domingo, 9 de agosto de 2009

O CASO DO DESAPARECIMENTO DA ENGENHEIRA PATRÍCIA - 2.262 PESSOAS DESAPARECERAM NO RIO EM 2.009.

Estranho o desenrolar dos fatos que cercam uma nova versão sobre o desaparecimento da engenheira Patrícia, uma tragédia que chocou a todos nós e que fez o nosso movimento cívico participar do ato "Cadê Patrícia", realizado na Barra da Tijuca.
Salvo melhor juízo, a precipitação corre de um lado para o outro e tal atitude é extremamente perigosa quando se busca a justiça e não se busca apenas alguém para acusar.
Não conhecemos nada das investigações realizadas pela Polícia Civil , além do divulgado pela mídia, assim sendo, as próximas linhas não buscam incriminar ou defender ninguém, mas julgamos adequado citar alguns outros fatos.
Nossa amiga Mônica Reis encaminhou-nos um email no qual informava que um comentarista do blog Repórter de Crime tinha nos criticado, citando a nossa ação no caso do tentado contra a vida do delegado Alexandre Neto.
O acusador escreveu que fomos corporativistas ao tentar defender a guarnição de Rádio Patrulha, acusada de ter escoltado o veículo onde estava o atirador.
Sinceramente, lamento o desconhecimento do acusador sobre o caso e lamento que não seja leitor do nosso espaço democrático, pois se fosse já conheceria a verdade.
E qual é a verdade nesse fato?
Mais uma investigação apressada e comentada com a mídia por parte de um delegado, apenas isso. Um erro que resultou na permanência de dois Policiais Militares presos por mais de um ano no BEP e que não foram nem mesmo pronunciados, segundo um deles que nos encontrou no Quartel General da PMERJ.
Agora, acusador anônimo, nós todos pagaremos as indenizações que eles ganharão na justiça, graças a uma pressa injustificável, que deixou de perseguir a verdade e que passou a tentar confirmar uma versão a qualquer custo.
Nós não culpamos o erro na investigação, isso é sempre provável em uma Instituição que não privilegia o conhecimento na arte de investigar e que no terceiro milênio, na contramão do mundo, insiste em permitir acesso direto a "não policiais", ao topo da carreira, um erro absurdo, uma carreira dentro da carreira de Policial.
Culpamos a ânsia de informar à Rede Globo, ao repórter Eduardo Chao, expondo todos no início da apuração, isso foi criminoso. Tal procedimento deveria ser suficiente para que os responsáveis fossem os únicos a pagar as indenizações, seria uma grande lição, porém não é dessa maneira que a justiça opera.
E antes de entrar no motivo desse artigo, lembro que a Polícia Civil possui taxas de elucidação de homicídios da ordem de 2%, conforme dados divulgados, algum tempo atrás.
Portanto, vamos com calma para não aumentarmos a tragédia.
Não conhecemos também a investigação realizada no curso do Inquérito Policial Militar do 31o BPM, porém estranhamos algumas citações constantes na matéria publicada pelo jornal O Globo, neste domingo (página 19).
A matéria começa dizendo que a versão da testemunha contraria a física pois as testemunhas estariam em dois lugares ao mesmo tempo, porém cita:
- "(...) dois amigos dele teriam visto o carro de Patrícia despencar de um viaduto na Barra, às 5h30m do dia 14 de junho do ano passado e presenciado a jovem ser abordada por bandidos na Rocinha no mesmo dia. A testemunha não deixa claro, porém, o horário em que a vítima teria sido atacada na favela".
Onde está a contrariedade física na versão, já que a testemunha não citou o horário da suposta abordagem na Rocinha.
A reportagem prossegue com um relato mais consistente do pai de Patrícia, que certamente tentou investigar todos os detalhes, na busca pela sua amada filha.
Indignado, ele comentou, segundo a matéria:
- "Eles estão esperneando. Estão fazendo tudo para inocentar e libertar os policiais. Na época, o próprio comandante do batalhão parecia estar ajudando a acobertar o caso. Tenho certeza que tudo é mentira. Foi provado que os tiros que atingiram o carro saíram da arma dos policiais".
Obviamente, a dor explica as acusações e todos devemos compreender, pois é a maior dor que um ser humano pode experimentar, a perda de um filho.
Todavia, temos que tomar cuidado com as condenações prévias, isso é próprio do barbarismo.
Foi encontrado algum projétil?
E se foi encontrado, o seu estado permitiu o exame de confronto balístico?
O resultado deu positivo?
E para arma de que policial?
Lembramos que se apenas um projétil foi encontardo e periciado positivamente, uma única arma pode ter sido identificada, portanto, não podemos falar em armas dos policiais.
Agora, se não foi arrecado projétil, afirmar que o disparo partiu dessa ou daquela arma parece fantasioso, a primeira vista.
A matéria cita que um perito do ICCE "divulgou que havia provas de que um dos disparos encontrado no carro da engenheira tinha partido de pistola .40 usada por um dos soldados suspeitos".
A falta de termos técnicos na matéria impedem que identifiquemos o que significa "disparos encontrado no carro".
Seria um projétil e nesse caso o exame de confronto balístico identificou a arma de origem?
Essa é uam prova técnica irrefutável.
Ou disparo significa "marca de impacto do projétil no veículo" ou "fragmento de projétil"?
Nesse caso, provar a autoria ficaria muito difícil.
Prezados leitores, investigar é uma arte que precisa acima de tudo de competência e total isenção, caso contrário passamos a correr na busca de confirmar a nossa opinião, como ocorreu no caso do atentado citado.
Todos nós queremos que a verdade surja e que os autores sejam responsabilizados, sejam eles quem forem.
E que se alguém está querendo acobertar algo que seja duramente responsabilizado por obstruir a justiça.
Entretanto, não podemos esquecer que de cada 100 homicídios que ocorrem no Rio de Janeiro, a Polícia Civil consegue identificar os autores de apenas 2 homicídios.
Isso sem falar que em 2.009 um total de 2.262 desapareceram no Rio de Janeiro em 5 meses (janeiro/maio/2009).
Quantos desses desaparecimentos já foram esclarecidos?
Cautela, muita cautela nas declarações e nas reportagens, pois todos os investigados têm o direito constitucional da presunção de inocência.
Ou Policiais Militares não possuem tal direito?
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

Um comentário:

MPE-RJ E O PEDAGIO EM AVENIDA disse...

Até que en fim A VERDADE APARECE e a nossa GLORIOSA PMERJ, sempre ao lado do cidadão DIA e NOITE sem parar, na proteção de nossas familias. Só lamento que a PMERJ não tenha encontrado com PATRICIA AMIEIRO antes, pois se tivessem encontrado ela NÃO estaria morta, muito pelo contrario, PROTEGIDA. A maioria dos PAIS DA BURGUESIA desconhece o Anjo da Guarda que é a PMERJ na madrugada. Claro ! Seus filhinhos, não chegam em casa contando suas aventuras criminosas, e salvos pela PMERJ. Tentar destruir a imagem de uma corporação diguina como a PMERJ em detrimento de SEGURANÇAS PARTICULAR de Guarda Municipal, é uma falta de noção e de responsabilidade que as pessoas cometem diariamente. MAIS UMA VEZ, PARABENS A PMERJ e que permaneça conosco pela eternidade.