidadãos fluminenses assassinados, mas que constam na lista de desaparecidos (4.633 no ano passado), essa cifra pode chegar a mais de dez mil homicídios.
Policiais e pesquisadores no campo da segurança pública têm afirmado que provavelmente 70% dos casos de desaparecimento resultam de assassinatos. Isso significa que até o final do ano pelo menos 4.000 seres humanos terão a vida ceifada, de uma forma ou de outra, no Estado do Rio de Janeiro. Sim, gente que nesse momento está viva não estará mais entre nós dentro de poucos meses, dias ou horas. Famílias inteiras estão prestes a iniciar uma nova fase da sua história – a luta contra a depressão em razão da saudade do parente assassinado.
Uma sociedade que tem um prognóstico de morte certo como esse, em razão da ineficiência histórica do Estado em conter o mal e promover o bem, não pode deixar de pensar em um plano de salvação imediata para os que caminham a passos largos para o fim brutal de suas vidas. Falar apenas em termos de soluções de médio e longo prazo, num cenário como esse, significa afirmar que milhares vão morrer, entre os quais possivelmente você e eu, ou um dos nossos filhos, e tudo o que temos que fazer é sujeitar-nos em resignado silêncio ao poder da barbárie.
É sofrer derrota da pior espécie: a derrota de quem perdeu a luta por haver se recusado a lutar. Num cenário como esse o que não podemos é decidir não decidir, permitir que a maldade dos perversos seja reforçada pela fraqueza dos virtuosos, tornando-nos desse modo cúmplices de um massacre de vidas humanas. Em suma, há uma justificativa moral para que algo seja feito imediatamente.
Os relatórios da ONU, da Anistia Internacional e do IBGE sobre a segurança pública do estado do Rio de Janeiro, divulgados recentemente, os números do Instituto de Segurança Pública, a expansão das milícias, a corrupção das polícias, o poder bélico do tráfico e os fortes interesses corporativistas daqueles que não querem pagar o preço da paz, são alguns dos sinais de que o Rio de Janeiro tornou-se ingovernável no campo da segurança pública.
A maior necessidade de quem governa um estado como o nosso é a presença de humildade para admitir o fato de que é impossível dar um fim aos crimes que nos envergonham sem o apoio da população, do governo federal e das forças armadas. A experiência do exército brasileiro no Haiti prova que podemos garantir um mínimo de ordem para as áreas que se encontram sob o domínio do crime organizado, resgatando seus moradores da ditadura que os mantém sob os mais diferentes tipos de terrores e humilhações (não pode uma mãe, por exemplo, pedir a Deus para que a filha não nasça formosa a fim de que esta não seja forçada a virar mulher de traficante).
Uma ação dessa natureza garantiria ao estado as condições de poder entrar com políticas públicas em áreas pobres, adquirir tempo para reestruturar suas polícias e preservar milhares de vidas. Convocar o exército para um trabalho como esse não é o ideal, mas menos ideal ainda é o quadro de cidadãos desse estado tendo que viver em território ocupado por bandidos. Homens e mulheres, na sua maioria esmagadora formada por pobres, privada do direito de livre expressão, do direito de ir e vir e do direito à vida. E ainda tendo que pagar ao mesmo tempo imposto para o estado e para marginais.
A população não pode esperar a tragédia alcançar a sua família para aprender a ser gente. Chegou a hora de eliminarmos as nossas diferenças unindo-nos em torno de um objetivo que é comum aos seres humanos em geral, o respeito ao direito à vida. É tempo de não permitirmos que o mal triunfe mediante a inatividade dos bons. Precisamos compreender que correr o risco de lutar por uma causa e fracassar é preferível à vergonha de ter que admitir para filhos e netos que fomos covardes. Sim, é momento de agirmos. Não um espasmo ou catarse coletiva após uma morte que causou comoção social, mas uma ação firme e contínua, de um povo capaz de usar as armas da razão e da lei, que só tem a temer o deixar o Rio de Janeiro entregue aos perversos.
Que o povo e o governo se unam para o resgate da plena experiência democrática: liberdade com justiça. Que haja humildade e coragem por parte dos nossos governantes para rever caminhos e admitir limitações e envolvimento por parte da população por saber que sua salvação está nas suas mãos.
Leia os artigos no blog:

quinta-feira, 3 de julho de 2008

CARTA DOS CORONÉIS BARBONOS - ANO I - CORONEL HILDEBRANDO QUINTAS ESTEVES FERREIRA

Cidadãos brasileiros, a Carta dos Coronéis Barbonos completa neste dia 3 de julho de 2008, um ano de sua divulgação.
A leitura atenta da carta pode oferecer respostas ao momento de insegurança pública que vivenciamos no Estado do Rio de Janeiro, sobretudo considerando que nenhum dos objetivos institucionais propostos ao poder político foi concretizado.
O documento marcou uma nova realidade na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, quando um grupo de CORONÉIS DE POLÍCIA - exercendo a sua responsabilidade de LÍDERES da instituição - e que ocupavam as funções mais relevantes de assessoramento ao Comando Geral, bradaram um grito de socorro direcionado à sociedade fluminense e ao poder político para o solucionamento das mazelas da instituição e da segurança pública.
A Carta dos Barbonos foi referendada pela maioria dos Coronéis da ativa da Policia Militar e marcou um momento em que os INTERESSES INSTITUCIONAIS sobrepujaram os INTERESSES PESSOAIS.
A lamentar o fato de que esse rarissimo momento de união dos Coronéis tenha sido efêmero e a situação logo tenha se revertido aos primeiros clarões e os INTERESSES PESSOAIS tenham voltado a preponderar como historicamente ocorre na corporação, com sérios danos à Polícia Militar e principalmente, aos homens e mulheres de bem que integram essa bicentenária corporação e arriscam a sua vida diariamente em defesa do cidadão e da cidadania.
E aproveito para lembrar que no dia 14 de julho de 2008 ocorrerá o primeiro aniversário do Ato Cívico realizado pelos 40 da Evaristo, na praia de Copacabana, um ato pelo resgate da cidadania do Policial Militar através da concessão de salários dignos e adequadas condições de trabalho. O grupo dos 40 da Evaristo foi formado por Oficiais e por Praças idealistas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar que realizaram atos cívicos ordeiros e pacíficos para sensibilizar o povo fluminense sobre a situação vivenciada pelos heróis sociais - os Policiais Militares e os Bombeiros Militares.
Cidadão brasileiro, Policiais Militares e Bombeiros Militares - Oficiais e Praças - têm alertado à sociedade fluminense e ao poder político sobre a gravidade da situação e o silêncio diante de nossas pretensões tem sido a resposta, apesar do agravamento constante da crise.
Portanto, não nos culpem!
Não atribuam a nós os efeitos deletérios da omissão política de anos, que não valoriza e contribui sobremaneira para a desqualificação dos profissionais de segurança pública.
Profissionais que precisam se desgastar fisica e emocionalmente no "bico" para prover o sustento de seus familiares, resistindo bravamente às facilidades da corrupção endêmica do "estado paralelo", que como mestástase se espalha por todo o organismo social.
Nós denunciamos alguns dos muitos problemas e continuamos na luta para reverter esse quadro, pois DESISTIR não faz parte do nosso vocabulário, nem de nossas vidas.
Não somos políticos, somos profissionais que têm o dever de prestar o melhor serviço público possível à sociedade fluminense, que clama por ordem e segurança, cansada de perder seus filhos para a violência que nos envolve e nos sufoca.
O CORONEL ESTEVES - um dos melhores exemplos de idealismo, destemor, honestidade e competência da história da Polícia Militar - escreveu o artigo que transcrevo a seguir sobre o primeiro aniversário da Carta dos CORONÉIS BARBONOS.



(Preparativos da Marcha Democrática realizada em 27/01/2008)

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO
CARTA DOS BARBONOS
Hildebrando Quintas ESTEVES Ferreira
CORONEL de Polícia



"A exposição dos problemas existentes na policia, já há muito vem sendo feita por pesquisadores e estudiosos da segurança sem que se consiga o devido eco na sociedade. O exemplo disso é que nos idos de 70, Virgilio Luiz Donnici, em seu livro: “A Criminalidade no Brasil: meio milênio de repressão” já elencava quatorze itens que, baseado em seus estudos, necessitavam urgente reformulação para a melhoria da Policia, dentre os quais, cito:

1 – “Salários insuficientes e baixos;
2 – Ausência de uma profissionalização policial porque hoje o policial tem a Polícia como bico;
3 – Ausência de uma deontologia policial;
4 – Ausência de condições para o trabalho policial; dentre outras.

Recordando o que já foi dito por muitos, em face da importância de não permitir que caia no esquecimento, mesmo sob o risco de tornar-me chato e enfadonho, sigo reportando-me ao dia 03 de julho de 2007, quando surgia na mídia um grupo de Coronéis denominados Coronéis Barbonos que, através da Carta dos Barbonos, denominada “PRO LEGE VIGILANDA” (Para a Vigilância da Lei), elencavam doze itens que os mesmos julgavam necessários reformular para melhorar a Policia Militar e o serviço por ela prestado.
Neste histórico documento, encaminhado ao Comandante Geral da PMERJ, Secretário Estadual de Segurança Pública e Governador do Estado, além é claro, da sociedade civil através da mídia, o grupo de Coronéis buscava levar às autoridades os problemas que mais afligiam a Corporação naquele momento, com o fito de melhorar a qualidade do serviço prestado pela Polícia e como conseqüência a melhoria no atendimento a comunidade e a otimização da Segurança Pública de nosso Estado.
A Carta dos Barbonos com seus doze itens, como se vê, não trazia novidade em seu conteúdo, pois cientistas sociais, pesquisadores e estudiosos já apresentavam os óbices. Não, não era a exposição dos problemas a inovação, mas o fato de tal exposição ter sido feita por integrantes do aparelho policial, na busca de melhorar a qualidade de vida dos profissionais e conseqüentes aperfeiçoamentos na assistência ao cidadão.
Iniciava-se uma nova era, onde profissionais que, vivenciando os transtornos ao exercício, corajosamente apresentavam às autoridades e ao público, suas dificuldades, na tentativa de encontrar apoio para solucioná-las.
Esboçavam um protótipo de “Política de Segurança Pública”.
O resultado deste embrionário projeto: exonerações, perseguições políticas, tentativa de desmoralização alcunhando-os de traidores da Instituição. Isso mesmo, os que abriram mão de tudo em prol do que julgavam melhor para a PMERJ foram, pelos que se assenhorearam do poder e das gratificações, hostilizados e taxados de inimigos da Corporação.
Valores subjugados e corrompidos. Dura realidade.
Um ano decorrido e a sociedade ainda aquiesce esta inversão. Acolhe, por omissão, a Insegurança Pública reinante em nosso Estado.
Está na hora de cobrar do Estado, tudo o que vem sendo muito bem pago pelos contribuintes, através de inúmeros e altíssimos impostos e lembrar que, portanto, não estariam fazendo favor e sim cumprindo com sua obrigação; esta na hora de exercer a cidadania tão decantada e não praticada. Quando a sociedade entender a necessidade da cobrança do que lhe é de direito, não importando o “fenômeno” de ainda haver o cidadão que não tenha sido alvo dessa violência deflagrada em nosso Estado, então caminharemos para frente e não veremos os demais Estados da Federação evoluindo, enquanto nem mais estacionados estamos, mas sim, de marcha à ré, ladeira abaixo".

Leia a Carta dos Barbonos e tire as suas conclusões:
http://celprpaul.blogspot.com/2007/09/pro-lege-vigilanda-para-vigilncia-da.html

quarta-feira, 2 de julho de 2008

DIA ONLINE - 02/07/2008 - OAB/RJ DIZ QUE POLÍCIA DEVE IR ÀS RUAS E MP FAZER CONCURSO PARA CONTRATAR SEGURANÇAS.

Dia online.
OAB/RJ diz que Polícia deve ir às ruas e MP fazer concurso para contratar seguranças.

"Rio - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro, Wadih Damous, afirmou nesta quarta-feira que o Ministério Público e o Judiciário deveriam promover concurso público para prover a segurança de seus integrantes, em vez de utilizarem policiais civis e militares do Estado.
Para Damous, os policiais "deveriam ser empregados no policiamento da cidade e na proteção da população. Se estas instituições têm orçamento próprio, não há razão para o uso de policiais cedidos".
A mesma tese foi defendida pelo secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Ao manifestar apoio à proposta, o presidente da OAB/RJ disse que, enquanto ela não se concretiza, "é preciso haver, por parte do MP e do Judiciário, mais rigor e critério na identificação dos que de fato precisam dessa segurança oferecida pelo Estado, por força do desempenho de suas funções".
Damous citou como exemplo o caso envolvendo o soldado PM Marcos Parreira do Carmo, guarda-costas do filho de uma promotora ameaçada de morte e que matou com um tiro no fim de semana, em Ipanema, o estudante Daniel Duque durante uma briga de jovens à saída de uma boate.
"Não acho natural que um policial estivesse acompanhando um jovem numa boate, de madrugada, a pretexto de proteção", afirmou o presidente da OAB/RJ."

BLOG REPÓRTER DE CRIME - JORGE ANTONIO DE BARROS - 01/07/2008 - CASO DUQUE

Blog Repórter de Crime.
Jorge Antônio Barros.
Caso Duque.
O governador às vezes fala como se estivesse em Paris.
Sejamos sinceros. Quando o assunto é segurança, o governador Sérgio Cabral, às vezes, fala como se estivesse bem distante do Rio. Como se estivesse, por exemplo, em Paris. Nos jornais de hoje, ele afirma que o PM que matou um jovem desarmado e inocente para supostamente proteger o filho da promotora Márcia Velasco, de quem era guarda-costa, é um despreparado. Ora, isso é óbvio. Inclusive este policial extrapolou sua função. Bastava um pouco de inteligência para tirar o seu protegido do local da briga e não botar mais lenha na fogueira que acabou tirando a vida de um rapaz.
O que o governador precisa apurar é por quem o PM foi "despreparado". O policial pertence à polícia que supostamente está sob o controle do próprio governador, que foi mais rápido por exemplo para debelar a crise que derrubou o antigo comandante, coronel Ubiratan. Por que há tanto policial despreparado? Por que não há uma cadeia de responsabilidade em tanto despreparo?
O caso do estudante Daniel Duque, assassinado na porta de uma boate em Ipanema, levou ao menos o governador a responder a uma pergunta que cansaram de fazer aqui neste blog. Na matéria publicada hoje no GLOBO o governador informou que o número de PMs cedidos a outros órgãos já diminuiu cerca de 40% desde o início do seu governo. Já? Eu diria AINDA. A PM ainda tem cedidos a outros órgãos 1.778 policiais, efetivo suficiente para montar dois novos batalhões no Grande Rio - um na Zona Oeste e outro em São Gonçalo ou Niterói, por exemplo.
Falando ainda no caso do estudante assassinado, soube que a promotora Márcia Velasco - cujo segurança foi o pivô da tragédia - está arrasada com o episódio. E, ainda que seja impossível, tem tentado de toda forma se colocar na situação da mãe da vítima, Daniela Duque, que
deu emocionante depoimento hoje no Programa Mais Você, da Rede Globo.

EX-BLOG DO CÉSAR MAIA - 02/07/2008 - PRIVATIZAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA.

PRIVATIZAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA!
1. As chamadas "milícias" são um ponto extremo da privatização da segurança pública. Mesmo diferenciando-as da polícia "mineira" que tem outra origem, método, e se aproxima mais dos casos recentemente noticiados no Rio, elas têm características limites e extremas da forma de atuação de tantas seguranças privadas registradas. Uma diferença é a forma de financiamento, onde a segurança privada é assalariada e as "milícias" se autofinanciam pelos esquemas conhecidos (pedágio, kombis, TV a cabo, permissões...).
2. Aliás -curiosamente- as AutoDefesas -milícias colombianas- tinham seus grupos nas comunidades/favelas, controlando a área e recebendo salário da direção regional das AUC a que pertenciam: não se autofinanciavam no local. Há muitas décadas, no Rio, antes mesmo do narcotráfico, que em alguns bairros a segurança do comércio é feita informalmente por policiais. Nesses casos são de fato "milícias", só que organizadas por iniciativa -externa- e pagas de forma assalariada.
3. Praticamente todas as empresas registradas de segurança privada, ditas de vigilância, precisam contar com policiais da ativa em seus serviços, os quais são pagos por caixa 2. Esses policiais são imprescindíveis, seja pelo contato direto que conseguem com as delegacias e batalhões, seja pela atualização, seja pela informação que tem acesso, etc... Mas -de fato- constituem uma categoria de "milicianos" dentro de uma empresa registrada.
4. No artigo -Raízes da Insegurança Pública no RJ- o coronel PM Antonio Carlos Carballo Blanco trata desta questão geral. Diz que "está em curso no RJ um processo de privatização da segurança pública... ou financiamento privado das atividades de segurança pública". Aponta o fracasso sistemático das políticas de segurança pública como as raízes desse problema.
5. Lembra que o trabalho paralelo, de qualquer tipo, prejudica o trabalho oficial do policial no dia seguinte. E diz: “O aumento da carga extraordinária do trabalho policial, mediante o exercício ilegal e clandestino das atividades de segurança... cria os seguintes problemas para a segurança pública: 1) estresse, cansaço, fadiga física e mental, com grave comprometimento das funções fisiológicas; 2) ausência de mecanismos institucionais e de ferramentas gerenciais de controle de tais atividades clandestinas; 3) ausência de cobertura oficial do sistema de previdência; 4) subversão da hierarquia e da disciplina; 5) construção de uma cultura de privilégios na alocação de recursos destinados ao policiamento ostensivo; 6) venda de proteção em troca da contratação de serviços de segurança privada; 7) formação de ‘milícias’.”
6. É bom que se repita isso: as "milícias" e "milicianos”, de qualquer tipo, têm como origem o fracasso da segurança pública. Ou seja: reprimi-las é ao mesmo tempo reestruturar internamente a segurança pública. Elas são um bom indicador do fracasso desta".

DIA ONLINE - 02/07/2008 - GUARDA MUNICIPAL ABRE CONCURSO.

Dia online.
Guarda Municipal abre concurso.
São oferecidas 1 mil vagas para candidatos com Nível Médio. Vencimento inicial é de R$ 1.207.
Andréa Machado
Rio - A Guarda Municipal do Rio publica hoje o edital do seu novo concurso. São oferecidas 1 mil vagas para candidatos com Nível Médio. Para participar, é preciso ter, pelo menos, 18 anos e altura mínima de 1,70m, para homens, e 1,65m, para mulheres. O salário é de R$ 1.270,83, já com vale-transporte, tíquete-refeição, adicional de risco e assistência médica. Guardas trabalham 44 horas por semana em regime de escala.
Veja aqui o edital
Inscrições vão ficar abertas de 15 a 27 deste mês. A taxa de R$ 50 poderá ser paga em um dos bancos credenciados pela prefeitura. Dos dias 15 a 17, será aberto prazo para pedido de isenção do pagamento da taxa. A seleção terá quatro etapas. A primeira — com provas objetivas de Português, noções de Direito Administrativo e Constitucional, noções de Direitos Humanos e Cidadania e História da Evolução Urbana da Cidade do Rio — deverá acontecer em 7 de setembro, um domingo. Depois, os 3.500 primeiros aprovados serão chamados para os exames antropométrico e físico. Haverá ainda avaliação psicológica, exame médico e curso de formação, com duração de 90 dias.

terça-feira, 1 de julho de 2008

DIA ONLINE - 01/07/2008 - MORTE DE CAPITÃO BOMBEIRO MILITAR.

Capitão do Corpo de Bombeiros morre ao cair de torre de 30m durante treinamento.
Ele estava internado no Hospital Souza Aguiar desde segunda à tarde.

Marcelo Bastos
Rio - O capitão Adriano Saldanha Nascimento Luís, de 30 anos, morreu na manhã desta terça-feira, no Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio.
Ele deu entrada na unidade na tarde desta segunda-feira, depois de cair de uma torre de 30 metros de altura, enquanto fazia um treinamento no quartel central do Corpo de Bombeiros.
De acordo com a assessoria dos bombeiros, o capitão Saldanha fazia um treinamento das comemorações de 152 anos da corporação a ser comemorado nesta quarta-feira.
Um equipamento que prendia o militar à torre teria se soltado e provocado a queda. Ele foi levado para o Hospital Souza aguiar, mas não resistiu aos ferimentos.

O DIA ONLINE - 01/07/2008 - ESTATÍSTICA DO ISP.

Dia online.
Casos de roubo de veículos e homicídios caem em relação ao ano passado.
Roubo a pedestre sobe 14,5% e número de bandidos mortos em confronto com a polícia aumenta em 9,9%.

Rio - De acordo com a análise do Instituto de Segurança Pública (ISP) sobre o índice de criminalidade no Estado, referente ao mês de abril deste ano, os crimes de roubo de veículos, homicídio doloso (quando há intenção de matar) e assalto a pedestres tiveram queda significativa em comparação ao mesmo período do ano passado.
As ocorrências de roubo de veículos tiveram queda de 21,8%, o que equivale a 612 casos a menos. Foram registrados 9.557 casos de janeiro a abril de 2008 e 11.666 no mesmo período de 2007. Nos últimos dez anos, este foi o mês de abril com menor incidência do delito.
Os casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) apresentaram queda de 18,7%, o que representa 107 vítimas a menos. Desde 1991, este é o mês de abril com menor número de mortes. Desde o início deste ano até abril, 2.030 ocorrências foram registradas contra 2.224 do mesmo período do ano passado - 194 mortes a menos.
Sobe roubo a pedestre e polícia mata mais
Já o delito de roubo a pedestres, mostrou aumento de 14,5%, 695 registros a mais do que abril de 2007. Se comparado ao período de janeiro a abril do ano passado, houve aumento de 21,3% (mais 3.855 casos).
Já os auto de resistência, contabilizados por bandidos mortos em confronto com a polícia, subiram 9,9%, o significa que neste mês de abril, a polícia matou 13 criminosos a mais que o ano passado. Esta ocorrência apresentou aumento de 11,8% (mais 53 casos) em relação aos quatro primeiros meses do ano passado.
Quanto aos casos de latrocínio (roubo seguido de morte), foram registradas 65 ocorrências de janeiro a abril, o que representa 10 vítimas a mais que o mesmo período de 2007.