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quarta-feira, 27 de abril de 2011

AS COMPRAS E OS MISTÉRIOS NO REINO DO RIO.

O Rio de Janeiro é um Reino, nós somos meros súditos.
Um amigo encaminhou o seguinte texto:
“Caro Paúl, no O GLOBO de ontem, página 3, coluna NHENENHÉM, o Jorge Bastos Moreno faz comentários interessantes. O primeiro, com o titulo A CULPA É DO CABRAL, aborda a popularidade do governador face ao episódio da blitz que apreendeu o carro do Aécio Neves. Mais adiante, com o título COMPRAS, informa que Cabral foi passar a Semana Santa em New York. Cabral não resistirá a uma Guerra Psicológica baseada em seu roteiro de globe trotter (...)”.
Pelo que ouço por aí Sérgio Cabral e Aécio Neves são excelentes amigos, nada indica que Cabral tenha tido qualquer participação na ação dos agentes que participaram da operação. A ligação feita pelo jornalista, essa sim, parece possuir o claro interesse de glamourizar Cabral no evento.
Cabral é um viajante nato, pode ser que Lula tenha aprendido tal forma de governar com, ou seja, o governo à distância. Rico, Cabral pode ser dar ao luxo de fazer compras em New York, enquanto o povo fluminense enche o popular Saara.
E, por falar em dinheiro, como andam as investigações sobre os indícios de um rombo de 300 milhões na Secretaria de Saúde, o tempo passa e até hoje nada foi bem explicado. Lembro ao governador que o dinheiro que pode ter sido divulgado é dinheiro público, dinheiro do povo, o povo que faz comprar nos mercados populares e na em New York. Aliás, caso tenha ocorrido o rombo, pode ser até que Cabral que cruzado que um dos beneficiados em Nova York, também fazendo compras.
Outro fato que parece abafado, governador Sérgio Cabral, trata-se da verdadeira guerra psicológica que envolveu a demissão do Allan Turnowisk, ex-Chefe da Polícia Civil, que era constantemente elogiado por vossa excelência e por Beltrame. O caso sumiu da mídia, depois de ter feito insinuações públicas contra os dois.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

terça-feira, 15 de março de 2011

ALÍVIO NO RIO DE JANEIRO: DECISÃO DO PROCURADOR ACALMA PODEROSOS.

JORNAL O DIA:
Inquérito de Allan volta para promotor

ADRIANA CRUZ
Rio - O procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes, bateu o martelo ontem. O promotor Homero das Neves, coordenador da 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público, é quem vai decidir se o ex-chefe da Polícia Civil Allan Turnowski — indiciado pela Polícia Federal (PF), após a Operação Guilhotina, por violação de sigilo funcional qualificado — vai para o banco dos réus. A ação levou à prisão 39 pessoas, sendo 30 policiais civis e militares envolvidos em diversos tipos de crimes.
O caso foi parar nas mãos de Lopes porque Homero entendeu que, se houve crime, este seria de pequeno potencial ofensivo, ou seja, com pena de até dois anos. Por isso, pediu à Justiça para encaminhar o caso ao 2º Juizado Especial Criminal (Jecrim).
Porém, o promotor Virgílio Stavridis não concordou e se pronunciou no sentido de Allan responder pelo crime da forma mais grave. E ressaltou ainda que o fato de Allan ser o então chefe da Polícia Civil, com base no artigo 327, parágrafo 2º, aumentaria ainda em oito meses de prisão.
No inquérito, Allan Turnowski aparece como acusado de, em novembro, ter vazado informações sobre investigações da Polícia Federal em telefonemas ao inspetor Christiano Gaspar Fernandes, um dos presos na ação na Operação Guilhotina.
COMENTO:
A decisão do procurador de devolver os autos para o promotor que viu menor gravidade no comportamento do delegado Allan Turnowski, ex-Chefe da Polícia Civil, alcançado pela Operação Guilhotina da Polícia Federal, deve ter acalmado muitos poderosos do Rio de Janeiro, afinal, o que eles menos querem é ver Allan Turnowski pressionado.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sábado, 5 de março de 2011

ALLAN TURNOWSKI: MENSAGEIROS REAIS VOLTAM A FICAR PREOCUPADOS.

JORNAL O DIA
Procurador-geral é quem vai definir o futuro de Turnowski

Rio - O destino do ex-chefe de Polícia Civil Allan Turnowski está agora nas mãos do procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes. Isso porque houve uma divergência no entendimento de dois promotores sobre o indiciamento do delegado por violação do sigilo funcional. Turnowski é acusado de ter vazado informações sobre a Operação Guilhotina, deflagrada há três semanas pela Polícia Federal, a um dos suspeitos, o inspetor Christiano Gaspar Fernandes.
Para o promotor Virgílio Sarvridis, do Juizado Especial Criminal, a conversa do ex-chefe de Polícia significou vazamento de informação com dano à administração pública. O parecer foi contrário ao entendimento do promotor, Homero das Neves, da 1ª Central de Inquéritos, que na semana passada havia desqualificado o indiciamento da PF.
Quinta-feira, o juiz Guilherme Shilling, da 32ª Vara Criminal, discordou da decisão de Homero e afirmou havia elementos suficientes para indiciar Turnowski.
Na avaliação de Stavridis, o dano à administração pública é agravado pelo fato de o suposto vazamento ter partido do chefe de Polícia. Com isso, a pena máxima do crime aumentaria de seis para oito anos de reclusão.
COMENTO:
Ontem, surgiu um novo vídeo expondo o mensalão do Distrito Federal, dessa vez a flagrada recebendo dinheiro foi a deputada Jacqueline Roriz.
O vídeo é de 2006, o que demonstra que essas armas, gravações de imagens e sons, podem ser usadas anos depois.
No Rio, a possível reviravolta no caso do ex-Chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski, recoloca no cenário político do Rio de Janeiro a possibilidade de fortes revelações.
A decisão será do Procurador-geral nomeado pelo governador Sérgio Cabral (leia), vamos aguardar.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

terça-feira, 1 de março de 2011

OS MENSAGEIROS REAIS E A EXONERAÇÃO DE ALLAN TURNOWSKI.

Ao ser pressionado com uma possível exoneração em razão dos resultados da Operação Guilhotina da Polícia Federal, Allan Turnowski mandou cercar a DRACO para investigar denúncias sobre a possível extorsão (concussão) de fornecedores de prefeituras municipais em razão de fraudes em licitações. A DRACO era (é ?) chefiada pelo delegado Cláudio Ferraz, aliado de Beltrame, assim Turnowski chamou o secretário para o teatro de operações. Beltrame já tinha retirado a DRACO da orgânica da Polícia Civil, colocando a dedlegacia na SESEG/RJ, algo incompreensível.
A luta poderia ser encarniçada.
Além disso, Turnowski foi no Calcanhar de Aquiles, as licitações, o que fez a corte tremer.
Era preciso contemporizar.
Mensageiros reais em ação.
Após uma rápida reunião, a mídia noticiou que Beltrame e Allan Turnowski teriam chegado a um acordo que o melhor para preservar as instituições seria ele solicitar afastamento (exoneração) da função de Chefe da Polícia Civil.
Caro leitor, o motivo alegado soou mal, muito mal.
Por que a continuidade do enfrentamento iria por em risco as instituições?
Obviamente, ninguém da imprensa fez essa pergunta.
Apesar do acordo, a Polícia Federal indicia Allan Turnowski sobre a causação de ter vazado uma operação sobre a qual teria tido conhecimento na secretaria de segurança. Turnowski presta depoimento, nega e em entrevista coletiva diz que tinha sido indiciado sem que Beltrame fosse ouvido.
Sem dúvida, isso também não é normal.
Beltrame é ouvido e confirma que Turnowski não sabia da operação, logo não poderia vazá-la, mas o indiciamento é mantido.
Apesar de tudo parecer a seu favor, Turnowski deixa o Brasil, certamente temendo ser preso, pois a mídia noticiou que três delegados da Polícia Civil ainda deveriam ser presos na Guilhotina.
Por derradeiro, o Ministério Público não denuncia Turnowski, como ele mesmo previu na entrevista coletiva e não surgem as novas prisões de delegados.
Como explicar as notícias sobre essas prisões?
Eram mentirosas?
Os mensageiros reais respiram aliviados, por enquanto, pois a qualquer momento a insônia poderá voltar.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

POR QUE ALLAN TURNOWSKI FOI EXONERADO? BELTRAME MUITO MAL NÃO FITA.

SITE G1
Promotor diz que não foi comprovado que Turnowski soubesse de operação
Ele pediu que inquérito fosse encaminhado ao Jecrim.
Ex-chefe de Polícia Civil foi indiciado pela PF por violação de sigilo.
Aluizio Freire
O promotor de Justiça Homero das Neves Freitas Filho, que estava encarregado do Inquérito Policial contra o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowsky, pediu nesta segunda-feira (28) que o inquérito fosse remetido a um dos promotores do 2º Juizado Especial Criminal (Jecrim).
Para o promotor, não há comprovação de que o ex-Chefe da Polícia Civil soubesse da Operação Guilhotina, da Polícia Federal, e nem que a interferência do delegado tenha permitido a fuga de um dos procurados.
Turnowski foi indiciado pela PF por violação do sigilo.
SITE G1
MP-RJ denuncia falso militar por porte ilegal de arma e falsidade ideológica
Pela denúncia, Carlos Sampaio teria comandado operação da PM.
Na época, ele vestia uniforme com identificação de "coronel".
O Ministério Público (MP) denunciou nesta segunda-feira (28) o falso tenente-coronel Carlos da Cruz Sampaio Júnior que se fez passar por militar para usar arma de fogo e comandar uma operação da Polícia Militar em agosto do ano passado. Ele é acusado de porte ilegal de arma de uso restrito e por atribuir a si próprio ou a terceiros falsa identidade para obter vantagens. A defesa ainda pode recorrer (leia).
COMENTO:
O depoimento de Beltrame deve ter sido decisivo para a decisão do promotor, o que coloca o delegado Allan Turnowski em uma posição de superioridade, caso não exista mais nada contra ele na Guilhotina e coloca Beltrame em uma sinuca de bico:
Por que Turnowski foi exonerado?
Uma pergunta que merece uma resposta, afinal Beltrame sabia que ele não tinha vazado a operação.
O motivo não pode ter sido o envolvimento de subordinsdos, considerando que a maioria dos presos foi de Policiais Militares e Mário Sérgio continua como gestor da Polícia Militar, embora tenha sumido da mídia.
Se não bastasse o caso da exoneração inexplicável de Turnowski, Beltrame ainda não explicou o caso do falso Tenente Coronel do Exército que o assessorou por meses na SESEG. Até hoje a opinião pública não sabe quem foi o responsável pela contratação de Sampaio, que acabou de ser denunciado. O dinheiro público foi mal utilizado, o povo merece saber quem fez isso e cabe a Beltrame revelar o responsável.
A fase não anda nada boa para o imexível Beltrame.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL MINIMIZA GRAVÍSSIMA CRISE NA POLÍCIA CIVIL.

JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO.
25/02/2011 - 18h31
Cabral minimiza caso de delegada e não fala sobre Turnowski

GABRIELA CANSECO
DO RIO
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse nesta sexta-feira que o indiciamento de mais um delegado de Polícia Civil "é resultado da operação realizada". Ele também se recusou a falar sobre o ex-chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski.
Grampo revela conversa de ex-chefe de polícia com investigado (ouça).
Operação Guilhotina está concluída, diz delegado da PF (leia).
Delegada suspeita de favorecimento é indiciada (leia).
Ex-chefe da Polícia Civil ligou 5 vezes para suspeito (leia).
Ação no Rio gerou confronto entre PF e Polícia Civil (leia).
COMENTO:
A matéria demonstra a extrema gravidade da crise na Polícia Civil do Rio, algo que só Cabral e Beltrame não enxergam.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

A POLÍCIA FEDERAL PODERÁ DESGASTAR A SUA BOA IMAGEM NO RIO DE JANEIRO?

Penso que sim.
Nos últimos anos a Polícia Federal (PF) tem sido o balão de oxigênio que ainda mantém viva a esperança do povo brasileiro de que podemos enfrentar os criminosos de colarinho branco e os cleptocráticos que destroem o país, apartando o povo dos direitos da cidadania.
No Rio de Janeiro, não tem sido muito diferente, a instituição tem feito grandes estragos, como ocorreu na Operação Guilhotina, todavia, a Polícia Federal não tem avançado nas investigações contra políticos do nosso estado.
Tal situação surpreende considerando que incontáveis denúncias povoam a mídia com frequência e na internet em especial. O blog do deputado federal Garotinho, por exemplo, noticia denúncias constantemente em desfavor do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro, mas nunca são revelados quaisquer resultados sobre as investigações relacionadas com essas denúncias, isso se investigações chegaram a ser iniciadas.
Será que todas as denúncias que circulam são infundadas?
O deputado é um mentiroso contumaz?
Eu acredito na Polícia Federal, assim como a maioria dos brasileiros, mas confesso que estranho a falta de imagens de políticos do Rio e seus prepostos sendo acordados de madrugada, ainda em pijamas e conduzidos para a Polícia Federal.
Mantida essa situação a PF corre o risco de sofrer um enorme desgaste no RJ.
Imaginem se uma investigação “independente” desnudar a corte.
O que alegará a Polícia Federal?
Não sabia?
Lembro que o twitter @bocadesabao cansou de publicar denúncias contra os PMs que estavam adidos na Polícia Civil. Beltrame, Mário Sérgio e Allan Turnowski ignoraram, veio a Federal e prendeu todo mundo.
Só falta a PF repetir o erro dos gestores da segurança pública do Rio de Janeiro.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ALLAN TURNOWSKI FOI EXONERADO, MAS BELTRAME CONTINUA SECRETÁRIO.

O ex-chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowski, foi exonerado pelo fato de ter vazado uma operação da Polícia Federal, como a mídia noticiou e ele mesmo declarou para a imprensa logo após ter sido ouvido na Polícia Federal.
O vazamento funciona como um aviso, o que permite que os investigados adotem cautelas, sumam com provas ou fujam, sem dúvida, eles causam grandes prejuízos às operações.
Todavia, a exoneração de Turnowski por ter vazado a operação me causou surpresa, considerando que tanto o governador Sérgio Cabral, quanto o secretário Beltrame, avisam com antecedência aos traficantes de drogas sempre que realizarão operações policiais para ocupar comunidades carentes e instalar Super GPAEs (UPPs).
Qual é a diferença?
Os resultados são os mesmos, considerando que não se prende ninguém e nem se aprende qualquer arma, como a mídia noticia frequentemente.
O que Cabral e Beltrame fazem não é um vazamento das operações?
Será que vazar ostensivamente pode e vazar escondido não pode?
Será que se Allan Turnowski vazasse através da mídia, isso seria encarado como uma forma de evitar confrontos?
Sinceramente, vazamento é vazamento.
Se Turnowski foi exonerado por ter vazado, inexiste explicação para Beltrame ser mantido.
Qual a sua opinião?
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A DUPLA CABRAL-BELTRAME PRECISA RESPONDER ESSAS PERGUNTAS.

JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO - OPINIÃO.
CRISTINA GRILLO
PERGUNTAS SEM RESPOSTA

RIO DE JANEIRO - Dez dias após a deflagração da Operação Guilhotina, que prendeu policiais civis e militares envolvidos com crimes graves, como desvio de armas e drogas, envolvimento em milícias, participação em grupos de extermínio e vazamento de informações sobre ações policiais, ainda há uma série de perguntas sem resposta.
Por que o ex-subchefe Operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Oliveira, exonerado do cargo em outubro do ano passado quando, segundo a PF, já existiam suspeitas de envolvimento com milícias, assumiu em janeiro a subsecretaria da Secretaria Especial de Ordem Pública da Prefeitura do Rio?
Seria de se imaginar que a tão alardeada boa relação entre as administrações estadual e municipal permitisse que informações fossem repassadas a fim de evitar que o prefeito Eduardo Paes passasse pelo constrangimento de exonerar Oliveira um mês depois da posse.
Existem de fato indícios de irregularidades na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, cujo titular, Claudio Ferraz, participou ativamente ao lado da PF das investigações que levaram à Operação Guilhotina?
Dois dias após a prisão de policiais civis e militares, o delegado Allan Turnowski, ainda na chefia da Polícia Civil, determinou que a delegacia fosse lacrada. Policiais ligados a ele vasculharam o lugar, mas uma semana depois ainda não se tem ideia do que encontraram.
Se havia indícios suficientes contra o delegado Allan Turnowski, por que no dia da deflagração da Operação Guilhotina ele foi ouvido pela PF como testemunha?
Só uma semana depois ele foi indiciado sob suspeita de violação de sigilo profissional. A base do indiciamento foi um grampo no qual Turnowski supostamente alertaria um inspetor da ação da PF. Qual o motivo da espera, se os investigadores já tinham a gravação? Será que um dia teremos as respostas?
COMENTO:
São inúmeras as perguntas que precisam ser respondidas pelo secretário Beltrame e pelo ausente governador Sérgio Cabral.
As contradições beiram ao absurdo e sugerem que existem muitas verdades ainda camufladas ou abafadas pelo poder político.
Só nos resta torcer para a mídia de São Paulo continuar cobrando essas respostas.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 20 de fevereiro de 2011

POLÍCIA CIVIL: GRAVÍSSIMAS E NOVAS DENÚNCIAS.

JORNAL A TRIBUNA RJ
Máfia dos táxis tem participação de “pessoas chaves de Niterói”

Publicado em: 17/02/2011
Texto: Soraya Batista
Pouco tempo após a aposentadoria, o ex-delegado Luiz Antônio Buzinaro, 51 anos, resolveu revelar o real motivo de seu afastamento da 76ª DP, da qual foi titular por quase dois anos. Em uma entrevista exclusiva para o jornal A TRIBUNA, Buzinaro contou sobre os bastidores da Polícia Civil, como muitos policiais ganhavam o cargo de delegados, mesmo sem muito tempo de experiência, através de amizades com políticos e com outras chefias dentro da própria polícia. O ex-delegado também revelou a falta de estrutura administrativa dentro das delegacias, o que pode atrapalhar os inquéritos, a falta de efetivo policial na Delegacia de Niterói. E depois de um ano, Buzinaro finalmente revela fatos sobre a morte de Adhemar Reis e admite que pessoas envolvidas com o poder de Niterói estão ligadas ao caso.
Muitos estranharam a sua repentina aposentadoria, já que não é comum um delegado se aposentar na sua idade. Qual o foi o real motivo para o senhor se aposentar?
Minha aposentadoria começou a dois anos e pouco, quando eu cansei de brigar. Eu só vejo na polícia coincidências: muitos poucos são promovidos pela sua capacidade, a maioria porque são amigos, por interesses pessoais. Você não tem uma valorização do profissional na polícia, você tem um monte de coincidências. A única hora que essa turma se afastou do poder desde a época do Hélio Luz, foi no governo Benedita, quando o Zaqueu Teixeira (delegado e ex-chefe de polícia) assumiu. Foi a única vez que eu vi desvincular a política, e a polícia chegou a um nível que a população adorava. Criamos as capturas (delegacias), colocamos mais carros nas ruas, mostrávamos como eram feitas as investigações na época . Aí volta essa canalhice toda, venda de delegacia. Isso causa estranheza porque nenhum delegado entrega a 76ª. Eu entrego.
O que de fato acontecia na 76ª DP?
A 76ª DP não tem condições de funcionar. Primeiro ela não tem espaço físico, segundo ela não tem funcionários. Uma delegacia que há 20 anos tinha 150 policiais hoje tem 40, tinha seis delegados hoje tem um, não funciona. Você pode trabalhar 24 horas por dia, que seu trabalho sempre está atrasado. É impossível trabalhar. E eu não vejo um chefe de polícia pedir concurso. Em 82 a polícia tinha 22 mil homens hoje tem oito mil e pouco. A instituição faliu, essa é a realidade.
O senhor tinha alguma dificuldade em realizar as investigações na 76ª DP?
Não, o diretor do DPI, o doutor Antônio Carlos me dava carta branca na delegacia. Ele valorizava o profissional, fazia o possível, mas o impossível não tinha como fazer. Veja a delegacia legal da 76ª DP. Inauguraram a delegacia pró-forma , ela não está funcionando. E na hora que funcionar não vai durar seis meses, ela vai falir, dar um nó se manter essa estrutura que tem hoje. Não tem condições, uma Delegacia Legal como a 76ª DP, com menos de 80 homens lotados, não vai funcionar. Vai funcionar no início, porque não vai ter um acervo cartorário, mas depois de alguns meses já vai estar com mais de mil inquéritos e vai dar um nó. Para você ter uma noção, na inauguração ainda não tinham computadores, eu coloquei os computadores velhos, com o logo da nova delegacia para dizer alguma coisa. Até o dia em que eu sai, não tinha computadores.
Como eram as contratações na delegacia?
Quando abrem para concursos para delegados, abrem só 100 vagas. A gente precisa de mil delegados e só passa 20. Vou te dar um exemplo: abriam um concurso com duas mil vagas, mas as pessoas que passam só vão entrar dois anos depois. E quando elas entrarem, mais pessoas vão ter saído. Então a polícia sempre vai precisar de gente. E também eu não vejo pessoas galgarem certos cargos por competência e sim por amizade. E isso bato em cima.
Você chegava a reclamar sobre a situação da delegacia?
Falava, mandava expediente, mas nada era feito. E as coincidências continuavam. Há muita coisa errada, nem as promoções por bravura são certas. Um delegado foi promovido por bravura porque participou de uma operação em que um delegado foi baleado. Eu tomei dois tiros e nunca ganhei nada. Essas pecúnias, é tudo apadrinhado, são todos que tem amigo. Quem está trabalhando na rua mesmo não ganha nada. Tem escrivão que ganhou por bravura, tem 150% de pecúnia, porque manteve o cartório arrumado, que é função dele. É bravura ou é gratificação, para dar de graça assim? Mas isso vem lá de trás. É isso que eu brigo na polícia, o fim dessa falta de organização.
Um dos casos mais famosos durante a sua atuação como delegado da 76ª DP, foi o assassinato de Adhemar Reis. Como está indo o inquérito? O que o senhor pode dizer sobre o caso?
O inquérito está andando e se deixarem a Draco trabalhar, todos vão ter uma surpresa um dia. Hoje, eu posso te dizer que há duas coisa na vida: qualidade e quantidade. Se você quer uma coisa de qualidade, com os recursos que tem, vai demorar mais. Esse caso envolve uma gama muito grande de pessoas aqui de Niterói na corrupção. Não diria exatamente ligados a morte do Adhemar. Como eu e ele estávamos investigando essa máfia de táxis, levantou-se a suspeita que a morte dele estaria ligada aos táxis, mas conforme a gente foi investigando, fomos descobrindo que não era isso. Fomos mantendo a imprensa com essa “capa da liberdade”, para ficar em cima dessa hipótese e não chegar a lugar nenhum, nem descobrir nada. Eu espero muito assistir o desenrolar desse caso.
O senhor poderia dizer que há pessoas do poder envolvidas?
Tem muita gente envolvida, a estrutura municipal de concessão de táxi está errada, e é exatamente isso que interessa a investigação. Até que ponto é ignorância e até que ponto é interesse. Estão envolvidas pessoas que são pontos chaves no município, que estão ligadas a ele e que também pertencem a sociedade de Niterói. E só você ter paciência que você vai ver o resultado
Em relação os recentes acontecimentos na Polícia civil, consequências da operação Guilhotina, o senhor já tinha conhecimento que isso estava para estourar antes de se aposentar?
Sim. O Allan bateu na reportagem porque disse que não sabia de nada disso. É mentira. Todo mundo sabia na polícia desde agosto. Tava pra explodir. Todo mundo sabe que o Allan foi diretor da DPE (Delegacia de Polícias Especializadas), na gestão Álvaro (Lins), todo mundo sabe que o Jader Amaral era “cupincha” de Álvaro, todo mundo sabe que o Jader Amaral estava na 22ª DP. Porque dois dias antes de estourar a 22ª DP nessa operação, transferiram o Jader para a 38ª DP? É coincidência? Eu não acredito em coincidência. Acho que é preciso investigar.
O senhor disse que todos já sabiam dessa operação desde agosto, porque isso só estourou agora?
Primeiro foi por causa das eleições, para não criar uma crise na polícia próxima a essa data. Depois veio aquele problema de queimar carro, do Comando Vermelho, e veio se arrastando. Culminou agora, com a operação. Mas como eu disse, eu já sabia desde agosto Tem gente falando que não sabia de nada, mas sabia sim, todo mundo sabia. Quando houve a reformulação na chefia de polícia, já havia uma escuta que chegava até a chefia de polícia. Isso era comentado nas esquinas da polícia. Até eu aqui na 76, que é longe, sabia dos fatos.
Como era sua relação com o Allan Turnowski?
Não tinha uma relação com ele. Era bom dia, boa tarde, boa noite. Uma coisa completamente profissional , eu só respondia aos meus diretores. Dizem quem o Allan renunciou ao cargo, mas na verdade, ele foi retirado. Ele implantou coisas na polícia, isso é verdade, mas eu não aceito o modo dele administrar na mesma linha que a de Álvaro e do Hélio Luz. Valoriza-se inspetores de polícia em pontos chaves para ter informações para coordenar. Tem inspetores daquela época que coordenam especializadas. Por exemplo tem uma invasão no Morro do Alemão, a Delegacia de Cargas está lá. O que a delegacia de cargas tem a ver com o morro? Eles tem que investigar roubo de caminhão. Hoje você tem pessoas que eram do grupo e continuam pelo grupo, desde a época de Hélio Luz, do grupo Astras. Eu lembro que teve uma época, eu fui para a 23 ª DP, com o Amim (ex-delegado), e lá tinha um grupo desses. Em uma sala tinha um grupo de inspetores que eram diretamente ligados ao chefe de polícia, e não eram subordinados ao titular da delegacia. O Amin assumiu a 23ª e eu vim dois dias depois ser substituto dele. Ele chamou e disse ‘Pessoal, sai todo mundo daqui, que eu não quero ninguém aqui’ e no dia seguinte transferiram 13 ou 14 policiais da chefia do Amim, e ele acabou infartando. Então o inspetor mandava mais que o delegado. E a gente continua vendo isso até hoje. Agora que a Marta Rocha está na chefia, talvez isso possa mudar. Confio no trabalho dela, mas acho que ela terá que tomar algumas decisões. Senão não vai adiantar.
O senhor acha que o governador é conivente com essa situação?
Eu acho que ele não sabe o que está acontecendo. Sérgio Cabral é jornalista, ele não tem uma formação policial. Ele botou um secretário de segurança, o Beltrame, que é um cara competente, mas é gaúcho. Ele estava na polícia federal com um outro tipo de polícia, e não conhece as peculiaridades de uma polícia civil da segunda capital do Brasil . O que está acontecendo é que pega-se o instituto da polícia e rasga-se e joga fora. Aí você vê um cara ser lotado em uma chefia, em dois três anos, já de primeira. E o policial que está ralando só depois de 10, 15 anos consegue uma promoção. Você vê as promoções de merecimento na polícia. O que eles fizeram pra ganhar isso, quais foram as grandes investigações? Ganha porque é amigo, Chegava ao ponto que na época do Álvaro, faziam reuniões, viravam e diziam ‘Vai ter promoção para delegado, corram atrás dos seus políticos’. Isso é maneira de trabalhar? É preciso que separem a política, se isso não for feito, não vai funcionar.
Isso mudou na época do Allan Turnowski?
Não mudou nada. Continua a mesma coisa , sempre foi isso. E eu sou contra o acesso. O que é o acesso: o policial chega no final de carreira , faz uma emenda para voltar. E é feito um concurso interno para galgá-lo para uma classe superior. Geralmente inspetor poderia fazer prova para delegado. Eu sou contra isso, porque pra você chegar até a primeira (classe), você tem que ser um bonequinho, dizer amém para todo mundo, porque se você contestar é mal visto. Eu não sou assim. Se havia uma delegacia problemática, eles diziam ‘ vamos chamar o Buzinaro’. Eu ia, mas para eu consertar tinha que dizer não a um monte de gente, criar caso com uma porrada de gente. E na hora de sair uma promoção, sai para o outro. E ele entrava rindo, porque ganhou fácil.
Você já perdeu alguma promoção por causa da sua personalidade?
Várias. Na última promoção que teve por exemplo, em que o Jader foi promovido. Houve comentários, insinuações que uma vaga seria minha, que eu ia assumir uma regional, mas na hora... Eu iniciei uma investigação aqui e algumas pessoas tiveram que responder a inquérito administrativo, porque estavam envolvidas em certas situações aqui em Niterói. Um deles era ligado ao Allan Turnowski, com certeza. E isso desagradou ao chefe. Não posso dizer quem é, até porque ele é um bom profissional como policial, mas se for investigar o patrimônio dele... Ele é um cara que sabe trabalhar sabe fazer uma operação de rua, pena que esteja indo por esse caminho.
O que mais desagrada ao senhor na estrutura da polícia?
Uma das coisas que eu mais me debato é o trabalho escravo na polícia civil. Quase metade do salário do policial são gratificações, se ele tirar uma licença prêmio, se ele se aposentar, ele perde. É gratificação de delegacia legal, é gratificação de Copa do Mundo, que somando tudo, dá quase 50% do salário dele. Mas se ele tirar uma licença prêmio, que é um direito do funcionário público ele perde. Então ele não fica doente, e se fica continua a trabalhar, até morrer. Tem policial com 60 anos na delegacia e não pode nem se aposentar. Isso é escravidão. Aí o policial ganha 3 mil e se aposenta com 1.500. Se ele morre, a viúva recebe R$ 750,00, vai fazer o que da vida com esse dinheiro? O policial morre na capital, a polícia paga o enterro, se morre no interior, por exemplo, em Silva Jardim, não paga. O policial da capital é diferente do policial do interior?
Esse é o pior problema para a delegacia para o senhor?
Sim, acho que a falta de estrutura é o pior problema. Você não tem mais estrutura profissional, você não tem mais estrutura administrativa, cada chefe que assume, toma uma postura: ‘eu gosto de você, então você vai ter isso, eu não gosto de você então você não vai ter nada’. Sem saber seu serviço, sem saber sua competência. Mas isso acontece desde o Hélio Luz. O governador escolhe dentro da polícia um delegado que é afeto dele ou chegado a política dele, até por partido, então vira política. Eu acho que deveria ter um pouco mais de discernimento. Não pode vir amanhã um governador que não goste de polícia, ficar cinco ou seis anos sem dar aumento para a polícia, como aconteceu. Na época do governador Moreira Franco eu passei a ganhar dois salários mínimos, mas quando eu entrei ganhava 15, foi uma queda no meu salário. Hoje eu já recuperei, mas grande parte vem das gratificações. Hoje tem um policial que ganha gratificação de R350,00, tem policial que ganha R$ 750,00 e tem policial que ganha R$ 1.000,00, de acordo com a lotação dele, fazendo o mesmo serviço. A de Niterói é a mais barata ganha R$ 350,00. Não poderia haver essa diferença.
Outra cisa que me desagrada é essa onde de pegar o policial, parar a viatura na rua para revistar. Isso é desmoralizar a polícia. Todo mundo sabe onde está o câncer da instituição. Nós somos obrigados a todo ano entregar declarações de bens na polícia. E só pegarem as declarações e você vê quem é quem. Eu tenho um carro pequeno, mas tem gente aí que tem carro de R$ 150 mil. Hoje é fácil você investigar a polícia.
Na sua opinião, a polícia está preparada para combater o crime em Niterói?
Está, 90% da polícia Civil está preparada para combater o crime, só não tem estrutura. Eu tenho um setor de investigação, que na época só tinha cinco policiais, para duas mil investigações. Não dava para trabalhar assim, não tinha como investigar. Hoje a 76ª DP deve ter uma base de seis mil inquéritos, fora as investigações, para um delegado. Eu não conseguia fazer o meu trabalho da forma que eu gostaria. Eu não tinha como ler todos os inquéritos em três meses, era impossível. Mas isso não acontece só em Niterói. Teve um inquérito importante que eu fiquei triste em não concluir, que foram os dos prostíbulos. Inclusive que eu pedi em reunião com o Oliveira, que foi preso agora, para fazer uma operação, e estava só esperando a vez de Niterói chegar. Eu pedi a prefeitura para desapropriar os dois prédios, até de modo informal. A segurança não pode se feita apenas pela delegacia, ela também tem que ser feita pelo poder público.
COMENTO:
A entrevista por si só merece a instauração de pelo menos um Inquérito Policial, vamos aguardar para ver o que vai acontecer.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sábado, 19 de fevereiro de 2011

ALLAN TURNOWSKI: UM ESTRANHO INDICIAMENTO E UMA BOA DIARISTA;

Eu não sou bacharel em direito e nem conheço o delegado Allan Turnowski, além dos cumprimentos formais da época que eu exercia a função de Corregedor Interno da PMERJ, para que atue como seu advogado, todavia, depois do que assisti na mídia, não posso deixar de considerar o seu indiciamento um fato muito estranho.
Na reportagem, Allan Turnowski apresentou cópia da portaria do inquérito da Polícia Federal, lendo que seu indiciamento foi devido a ter "vazado" a realização de uma operação da PF sobre a qual teria tomado conhecimento na secretaria de segurança.
Turnowski negou conhecer sobre a operação e chamou para testemunhar o próprio Beltrame, que negou ter comentado com ele sobre a operação, desqualificando o contido na portaria, conforme nota oficial da secretaria de segurança.
Por derradeiro, Turnowski questionou como poderia ser indiciado sem que Beltrame fosse ouvido antes?
Sinceramente, ele tem toda razão nas suas alegações.
Obviamente, ele pode ter tomado conhecimento da operação da PF por outros meios e pode tê-la vazado, não discuto tais possibilidades, mas como o que não existe nos autos, não existe no universo, o seu indiciamento foi muito estranho, repito.
Penso que existe muita coisa embaixo dos tapetes, resta saber se aparecerá um faxineiro competente no seu ofício para promover a devida limpeza.
Infelizmente, vocês sabem, não anda nada fácil arrumar uma boa diarista no Rio da dupla Cabral-Beltrame.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CABRAL ELOGIA, BELTRAME ELOGIA E A POLÍCIA FEDERAL INDICIA.

SITE G1
Ex-chefe de Polícia Civil do Rio é indiciado pela Polícia Federal
Allan Turnowski deixou o cargo na terça-feira, após a Operação Guilhotina.

Segundo a PF, ele teria alertado um policial sobre a investigação; ele nega.
O ex-chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Allan Turnowski, foi indiciado na noite desta quinta-feira (17), após prestar depoimento de mais de três horas na Superintendência da Polícia Federal, na zona portuária da cidade. Turnowski deixou o cargo de chefe de Polícia Civil na terça-feira (15).
Segundo a PF, houve violação de sigilo funcional por parte de Turnowski. Ele teria alertado um inspetor sobre a investigação da Polícia Federal. O policial foi preso durante a Operação Guilhotina, deflagrada na última sexta-feira (11), suspeito de integrar uma milícia em Ramos. Na operação, policiais civis e militares acusados de desvios foram presos, entre eles o delegado Carlos Oliveira, que foi subchefe de Polícia Civil na gestão de Turnowski.
Após o indiciamento, Turnowski negou que soubesse da operação, e disse que o Secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, confirma isso. O ex-chefe de Polícia Civil afirmou também que não acredita que a acusação passará "pelo crivo do Ministério Público ou da Justiça." (leia).
COMENTO:
Investigar não é fácil, ao longo dos mais de dez anos na área da Polícia Judiciária Militar conheci uma série de enganos em investigações, no âmbito militar e civil, muitos deles causados pela pressa e pela formação antecipada de convicções.
A pior coisa que um investigador pode fazer é tirar conclusões precipitadas, pois quando esse erro acontece, via de regra, o investigador passa a tentar comprovar a sua versão e não buscar a verdade dos fatos.
Além dessa verdade, todos os investigados têm direito à presunção da inocência, uma verdade que no Rio de Janeiro não vale para os Policiais Militares, infelizmente.
Em conversas com vários advogados de Policiais Militares, em diferentes momentos, sempre ouvi sobre as dificuldades que enfrentavam para que seus clientes respondessem em liberdade as acusações feitas em desfavor deles. Recentemente fui depor em um processo no qual Policiais Militares foram acusados e fiquei assustado com o tempo que alguns deles ficaram presos à disposição da justiça.
Temos que recuperar esse direito para os Policiais Militares e para todos que tiverem esse direito preterido.
As acusações estão pipocando na mídia, isso não é bom.
O ex-Chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowski e todos os outros acusados na Operação Guilhotina têm o direito a tal presunção, o que não significa que sejam inocentes ou culpados antes do trânsito em julgado.
Neste instante, o delegado Allan Turnowski acaba de se defender do indiciamento em entrevista exibida no Jornal Nacional, quando declarou que sem que ninguém da SESEG/RJ confirmasse que ele sabia da operação da Polícia Federal, ele foi indiciado por ter vazado a operação.
Existe lógica na sua argumentação.
A situação parece nebulosa, precisa ser clarificada.
Desejo que tudo seja esclarecido, afinal a Polícia Civil está atravessando há alguns anos uma fase muito difícil com acusações graves contra Chefes e Subchefes da instituição, situação que exige providências urgentes para a depuração e investimentos na área do controle interno (Corregedoria Interna).
Penso que uma ótima medida para começar a reverter o problema passa pela fixação da Polícia Civil na sua missão constitucional, ou seja, a investigação. Os efetivos da Polícia Civil só deveriam atuar nas ruas para realizar as investigações criminais e preferencialmente sem a ostensividade dos uniformes e viaturas que usam atualmente.
Basta de polícia investigativa realizando operações "militares" em comunidade carentes e operações de trânsito.
Policial Civil deve trabalhar como no seriado CSI e não como se estivesse em um filme do Rambo.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

A INTELIGÊNCIA DO GOVERNO SÉRGIO CABRAL PARECE BURRA.

A comunidade de inteligência é vital para o bom funcionamento da segurança pública, aliás ela é fundamental para o próprio funcionamento dos governos.
No Rio penso que esteja existindo uma interferência política muito grande na inteligência pois nada justifica a existência dos fatos que estão aparecendo nos noticiários com as posturas do governador e do secretário de segurança.
JORNAL O DIA
Série de mortes à sombra da cúpula da Polícia Civil
Mais de 15 assassinatos serão investigados novamente pela Secretaria de Segurança
JOÃO ANTÔNIO BARROS
Rio - O desdobramento da Operação Guilhotina promete devassar uma série de assassinatos de grande repercussão ocorridos nos últimos anos no Rio de Janeiro. São casos em que há evidências da participação de policiais civis e militares, que tinham acesso livre à cúpula da Polícia Civil, em mais de 15 homicídios. A informação sobre o envolvimento dos agentes foi encaminhada na terça-feira pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Federal à Secretaria Estadual de Segurança (leia).
É inexplicável que a inteligência não conhecesse a maioria desses fatos que estão explodindo na mídia.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

GOVERNO SÉRGIO CABRAL: A GRAVE CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA - PARECE PIADA, MAS NÃO É.

Quem ouviu as declarações do secretário Beltrame e da delegada Martha Rocha sobre o delegado Allan Turnowski, chefe exonerado da Polícia Civil, chegou a uma estranha conclusão:
- Foi uma enorme injustiça a exoneração de Turnowski.
Ele é um grande policial civil, foi um grande chefe da Polícia Civil e deixou um legado positivo.
O inusitado da situação lembrou a exoneração de Pitta do Comando Geral da PMERJ, isso em 2009, para dar lugar a Mário Sérgio, o próprio Sérgio Cabral não poupou elogios para Pitta.
Parece piada, mas não é.
No Rio exoneram os "ÓTIMOS".
Coisa de maluco.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

GOVERNO SÉRGIO CABRAL: A CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA - A INCOERENTE SAÍDA PACÍFICA DE TURNOWSKI E UMA EXPLICAÇÃO MUITO ESTRANHA.

JORNAL EXTRA
CASOS DE POLÍCIA E SEGURANÇA
Beltrame decidiu exoneração em conversa de 10 minutos com Turnowski

Fernando Torres e Marcos Nunes
A exoneração de Allan Turnowski aconteceu quatro dias após a Operação Guilhotina. Ele deixou o cargo após uma conversa, na manhã de ontem,com o secretário José Mariano Beltrame. Antes, passou pelo menos 20 sentado do lado de fora do gabinete, esperando ser atendido. O diálogo foi rápido: Turnowski disse que estava sentindo-se desprestigiado, Beltrame afirmou que esperava uma atitude do chefe de Polícia Civil e Allan retrucou, dizendo que era melhor sair da Chefia. O secretário compartilhou esta opinião e já começou a pensar no substituto. O diálogo durou cerca de dez minutos.
De acordo com nota da Secretaria de Segurança, a decisão foi tomada após os dois concluírem que essa seria a decisão mais adequada “para preservar o bom funcionamento das instituições”. Na nota, o secretário agradeceu publicamente a dedicação e a fidelidade do delegado Turnowski. O ex-chefe de Polícia também se manifestou através de nota e disse ter a certeza de que esta “é a melhor decisão para o momento” (leiam).
COMENTO:
Allan Turnowski saiu pacificamente, postura que tornou inteiramente sem sentido o cerco à DRACO.
Não se declara guerra ao secretário de segurança e logo depois agradece a oportunidade de ter chefiado a Polícia Civil.
Ninguém saberá que tipo de acordo provocou tal postura incoerente de Turnowski, a não ser que ele ou Beltrame resolvam comentar o caso, o que não parece provável.
Vencida essa etapa vamos até a nota oficial da saída de Turnowski, onde encontramos uma expressão muito estranha:
"(...) para preservar o bom funcionamento das instituições (...)".
O que a frase significa?
Bem...
Quais seriam as instituições citadas?
A Polícia Civil é uma e a qual é a outra?
A secretaria de segurança não é instituição, pode (e deveria) ser extinta a qualquer momento. Ela é provisória, caríssima, meramente política e, portanto, desnecessária.

Salvo melhor juízo, houve um erro na confecção da nota e a frase deveria ser:
"(...) para preservar o bom funcionamento da Polícia Civil (...)".

Sem dúvida, a Polícia Civil está rachada e precisa ser soldada, a manutenção de Allan Turnowski inviabilizaria esse processo, assim sendo, nada mais natural do que a saída de um dos que estão se degladiando.
A delegada Martha Rocha foi nomeada como a nova Chefe da Polícia Civil, nunca saberemos se ele foi a primeira escolha ou não de Beltrame, pois nesses momentos de crise é normal que alguns rejeitem o convite. Em 2008, Pitta não foi a primeira escolha de Beltrame para substituir o último Comandante Geral da PMERJ, o Coronel de Polícia Ubiratan, na verdade Beltrame ouviu uma ou duas recusas antes de apelar para a dupla David-Pitta.
E para fechar uma série bizarra de acontecimentos, na apresentação de Martha Rocha, Beltrame se referiu a Allan Turnowski como um grande policial e um grande Chefe de Polícia Civil, durma-se com um barulho desse.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

SÉRGIO CABRAL DÁ CARTA BRANCA A BELTRAME, BELTRAME NÃO DÁ CARTA BRANCA A NINGUÉM.

REVISTA VEJA
Governador do Rio afirma que secretário de Segurança tem "carta branca"
Em meio à crise na Polícia Civil, com suspeitas de corrupção entre delegados, Sérgio Cabral reafirma confiança em José Mariano Beltrame
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou nesta terça-feira que o secretário de Segurança Pública do estado, José Mariano Beltrame, tem “carta branca” para escolher quem ocupará os cargos estratégicos da Polícia Civil. Cabral fez a declaração em São Paulo, onde participou de uma palestra sobre o ciclo de investimentos no Rio de Janeiro entre 2011 e 2016. Durante o evento, o governador foi questionado sobre a nomeação do próximo chefe da Polícia Civil, que substituirá Allan Turnowski, exonerado nesta terça em meio a uma crise na instituição.
“A política de segurança pública é traçada pelo secretário de Segurança, com o aval do governador. Portanto, na escolha de comandantes de batalhão, de delegados, na promoção por mérito de policiais e na escolha do comandante da PM e do chefe da Polícia Civil, a decisão é do secretário José Mariano Beltrame. Ele tem o meu aval para tomar a decisão”, assegurou Cabral. Ele também disse que “no Rio de Janeiro, graças a Deus, acabou a fase em que o Palácio Guanabara participava ou permitia que outros políticos se intrometessem na política de segurança pública”.
Allan Turnowski pediu demissão na manhã desta terça-feira, segundo informou uma nota oficial da Secretaria de Segurança do estado, depois de uma “longa conversa” com o secretário Beltrame. O nome do substituto de Turnowski não foi citado por Cabral, que brincou ao pedir que, se alguém já souber quem será o próximo chefe da instituição, avise a ele. A escolha, portanto, está nas mãos do Beltrame. O governador, em suas declarações, deixou claro que o secretário tem autonomia para definir a próxima liderança da Polícia Civil.
O termo “carta branca”, para representar a autonomia e a confiança nos ocupantes de cargos de chefia, foi usada pela segunda vez em menos de uma semana. No sábado, no entanto, como ressalva: Beltrame, em meio ao fogo cruzado entre Allan Turnowski e o delegado Cláudio Ferraz – ambos envolvidos em suspeitas de corrupção – afirmou que “nenhum delegado tem carta branca” para agir em seu nome.
“Eu quero deixar muito claro para sociedade que nem o doutor Alan nem ninguém que trabalha comigo tem carta branca. Não adianta ter resultado sem lisura e lisura sem ter resultado”, avisou Beltrame.
Em São Paulo, Cabral aproveitou para agradecer a atuação de Turnowski, durante o tempo em que ocupou a chefie de Polícia Civil. “Quero agradecer publicamente ao delegado Allan Turnowski, assim como agradeci ao delegado Gilberto Ribeiro, que foi o primeiro chefe de Polícia Civil (do governo Cabral). O delegado Gilberto Ribeiro e o delegado Allan Turnowski deram enormes contribuições para a nossa política de segurança”, disse Cabral.
COMENTO:
Quem pode, pode, quem não pode se sacode.
Eu sou tricolor de coração, sou do clube tantas vezes campeão, o Fluminense. Nos últimos três jogos o jogador Rafael Moura que tem o apelido de He-Man fez cinco gols. He-Man é um personagem que meu filho curtiu quando era criança e se a memória não está ,me pregando uma peça, ele tinha um grito de guerra:
"Eu tenho a força!"
Beltrame tem a força, isso é indiscutível.
Cabral nem pensa em contrariá-lo, o que é impressionante.
Tenho 53 anos e não me lembro de ter visto no Rio de Janeiro uma pessoa com tanta força política quanto o delegado da Polícia Federfal Beltrame.
Ele tem a força!
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 2 de janeiro de 2011

GUERRA DO RIO: PÉSSIMAS NOTÍCIAS.

Escrevemos diversas vezes que qualquer avaliação dos resultados da invasão da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão seria prematura, pois era indispensável deixar o tempo passar e a fumaça dos festejos midiáticos baixar.
Ratificamos esse posicionamento, mas não podemos deixar de informar que os ventos que sopram da Penha dão conta que o tráfico de drogas vai muito bem, obrigado.
Isso é muito ruim, considerando que isso já acontece nas comunidades onde foram implantadas as UPPs, como a mídia já informou algumas vezes.
Em apertada síntese, a regra governamental é clara: vender drogas pode, exibir armas não pode (nem precisa, a própria PM acaba fazendo uma forma de "segurança" contra invasões de outras facções).
Se somarmos esses fatos à realidade das transferências dos traficantes e de suas armas de guerra, realizadas pelo governo para implantar as UPPs, podemos concluir que a situação é muito grave no Rio.
O tempo vai passar e logo não existirá mais nenhuma fumaça midiática.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

MANIFESTO PÚBLICO DE ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS SOBRE OS ACONTECIMENTOS NO ALEMÃO E NA VILA CRUZEIRO.

Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2010.
Manifesto Público de Organizações de Direitos Humanos sobre os acontecimentos no Alemão e na Vila Cruzeiro.

Há três semanas, as favelas do Alemão e da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, se tornaram o palco de uma suposta “guerra” entre as forças do “bem” e do “mal”. A “vitória” propagada de forma irresponsável pelas autoridades – e amplificada por quase todos os grandes meios de imprensa – ignora um cenário complexo e esconde esquemas de corrupção e graves violações de direitos que estão acontecendo nas comunidades ocupadas pelas forças policiais e militares. Mais que isso, esta perspectiva rasa – que vende falsas “soluções” para os problemas de segurança pública no país – exclui do debate pontos centrais que inevitavelmente apontam para a necessidade de profundas reformas institucionais.
Desde o dia 28 de novembro, organizações da sociedade civil realizaram visitas às comunidades do Alemão e da Vila Cruzeiro, onde se depararam com uma realidade bastante diferente daquela retratada nas manchetes de jornal. Foram ouvidos relatos que denunciam crimes e abusos cometidos por equipes policiais. São casos concretos de tortura, ameaça de morte, invasão de domicílio, injúria, corrupção, roubo, extorsão e humilhação. As organizações ouviram também relatos que apontam para casos de execução não registrados, ocultação de cadáveres e desaparecimento.
Durante o processo, a sensação de insegurança e medo ficou evidente. Quase todos os moradores demonstraram temor de sofrerem represálias e exigiram repetidamente que o anonimato fosse mantido. E foi assim, de forma anônima, que os entrevistados compartilharam a visão de que toda a região ocupada está sendo “garimpada” por policiais, no que foi constantemente classificado como a “caça ao tesouro” do tráfico.
A caça ao tesouro
É um escândalo: equipes policiais de diferentes corporações, de diferentes batalhões, se revezam em busca do dinheiro, das jóias, das drogas e das armas que criminosos teriam deixado para trás na fuga; em lugar de encaminhar para a delegacia tudo o que foi apreendido, as equipes estão partilhando entre elas partes valiosas do “tesouro”. Aproveitando-se do clima de “pente fino”, agentes invadem repetidamente as casas e usam ameaças e técnicas de tortura como forma de arrancar de moradores a delação dos esconderijos do tráfico. Não bastasse isso, praticam a extorsão e o roubo de pequenas quantias e de telefones celulares, câmeras digitais e outros objetos de algum valor.
Apesar deste quadro absurdo, o governo do estado do Rio de Janeiro tenta mais uma vez esvaziar e desviar o debate, transformando um momento de crise em um momento triunfal das armas do Estado. Nem as denúncias que chegaram às páginas de jornais – como, por exemplo, as que apontam para a fuga facilitada de chefes do tráfico – foram respondidas e investigadas. Independente disso, os relatos que saem do Alemão e da Vila Cruzeiro escancaram um fato que jamais pode ser ignorado na discussão sobre segurança pública no Rio de Janeiro: as forças policiais exercem um papel central nas engrenagens do crime. Qualquer análise feita por caminhos fáceis e simplificadores é, portanto, irresponsável. E muitas vezes, sem perceber, escorregamos para estas saídas.
Direcionar a “culpa” de forma individualizada, por exemplo, e fazer a separação imaginária entre “bons” e “maus” policiais é uma das formas de se esquivar de debates estruturais. Penalizar o policial não altera em nada o cenário e não impede que as engrenagens sigam funcionando. Nosso papel, neste sentido, é avaliar os modelos políticos e as falhas do Estado que possibilitam a perversão da atividade policial. Somente a partir deste debate será possível imaginar avanços concretos.
Diante do panorama observado após a ocupação do Alemão, as organizações de direitos humanos cobram a responsabilidade dos Governos e exigem que o debate sobre a reforma das polícias seja retomado de forma objetiva. Nossa intenção aqui não é abarcar todos os muitos aspectos desta discussão, mas é fundamental indicarmos alguns aspectos que achamos essenciais.
Falta de transparência e controle externo
A falta de rigor do Estado na fiscalização da atuação de seus agentes, a falta de transparência nos dados de violência, e, principalmente, a falta de controle externo das atividades policiais são fatores que, sem dúvida, facilitam a ação criminosa de parte da polícia – especialmente em comunidades pobres, distantes dos olhos da classe média e das lentes da mídia. E os acontecimentos das últimas semanas realmente nos dão uma boa noção de como isso acontece.
Apesar dos insistentes pedidos de entidades e meios de imprensa, até hoje, não se sabe de forma precisa quantas pessoas foram mortas em operações policiais desde o dia 22. Não se sabe tampouco quem são esses mortos, de que forma aconteceu o óbito, onde estão os corpos ou, ao menos, se houve perícia, e se foi feita de modo apropriado. A dificuldade é a mesma para se conseguir acesso a dados confiáveis e objetivos sobre número de feridos e de prisões efetuadas. As ações policiais no Rio de Janeiro continuam escondidas dentro de uma caixa preta do Estado.
Na ocupação policial do Complexo do Alemão em 2007, a pressão política exercida por parte deste mesmo coletivo de organizações e movimentos viabilizou, com a participação fundamental da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, um trabalho independente de perícia que confirmou que grande parte das 19 mortes ocorridas em apenas um dia tinham sido resultado de execução sumária. Foram constatados casos com tiros à queima roupa e pelas costas, disparados de cima para baixo, em regiões vitais, como cabeça e nuca. Desta vez, não se sabe nem quem são, quantos são e onde estão os corpos dos mortos..
Para que se tenha uma ideia, em uma favela do Complexo do Alemão representantes das organizações estiveram em uma casa completamente abandonada. No domingo, dia 28, houve a execução sumária de um jovem. Duas semanas depois, a cena do homicídio permanecia do mesmo jeito, com a casa ainda revirada e, ao lado da cama, intacta, a poça de sangue do rapaz morto. Ou seja, agentes do Estado invadiram a casa, apertaram o gatilho, desceram com o corpo em um carrinho de mão, viraram as costas e lavaram as mãos. Não houve trabalho pericial no local e não se sabe de nenhuma informação oficial sobre as circunstâncias da morte. Provavelmente nunca saberemos com detalhes o que de fato aconteceu naquela casa.
“A ordem é vasculhar casa por casa...”
Por outro lado, o próprio Estado incentiva o desrespeito às leis e a violação de direitos quando informalmente instaura nas regiões ocupadas um estado de exceção. Os casos de invasão de domicílio são certamente os que mais se repetiram no Alemão e na Vila Cruzeiro. Foi o próprio coronel Mario Sérgio Duarte, comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, quem declarou publicamente que a “ordem” era “vasculhar casa por casa”, insinuando ainda que o morador que tentasse impedir a entrada dos policiais seria tratado como suspeito. Mario Sérgio não apenas suprimiu arbitrariamente o artigo V da Constituição, como deu carta-branca à livre atuação dos policiais.
Em qualquer lugar do mundo, a declaração do coronel seria frontalmente questionada. Mas a naturalidade com que a fala foi recebida por aqui reflete uma construção histórica que norteia as ações de segurança pública do estado do Rio de Janeiro e que admite a favela como território inimigo e o morador como potencial criminoso. Em comunidades pobres, o discurso da guerra abre espaço para a relativização e a supressão dos direitos do cidadão, situação impensável em áreas mais nobres da cidade. De fato, a orientação das políticas de sucessivos governos no Rio de Janeiro tem sido calcada em uma visão criminalizadora da pobreza.
Em meio a esse caldo político, as milícias formadas por agentes públicos – em especial por policiais – continuam crescendo, se organizando como máfia por dentro da estrutura do Estado e dominando cada vez mais bairros e comunidades pobres no Rio de Janeiro. No Alemão e na Vila Cruzeiro, comenta-se que parte das armas desviadas por policiais estaria sendo incorporadas ao arsenal destes grupos. Especialistas avaliam com bastante preocupação a forma como o crime está se reorganizando no estado.
Mas isto continua tendo importância secundária na pauta dos Governos. De olhos fechados para os problemas estruturais do aparato estatal de segurança, seguem apostando em um modelo militarizado que não é direcionado para a desarticulação das redes do crime organizado e do tráfico de armas e que se mostra extremamente violento e ineficaz.
Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2010.
Assinam:
Justiça Global
Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência
Conselho Regional de Psicologia – RJ
Grupo Tortura Nunca Mais - RJ
Instituto de Defensores de Direitos Humanos
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis

COMENTO:
Uma página vergonhosa na segurança pública do Rio de Janeiro.
Ratifico que militarmente (tomada do território) as operações foram um sucesso, em termos policiais um grande fracasso.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

PARECE PIADA, MAS NÃO É.

Cidadão fluminense, no Rio de Janeiro o governo não disponibiliza verba para que a Polícia Civil possa pagar as revisões de suas viaturas NOVAS (Sandero, Megane, etc), isso faz com que os Policiais Civis tenham "que dar o jeito deles" para pagar as revisões, pois mesmo as iniciais que são "gratuitas" demandam despesas (troca de óleo, etc).
Na Polícia Militar, os recursos também não existem, o governo não fornece, assim sendo, são "desviados" da caixa de economias administrativas (EAC), formada pelo que sobra do dinheiro da comida dos Policiais Militares. Em síntese, os PMS comem muito mal para que sobre dinheiro para fazer a Polícia Militar funcionar. As exceções no tocante às revisões são as viaturas do contrato da SESEG/RJ com a Empresa Júlio Simões, contrato sob investigação do Ministério Público.
Parece piada, mas não é.
E, olha que Cabral afirma que a segurança pública é uma prioridade no seu governo.
Considerando a realidade da manutenção das viaturas e os salários miseráveis que paga aos PMs, BMs e PCs, fica a pergunta:
- IMAGINEM SE SEGURANÇA PÚBLICA NÃO FOSSE PRIORIDADE PARA O GOVERNO SÉRGIO CABRAL?
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

ARRASTÕES DE VOLTA AO RIO DE JANEIRO.

O GLOBO
"Testemunhas relatam arrastão na Presidente Dutra

Por volta das 6h40 deste domingo, um arrastão pode ter provocado pânico a pelo menos três motoristas que passavam na Rodovia Presidente Dutra, sentido Linha Vermelha, na altura do Shopping Grande Rio, em São João de Meriti. Testemunhas contam que bandidos armados com fuzis atiraram contra aqueles que voltaram de marcha ré. Um deles conta ainda que foi até a cabine da PM, ao lado do Shopping Grande Rio, e encontrou um policial dormindo. Acordado subitamente, o agente apenas respondeu "
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO