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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

GREVE NACIONAL NAS POLÍCIAS MILITARES.

EMAIL RECEBIDO:
Amigos de fé, irmãos camaradas,
A insatisfação com a injustiça salarial é tão grande por parte dos integrantes das FF AA quanto das polícias militares, pois, todos, estamos sendo vítimas do mesmo desprezo e ódio que votam os detentores de um poder corrupto e corruptor, que nos governa, instalado nos quatro cantos do país. Desprezo e ódio motivado pelos exemplos de abnegação, altruísmo, coragem e competência no cumprimento do dever, que fazem com que as instituições militares ostentem os mais elevados índices de confiança por parte do povo brasileiro (militares 85 %, políticos 10 %).
Destarte, os militares representam, no imaginário popular, os “ mocinhos “, e, eles, os políticos, “ os bandidos “, como o comprovam, recorrentemente, as pesquisas de opinião. A arte imita a vida: o filme TROPA DE ELITE 2 – o inimigo agora é outro, constitui um retrato sem retoque da realidade nacional. Assistido por mais de 15 milhões de brasileiros ( recorde nacional de audiência, enquanto LULA, o ..., teve audiência inferior a 500.000 expectadores), o filme mostra que é fácil identificar quem são os “outros” e onde se situa o comando-em-chefe organizações criminosas instaladas em todo o país: a cena final, aplaudida freneticamente, aponta para a Praça dos Três Poderes! ...
Este cenário faz pressupor, a meu ver, que a greve nacional das polícias militares, caso ocorra, contará com a adesão ostensiva dos militares da reserva e reformados do Exército, Marinha e Aeronáutica, os quais exercem, como demonstra a história (que o MD NJ afirma que deva ser jogada no lixo), grande influência sobre os companheiros da ativa nos momentos cruciais do país. E será um momento crucial, pois indicará, em última análise, uma forte reação da sociedade civil organizada (os PM são militares, porém, constituem um importante segmento da sociedade civil organizada, pois são, também, povo) contra a ousadia de um governo fora da lei que, até hoje, tem mostrado que tudo pode quando se trata de assaltar os cofres públicos em benefício pessoal de seus amigos e correligionários (melhor diria, cúmplices) e que nada pode quando se trata de satisfazer os anseios da sociedade por saúde, educação e segurança.
Sem o apoio das FF AA, como poderá o governo manter a ordem no país durante a greve das PM? Diz o velho e sábio adágio que Deus muitas vezes escreve certo com linhas tortas ... A greve das PM, pelo efeito sistêmico, poderá representar o início da restauração da moralidade pública em nosso país.
PS: Sérgio Cabral jactou-se, nos debates realizados antes da eleição, de ser um administrador público competente por ter em seus quatro anos de governo economizado, para fazer caixa para seu segundo governo, 10 bilhões de reais ( !! ). Como explicar, então, o caos dos serviços públicos e o fato de a PMERJ ser a segunda polícia militar mais mal paga do país, à frente apenas da polícia militar de Alagoas?
FERNANDO BATALHA
TENENTE CORONEL REF EXÉRCITO BRASILEIRO

JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A BRIGADA MILITAR MOSTRA A FORÇA DO SUL DO BRASIL.

UOL NOTÍCIAS:
24/11/2009 - 15h30
PMs gaúchos rejeitam aumento salarial e ameaçam entrar em greve
Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre
"Mais de mil policiais militares gaúchos se reuniram em assembleia geral no início da tarde desta terça-feira (24) para rejeitar a proposta de aumento salarial enviado pela governadora Yeda Crusius (PSDB) à Assembleia Legislativa. Os policiais ameaçam entrar em greve até que o Legislativo rejeite o pacote ou a proposta seja alterada pelo governo.
A proposta de aumento foi enviada à Assembleia no final da semana passada e prevê um piso salarial de R$ 1.207,00 para a corporação. A proposta de aumento do governo chega a 20% sobre os menores salários, mas para determinadas faixas o índice cai a menos de 3%. Além de aumento salarial, o projeto prevê também uma elevação na contribuição previdenciária dos PMs - dos atuais 7,2% para 11%.
"Vamos exigir que o governo retire o projeto ou que os deputados rejeitem a proposta. A Brigada Militar é uma só e não aceita aumentos para uns e não para outros", disse o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da BM, Leonel Lucas.
"É proibido às polícias militares fazerem greve, mas também é vetado nos pagarem mal", continuou.
O sindicalista não descartou a possibilidade de greve da categoria, mesmo que ela seja proibida por lei.
"Viemos aqui mostrar nossa rejeição total ao pacote. Se não for retirado de pauta, a paralisação será inevitável", disse.
O projeto do governo se baseia na alteração da legislação vinculada à matriz salarial da segurança, elevando de 10% para 15% o índice do ganho a ser distribuído entre servidores da Polícia Civil (exceto delegados), Brigada Militar, Instituto-Geral de Perícias e Superintendência de Serviços Penitenciários. O governo destinou R$ 87 milhões no orçamento de 2010 para pagar o aumento.
Os PMs alegam que o reajuste oferecido pelo governo beneficia apenas 4 mil policiais de um universo de quase 30 mil servidores. No caso de patentes intermediárias, como sargentos e capitães, o aumento pode ser negativo em função do aumento na contribuição previdenciária. A Assembleia Legislativa tem até o dia 15 de dezembro para votar o projeto.
Segundo Lucas, a categoria quer um aumento de salário linear para todas as patentes da Brigada Militar e a retirada do item que prevê aumento da contribuição previdenciária. A reunião teve a participação de soldados, sargentos e tenentes - alguns deles levaram as famílias para a reunião. Soldados de corporações do interior do Estado também participaram da assembleia representando colegas que estavam de serviço.
Na semana passada, os professores estaduais também rejeitaram a proposta do governo e não descartaram a possibilidade de greve em caso da provação da proposta. Representantes da categoria acompanharam a assembleia dos PMs e fazem vigília em frente à Assembleia Legislativa até quinta-feira (26).
O líder do governo na Assembleia Legislativa, Pedro Westphalen (PP), rejeitou a possibilidade de retirar ou de alterar o projeto de aumento para a Brigada Militar".
Avante Brigadianos!
Importante destacar que os guerreiros do sul não estão aceitando as gratificações para poucos e para a maioria não, o que divide a tropa.
Infelizmente, no Rio de Janeiro a tropa da POLÌCIA MILITAR tem aceito esse absurdo, esquecendo que essas gratificações não incorporam e que os inativos e as pensionistas não as recebem.
Ontem, os BOMBEIROS MILITARES disseram NÃO!
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quarta-feira, 1 de julho de 2009

UM TEXTO QUE VEIO DE MINAS GERAIS E MERECE TODA A NOSSA ATENÇÃO E MUITAS REFLEXÕES DE NOSSA PARTE.

Coronéis sem soldados
Lúcio Alves de Barros*
Cá longe, no meio dos morros de Minas Gerais, enclausurado em uma Faculdade no interior, vejo com curiosidade e um pouco de preocupação o movimento liderado pelo Coronel Paulo Ricardo Paúl, ex-corregedor da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Em seu blog, com alimentação diária, no qual andei dando algumas contribuições, encontramos textos indignados e, nos últimos tempos, meio apavorantes e dramáticos. Nos últimos dias, o coronel tem investido em um "silencioso" movimento, quase invisível ao mundo midiático e, certamente, ao movimento real dos policiais militares.
Infelizmente, no campo da segurança pública, a discussão sobre salário, promoções e mudanças nos quartéis sempre ficaram a desejar. Todavia, o coronel tem levado a efeito com extrema disciplina o que vem sendo chamado de “Movimento Cívico Juntos Somos Fortes!” (não deixa de lembrar os enredos do PT) que tem como apoio um grupo de coronéis que passaram a ser conhecidos como "Coronéis Barbonos" e "40 Evaristos". A nova empreitada do grupo foi a invenção de um “Excluído Fardado (Soldado da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros Militar): um boneco em forma de cruz que traz em seu corpo algumas informações a respeito das condições objetivas do policial e bombeiro militar. Por ele ficamos sabendo que “para o governo a minha vida vale 30,00” ou “sou feito de materiais descartáveis, pois sou descartável para o governo”. A analogia do boneco de pau com os policiais é interessante haja vista que ele é feito com material reciclável. Não sei se a maioria dos policiais realmente pensa dessa forma ou reage “ao ser reciclável” com outros meios que não cumpre aqui alongar, pois outra questão é do meu interesse.
O uso de um boneco não deixa de ser ousado e inteligente, mas revela o silêncio forçado no qual deve estar os policiais militares de baixa patente. Creio que seria oportuno deixar claro para a população a grade salarial dos praças e dos oficiais da PM. É bom saber quanto recebe um policial militar, haja vista que já é de conhecimento público que boa parte trabalha em “bicos” e outra - espero que pequena - há muito já se meteu em milícias e em campos minados por corrupção. Longe deste debate é no mínino preocupante o silêncio da outra parte. Procurei aqui e acolá as iniciativas governamentais por parte do Senhor Governador Sérgio Cabral (PMDB). O que percebi é uma espécie de descaso político e olhos vendados em relação a abertura de negociações. Por outro lado, é possível supor que falta política na polícia. O fato é perigoso e digo isso simplesmente porque foi dessa maneira que teve início a “greve” dos policiais militares em Belo Horizonte no ano de 1997. Naquele período o Governador Azeredo (PSDB) andava literalmente viajando enquanto os baixos salários, a falta de suporte logístico e a morte de alguns policiais esquentava uma mobilização em um quartel que desembocou em um grande movimento de reivindicação. O curioso é que não percebi no “movimento silencioso” dos coronéis a presença marcante dos praças. Infelizmente, há muito já sabemos que se trata de duas castas diferentes na organização policial militar e que, na realidade, se suportam, chegam a se bicar, mas não andam de mãos dadas.
É louvável a mobilização dos coronéis, inclusive pela coragem de informar, dentre tantos dados, que somente no primeiro trimestre de 2009 houve 1695 homicídios, 62 latrocínios e 141 cadáveres encontrados no Rio de Janeiro. Lamentavelmente ficamos sabendo que já se espera cerca de 10.000 pessoas mortas no ano e que este fato não deve mudar tão cedo. Se tais informações não mostram uma crise no campo da segurança pública, definitivamente não sei do que podemos chamar este cenário. O blog do coronel, inclusive, argumenta sobre a morte de 60 policiais em serviço. Os dados são públicos e não é preciso muito esforço para analisar. O que percebo é que em Minas, em junho de 1997, a greve explodiu tendo como suporte muito menos do que vem alardeando o veículo de comunicação e a mobilização dos coronéis.
Não obstante todo esforço do coronelato, aparentemente os praças não perceberam a importância da mobilização política. O boneco, símbolo do movimento, não pode ser de fato o policial que o movimento espera. Ele não passa de um símbolo e não pode parecer em todo a materialização do que é (e deseja ser) a polícia militar do Rio de Janeiro. Mais que isso, se levarmos em consideração o que a mídia joga na TV sobre os policiais cariocas aí é que a coisa fica mais feia. É de conhecimento público a forma que boa parte dos policiais tratam as classes menos favorecidas (mesmo fazendo parte dela), os negros e aqueles que enfrentam a ação governamental, logo, esperar o apoio da população é praticamente impossível. Tudo vai de encontro ao movimento dos coronéis sem soldados, mas todo grito é válido e toda negociação política é legítima. A questão reside é como mobilizar os que não desejam ser mobilizados e, por ressonância, como controlar os que ganham (pode até ser pouco) para não deixar as coisas saírem do controle. Com a palavra o coronel que, de uma forma ou de outra, bradou em plena terça-feira, em frente ao Batalhão de Choque, contra os baixos salários na mais que secular instituição policial.
* é professor e sociólogo, licenciado e bacharel em Ciências Sociais pela UFJF, mestre em sociologia, doutor em ciências humanas: sociologia e política pela UFMG, autor do livro, Fordismo: origens e metamorfoses. Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP, 2005 e organizador da obra, Polícia em Movimento. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO