Eu não fiz parte da comissão gestora do movimento dos Bombeiros e não faço parte da parte da comissão gestora do movimento dos Policiais Militares, porém dei algumas ideias no primeiro movimento, as quais não foram implementadas. Isso não fez com que eu desistisse de apoiar os Bombeiros e participei de todos os atos, inclusive estive na ALERJ quando foi convocada uma greve que não se concretizou. Apesar de não ter uma ideia aceita pelos Bombeiros, tenho repetido o procedimento e tentado colocar algumas ideias para discussão sempre que encontro com os gestores do movimento, como ocorreu na última sexta-feira. Além disso, procuro postar as ideias nesse espaço democrático, como fiz com os Bombeiros, para que todos os interessados possam conhecê-las, sendo uma forma de contribuição.
Nesse artigo apresento algumas delas, em apertada síntese, por considerar que podem ser úteis ao atual movimento que tenta unir Policiais Militares, Policiais Civis, Bombeiros Militares e Guardas Municipais. Antes de apresentá-las, sugiro aos leitores que leiam o que escrevi em artigo recente sobre a repetição dos erros do SOS Bombeiros, no início dessa mobilização (Link).
Ratifico que ninguém quer fazer greve, ela é um recurso derradeiro, isso significa que devemos investir nos atos anteriores ao dia 10 FEV 12, para que o governo estadual atenda as nossa solicitações, sobretudo em razão do grande apoio social que podemos conquistar para pressionar o governo.
Algumas sugestões:
1) Criar a comissão gestora composta por Oficiais e Praças (ativos e inativos), familiares e pensionistas: Imbuídos de toda responsabilidade para com o povo, criar a comissão é próximo passo, ela é imprescindível. Não basta o voluntariado para integrar a comissão, os representantes precisam ser aprovados em reunião plenária e isso não ocorreu até a presente data. Percebo alguns se auto intitulando representantes, sem qualquer aprovação das categorias. No caso específico dos Bombeiros, penso que seja imprescindível renovar os representantes, diante dos problemas na condução da mobilização anterior.
2) Cientificar à população brasileira sobre a possibilidade da eclosão do movimento grevista: É nosso dever avisar a população brasileira, explicando que estamos lutando por mais de cinco anos, sendo a greve o derradeiro recurso (direito). Deixar claro que não queremos fazer greve, mas deixar também bem claro que ela poderá ocorrer. Não podemos pegar a população de surpresa. O carnaval do Rio de Janeiro atrai brasileiros de todos os estados, além dos estrangeiros de várias partes do mundo.
3) Ter o planejamento como único caminho para a vitória: Planejar todas as ações e os seus prováveis desdobramentos, isso é vital. No movimento SOS Bombeiros ficou evidente a resistência ao planejamento, como se as soluções fossem cair do céu a qualquer momento, o que não ocorreu. O planejamento é condição sem a qual o sucesso fica quase impossível, sobretudo se considerarmos a resistência do governo estadual para atender as nossas solicitações. Cada passo precisa ser planejado exaustivamente, antes de ser implementado, caso contrário, a chance de sucesso é mínima. Todos os desdobramentos devem ser avaliados, para que não repitamos o ensaio e erro do SOS Bombeiros. Temos que ter uma resposta para cada resposta do governo estadual. Percebo que em alguns municípios do Interior o planejamento existe, o que é um fator a ser imitado no Rio de Janeiro. Obviamente, não é possível escrever sobre cada item que integra um planejamento adequado, citarei alguns com os quais tenho maior preocupação.
3.1) Calendário de eventos: É preciso criar e aprovar um calendário de eventos para que todos e todas possam se programar, afinal temos dificuldades financeiras e a participação em cada ato demanda gastos financeiros, desfalcando ainda mais o falido orçamento familiar. No planejamento deve ser observado o aumento de pressão, pois ninguém quer fazer a greve, portanto, antes do dia 10 FEV12 temos que realizar tantos atos quantos forem necessários para aumentar a pressão, em vários locais de grande circulação de pessoas . Precisamos inclusive preparar o desencadeamento da Operação Tolerância Legal (Operação Padrão), a qual é legal, não constituindo nem transgressão, nem crime de qualquer natureza. Todos atos precisa ser coordenados, mas devem obedecer a necessidade da capilarização, temos que ter atos em todos os municípios, preferencialmente.
3.2) Divulgação interna e externa: A internet é um meio de divulgação excelente, porém atinge um número muito limitado de Bombeiros, de Policiais Civis e principalmente de Policiais Militares, que trabalham nas ruas. Temos que investir na divulgação nos quartéis e nos postos destacados, usando o bom e velho panfleto. Criar um panfleto padrão, divulgar pela internet (blogs, sites, redes sociais e emails) é urgente. Assim cada PM, BM ou PC poderá imprimir e distribuir. No tocante à divulgação externa, além dos atos públicos, temos que visitar os condomínios onde residem PMs e BMs, fazendo a panfletagem. Só assim conseguiremos mobilizar os inativos e as pensionistas. Panfletar na área turística da Zona Sul, inclusive na porta dos hotéis é muito importante (texto em inglês). Usar todos os meio de comunicação que queiram fazer cobertura da mobilização, como o SBT irá fazer, por exemplo, assim alcançaremos uma divulgação em âmbito nacional.
3.3) Fortalecer o movimento das esposas: Temos que implementar e apoiar o movimentos dos nossos familiares, os quais estão livres dos cerceamentos dos regulamentos disciplinares atávicos. O ato previsto para o dia 03 FEV 2012, a caminhada do largo do Machado até o Palácio Guanabra, precisa ser um grande sucesso.
Prefiro encerrar o artigo nesse ponto, para que o tamanho do artigo não se torne um desestímulo para a leitura, todavia, não poderia deixar de citar a minha preocupação com a grandiosidade do ato do dia 29 JAN 2012, na Praia de Copacabana. Temos que nos preparar para organizar uma caminhada que poderá envolver dez, vinte, trinta mil pessoas e isso não é nada fácil. Será que estamos pensando nisso ou deixaremos tudo correr solto como ocorreu no ano passado?
Planejar, planejar, ..., planejar e agir.
Juntos Somos Fortes!
