segunda-feira, 21 de junho de 2010

POLÍCIA MILITAR: TEMOS QUE ESCOLHER O COMANDANTE GERAL.


Tenho escrito sobre o sofrimento dos jovens Policiais Militares que foram aprovados em 2008 e que estão sendo violentados com o descumprimento do edital, no qual estavam previstas as vagas para vários municípios do Rio de Janeiro, além da capital. Apesar da previsão no edital, os jovens que integraram as primeiras turmas que se formaram, estão sendo obrigados a trabalharem na capital, especificamente no projeto eleitoreiro das UPPs.
Eles estão submetidos a várias dificuldades, principalmente:
- Utilizar alojamentos inadequados, alguns insalubres;
- Distância da família; e
- Horas consumidas nas viagens intermunicipais de casa para o trabalho e vice-versa, o que faz com que alguns gastem até dezesseis horas do período de folga nesses deslocamentos.
O leitor poderá ler vários artigos sobre essa situação no nosso blog, nos quais informo que comuniquei todos esses fatos ao Ministério Público e tenho certeza que responsabilidades serão cobradas.
Hoje escrevo sobre os integrantes desse mesmo concurso de 2008, que se formaram recentemente e que também estariam nas mesmas condições para servir nos municípios do interior,em conformidade com o edital, mas que após a formatura foram colocados na condição de adidos em vários municípios da capital, para trabalharem no policiamento à pé. Tratarei do caso específico dos que estão no 23º BPM.
No 23º BPM foram adidos sessenta Policiais Militares, sendo que cinqüenta e sete se formaram no Município de Petrópolis, onde reside a maioria, sendo que alguns residem em locais mais distantes do Rio. Não disponho de elementos para verificar quantos desses cinqüenta e sete Policiais Militares estão dentro das vagas previstas no edital para Petrópolis, tendo em vista que os que estão fora dessas vagas não possuem o direito de serem lotados naquele município.
O comando do 23º BPM improvisou um alojamento para eles, tendo em vista a impossibilidade deles, inclusive financeira, de retornarem para suas casas após cada serviço. Em síntese, eles moram no batalhão de segunda à sexta-feira.
Trabalham em uma escala de policiamento à pé com turno de oito horas, no período das 13:00 horas às 21:00 horas, isso quatro vezes por semana. As folgas são sempre sábado e domingo, quarta ou quinta-feira, quando permanecem no batalhão.
O comando para minorar as dificuldades providenciou um ônibus que os apanha em Petrópolis na segunda-feira pela manhã e os leva de volta sexta-feira, após saírem de serviço às 21:00 horas.
Prezado leitor, você acha que estão felizes com a PMERJ, os jovens Policiais Militares residentes no interior do Rio, que passaram no concurso de 2008 e que se formaram em diferentes turmas nesse período?
Eles estão trabalhando motivados nas UPPs da Zona Sul e nas ruas da capital?
Será que nascerá neles o tão decantado amor corporativo, considerando que a Polícia Militar os desrespeita logo no início da carreira?
Penso que não.
Alguns estão buscando e conseguindo no poder judiciário o respeito ao edital do concurso, muitos querem sair da Polícia Militar e a maioria sofre calado com medo das represálias, próprias do militarismo atávico que ainda sobrevive na instituição.
Em síntese, um abuso de poder fruto da politicagem rasteira, da incompetência administrativa e do desrespeito aos direitos.
Ninguém deseja uma Polícia Militar que não respeita os direitos dos seus integrantes, pois enquanto for os seus integrantes nunca respeitarão os direitos de cada cidadão.
Os Policiais Militares que amam a corporação e a população do Rio de Janeiro devem unir esforços para salvar a PMERJ da interferência política que está destruindo todos os valores institucionais, a luta maior dos Coronéis Barbonos.
Tenho certeza que chegou a hora da Polícia Militar escolher o seu novo Comandante Geral, basta de comandantes impostos de fora para dentro.
Vida longa ao novo comandante geral.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

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