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quinta-feira, 22 de abril de 2010

O CRIME EM SÃO PAULO.

JORNAL ESTADÃO:
Números da criminalidade nas ruas de SP que a Secretaria não divulga

Veja os dados da violência registrados nas delegacias seccionais da cidade, separados por regiões
SÃO PAULO - Ao contrário de outras cidades, São Paulo não divulga dados sobre a criminalidade. Os dados do Infocrim - sistema de dados criminais da polícia - é conteúdo mantido em sigilo. A reportagem do Estado obteve os números com exclusividade. Na tabela abaixo, cada delegacia seccional representa uma região: 1ª, Região Central; 2ª, Zona Sul; 3ª, Zona Oeste; 4ª, Zona Norte; 5ª, Zona Leste; 6ª região de Santo Amaro; 7ª, Itaquera e 8ª, São Mateus. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Os números revelam que entre 2008 e 2009 as ocorrências de furto, roubo e roubo de veículos cresceram mais de 10%. Por outro lado, a taxa de homicídios recuou um pouco (2,63%) e os registros de furtos de veículos também tiveram uma queda, quase insignificante (0,08%), equivalente a 34 registros a menos em um total de mais de 40 mil.
Mesmo com a diminuição dos registros de homicídios, os dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que, em algumas regiões, houve um aumento considerável de ocorrências. A 1ª seccional (Região Central) e a 5ª seccional (Zona Leste), por exemplo, tiveram um aumento no número de homicídios de 10,20% e 17,65%, respectivamente.
Na tabela abaixo, cada delegacia seccional representa uma região: 1ª, Região Central; 2ª, Zona Sul; 3ª, Zona Oeste; 4ª, Zona Norte; 5ª, Zona Leste; 6ª região de Santo Amaro; 7ª, Itaquera e 8ª, São Mateus. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Acessem a matéria (Estadão) e vejam os seis gráficos.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

terça-feira, 9 de março de 2010

SÃO PAULO: POLICIAIS MILITARES X POLICIAIS CIVIS.

R7 NOTÍCIAS
publicado em 08/03/2010 às 18h38:
Carro estacionado em local proibido provoca briga entre policias civis e militares na zona norte de SP.
Segundo testemunha, momento mais tenso foi quando 80 policiais se preparam para atirar
Clayton Freitas, do R7
Um corsa parado em frente a uma garagem no número 210 da rua Antonio Lopes, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, quase protagonizou uma cena de guerra entre agentes das Polícias Civil e Militar de São Paulo.
Segundo o sargento da Policia Militar Agnaldo Barbosa, por volta das 17h desta segunda-feira (8) o proprietário da casa localizada no 210 da rua Antonio Lopes, o fotógrafo João Roberto, acionou o 190 para que o carro que estava parado em frente à sua garagem e proibindo a entrada ou saída fosse retirado.
Segundo João Roberto, que possui um restaurante neste mesmo endereço, os policiais militares faziam a averiguação do carro e, pela placa, perceberam que ele não tinha identificação.
No momento em que investigavam o chassi do veiculo, um policial civil foi até o local e, com arma em punho, começou a xingar os policiais militares.
- Ele [o policial civil] abriu e fechou rapidamente a carteira dizendo que era policial civil e que era para os policiais militares tirarem as mãos do seu carro, pois todos eles eram uns merdas.
Em seguida, segundo o sargento Agnaldo Barbosa, foi chamado reforço por parte da Polícia Militar. Entre eles, estava um P2 (como é chamado o agente da Polícia Militar que fica a paisana registrando os fatos). O policial civil, que não teve seu nome divulgado, tentou agredir o P2 e aí teve início a confusão.
João Roberto disse que o policial civil também apontou a arma para os policiais militares e tentou agredi-lo. Ele tentou revidar e foi contido pelos policiais militares. Enquanto isso, o policial civil telefonou para outros agentes e, em questão de minutos, segundo João Roberto, várias viaturas da Policia Civil foram até o local. Entre elas, as especializadas do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) e do Goe (Grupo de Operações Especiais).
Segundo João Roberto, o momento mais tenso foi quando o policial civil não identificado tentou novamente agredir os policiais militares. Cerca de 40 agentes da policia militar e outros 40 da civil empunharam suas armas e se preparam para atirar. Entre os armamentos, estavam, de ambas as partes, pistolas e sub-metralhadoras.
A cena assustou os moradores da região e também interrompeu temporariamente o tráfego na rua Antonio Pontes quase esquina com a Joaquina Ramalho. Até por volta das 18h30, a reportagem do R7 constatou ao menos duas viaturas do Goe e pelo menos seis da Polícia Militar. O policial civil foi encaminhado pela corregedoria da Policia Civil e não teve o seu nome revelado.
A reportagem do R7 tentou falar com algum responsável do Goe mas, segundo os agentes, ninguém poderia dar entrevista. Um deles inclusive empunhava uma submetralhadora em frente ao estabelecimento de número 236.
Espanto
Moradores da região onde aconteceu o desentendimento entre os policiais militares e civis relataram que se assustaram com a confusão o motorista Leonardo Sagioli afirmou que estava conversando com amigos quando percebeu a confusão.
- Eu acho que eles [policiais civis e militares] têm muito mais para fazer do que ficar aí mostrando arma um para o outro.
O aposentado Edélcio Alves afirmou que tudo parou na rua.
- É um absurdo policiais armados até os dentes ficarem com essa rixa enquanto a bandidagem tá solta por aí.
Assistam ao vídeo.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

SÃO PAULO: CRACOLÂNDIA.

G1:
Ação na Cracolândia gera crise entre a Polícia Civil e a prefeitura de SP
Secretaria Municipal de Saúde considerou ação uma ‘pirotecnia’. Delegado que comandou operação diz que crítica é ‘insensata’.
Uma ação da Polícia Civil contra traficantes e usuários de crack no Centro de São Paulo provocou desentendimento entre autoridades estaduais e municipais. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a operação foi apenas “pirotecnia” que terminou na imediata liberação de centenas de usuários de drogas, por falta de atendimento médico ou social. O delegado que comandou a ação disse que crítica foi “insensata”, e rebateu: “precisamos resolver o problema da população e não ter vaidade” (leia).
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A CORRUPÇÃO ENDÊMICA QUE DESTRÓI O BRASIL.

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA:
CORRUPÇÃO NA POLÍCIAUma bomba oculta
Por Luciano Martins Costa em 26/1/2010
Comentário para o programa radiofônico do OI, 26/1/2010
"A Folha de S.Paulo já havia surpreendido seus leitores, na edição de domingo (24/1), com a manchete sobre o elevadíssimo índice de corrupção na polícia paulista. Segundo aquela reportagem, dos 3.313 delegados do estado, nada menos do que 800 são suspeitos de vários crimes.
Na edição de terça-feira (26), o jornal volta ao assunto, embora com menos destaque, para noticiar que o ex-chefe da Corregedoria Geral da Polícia Civil e diretor do Detran até outubro de 2009, delegado Ruy Estanislau Silveira Mello, está sendo investigado por supostamente ter dado um prejuízo de R$ 30 milhões aos cofres públicos.
Trata-se de uma revelação das mais graves, entre as muitas histórias de corrupção que insultam a consciência dos cidadãos nos últimos tempos. No entanto, a reportagem da Folha é mais importante pelo que insinua do que por aquilo que informa completamente.
Corrupção endêmica
A revelação de que um quarto dos delegados da Polícia Civil do estado mais rico da Federação são suspeitos, e estão sendo oficialmente investigados, dá uma idéia das causas principais da ineficiência do sistema de segurança. A lista de crimes engloba extorsão, enriquecimento ilícito, violência, prevaricação e mau uso de dinheiro público, entre outros.
Associando a outras notícias mais ou menos recentes sobre a área de segurança em São Paulo, o leitor pode deduzir que a corrupção vinha sendo a norma no setor, até que o atual secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, resolveu fazer uma faxina.
Se o leitor buscar na memória, vai se lembrar que, em maio de 2008, o então secretário adjunto Lauro Malheiros Neto se demitiu após ser acusado de receber propina para alocar delegados em postos onde a corrupção rendia mais, e para retirar de inquéritos internos policiais que respondiam a acusações de desvios de conduta. Em seguida, desgastado pela revelação, o então secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão, também renunciou ao cargo.
O que deve estar estranhando ao leitor atento é o silêncio dos outros grandes jornais. Normalmente, quando um caso de corrupção é descoberto por um veículo de informação, os demais costumam se juntar imediatamente ao esforço de divulgação, até formar um coro de denúncias que não pode ser ignorado pela opinião pública.
No caso revelado agora pela Folha, envolvendo evidências de que a polícia do estado de São Paulo sofre há tempos de corrupção endêmica e generalizada, o resto da imprensa finge que nem ouviu falar.
Aposta alta
Mais grave ainda do que a leitura da reportagem de domingo, associada ao texto desta terça-feira, é o artigo do colunista Fernando de Barros e Silva, que se pode ler na página 2 da Folha de S.Paulo. Comentando a manchete de domingo, o colunista observa que a proporção de um quarto do total de delegados representa um número elevado demais para ser desconsiderado. E acrescenta que, dos 33 mil policiais paulistas, nada menos do que 8.500, ou seja, uma proporção ainda maior do que 25%, compõem a lista dos suspeitos que aparecem em procedimentos internos abertos pela corregedoria nos últimos meses.
O leitor pode deduzir o nível das irregularidades que acompanham a maioria dos inquéritos produzidos por tal polícia. Pode também adivinhar quanta dificuldade devem ter os integrantes do Judiciário para lidar com o material produzido por esses policiais. Trata-se, portanto, de um problema que começa no início do processo de combate aos crimes e acaba redundando na impunidade que é de conhecimento geral.
Ainda mais grave, se isso é possível: o colunista aponta diretamente para o ex-governador Geraldo Alckmin como o responsável por tal situação. Ele observa que o secretário da Segurança está mexendo num vespeiro ao tentar moralizar a polícia e que a insatisfação interna com as investigações é muito grande.
Embaixo do tapete
Nada mais grave, porém, do que a informação segundo a qual, entre os delegados atingidos pela ação da corregedoria, "aposta-se na vitória de Geraldo Alckmin" na eleição para governador do Estado.
Eis aí um prato cheio para qualquer jornalista que ainda se considere como tal. Foi na gestão Alckmin que houve o fuzilamento de doze líderes de facções criminosas, o que acabou fortalecendo a organização conhecida como PCC – Primeiro Comando da Capital.
Também foi durante o governo de Alckmin, em maio de 2006, que o PCC aterrorizou São Paulo com ataques e assassinatos.
A combinação das reportagens da Folha com o texto de um de seus colunistas mais importantes forma uma pauta que o resto da imprensa não pode deixar embaixo do tapete".
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCAI
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 24 de janeiro de 2010

800 DELEGADOS SOB INVESTIGAÇÃO.

FOLHA DE SÃO PAULO:
800 delegados são investigados em SP
Investigações da Corregedoria da Polícia Civil atingem 24% do total de delegados da corporação; 418 policiais foram removidosProcedimentos foram abertos por suspeitas como prevaricação e violência e atingem alguns dos nomes mais importantes da polícia
ANDRÉ CARAMANTEDA
Cerca de 800 dos 3.313 delegados de SP (24%) são investigados hoje pela Corregedoria da Polícia Civil numa das maiores tentativas de depuração dos 104 anos da corporação.
São procedimentos abertos pelas mais variadas suspeitas (extorsão, enriquecimento, violência, prevaricação, mau uso de dinheiro público etc.) e que atingem nomes dos mais importantes da Polícia Civil, que tem 33 mil integrantes.
As investigações se intensificaram em agosto de 2009, quando o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, suspeitando de corporativismo (muitos dos casos se arrastavam havia anos), decidiu reformular a Corregedoria, vinculando-a diretamente ao seu gabinete, e nomear pela primeira vez uma mulher para a chefia do órgão, a delegada Maria Inês Trefiglio Valente.
Além de acelerar as apurações e incentivar a abertura de novos procedimentos (um total de 8.579 casos contra policiais de várias funções), Ferreira Pinto removeu 418 policiais de três dos principais órgãos da instituição, a própria Corregedoria, o Deic (departamento de roubos) e o Denarc (narcóticos).
São policiais contra quem pesam suspeitas ou que simplesmente não têm o "perfil" desejado - Ferreira Pinto os afastou por acreditar que eles não estavam preparados para atuar em departamentos importantes.
Nessas trocas, delegados até então considerados intocáveis foram colocados na "geladeira" -postos de menor destaque.
Exemplos:
A) Ruy Ferraz Fontes, "xerife" do combate à facção criminosa PCC, hoje está em uma delegacia na periferia.
B) Everardo Tanganelli Jr., ex-Denarc, hoje no setor de cartas precatórias, é suspeito de enriquecimento ilícito. Em férias, não foi achado pela Folha.
C) Maurício Lemos Freire, ex-n.º 1 da Civil, hoje no setor de helicópteros, é suspeito de não apurar fraude em concurso. Está em férias e não foi localizado.
D) Antonio Carlos Bueno Torres, que ocupou cargo importante no Detran, está em função de menor importância. É suspeito de dispensar licitação. À reportagem, afirmou: "Vá cuidar da sua vida!".
E) Pedro Pórrio, importante delegado do Denarc, hoje em funções burocráticas, foi denunciado à Justiça sob acusação de extorquir US$ 800 mil da quadrilha do traficante Juan Abadía. Daniel Bialski, seu advogado, diz que ele é inocente.
Caso do informante
Um outro delegado foi escanteado após ter sido descoberto que ele e membros de sua equipe ameaçaram de morte os familiares de um presidiário informante que "falou demais".O preso havia dado às autoridades a localização de um suspeito de envolvimento na morte do juiz Antonio Machado Dias, de Presidente Prudente -ocorrida em 2003. O nome do delegado é mantido em sigilo pela secretaria, que busca provas.
Um retrato que demonstra o quanto estão doentes as instituições policiais brasileiras, abandonadas pelo poder político ou usadas pelo poder político.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sábado, 23 de janeiro de 2010

SÃO PAULO: 30% DOS DELEGADOS DA POLÍCIA CIVIL ESTÃO SENDO INVESTIGADOS.

Assustador!
Um dado que expressa a dimensão que alcançou a prática de desvios de conduta (crimes e transgressões disciplinares) nas instituições policiais brasileiras, o Jornal da Record acabou de noticiar que segundo a Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, 800 (oitocentos) delegados estão sendo investigados, quase 30% do total.
Pergunta-se: O que o povo pode esperar de uma instituição doente com essa gravidade?
Um dos crimes citados foi a extorsão.
Isso é muito preocupante e demonstra que precisamos investir seriamente no controle externo e interno da atividade policial, o que no Rio de Janeiro também não é prioritário, como demonstra o enfraquecimento da Corregedoria Interna da Polícia Militar.
Não custa lembrar que no Rio de Janeiro, um ex-Chefe da Polícia Civil está sendo investigado por lotear delegacias da Polícia Civil, infelizmente, os delegados que teriam comprado os lotes ainda não foram identificados, tudo está indo para a conta de quem vendeu, enquanto quem comprou...
Isso vai mudar, mais cedo, mais tarde...
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A NÃO LAVRATURA DO TERMO CIRCUNSTANCIADO NO LOCAL DA OCORRÊNCIA BEIRA A MAIS COMPLETA ESTUPIDEZ!

CAMPANHA ELEITORAL DE 2006
CABRAL+DORNELLES+ÁLVARO LINS+ITAGIBA
TODOS FORAM ELEITOS!

EX-BLOG DO CESAR MAIA:
ALGUNS DADOS DA AÇÃO POLICIAL NO ESTADO DE SÃO PAULO!
Trecho extraído do trabalho "Novas Premissas para mudanças comportamentais no sistema de persecução penal" (10 de novembro de 2009), distribuído pela Associação dos Oficiais da Policia Militar-SP.
1. No site da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo é possível verificar o registro de atendimentos referentes ao ano de 2008 em todo o Estado. Eles deixam qualquer cidadão de bom-senso estupefato, pois, naquele ano, de um total de 2.347.176 Boletins de Ocorrências lavrados, apenas 192.650 se tornaram Inquérito Policial, ou seja, apenas 14% foram úteis. Os outros 86% se tornaram sinônimo de trabalho perdido.
2. O tempo gasto para levar o Boletim de Ocorrência ao Distrito Policial significa horas perdidas de patrulhamento preventivo que acaba por se refletir no aumento da criminalidade. Ademais, como consequência desse procedimento, na grande maioria das vezes totalmente inócuo, acaba-se retirando das ruas um número expressivo de viaturas que devem realizar o patrulhamento preventivo, e não atuar em um trabalho redundante de fazer, no Distrito Policial, o registro que poderia ter sido realizado no local da ocorrência.
No Rio de Janeiro nós cometemos a mesma estupidez, mesmo após a Polícia Militar ter realizado um projeto piloto amplamente vitorioso na área do 7o BPM, com a alavratura do TC no local da ocorrência, economizando tempo e dinheiro de todos os envolvidos.
Na época, conforme a lenda, por pressão de delegados da Polícia Civil, o secretário de segurança Marcelo Itagiba (PMDB), mandou encerrar o projeto.
Os Coronéis Barbonos formalmente em 2007 solicitaram o reinício da lavratura ao governador Sérgio Cabral (PMDB), mas ele também não enfrentou o grupo de delegados da Polícia Civil, que deseja manter a sua "força cartorial".
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

POLÍCIA CIVIL DE SÃO PAULO - DEFICIÊNCIAS.

Espera por BO leva três horas na maioria das delegacias
Reportagem fez o teste nos 93 distritos policiais da cidade e avaliou atendimento e infraestrutura.
Marici Capitelli e Felipe Oda, do Jornal da Tarde
SÃO PAULO - O tempo de espera para registrar um boletim de ocorrência é de no mínimo três horas em 71% das delegacias da capital paulista, segundo levantamento feito pela reportagem. Em alguns casos, a demora pode ultrapassar oito horas. Um BO deveria ser feito em até 40 minutos, conforme especialistas em segurança. Além da perda de tempo, as pessoas que necessitam dos serviços dos distritos policiais sofrem com o mau atendimento de escrivães, investigadores e até dos delegados.
Veja também:
Polícia admite falhas em atendimento
Em dez dias, foram visitados os 93 DPs de São Paulo. Solicitou-se o registro simples de uma ocorrência fictícia: a morte de um cachorro que teria sido envenenado pelo vizinho. Em nenhum dos distritos a reportagem concluiu o registro, o que poderia caracterizar falsa comunicação de crime. O Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) admite a má qualidade no atendimento das delegacias. O órgão promete adotar nova forma de trabalho nos distritos, a partir de 13 de outubro. A longa espera acontece, na maioria das vezes, em ambientes desconfortáveis. Em metade das delegacias falta privacidade, os banheiros são sujos e os móveis estão quebrados.
Mas nada supera o despreparo dos funcionários. Eles criam todo tipo de obstáculo para registrar as ocorrências e desestimulam a notificação, o que compromete as estatísticas criminais. Uma das estratégias adotadas foi despachar a reportagem para distritos vizinhos. Alegaram que a vítima não estava na unidade certa ou que as delegacias próximas eram mais vazias. Houve funcionários que exigiram nomes de suspeitos e até laudos.A reportagem também flagrou casos de tratamento inadequado. No 101º DP (Jardim das Imbuias), uma mulher perguntou ao escrivão se havia bebedouro no local. "Tem sim, atravessa a rua e vai comprar água na padaria", disse o servidor, que acabara de voltar do almoço - de uma hora e meia. Nesse período, o distrito ficou sem atendente.
Flagrantes
Em todas as delegacias, o motivo apontado pelos funcionários para a demora no atendimento foi um "flagrante da Polícia Militar". Às 14h30, no 15º DP (Itaim-Bibi), um funcionário despachava todos que buscavam atendimento. "Estamos com dois flagrantes e um ato infracional. Volte depois das 21 horas ou amanhã", dizia. No 102º DP (Socorro), a resposta era a mesma às 17 horas. "Nem terminamos o flagrante da PM." Outro problema foi a interrupção de atendimento entre 13 e 15 horas para o almoço do escrivão. "Há cinco ocorrências na sua frente e ele ainda vai parar para almoçar. Por isso não tem previsão para te atender", informou uma funcionária do 90º DP (Parque Novo Mundo).
Na maioria dos casos, a partir das 18 horas, mesmo se a delegacia estiver vazia, é difícil conseguir fazer o BO antes das 20 horas, quando há troca de plantão. A rede fora do ar também dificulta o atendimento. Em um único dia, seis delegacias do extremo da zona sul estavam sem sistema. Além disso, os funcionários desencorajam as pessoas a registrar a ocorrência. "Não temos tempo nem de investigar homicídio, você acha que vamos atrás de assassinato de cachorro?", disse o escrivão do 29º DP (Vila Diva). No 3º DP (Campos Elísios), o funcionário afirmou que ninguém registraria esse tipo de ocorrência.
Como registrar
1. Ocorrências podem ser registradas em qualquer delegacia. Não é preciso ir ao distrito próximo de onde aconteceu o fato
2. Se um crime ocorreu em São Paulo, mas a vítima mora no ABC, ela tem direito de registrar no distrito de sua cidade
3. Funcionários não podem mandar a vítima procurar outro DP
4. Também não se deve impor condições para o registro do BO, como, por exemplo, a apresentação de provas e testemunhas.
NO CENTRO
Cortesia é regra, mas não existe
Dos dez distritos centrais procurados, em seis o BO seria feito. Porém, em dois em que a ocorrência não seria registrada, a reportagem foi maltratada. "Pode ir em qualquer DP que o delegado vai mandá-lo a m...", disse um funcionário do 3.º DP (Campos Elísios). Já no 77.º DP (Santa Cecília), o atendente se revoltou ao saber que a "vítima" era um cão. "Tá pensando o quê? Aqui não registra. Isso é coisa de Zoonoses (seção da Prefeitura). Tem todo um processo até uma ocorrência dessas chegar ao DP." O atendimento foi muito diferente no 1.º DP (Liberdade), no 4.º DP (Consolação) e no 6.º DP (Cambuci), onde a reportagem foi bem recebida e os funcionários explicaram como e o que poderia ser registrado.
ZONA SUL
Ironia e banho de sol
"Só registramos ocorrência de gente. Procure a Zoonoses", disse um funcionário do 100.º DP (Jardim Herculano). No 101.º DP (Jardim das Imbuias), o escrivão ironizou. "Envenenaram seu cachorrinho, é? Só que na delegacia não se registra morte de cachorro." No 25.º DP (Parelheiros), dois funcionários tomavam sol em um banco na porta do distrito, e ali ficaram: "Por que não faz uma investigação por conta própria?" Mesmo com delegacia vazia, às 15h, no Itaim-Bibi (15.º DP) o escrivão pedia que voltassem após as 21h. "Estamos com dois flagrantes e um ato infracional." No 16.º DP (Vila Clementino), só para chegar ao balcão demorou meia hora.
ZONA LESTE
Laudo e gente muito ocupada
Das 30 delegacias da região, a reportagem não conseguiu registrar a ocorrência em 22. A maioria alegava ocupação com flagrantes. Houve quem mandasse voltar no dia seguinte ou exigisse laudo, o que é inadequado. No 41.º DP (Vila Rica), por 25 minutos não surgiu um só funcionário no balcão de informações. Uma moça cuja casa foi roubada estava no DP havia sete horas, e um rapaz que teve a moto furtada esperava por seis horas. Lotado, o 50.ºDP (Itaim Paulista) ficou sem atendimento por quase duas horas - o escrivão fora almoçar. No 31.º DP (Carrão), às 18h30, a funcionária disse que estava "ocupada": "Volte depois da troca de plantão."
ZONA OESTE
Área concentra boa estrutura
A região concentra os melhores distritos da capital: o 7.º DP (Lapa), o 14.º DP (Pinheiros) e o 23.º DP (Perdizes). Todos têm senha de atendimento, salas de espera confortáveis, banheiros limpos, telefones públicos funcionando, televisor e atendentes atenciosos. Mas a situação muda nas outras cinco delegacias da zona oeste. No 93.º DP (Jaguaré), um funcionário inicialmente disse que a espera era de "até duas horas". Ao saber do que se tratava, aconselhou a reportagem a registrar o boletim em outra unidade. O mesmo se deu no 75.º DP (Jardim Arpoador). Já no 51.º DP (Butantã), os sanitários ficam em área restrita "para as autoridades".
ZONA NORTE
''Sem suspeito, sem chance''
"Qual a sua ocorrência? E a sua minha senhora?", gritava um funcionário do 33.º DP (Pirituba), sem discrição, para todos da fila ouvirem. No 46.º DP (Perus), o atendente repetia: "Sem suspeito, sem chance de registrar o BO." A prática de desestimular o registro se repetiu no 40.º DP (Vila Santa Maria) e no 87.º DP (Vila Pereira Barreto). No 74.º DP (Parada de Taipas), uma funcionária dizia, às 16 horas: "Volta depois das 20 horas ou amanhã. Olha quanta gente na fila." Já no 9.º DP (Carandiru), a estrutura da delegacia e o bom atendimento se destacam. No 45.º DP (Brasilândia), apesar da sala de espera pouco confortável, o atendimento foi excelente.
E no Rio de Janeiro, qual é a nossa realidade?
Quanto tempo o cidadão demora para registrar uma ocorrência?
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO