Surge um relatório de uma ONG que defende os direitos humanos destacando ações das polícias e imediatamente, nós, policiais, gritamos que nenhuma ONG se ergue em defesa dos policiais que são assassinados por criminosos, nenhuma delas defende os nossos direitos.
Isso é fato.
Todavia, nós, policiais, temos que analisar com mais atenção essa relação que acabamos fazendo como um mecanismo automático de defesa.
Os relatórios que constatam e que condenam a violência policial não são contra as polícias, são contra os governantes, tanto isso é verdade que Sérgio Cabral e Beltrame se apressaram em se defenderem, condenando o relatório.
Eles não nos defenderam, nunca fizeram isso, ao contrário, Beltrame disse que a Polícia Militar era ineficiente e que não podia solicitar aumento (O Dia) e Cabral cansa de nos ofender publicamnte, bastando que alguma ação policial dê errado.
Os resultados das investigações das ONGs são contra esses governantes, não contra as polícias, são eles que estimulam a tática do confronto armado, a tática do "tiro, porrada e bomba", ano após ano.
Obviamente, não podemos considerar que todo auto de resistência seja uma fraude para encobrir uma execução, nem esses relatórios apresentam essa versão, na verdade eles citam as desconformidades entre as lesões encontradas nos corpos e a versão do confronto.
Entretanto, negar a existência de execuções é desconhecer a verdade das ruas, principalmente, das comunidades carentes.
Eis a verdade.
Condenar os relatórios não me parece a medida mais acertada, devemos estudá-los e usá-los em nossa defesa, considerando que saúde mental dos nossos que são empregados diariamente nessa guerrilha urbana é perigosamente precária.
Confrontar diariamente com crianças armadas com fuzil é surreal para um país que não viva uma guerra civil.
Confrontar diariamente com crianças armadas com fuzil é surreal para um país que não viva uma guerra civil.
O policial que dia após dia é empregado nessa guerrilha é uma BOMBA pronta para explodir a qualuer momento, ninguém suporta impunemente esse cotidiano de tiros, de sangue e de mortes.
E quando explode, o governador e o secretário de segurança são os primeiros a condená-lo publicamente, sem direito à defesa.
Temos que aprender que as ONGs atuam como um controle da ação do Estado, que faz das polícias a sua ferramnta de ação repressiva, uma ação que deve ser efetivamente controlada.
O que as ONGs poderiam fazer por nós, policiais, seria estudar as nossas condições de trabalho, avaliando a nossa saúde mental.
Acompanhar a vida de um policial que não descansa (serviço-bico-serviço-bico-...); não convive com a família; não tem lazer e que recebe um salário miserável que o apartado da cidadania.
Elas nos ajudariam constatando que somos verdadeiras BOMBAS AMBULANTES!
AGÊNCIA BRASIL:
Mortes em confronto com as polícias de São Paulo e do Rio são execuções extrajudiciais, revela ONG.
Extraído de: Agência Brasil - 18 horas atrás
Rio de Janeiro - Relatório da organização não governamental (ONG) Human Rights Watch revela que muitos homicídios cometidos pela polícia do Rio de Janeiro e de São Paulo, relatados como legítima defesa, são execuções extrajudiciais. O documento também mostra que as polícias dos dois estados estão entre as que mais matam em todo mundo.
O documento Força Letal: Violência Policial e Segurança Pública no Rio de Janeiro e em São Paulo reúne provas que contradizem 51 dos mais de 11 mil casos registrados como auto de resistência seguido de morte pelos policiais, desde 2003. Em 33 casos, técnicas forenses vão contra as versões oficiais para os homicídios e em 17 mostram que a vítima recebeu um tiro à queima-roupa.
"Os policiais são autorizados a usar a força letal como o último recurso para se protegerem ou protegerem outros. Mas a noção de que esses homicídios seriam cometidos em legítima defesa ou seriam justificados pelos altos índices de criminalidade é insustentável", afirmou o diretor da divisão das Américas da ONG, José Miguel Vivanco, em nota.
Segundo a Human Rights, as polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo matam juntas mais de mil pessoas por ano em supostos confrontos. Comparativamente, em 2008, para cada pessoa que matou, a polícia fluminense prendeu 23 pessoas e em São Paulo, 348. Nos Estados Unidos, a polícia prendeu mais de 37 mil suspeitos para cada vítima.
Embora os números não estejam contabilizados, o relatório também chama atenção para as mortes cometidas por policiais fora do expediente, "frequentemente quando agem como membros de milícia no Rio ou em grupos de extermínio em São Paulo".
A causa dos extermínios extrajudiciais, aponta o documento da Human Rights, são os sistemas de justiça penal nos dois estados que dependem de membros das próprias corporações para investigar as circunstâncias dos autos de resistência e que não conseguem responsabilizar os policiais por assassinato.
"Enquanto couber às polícias investigar a si mesmas, essas execuções continuarão. E os esforços legítimos de combater a violência serão enfraquecidos", completa Vivanco.
Elaborado com dados coletados em dois anos de pesquisa, o relatório traz entrevistas com cerca de 40 autoridades da justiça criminal como promotores e procuradores, que também avaliam que as execuções extrajudicias nos dois estados são um problema generalizado.
Autor: Isabela Vieira- Repórter da Agência Brasil
JUNTOS SOMOS FORTES!
Extraído de: Agência Brasil - 18 horas atrás
Rio de Janeiro - Relatório da organização não governamental (ONG) Human Rights Watch revela que muitos homicídios cometidos pela polícia do Rio de Janeiro e de São Paulo, relatados como legítima defesa, são execuções extrajudiciais. O documento também mostra que as polícias dos dois estados estão entre as que mais matam em todo mundo.
O documento Força Letal: Violência Policial e Segurança Pública no Rio de Janeiro e em São Paulo reúne provas que contradizem 51 dos mais de 11 mil casos registrados como auto de resistência seguido de morte pelos policiais, desde 2003. Em 33 casos, técnicas forenses vão contra as versões oficiais para os homicídios e em 17 mostram que a vítima recebeu um tiro à queima-roupa.
"Os policiais são autorizados a usar a força letal como o último recurso para se protegerem ou protegerem outros. Mas a noção de que esses homicídios seriam cometidos em legítima defesa ou seriam justificados pelos altos índices de criminalidade é insustentável", afirmou o diretor da divisão das Américas da ONG, José Miguel Vivanco, em nota.
Segundo a Human Rights, as polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo matam juntas mais de mil pessoas por ano em supostos confrontos. Comparativamente, em 2008, para cada pessoa que matou, a polícia fluminense prendeu 23 pessoas e em São Paulo, 348. Nos Estados Unidos, a polícia prendeu mais de 37 mil suspeitos para cada vítima.
Embora os números não estejam contabilizados, o relatório também chama atenção para as mortes cometidas por policiais fora do expediente, "frequentemente quando agem como membros de milícia no Rio ou em grupos de extermínio em São Paulo".
A causa dos extermínios extrajudiciais, aponta o documento da Human Rights, são os sistemas de justiça penal nos dois estados que dependem de membros das próprias corporações para investigar as circunstâncias dos autos de resistência e que não conseguem responsabilizar os policiais por assassinato.
"Enquanto couber às polícias investigar a si mesmas, essas execuções continuarão. E os esforços legítimos de combater a violência serão enfraquecidos", completa Vivanco.
Elaborado com dados coletados em dois anos de pesquisa, o relatório traz entrevistas com cerca de 40 autoridades da justiça criminal como promotores e procuradores, que também avaliam que as execuções extrajudicias nos dois estados são um problema generalizado.
Autor: Isabela Vieira- Repórter da Agência Brasil
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

2 comentários:
Mas o tráfico não acabou na Cidade de Deus?
A reprodução de O GLOBO não deixa margem para dúvidas. O secretário Beltrame – está na matéria – admite que o tráfico não acabou na Cidade de Deus. Precisa avisar seu chefe Sérgio Cabral, que anteontem mesmo voltou a repetir que o tráfico acabou na região.
Como o governador não gosta de notícias ruins ou ninguém tem coragem de lhe contar a verdade ou deve estar lendo o LE MONDE, o principal jornal francês.
O fato é, que as recentes declarações do secretário Beltrame estão fazendo com que seu chefe, Cabral passe por mentiroso.
Cabral e Beltrame não falam a mesma língua há algum tempo.
Grato pelo comentário.
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