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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PCC RECEBE FUGITIVOS DO RIO EM SÃO PAULO ( ? ).

Fátima Souza: PCC recebe fugitivos do Rio em São Paulo
Comando Vermelho e PCC estão juntos em São Paulo

Fatima Souza, repórter policial
Traficantes do CV teriam recebido apoio de bandidos do PCC em São Paulo
Desde a sexta-feira, 27 de novembro, estou recebendo informações de que muitos bandidos do CV — Comando Vermelho – que fugiram do morro do Alemão atravessaram a divisa e estão em São Paulo, onde foram recebidos pelos “irmãos” do PCC – Primeiro Comando da Capital. As duas facções criminosas mantem relações cordiais há mais de oito anos.
Trocam armas por drogas e, quando a situação fica “difícil” para alguém do PCC em São Paulo, o CV dá guarida no morro do Alemão, no Rio. E vice-versa: se o apuro for de alguém do CV ele deixa o Rio e é recebido pelo PCC em São Paulo. Situação como esta aconteceu quando o Juiz “Machadinho” foi assassinado pelo PCC, no interior de São Paulo.
Um dos bandidos, “Ferrugem” (que foi quem atirou no Juiz) foi para o Rio de Janeiro e lá, no morro do Alemão, foi recebido pelos integrantes do CV e ficou escondido por lá. Desta vez não foi diferente.
A polícia do Rio, durante três dias, ficou avisando que iria invadir o Morro do Alemão.
Deu tempo suficiente para que muitos traficantes fugissem para outros morros cariocas, ou simplesmente deixassem a cidade maravilhosa rumo à Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. A maioria deles para São Paulo, onde a facção é mais forte. Nos outros estados também foram recepcionados por representantes do PCC.
A primeira ação conjunta de PCC e CV aqui em São Paulo, segundo informações que recebi, foi o tiroteio ocorrido na Rodovia Raposo Tavares, que terminou com três policiais feridos. Os bandidos, que estavam em um carro blindado, após perseguição dispararam com fuzis e metralhadoras contra a polícia e depois saíram correndo por uma mata próxima à Rodovia (leia).
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

GUERRA DO RIO: SUBSÍDIOS E SUBSÍDIOS.

ALERTA TOTAL
terça-feira, 30 de novembro de 2010
FARC usarão PCC e aliados no Brasil para assumir narcovarejo no RJ se CV e ADA “caírem”
Edição do Alerta Total – http://www.alertatotal.net/
Por Jorge Serrão
A “geopolítica” do narcotráfico no Brasil pode sofrer profundas mudanças no curto e médio prazos. A facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital já costura um acordo com seus parceiros das FARC no Brasil para assumir a hegemonia dos negócios de distribuição de drogas e aluguel de armas no Rio de Janeiro. Tudo depende do estrago estrutural sofrido pelo Comando Vermelho na guerra de enxugamento de gelo contra o narcotráfico no Complexo do Alemão – que era o principal centro logístico do CV. Também depende do futuro da principal rival da facção criminosa carioca, a Amigo dos Amigos, que pode se enfraquecer se eventualmente ocorrer uma mega-operação contra o narcovarejo na Rocinha – área dominada pela ADA.
O cenário é desenhado pela área de inteligência militar – que monitora a ação das FARC na parceria com as facções criminosas (PCC, CV e ADA) no Brasil. As FARC são os maiores fornecedores das drogas para o eixo RJ e SP. Em troca, recebem dinheiro e material (principalmente carros e peças de veículos roubados) que garantem a sobrevida da guerrilha colombiana, apesar do permanente ataque imposto pelo governo de lá, em parceria com a indústria bélica norte-americana. Agora, dirigentes das FARC já pensam em usar seus laranjas e simpatizantes no Brasil para tomar o negócio do narcovarejo no RJ, caso o sistema policial desmonte a estrutura do CV (principal parceiro, via Fernandinho Beira-Mar) e da ADA.
Analistas de inteligência avaliam que uma das opções táticas das FARC seria fortalecer seus laços com o PCC. A facção paulista tem uma estrutura logístico-administrativa muito mais profissional que as quadrilhas cariocas. O PCC opera como uma holding, que comanda vários negócios invisíveis, inclusive no setor financeiro informal. O PCC esquenta dinheiro emprestando dinheiro em comunidades carentes de São Paulo. Além de prestar “serviços de segurança”, os empresários-laranjas mantidos pelo PCC se transformam em lideranças comunitárias, Assim, o PCC vai ganhando força política e econômica para crescer.
Só em três dias de operação, o CV teve um prejuízo aproximado de R$ 68 milhões, com apreensão de drogas e armas – o que pode afetar a sustentabilidade de seus esquemas mafiosos. O prejuízo do Comando Vermelho pode ser ainda maior, já que não foram contabilizados nas perdas, os revólveres, pistolas e granadas apreendidas. O CV pode demorar a se recuperar do baque sofrido no Alemão, com seus membros se reorganizando nas favelas do Complexo de Manguinhos e a Mangueira, ambas na zona Norte do Rio de Janeiro. As FARC e parceiros político-econômicos contam com tal demora.
Por isso, os mesmos analistas de inteligência interpretam o que estaria por trás dos ataques profundos, por enquanto, apenas contra o Comando Vermelho: a intenção de desestruturar o CV, para que outra facção (seja a ADA e, mais adiante, o PCC) tomem conta dos negócios gerenciados, atrás das grades, pela turma de Fernandinho Beira-Mar (vulgo Luiz Fernando da Costa) e Marcinho VP (vulgo Márcio dos Santos Nepomuceno) – marginais que têm gente muito maior por trás deles, no campo político e empresarial.
Origem da “guerra”
Serviços de inteligência daqui e do exterior têm informações seguras de que a onda de violência no Rio de Janeiro resultou de um impasse nas negociações financeiras entre policiais corruptos e representantes de chefes de quadrilha.
Os bandidos teriam quebrado o pacto de não-agressão porque se recusaram a reajustar a tabela de propinas pagas às autoridades.
Não passa de mero ilusionismo a versão do governo Serginho Cabral de que a onda de violência foi provocada pelo Comando Vermelho por causa da implantação de Unidades de Polícia Pacificadora, as famosas UPPs.
Palavra de especialista
O sociólogo Luiz Eduardo Soares, autor dos livros “Elite da Tropa I e II”, descarta a hipótese de que os ataques do narcotráfico ocorreram em resposta à implantação das UPPs.
Enigmático, o ex-secretário Nacional de Segurança Pública no primeiro governo Lula, adverte que a verdade surgirá ao fim de investigações - que correm em segredo de Justiça.
Luiz Eduardo conhece muito bem como funciona a relação entre policiais corruptos e políticos da mesma espécie, porque foi derrubado do governo por este esquema narcopolíticomafioso.
Longa duração
O Exército e a Marinha terão de trabalhar como “Polícia Militar” durante muito tempo no Complexo do Alemão.
O governador Sérgio Cabral definiu ontem o prazo de longos sete meses para instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro.
O mistério é saber qual será o tamanho do desgaste para as Forças Armadas ocupando um território inimigo e fazendo o papel de PM, por tanto tempo...
Pós-graduação criminosa
O que será que os narcovarejistas do Comando Vermelho aprenderam de novo na prisão de segurança máxima de Catanduva, onde estavam hospedados?
Lá estavam, junto com eles, os sequestradores do publicitário Washington Olivetto (12/2001), pertencentes ao grupo de extrema esquerda e depois terrorista Frente Patriótico Manuel Rodrigues, autônomo (FPMR-A).
O líder deles, Hernández Norambuena, além das penas no Brasil, tem que cumprir duas condenações perpétuas pelo sequestro de Cristián Edwards (filho do empresário e proprietário do principal jornal chileno, El Mercurio) e pelo assassinato do senador Jaime Guzmán, ambos no início dos anos 90.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sábado, 27 de novembro de 2010

SE PRECISO, CONTESTO O VATICANO, IMAGINEM SE NÃO CONTESTARIA SÉRGIO CABRAL... - JORNALISTA REINALDO AZEVEDO.

REVISTA VEJA
BLOG DO REINALDO AZEVEDO
27/11/2010 - às 6:39

Se preciso, contesto o Vaticano; imaginem se não contestaria Sérgio Cabral…
Leitores — alguns com sinceridade, outros com ironia — comentam que minhas observações sobre a violência no Rio vão na contramão da maré influente na imprensa; um marulho, quase uma voz única. E daí? Isso não me incomoda absolutamente! Fosse a primeira vez, talvez eu meu preocupasse. Mas não é. Já discordei até de uma tradução endossada pelo Vaticano numa Exortação Apostólica de Bento 16… Quando as forças constitucionais de Honduras depuseram Manuel Zelaya, a maioria chamava democrata o golpista e golpistas os democratas. Fui minoria. Eu estava certo nos dois casos, o que não torna a minha opinião de agora inquestionável, é claro.
Cumpre, de resto, destacar, que eu acredito, sim, que bandidos têm de ser enfrentados e presos, como se está fazendo agora. Quem não acreditava nisso era Sérgio Cabral. E acho que as Forças Armadas têm de atuar, quando necessário, para garantir a segurança interna. É um ordenamento constitucional. As minhas reservas nunca foram essas. Ao contrário até: o que eu criticava era o mito das UPPs, que não prendiam ninguém, que não apreendiam drogas, que não enfrentavam resistência. Aquilo nunca existiu. Mas foram cantadas em prosa e verso.
Levantar questões que o discurso oficial não consegue explicar é uma das tarefas do jornalismo. Declinar desse trabalho corresponde a renunciar à missão. Não o farei. Em 2006, numa entrevista ao vivo, encontrável no YouTube, William Bonner, editor-chefe do Jornal Nacional, perguntou ao então governador de São Paulo, Cláudio Lembo, o que havia dado errado na governança, já que o PCC estava botando pra quebrar. Pergunta cabível. Em 2010, é preciso que alguém pergunte a Sérgio Cabral: “Mas governador, o que deu errado?” Não se pergunta — na Globo e em lugar nenhum! Em 2006, em São Paulo, as TVs enfatizavam o medo da população, o constrangimento, os sustos, a estupefação; em 2010, o que vemos nas ruas do Rio, em todas as emissoras, é uma população valente, corajosa, que segue adiante, que reconhece os desafios do governo e da polícia.
Certamente havia algo de errado em 2006 em São Paulo — o problema parece ter sido corrigido ou mitigado ao menos —, e a pergunta era cabível, sim. Mais do que isso: era necessária. Em 2010, a impressão que se tem é que Sérgio Cabral está colhendo os resultados dos seus acertos. Ele foi tão eficiente, mas tão eficiente, que a bandidagem se revoltou e decidiu botar fogo no Rio. Estou entre os que acham que as críticas de 2006 ajudaram o governo de São Paulo a corrigir seus erros — os índices de homicídio no estado, por exemplo, atingem a marca histórica de 9 por 100 mil habitantes. E acredito que o espírito cívico de 2010 no Rio está endossando e encobrindo erros, que cobram o seu preço.
Já exibi aqui o link de uma penca de textos meus em que prego que as Forças Armadas atuem para recuperar o território cedido ao narcotráfico. Mas não existe recuperação sem que se prendam os malfeitores e se faça o devido processo legal. E nada disso existia no Rio, no modelo mágico tão aplaudido pela imprensa quanto aplaudido é agora o seu contrário. Lembo, à época, foi criticado porque não teria aceitado a ajuda federal — o que é papo furado. A PM de São Paulo tem 150 mil homens. Em seis dias, a crise estava debelada, e nem haveria como administrar as forças federais, que colaboraram, sim, com agentes da PF. É claro que existe crime organizado incrustado em áreas do estado e da capital, mas inexistem em São Paulo fortalezas onde a polícia não entra. A ajuda das Forças Armadas, então, naquele caso ao menos, teria sido inócua. Mas o questionamento era cabível.
Eleições
Havia uma diferença importante nos ataques do PCC em 2006: aconteceram em maio, em ano eleitoral, e o cachorros loucos do subjornalismo estavam ativíssimos em todas as emissoras. O candidato era Geraldo Alckmin, e o crime organizado resolveu, digamos assim, fazer campanha eleitoral. No Rio, como se nota, é diferente — e também isso parece não despertar a curiosidade de ninguém. A política de segurança pública foi um dos carros-chefe da campanha eleitoral de Cabral. Foi anunciada como modelo pela então candidata Dilma Rousseff, que prometeu levá-la para todos os cantos do país. Deus nos livre dessa hora!!! Como era uma política que não prendia ninguém, se nacionalizada, talvez a idéia seja exportar bandidos para nossos vizinhos da América do Sul, não é mesmo?
Cumpre notar que, em 2006, o Lula candidato, esquecendo-se de sua condição de Lula presidente, chegou a tratar do PCC em debates, tentando evidenciar o que seria a falência da segurança pública em São Paulo. Em 2010, por incrível que pareça, Dilma Rousseff repetiu a dose, aludindo aos mesmos fatos daquele ano, ignorando que, fosse o índice de homicídios do Brasil igual aos do estado cuja política ela atacava, em vez de 50 mil ocorrências por ano, haveria apenas 17.100; seriam poupadas 32.900 vidas. Em 2006, Lembo — e, por tabela, o então presidenciável, Geraldo Alckimin — foi fustigado pelo jornalismo; em 2010, Cabral está sendo tratado como o líder da resistência.
Não! Eu não me importo de estar na contramão de absolutamente nada! E cumpre ficar vigilante para vermos os desdobramentos. Ao menos umas duas centenas de bandidos migraram da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão; sei lá que outro tanto já estava naquela fortaleza. Qualquer ocupação que não resulte na prisão em massa da bandidagem terá o cheiro inequívoco do acordo.
Se achar que devo, contesto o Vaticano. Imaginem se não contestaria Sérgio Cabral…
Por Reinaldo Azevedo
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A CORRUPÇÃO ENDÊMICA QUE DESTRÓI O BRASIL.

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA:
CORRUPÇÃO NA POLÍCIAUma bomba oculta
Por Luciano Martins Costa em 26/1/2010
Comentário para o programa radiofônico do OI, 26/1/2010
"A Folha de S.Paulo já havia surpreendido seus leitores, na edição de domingo (24/1), com a manchete sobre o elevadíssimo índice de corrupção na polícia paulista. Segundo aquela reportagem, dos 3.313 delegados do estado, nada menos do que 800 são suspeitos de vários crimes.
Na edição de terça-feira (26), o jornal volta ao assunto, embora com menos destaque, para noticiar que o ex-chefe da Corregedoria Geral da Polícia Civil e diretor do Detran até outubro de 2009, delegado Ruy Estanislau Silveira Mello, está sendo investigado por supostamente ter dado um prejuízo de R$ 30 milhões aos cofres públicos.
Trata-se de uma revelação das mais graves, entre as muitas histórias de corrupção que insultam a consciência dos cidadãos nos últimos tempos. No entanto, a reportagem da Folha é mais importante pelo que insinua do que por aquilo que informa completamente.
Corrupção endêmica
A revelação de que um quarto dos delegados da Polícia Civil do estado mais rico da Federação são suspeitos, e estão sendo oficialmente investigados, dá uma idéia das causas principais da ineficiência do sistema de segurança. A lista de crimes engloba extorsão, enriquecimento ilícito, violência, prevaricação e mau uso de dinheiro público, entre outros.
Associando a outras notícias mais ou menos recentes sobre a área de segurança em São Paulo, o leitor pode deduzir que a corrupção vinha sendo a norma no setor, até que o atual secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, resolveu fazer uma faxina.
Se o leitor buscar na memória, vai se lembrar que, em maio de 2008, o então secretário adjunto Lauro Malheiros Neto se demitiu após ser acusado de receber propina para alocar delegados em postos onde a corrupção rendia mais, e para retirar de inquéritos internos policiais que respondiam a acusações de desvios de conduta. Em seguida, desgastado pela revelação, o então secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão, também renunciou ao cargo.
O que deve estar estranhando ao leitor atento é o silêncio dos outros grandes jornais. Normalmente, quando um caso de corrupção é descoberto por um veículo de informação, os demais costumam se juntar imediatamente ao esforço de divulgação, até formar um coro de denúncias que não pode ser ignorado pela opinião pública.
No caso revelado agora pela Folha, envolvendo evidências de que a polícia do estado de São Paulo sofre há tempos de corrupção endêmica e generalizada, o resto da imprensa finge que nem ouviu falar.
Aposta alta
Mais grave ainda do que a leitura da reportagem de domingo, associada ao texto desta terça-feira, é o artigo do colunista Fernando de Barros e Silva, que se pode ler na página 2 da Folha de S.Paulo. Comentando a manchete de domingo, o colunista observa que a proporção de um quarto do total de delegados representa um número elevado demais para ser desconsiderado. E acrescenta que, dos 33 mil policiais paulistas, nada menos do que 8.500, ou seja, uma proporção ainda maior do que 25%, compõem a lista dos suspeitos que aparecem em procedimentos internos abertos pela corregedoria nos últimos meses.
O leitor pode deduzir o nível das irregularidades que acompanham a maioria dos inquéritos produzidos por tal polícia. Pode também adivinhar quanta dificuldade devem ter os integrantes do Judiciário para lidar com o material produzido por esses policiais. Trata-se, portanto, de um problema que começa no início do processo de combate aos crimes e acaba redundando na impunidade que é de conhecimento geral.
Ainda mais grave, se isso é possível: o colunista aponta diretamente para o ex-governador Geraldo Alckmin como o responsável por tal situação. Ele observa que o secretário da Segurança está mexendo num vespeiro ao tentar moralizar a polícia e que a insatisfação interna com as investigações é muito grande.
Embaixo do tapete
Nada mais grave, porém, do que a informação segundo a qual, entre os delegados atingidos pela ação da corregedoria, "aposta-se na vitória de Geraldo Alckmin" na eleição para governador do Estado.
Eis aí um prato cheio para qualquer jornalista que ainda se considere como tal. Foi na gestão Alckmin que houve o fuzilamento de doze líderes de facções criminosas, o que acabou fortalecendo a organização conhecida como PCC – Primeiro Comando da Capital.
Também foi durante o governo de Alckmin, em maio de 2006, que o PCC aterrorizou São Paulo com ataques e assassinatos.
A combinação das reportagens da Folha com o texto de um de seus colunistas mais importantes forma uma pauta que o resto da imprensa não pode deixar embaixo do tapete".
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCAI
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O MARCOLA NO PAÍS DA MACARRONADA - DIOGO MAINARDI

TEXTO DE DIOGO MAINARDI NO POD CAST DA VEJA.COM:

O Marcola do país da macarronada.

O Brasil negou o pedido de extradição de Cesare Battisti durante minhas férias. Férias na Itália. Acompanhei o episódio de longe, pela imprensa italiana. "La Repubblica" publicou o seguinte comentário:
"No país do samba, há uma espécie de cumplicidade ideal com todos os Battisti do mundo, com os terroristas, com os justiceiros. Lula deve ter pensado que a Itália é uma republiqueta como a sua. (Ele) acredita que o mundo inteiro é formado por paisecos no limite entre o populismo e a ditadura militar".
Ponto.
Nos últimos anos, "La Repubblica" foi um dos jornais estrangeiros que mais tolamente se encantaram com o presidente brasileiro. Agora mudou. A abestalhada claque italiana de Lula passou a enxergá-lo como um retrato do caudilho bananeiro.
Um documento que recebi na semana passada pode ajudar a explicar essa baba raivosa na boca dos italianos. Trata-se da ficha do Ros - o Grupo de Operações Especiais da polícia militar italiana - sobre os terroristas do PAC - os Proletários Armados pelo Comunismo -, do qual fazia parte Cesare Battisti.
Primeiro trecho:
"Os Proletários Armados pelo Comunismo formaram-se nos últimos meses de 1977, no âmbito da luta contra a nova realidade do regime carcerário de segurança máxima, que acabara de ser instituído".
E eu acrescento: os atentados terroristas do PCC, em maio 2006, ocorreram pelo mesmo motivo - a transferência de alguns membros do bando para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. O PAC é o PCC do país da Tarantella (sim, estou parodiando o editorialista do "La Repubblica"). Tarso Genro alegou que Cesare Battisti foi perseguido por suas ideias políticas. A única ideia que ele tinha era essa: aliviar o cárcere duro, exatamente como o Comando Vermelho em Bangu 3.
Segundo trecho da ficha policial:
"Em 6 de junho de 1978, o PAC assassinou, na frente da cadeia de Udine, o coronel Antonio Santoro, comandante dos agentes penitenciários. No documento de reivindicação, lê-se: O Estado usa a cadeia como uma ameaça contra qualquer tipo de divergência, de obtenção de renda por outros meios, de conflito de classe. E para readquirir o controle dos presídios, isola a faixa mais combativa [dos prisioneiros proletários], o que acarreta seu aniquilamento. Precisamos deter esse projeto, reforçando nossa prática comunista, concretizando-a em armamentos e em contrapoder".
Compare-o agora a um manifesto do PCC: A introdução do Regime Disciplinar Diferenciado inverte a lógica da execução penal. E coerente com a perspectiva de eliminação e inabilitação dos setores sociais redundantes, leia-se 'a clientela do sistema penal', a nova punição disciplinar inaugura novos métodos de custódia e controle da massa carcerária, conferindo à pena de prisão o nítido caráter de castigo cruel.
O assassinato do coronel Antonio Santoro por parte do grupo comandado por Cesare Battisti, na realidade, teve um motivo bem mais banal do que se poderia concluir lendo o altissonante manifesto do PAC. Segundo a ficha da polícia, o chefe dos agentes penitenciários foi morto somente por causa da demora em oferecer atendimento médico a outro militante do grupo, que se machucou jogando futebol na cadeia. Aparentemente, o que os terroristas queriam obter era um Mário Américo para cada prisioneiro.
Em 1979, o PAC seguiu essa mesma lógica de apoio sangrento à bandidagem comum nos assassinatos de um joalheiro e de um açogueiro. De acordo com o documento preparado pelos Carabinieri, o bando de Cesare Battisti executou os comerciantes porque eles "fizeram justiça com as próprias mãos, matando dois assaltantes".
Cesare Battisti é isso, é só isso: o Marcola do país da macarronada.

DIOGO MAINARDI.


PAULO RICARDO PAÚL

CORONEL DE POLÍCIA