Um dos meus desafetos que me honra com a leitura frequente do nosso espaço democrático tem insistido que eu esperei chegar a Coronel de Polícia para manifestar a minha indignação, afirmando que eu aceitei as regras do jogo para conseguir a promoção ao último posto.
Eu compreendo o desespero, afinal não é fácil encontrar um Coronel de Polícia que se manifeste de forma tão cristalina e tão ostensiva contra os desmandos governamentais e das últimas gestões da Polícia Militar, inclusive por escrito junto ao poder judiciário e ao ministério público.
Aliás, o convido a citar outro.
Além dessas verdades, ele não me conhece, melhor, não me conheceu Tenente, Capitão, Major ou Tenente Coronel, pois nunca deixei de manifestar a minha opinião, apenas não tinha um blog, ninguém tinha.
Todavia, concordo com ele plenamente, quando cita o Major de Polícia Wanderby como exemplo.
Wanderby é único.
A sua coragem, a sua honestidade de propósitos, o seu idealismo e o seu amor corporativo chegam a ser incomuns, valores que ele coloca em prática vinte e quatro horas por dia.
No curso do período eleitoral para a presidência da AME/RJ eu afirmei que a vitória de Wanderby seria o equivalente à eleição de alguns Policiais Militares e Bombeiros Militares como deputados estaduais, ele faria a AME renascer e com ele a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar.
Ele perdeu a eleição e a AME continuou sendo o que era, não evoluiu um milímetro na luta pela dignidade dos Policiais Militares e dos Bombeiros Militares.
Wanderby é um dos raríssimos Oficiais que enfrenta o poder quando esse poder não é exercido em prol da Instituição.
Ele incomoda aos que agem errado e aos omissos que buscam acusá-lo de ser radical e "meio maluco".
Esse Oficial que provoca tanto medo e tanta inveja escreveu um novo artigo:
Não me ensinaram no curso de formação, de aperfeiçoamento ou superior...
Também não aprendi que poderia ser forçado a exercer mister inerente à posição hierárquica (muito) inferior, que poderia ter o gozo de direito interrompido manu militari, que poderia ser reiteradamente "ameaçado" por autoridade (muito) superior, nem tampouco que deveria assimilar calado constrangimentos impostos ("é preciso pensar na família").
Não aprendi que bens públicos poderiam ser utilizados de forma particular impunemente.Não aprendi a lidar com "conspirações" (reias ou não).
Não aprendi que dependendo das circunstâncias a impessoalidade poderia ser relegada até mesmo nas relações profissionais mais basilares.
Não sabia nem mesmo o que significava a sigla "mm" (menção frequente no Twitter)...Não aprendi nada sobre "espólio de guerra".
Também não aprendi a ser Chefe de qualquer coisa pela metade.
Eu realmente não aprendi nada disso nos bancos escolares.
Não aprendi que a opacidade poderia ser um importante mecanismo de defesa.
Talvez meu tempo já tenha passado...
Ou quem sabe, o tempo tenha passado e eu é que tenha ficado parado (no tempo).
"As coisas mudaram", foi o que disse Robespierre, opositor de outrora da pena de morte, ao defender a guilhotina para garantir o êxito da Revolução. Talvez estivesse certo (ele mesmo acabou sendo guilhotinado)!
As coisas realmente parecem haver mudado muito, mas eu não aprendi e não consigo - nem quero - aprender a assimilá-las da forma como estão.
Tudo parece muito estranho...
Postado por Wanderby.Prezado Wanderby, vivemos tempos terminais, a Polícia Militar tal qual um paciente vítima de uma infecção generalizada, agoniza sob o bastão de quem não a ama. Nos nossos 200 anos de existência, nunca havíamos experimentado a vergonha de ter o comando geral trocado 3 vezes por um único governador, em apenas 30 meses.
Isso sem falar nas vergonhosas passagens de comando geral feitas às "escondidas" entre quatro paredes.
A incompetência, a corrupção, a traição e o oportunismo nunca estiveram tão em moda no Rio de Janeiro.
Wanderby, eu concordo, tudo parece muito estranho.
Ultimamente, quando busco forças para continuar lutando pela ressureição da PMERJ, me sinto como se fosse um socorrista que ao atender a um chamado encontra um cadáver em adiantado estado de decomposição, no qual passa a fazer manobras respiratórias e cardíacas, apesar do fedor que o corpo exala.
Eu também não sei fazer Tróia.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO