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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PMERJ - A DANÇA DAS CADEIRAS E AS PALESTRAS SOBRE CORRUPÇÃO POLICIAL.

Comenta-se que uma nova dança das cadeiras acontecerá na Polícia Militar dos comandos relâmpagos, isso nos próximos dias. Tenentes Coronéis que estavam fora da corporação e que retornaram receberão comandos para habilitá-los a serem promovidos ao posto de Coronel.
Engana-se quem lê essa dança das cadeiras somente como uma tentativa de ensaio e erro para encontrar comandantes eficientes, na verdade essa também é uma tática que se revelou para promover o maior número possível de Tenentes Coronéis das turmas de Mário Sérgio e Álvaro Garcia ao último posto da PMERJ.
Os nomeados ficam alguns meses no comando, são promovidos e saem deixando as cadeiras vagas para os próximos.
Nessa direção, as turmas estariam fortalecidas no governo pós-Cabral, a partir de 2011.
A idéia é boa, pena que os interesses públicos e os interesses institucionais não sejam considerados.
Prezado leitor, lembra que logo após a assunção de Mário Sérgio eu me ofereci para ministrar palestras sobre o tema corrupção policial?
Mário Sérgio publicou no boletim da PMERJ a resposta, afirmando que elas estavam sendo programadas e que seriam ministradas por próceres no tema, descartando a minha proposta e ainda deixando nas entrelinhas que eu não era habilitado.
Seis meses depois, pelo que sei, nenhuma palestra foi ministrada.
Penso que não esteja nada fácil achar próceres no tema corrupção policial que possam ministrar essas palestras...
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

RIO DE JANEIRO: OS HOMICÍDIOS AUMENTAM E A SOLUÇÃO SERÁ O SEMÁFORO.

G1:
Secretaria de Segurança não atinge meta de redução de homicídios no Rio
Objetivo era queda de 11,7%, mas índice subiu 1,3% em 2009.Instituição vai usar nova metodologia para medir índice até 2014.
Aluízio Freire
"O índice de homicídio doloso no estado do Rio, em 2009, teve um aumento de 1,3%, em relação ao ano anterior. Ou seja, passou de 5.717 para 5.794 ocorrências. Cresceu em ritmo menor, mas ficou abaixo da meta.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (8) pelo secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que lamentou não ter atingido a meta de redução em 11,7% dos casos, como estava previsto.
Em 2009, o número de homícídios chegou a ter uma queda de 9% no segundo semestre, mas, quando contabililizado o ano inteiro, essa redução não foi suficiente para atingir a meta estabelecida. Em vez de cair, o índice acabou crescendo 1,3%.
Com isso, os gestores do planejamento estratégico da secretaria resolveram mudar a metodologia para atingir o objetivo até 2014, ano em que o país será sede da Copa do Mundo. Segundo o subsecretário operacional Roberto Sá, quando o índice fica dentro de 5% da meta estabelecida “o farol fica amarelo” e não vermelho. “Nosso objetivo era de 11,7%, mas só conseguimos 9% de redução. Acendeu o amarelo”, acrescenta.
“Era um número muito ousado. Com base em dados científicos, estamos fazendo um planejamento estratégico que está em teste para 2014. Pelo cenário e tendências, a meta que se imagina é de 6,33% ao ano até 2014”, explicou Sá. Para ele, a mudança de metodologia não significa que será “mais fácil” atingir a meta estabelecida, mas uma forma de conquistar o objetivo de forma gradual.
“É um planejamento estratégico de 2010 até 2014 para que todos os indicadores de criminalidade diminuam a patamares que consideramos racionais”, afirmou. Beltrame afirmou que a secretaria está trabalhando com gestão de resultados para medir o desempenho da instituição, como as empresas privadas. “São ações concretas, que estamos enfrentando com técnicas”, disse. Ao ser questionado por que a secretaria demorou a adotar esses recursos, argumentou: “É preciso tempo para fazer isso. Estamos falando de planejamento estrutural, uma proposta para daqui a quatro anos. O Rio de Janeiro não tinha uma estratégia técnica planejada”. Os quatro principais indicadores de criminalidade divulgados pela secretaria na comparação entre 2008 e 2009 são: homicídio doloso (aumento de 1,3%); roubos de rua (aumento de 2,2%, que inclui delitos como roubo a transeunte, de celulares e a coletivos); roubos de veículos (queda de 10,1%) e latrocínio (roubo seguido de morte, queda de 6%). Na coletiva de imprensa, que contou com a presença do chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, do chefe do Estado Maior da PM, Álvaro Rodrigues Garcia, e do diretor presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP), Paulo Augusto de Souza Teixeira, o secretário anunciou ainda os prêmios para batalhões e delegacias que atingiram suas metas no período. As gratificações variam de R$ 1,5 mil a R$ 500."
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O MURO DA VERGONHA E AS DELEGACIAS DE POLÍCIA JUDICIÁRIA DA POLÍCIA MILITAR.

Denúncia: novo comandante geral da PM quer acabar com as Delegacias de Polícia Judiciária Militar
Recebemos a denúncia anônima que reproduzimos a seguir. Embora em geral evitemos a difusão de denúncias anônimas, por sua difícil comprovação, a que se segue está bastante circunstanciada e, em se tratando da pessoa em questão (Cel PM Álvaro Garcia), é inteiramente plausível. Entendemos também, diante da situação de arbitrariedade e violência que impera na instituição policial no Rio e no Brasil, que muitas vezes o anonimato é o único recurso possível e seguro para que algumas denúncias sejam veiculadas.
Também queremos deixar claro que ao veicularmos a denúncia não estamos manifestando concordância com todas as opiniões expressas pelo denunciante. Nunca confiamos totalmente no trabalho da corregedoria da PM, tampouco da Corregedoria Geral Unificada, por experiência direta de inúmeros casos que acompanhamos. Temos explícita desde há muito, juntamente com diversas organizações defensoras dos Direitos Humanos, nossa proposta da necessidade de uma Ouvidoria externa e independente para a polícia, bem como da obrigatoriedade legal da Corregedoria investigar e levar a bom termo as denúncias encaminhadas por tal Ouvidoria independente. Acima de tudo, somos pelo fim da Justiça Militar em todos os níveis, e defendemos que os membros das Forças Armadas e da polícia respondam por seus atos diante da justiça comum, assim como todos os cidadãos brasileiros.
Rede contra a Violência.
Senhores,
Acreditando ser oportuno, conveniente e pertinente, subscrevo-lhes as linhas a seguir:
Com a assunção do novo Comandante Geral da PMERJ a algumas semanas, houve troca de vários comandos na corporação, como de praxe, e também os cargos tidos como “de confiança”.
Assumiu o Estado Maior Operacional da Corporação o Cel PM Álvaro Garcia, que foi peça de várias ocorrências no mínimo duvidosas, dentre elas o espancamento de moradores da Cidade de Deus em 23 de março de 1997, em episódio que foi amplamente divulgado na mídia e ficou conhecido como “muro da vergonha” e o assassinato do entregador de farmácia Fábio de Melo, morador do Andaraí, em 24 de novembro de 2006, quando o Coronel Álvaro era Comandante do 6º BPM.
À época, segundo relato da Rede Contra a Violência, moradores de várias comunidades da grande Tijuca também reclamaram muito do aumento de abusos policiais depois que o Coronel Álvaro assumiu o Comando do 6º BPM.
Com relação ao muro da vergonha, diante das câmeras, o então governador Marcello Alencar mandou prender os seis policiais envolvidos no episódio - entre os quais o Coronel Álvaro Garcia — e esbravejou: "Eles serão expulsos sumariamente".
O citado Coronel nunca foi julgado porque o inquérito, estranhamente, foi arquivado por falta de provas, apesar das imagens que foram veiculadas pela TV Globo, e que tanto horror causaram a população fluminense. Cabe lembrar que o fato ganhou repercussão internacional, com a tentativa de intervenção de várias entidades ligadas aos direitos humanos, mas todas inexplicavelmente sem sucesso. Além de comandar o espancamento de moradores e de estar envolvido na morte do cidadão Fábio de Melo, o Coronel Álvaro Garcia apresenta no seu currículo inúmeras acusações de homicídio, das quais também foi absolvido, pois foram consideradas “mortes em confronto”.
Com a assunção do Estado Maior pelo Coronel Álvaro, em primeira reunião de contato com todos os Comandantes de Unidades da Polícia Militar, foi taxativo em afirmar que “acabaria com as Delegacias de Polícia Judiciária Militar”, que é um órgão diretamente ligado e subordinado a Corregedoria Interna da PMERJ, e tem como atribuição, dentre outras, a investigação de desvios de conduta praticados por Policiais Militares.
Pessoas de bom senso, até a presente data, estão sem entender o real motivo de tal extinção, pois com tamanho desmantelamento da Corregedoria, pode-se passar a compará-la com um grande polvo sem tentáculos, já que as Delegacias Judiciárias são o braço operacional da Corregedoria.
Com o enfraquecimento da atividade correcional, ficam todos os policiais de bem e toda a população fluminense fadada a ver uma bicentenária instituição que, por ser uma instituição militar, sempre teve como pilares básicos de sustentação a hierarquia e a disciplina, transformar-se em uma grande milícia estadual, já que não existirá limites para o policial militar corrupto e para o mau policial militar que se vale de sua carteira e de sua arma para cometer abusos e crimes contra a população.
A quem interessa o enfraquecimento, o desmantelamento de um órgão fiscalizador?
Paira no ar a dúvida, lembrando que no episódio denominado “muro da vergonha”, o citado Coronel Álvaro respondeu a Procedimento Instaurado pela Primeira Delegacia de Polícia Judiciária Militar, e foi punido na esfera institucional pela mesma 1ª DPJM que agora insiste em exterminar.
Em auxílio a todo esse processo de sucateamento da máquina correcional na Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro, observamos como coadjuvante o atual Corregedor Interno, Coronel Carlos Rodrigues. Em tese aquele que deveria estar lutando contra o engessamento da corregedoria e a manutenção da atividade que tem como fim inibir os desvios de conduta praticados por policiais militares, auxilia na deteriorização deste indispensável órgão, com atitudes indignas de um líder de tropa e Comandante de um órgão correcional.
Citamos como exemplo deste fato uma frase dita em uma reunião do Coronel Carlos Rodrigues com o efetivo das Delegacias Judiciárias e da Corregedoria. Segundo afirmação do Corregedor, afirmação essa presenciada por mais de cem policiais militares presentes na reunião, quando questionado com relação a carga horária do policial militar, que é regulamentada através do Decreto nº 25.538, de 26 de agosto de 1999, o Coronel Carlos Rodrigues afirmou que “esse Decreto não passa de um Decretozinho sem importância. Existem Leis em nosso país que pegam e outras que não pegam. Essa é uma delas. Não pegou e nem vai pegar. Não me importo com esse Decreto” (*).
Um simples questionamento me vem a mente, pois como pode um Oficial do posto máximo da PMERJ que faz uso de Decretos diariamente exercendo sua função de Corregedor afirmar que um Decretozinho não tem importância?
Soma-se a esse escabroso fato o tão aqui citado desmantelamento das Delegacias de Polícia Judiciária Militar. As DPJM foram criadas e tiveram sua estrutura e atribuições determinadas através da Portaria PMERJ nº 257, datada de 12 de maio de 2005. Como se pode ver, mais uma vez passa-se por cima de normas, diretrizes, Decretos e Leis buscando fins duvidosos, pois enquanto não são extintas, tornam-se totalmente ineficientes, pois mais uma vez seguindo “ordem” do Corregedor Carlos Rodrigues, algumas seções das Delegacias Judiciárias estão sendo extintas, e com isso a excelência do trabalho até então executado com eficiência, seriedade e rapidez fica totalmente comprometido, a ponto do cidadão fluminense não mais ter a quem recorrer em caso de uma necessária intervenção do órgão correcional, em tempo real, em uma determinada ocorrência.
Desculpo-me pela extensão da narrativa, mas acredito ser necessária para o melhor entendimento de VSª ao atual estado terminal em que se encontra a área correcional de nossa briosa e bicentenária Instituição Policial Militar
Rogo por providências, para que não seja ainda mais maculado o nome da PMERJ, e para que possamos seguir em nosso juramento, servir e proteger o cidadão.
(*) fato comunicado à PMERJ, que não apurou alegando ser denúncia anônima. O fato foi comunicado ao Ministério Público da AJMERJ.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 22 de novembro de 2009

PAÚL, WANDERBY E MELQUISEDEC COMENTAM DISCURSO DE ÁLVARO.

JORNAL EXTRA

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. Carlos Drummond de Andrade

A não-violência e a covardia não combinam. Posso imaginar um homem armado até os dentes que no fundo é um covarde. A posse de armas insinua um elemento de medo, se não mesmo de covardia. Mas a verdadeira não-violência é uma impossibilidade sem a posse de um destemor inflexível. Mahatma Gandhi

Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes. Abraham Lincoln

JUNTOS SOMOS FORTES!

PAULO RICARDO PAÚL

CORONEL DE POLÍCIA

Ex-CORREGEDOR INTERNO

O DISCURSO DE ÁLVARO E A OPINIÃO DE UM CIDADÃO BRASILEIRO.

O GLOBO

EMAIL RECEBIDO:
Prezado Cel. Paúl, como não conseguindo postar como comentário, envio texto abaixo para sua apreciação e, se considerar próprio e oportuno, autorizo divulgar.
Wagner de Medeiros.
Sou um cidadão civil, com carreira no serviço público, leitor assíduo de jornais, com maior foco no noticiário sobre economia e finanças, em vista de minha formação profissional. Embora, “geneticamente” ligado à PM, por laços familiares de três gerações, só há alguns anos passei a dedicar mais de meu tempo ao noticiário sobre segurança pública, não apenas por serem, cada vez mais notórios, as deficiências dos serviços públicos correlatos e seus efeitos sobre nossas vidas e variáveis econômicas, como por entender ser obrigação (e direito) da sociedade participar do esforço para ajudar a reverter esta situação.
Para tanto, considero válido o uso de todos os meios disponíveis para, com respeito e responsabilidade, sugerir, reclamar, elogiar, criticar, exigir eficiência e, sobretudo, denunciar: a corrupção, a “burrocracia”, os desvios de conduta, as práticas atentatórias à democracia, e aos direitos democráticos, como hoje ocorrem na América Latina com a perseguição ao direito da imprensa, inclusive via internet, de informar e fiscalizar. E isto se aplica ao universo de setores dos três níveis de poderes, nas esferas municipal, estadual e federal, onde, graças à liberdade da imprensa, sabemos ocorrem várias situações dignas de serem denunciadas. Precisamos acabar com a percepção de que a sociedade está perdendo capacidade de se indignar.
É de pouco tempo, como disse, minha atenção ao que se passa na área dos órgãos de segurança pública, e menor ainda o tempo em que freqüento a blogosfera policial, me curvando, também nesta área, ao poder da internet, exercido este para o bem e para o mal (há sempre os dois lados, em qualquer “moeda” da vida), na exposição de idéias, de filosofias, de conceitos, etc. etc. e de veiculação de denúncias.
A ninguém é dado desconhecer, muito menos homens com posições no serviço público, a força, a contribuição à transparência, a agilidade da internet, atributos a serviço da sociedade, do conhecimento, do combate à impunidade e de tudo mais, inclusive no melhor desempenho das funções de administradores, comandantes, presidentes de empresa, etc. etc.
Por tudo isto, confesso não ter reagido positivamente à notícia, em O Globo de hoje (21-11), quanto ao que dissera o Exmo. Senhor Coronel Alvaro Garcia, em exercício no Comando-geral da PMRJ, a respeito do uso da internet para veicular críticas à Polícia Militar, em sua opinião, inoportunas, ou injustas. Com todo o meu respeito, achei, no mínimo, infeliz, o comentário feito pelo citado militar. Contudo, de imediato, busquei alinhar razões para o comentário do citado militar, passando a refletir que eu próprio, quando iniciei contato, ainda hoje pouco aprofundado, reconheço, com o mundo da blogosfera policial, não achei justo que comentários, de qualquer natureza, fossem postados anonimamente, como não raro, ocorrem nestes espaços. Entendia, e ainda entendo, que a qualificação da fonte, claro, qualifica a informação. Mas em seguida, também pensei:
1) no instituto do disque-denúncia (que não exige identificação) e que tem dado resultados positivos no combate ao crime;
2) na prática legal da delação premiada, exemplo que, claro, entendo aqui não se aplicar, “in totum”, mas penso tangenciar reflexão sobre o anonimato;
3) que um dia, por experiência própria, no desempenho de minhas funções, por dever de ofício e, também, com aversão moral e conceitual ao anonimato, infelizmente do ponto-de-vista humanitário, desnudar, graças à uma denúncia anônima, prática indevida de um servidor que tinha sob minha chefia;
4) no que um dia um superior me dissera ter a opinião de que, para a preservação do credo da instituição de que ali se podia até se tolerar alguns desvios, mas não o de ser desonesto (como se qualquer desvio não encerre em si, algum grau de desonestidade e, portanto, sujeito ao mesmo combate) toda “fumaça” poderia indicar a prática de desonestidade/roubo e, portanto, deveria ser investigada, independentemente da “cor da fumaça”, aduzia ele;
5) da prática de votações no Congresso em que o congressista não identifica o seu voto, deixando no anonimato suas posições, o que também pode se considerar recorrente ao tema;
6) por último, mas não de menor importância, no fato de que as denúncias veiculadas nestes espaços da internet – mesmo que seus autores NÃO sejam inescrupulosos, levianos ou movidos por vinganças – são dos quadros da instituição em que trabalham, assim como, em muitas situações, também o são os denunciados ou as pessoas alvo de críticas (as críticas de fato não são feitas à instituição, mais à sua performance e, portanto, aos que a dirigem), o que leva ao não desprezível risco de que venham a sofrer punições e/ou constrangimentos morais, com o denunciante acabando por receber sanções camufladas como meros atos administrativos, antes de que as denúncias ou situações de agravo sejam devidamente apuradas, com agilidade, transparência e imparcialidade.
O que ocorre com poucos dispostos a enfrentar estes riscos, acabam dando razões a que muitos se convençam de que o “medo” é devido e real. Afinal, em muitas das instituições públicas se tem notícias prevalecer viés dos tempos do autoritarismo que induz à práticas inaceitáveis em um estado democrático de direito, respaldadas em regulamentos que se mantêm obsoletos, perpetrando-se injustiças que ferem preceitos democráticos, inclusive incertos na Constituição de 1988, como o de livre direito de expressão, de opinião, de defesa ampla, dentre outros, nem sempre assegurados e respeitados de modo cabal, transparente e isento. Reconheço que há excessões, mas aqui se trata do que não é bom!
Conclui-se que, à parte providencias, inclusive legais, que devem ser intentadas para coibir ofensas graves à pessoa, à família ou à instituição – e, neste particular, noto preocupação positiva de muitos dos proprietários de blogs e de blogueiros – as distorções que eventualmente resultem de denúncias apuradas como inverídicas e/ou de críticas infundadas,e que tenham sido veiculadas por indivíduos desprovidos de conteúdo moral e ético, não anulam, pelos aspectos aqui comentados, os muitos benefícios que se pode ter na luta pelo combate à corrupção, melhor transparência da coisa pública e para coibir demais disfunções nos serviços públicos, em contribuição à redução da impunidade e ao fortalecimento das instituições. Não seria pois, em minha opinião, de se conceituar a questão de forma tão ampla e decisivamente pejorativa, mas, ao contrário, usar-se a mesma internet para comunicar providências adotadas, ou em processo de implementação, para apurar as denuncias ou responder às críticas indevidas ou, ainda que devidas, porque, de alguma forma, se justificaria a ocorrência da situação criticada.
Enfim, à medida que se tenha mais ágil apuração de denúncias e esclarecimentos,com mais transparência, ganhará a sociedade e se induzirá a uma maior confiabilidade aos propósitos de fortalecimento das instituições, no interesse maior e exclusivo da população.
Wagner de Medeiros
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGDOR INTERNO

sábado, 21 de novembro de 2009

UM "GENERAL DE REPUBLIQUETA", ÁLVARO GARCIA EXPÕE A POLÍCIA MILITAR À CHACOTA.

O GLOBO:
REPÓRTER DE CRIME.
Nova ordem mundial
PM do Rio está na contramão da liberdade na internet
A PM completou 200 anos em maio, mas parece que continua tentando olhar para um passado sem futuro. No dia em que a blogueira cubana Yoani Sánchez - perseguida pela ditadura de seu país - ganhou o mundo por conseguir uma entrevista exclusiva com o presidente Obama - para seu blog
Generacíon Y, o comandante-geral em exercício da PM, coronel Álvaro Garcia, fez um discurso inflamado condenando blogueiros e twitteiros que criticam a Polícia Militar (ver aqui). Um discurso que me lembrou muito aquelas palavras de censura à imprensa e à liberdade da sociedade civil nas ordens do dia dos quartéis, em dias de festa da falecida ditadura militar.
Não acredito que seja uma coincidência os dois episódios ocorrerem no mesmo dia - um envolvendo personalidades na internet e outro no mundo real do 15o BPM, em Caxias, com um oficial do primeiro escalão. O show de jornalismo cidadão que Yoani (
ouça a entrevista dela ao GLOBO) dá em seu blog - pelo qual já sofreu na pele, ao ser agredida e ameaçada de sequestro por agentes da polícia política cubana - serve também para se situar onde está a cúpula da PM, em pleno século XXI - no atraso.
Como um general de republiqueta, o comandante-geral em exercício, coronel Álvaro Garcia, disse:
- Não vamos nos deixar levar por esses covardes que tentam macular a nossa imagem. Eles ficam atrás de blogs ou Twitters, mas, se fossem corajosos, falariam em público e não por meio de denúncias apócrifas. Não deixeis cair em tentação. Não deixeis vos levar por aqueles que não mereciam estar aqui.
Embora sem dúvida ocorram exageros e ofensas, as denúncias anônimas da blogosfera e twitosfera policial devem ser levadas em conta pelas corregedorias das polícias. Não se pode atacar denunciantes sem antes verificar a suposta veracidade das denúncias feitas por eles. Um deles, o principal alvo do discurso do coronel, é sem dúvida o twiteiro
Boca de Sabão - formado por oficiais e praças da PM, que denunciam irregularidades e corrupção na PM do Rio.
O discurso também teve cheiro de provocação ao tenente-coronel Roberto Alves de Lima, que foi transferido para a Direção Geral de Pessoal, a DGP. Segundo apurou o blog Casos de Polícia e Segurança, do "Extra", a "relação do tenente-coronel Roberto com a cúpula da Secretaria de Segurança foi prejudicada por sua participação em movimentos de reinvidicação por melhores condições de trabalho". Pelo pouco que conheço do coronel Roberto deixo meu testemunho pessoal, de que é um desperdício para a sociedade ter um oficial como esses na geladeira, que é como se chama na prática a DGP.
Apesar de o próprio comandante-geral, em viagem de serviço em Paris, ter sido um dos primeiros a aderir às mídias digitais e garantir que não persegue o Boca de Sabão, usuário do Twitter, o coronel Mário Sérgio tomou uma bola nas costas do subordinado (o coronel Garcia) ou então ainda não conseguiu convencer seus auxiliares de que a internet veio para ficar. A corporação precisa entender que o mundo mudou e aprender a lidar com a liberdade dessa mídia. Uma das formas mais simples e em benefício da sociedade seria abrir inquéritos para se investigar as denúncias feitas pela twitosfera policial. Sem medo de que elas sejam a expressão mais pura da realidade.
JORGE ANTÔNIO BARROS
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

ISSO DEVE SER A TAL CORAGEM QUE OS BLOQUEIROS E OS TWITTEIROS NÃO TÊM...

FOLHA DE SÃO PAULO:
08 DE ABRIL DE 1997.
Major chefiou ação na favela do Rio.
Três dos policiais presos ganharam gratificação 'faroeste'.
Agência Folha
Do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Três dos seis policiais militares flagrados em filmagem espancando favelados de Cidade de Deus (zona oeste do Rio de Janeiro) receberam do governo estadual, em 1996, o aumento salarial conhecido no Rio como gratificação "faroeste".
Oficialmente, a gratificação "faroeste" é dada a PMs que tenham praticado atos considerados de bravura pelo comando da corporação. Na maioria das vezes, o policial premiado participou de ações que resultaram na morte de supostos criminosos (
leiam).
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

A CASA VAI CAIR...

JORNAL EXTRA:
BLOG CASOS DE POLÍCIA E SEGURANÇA.
COMANDANTE GERAL DA PM CRÍTICA BLOGUEIROS E TWITTEIROS.
Críticas disparadas em direção a blogueiros e twitteiros marcaram o discurso de Álvaro Garcia, comandante-geral da PM em exercício, na posse do tenente-coronel Sérgio Luiz Mendes Afonso, que assumiu nesta quinta-feira o 15º Batalhão de Polícia Militar, em Caxias, no lugar do tenente-coronel Roberto Alves de Lima, exonerado do comando no último dia 13 de novembro.
Ele caracterizou como "covarde" a atitude de pessoas que criticam a corporação sem se identificar:
- Não vamos nos deixar levar por esses covardes que tentam macular a nossa imagem. Eles ficam atrás de blogs ou Twitters, mas, se fossem corajosos, falariam em público e não por meio de denúncias apócrifas. Não deixeis cair em tentação. Não deixeis vos levar por aqueles que não mereciam estar aqui - criticou Garcia.
O tenente-coronel Roberto Alves de Lima foi transferido para a Direção Geral de Pessoal, a DGP. Sua relação com a cúpula da Secretaria de Segurança foi prejudicada por sua participação em movimentos de reinvidicação por melhores condições de trabalho. Em agosto, ele balançou no cargo, após comparecer a uma passeata por aumento de salário, na orla de Ipanema. O tenente-coronel comentou esses episódios:
- Em 2008, participei de movimentos de reivindicação salarial porque acredito que, nas leis, temos que fazer valer nossos direitos. Somos profissionais de segurança pública. Ninguém sai de casa para vir para cá brincar de ser policial. Fazemos um profícuo trabalho pela sofrida sociedade de Duque de Caxias - defendeu.
Obs: Diferentemente do que foi publicado anteriormente, a crítica aos blogueiros e twitteiros não foi feita pelo tenente-coronel Sérgio Luiz Mendes Afonso, mas sim pelo comandante-geral da PM, Álvaro Garcia. O blog pede desculpas ao coronel pela troca.
Parabéns ao Jornal Extra por ter detectado a importância desse fato que poderia passar despercebido.
Álvaro foi muito infeliz em todos os sentidos.
O seu despreparo poderá acelerar o processo de mudanças na Polícia Militar.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

E O BOPE CHEGA AO COMANDO DA POLÍCIA - MARCELO SALLES.

E o Bope chega ao comando da polícia.
Marcelo Salles.
No dia 8 de julho de 2009, o coronel Mário Sérgio de Brito Duarte assumiu o comando geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e ex-comandante do Batalhão da Maré, o coronel de 45 anos também ocupou cargos burocráticos do aparelho de repressão do velho Estado. Foi superintendente de Planejamento Operacional da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, assessor da prefeitura da capital fluminense para assuntos de Dependência Química, diretor de Inteligência da Subsecretaria de Inteligência da SSP e, por último, chefiou o Instituto de Segurança Pública.
A nomeação do coronel Mário Sérgio significa nada mais nada menos que a chegada do Bope ao comando da repressão aos pobres do Rio de Janeiro. Isso menos de dois anos após a campanha cinematográfico-publicitária do fascista "Tropa de Elite", que tentou fabricar o mito de uma polícia "boa" porque "incorruptível".
De janeiro a outubro de 2007 (ano de lançamento do filme), o Bope realizou 57 operações (média de uma a cada 5,5 dias), que tiveram os seguintes resultados: 38 mortos, 45 presos e 73 armas apreendidas. Esses números apontam que o Batalhão foi responsável por 4% de todas as mortes por "autos de resistência" *.
Como seu contingente é de 60 pessoas e a corporação da Polícia Militar tem 40 mil integrantes, equivale a dizer que os 0,15%, a "elite da tropa", matou em média 26,6 vezes mais que um PM não pertencente ao Bope. Os números contribuem para a manutenção da polícia do Rio de Janeiro no topo do ranking das que mais matam no mundo. No mesmo ano de referência, 1.330 pessoas foram assassinadas por policiais, segundo os números oficiais.
Em 2008, outras, segundo dados do Instituto de Segurança Pública, 1.137 foram mortas em supostos confrontos com a polícia, contra 58 policiais mortos em atividade. As estatísticas dos autos de resistência de 2009, entretanto, não estão disponíveis na página do ISP na internet. Os números gerais de janeiro e fevereiro também não, o que corrobora a desconfiança que recaiu sobre a credibilidade do órgão após a demissão da doutora Ana Paula Miranda da direção do instituto, uma pesquisadora, antropóloga renomada e cujo trabalho vinha sendo realizado com relativa autonomia.
O triunvirato
O novo comandante-geral da PM terá como braço direito o coronel Álvaro Rodrigues Garcia, nomeado Chefe Operacional do Estado Maior — cargo que tem o controle de fato da tropa. Quando ainda era major, Garcia esteve envolvido num caso de violência policial divulgado em rede nacional de televisão. Um vídeo gravado no dia 23 de março de 1997 mostrou 11 pessoas sendo espancadas em um paredão. Além de socos, pauladas e joelhadas, os policiais militares também submeteram as vítimas a sessões de "telefones" e chicotadas, roubaram dinheiro e fizeram ameaças.
A Revista IstoÉ, de 16 de abril de 1997, um dos agredidos declarou: "Logo no primeiro golpe meu ouvido começou a sangrar e não consegui ouvir mais nada". Diante das câmeras, o governador Marcello Alencar mandou prender os seis policiais - entre os quais o major Álvaro Garcia — e esbravejou: "Eles serão expulsos sumariamente". Toda essa encenação para na sequência passar a atacar os moradores da favela. "Que valor têm essas pessoas que só falam mediante a ocultação de seus nomes?", questionou. "Para expulsar os policiais, é preciso seguir os trâmites previstos em lei".
Quase 10 anos depois, em 2006, Garcia havia sido promovido a coronel e comandava o 6° Batalhão de Polícia, responsável pela área da Tijuca. No dia 24 de novembro daquele ano, o oficial reprimiu uma manifestação de moradores do Andaraí, que protestavam contra o assassinato, por policiais, de Fabiano Melo, 19 anos, entregador de uma farmácia. Segundo relato da Rede Contra a Violência, o povo também reclamou muito do aumento de abusos policiais depois que Garcia chegou ao batalhão.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO