Mostrando postagens com marcador livro Polícia em Movimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livro Polícia em Movimento. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de julho de 2009

UM TEXTO QUE VEIO DE MINAS GERAIS E MERECE TODA A NOSSA ATENÇÃO E MUITAS REFLEXÕES DE NOSSA PARTE.

Coronéis sem soldados
Lúcio Alves de Barros*
Cá longe, no meio dos morros de Minas Gerais, enclausurado em uma Faculdade no interior, vejo com curiosidade e um pouco de preocupação o movimento liderado pelo Coronel Paulo Ricardo Paúl, ex-corregedor da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Em seu blog, com alimentação diária, no qual andei dando algumas contribuições, encontramos textos indignados e, nos últimos tempos, meio apavorantes e dramáticos. Nos últimos dias, o coronel tem investido em um "silencioso" movimento, quase invisível ao mundo midiático e, certamente, ao movimento real dos policiais militares.
Infelizmente, no campo da segurança pública, a discussão sobre salário, promoções e mudanças nos quartéis sempre ficaram a desejar. Todavia, o coronel tem levado a efeito com extrema disciplina o que vem sendo chamado de “Movimento Cívico Juntos Somos Fortes!” (não deixa de lembrar os enredos do PT) que tem como apoio um grupo de coronéis que passaram a ser conhecidos como "Coronéis Barbonos" e "40 Evaristos". A nova empreitada do grupo foi a invenção de um “Excluído Fardado (Soldado da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros Militar): um boneco em forma de cruz que traz em seu corpo algumas informações a respeito das condições objetivas do policial e bombeiro militar. Por ele ficamos sabendo que “para o governo a minha vida vale 30,00” ou “sou feito de materiais descartáveis, pois sou descartável para o governo”. A analogia do boneco de pau com os policiais é interessante haja vista que ele é feito com material reciclável. Não sei se a maioria dos policiais realmente pensa dessa forma ou reage “ao ser reciclável” com outros meios que não cumpre aqui alongar, pois outra questão é do meu interesse.
O uso de um boneco não deixa de ser ousado e inteligente, mas revela o silêncio forçado no qual deve estar os policiais militares de baixa patente. Creio que seria oportuno deixar claro para a população a grade salarial dos praças e dos oficiais da PM. É bom saber quanto recebe um policial militar, haja vista que já é de conhecimento público que boa parte trabalha em “bicos” e outra - espero que pequena - há muito já se meteu em milícias e em campos minados por corrupção. Longe deste debate é no mínino preocupante o silêncio da outra parte. Procurei aqui e acolá as iniciativas governamentais por parte do Senhor Governador Sérgio Cabral (PMDB). O que percebi é uma espécie de descaso político e olhos vendados em relação a abertura de negociações. Por outro lado, é possível supor que falta política na polícia. O fato é perigoso e digo isso simplesmente porque foi dessa maneira que teve início a “greve” dos policiais militares em Belo Horizonte no ano de 1997. Naquele período o Governador Azeredo (PSDB) andava literalmente viajando enquanto os baixos salários, a falta de suporte logístico e a morte de alguns policiais esquentava uma mobilização em um quartel que desembocou em um grande movimento de reivindicação. O curioso é que não percebi no “movimento silencioso” dos coronéis a presença marcante dos praças. Infelizmente, há muito já sabemos que se trata de duas castas diferentes na organização policial militar e que, na realidade, se suportam, chegam a se bicar, mas não andam de mãos dadas.
É louvável a mobilização dos coronéis, inclusive pela coragem de informar, dentre tantos dados, que somente no primeiro trimestre de 2009 houve 1695 homicídios, 62 latrocínios e 141 cadáveres encontrados no Rio de Janeiro. Lamentavelmente ficamos sabendo que já se espera cerca de 10.000 pessoas mortas no ano e que este fato não deve mudar tão cedo. Se tais informações não mostram uma crise no campo da segurança pública, definitivamente não sei do que podemos chamar este cenário. O blog do coronel, inclusive, argumenta sobre a morte de 60 policiais em serviço. Os dados são públicos e não é preciso muito esforço para analisar. O que percebo é que em Minas, em junho de 1997, a greve explodiu tendo como suporte muito menos do que vem alardeando o veículo de comunicação e a mobilização dos coronéis.
Não obstante todo esforço do coronelato, aparentemente os praças não perceberam a importância da mobilização política. O boneco, símbolo do movimento, não pode ser de fato o policial que o movimento espera. Ele não passa de um símbolo e não pode parecer em todo a materialização do que é (e deseja ser) a polícia militar do Rio de Janeiro. Mais que isso, se levarmos em consideração o que a mídia joga na TV sobre os policiais cariocas aí é que a coisa fica mais feia. É de conhecimento público a forma que boa parte dos policiais tratam as classes menos favorecidas (mesmo fazendo parte dela), os negros e aqueles que enfrentam a ação governamental, logo, esperar o apoio da população é praticamente impossível. Tudo vai de encontro ao movimento dos coronéis sem soldados, mas todo grito é válido e toda negociação política é legítima. A questão reside é como mobilizar os que não desejam ser mobilizados e, por ressonância, como controlar os que ganham (pode até ser pouco) para não deixar as coisas saírem do controle. Com a palavra o coronel que, de uma forma ou de outra, bradou em plena terça-feira, em frente ao Batalhão de Choque, contra os baixos salários na mais que secular instituição policial.
* é professor e sociólogo, licenciado e bacharel em Ciências Sociais pela UFJF, mestre em sociologia, doutor em ciências humanas: sociologia e política pela UFMG, autor do livro, Fordismo: origens e metamorfoses. Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP, 2005 e organizador da obra, Polícia em Movimento. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

quinta-feira, 10 de abril de 2008

LIVRO - POLÍCIA EM MOVIMENTO - PROFESSOR LÚCIO ALVES DE BARROS


Acabo de receber do autor um exemplar do livro "POLÍCIA EM MOVIMENTO".
O professor LÚCIO ALVES DE BARROS informou que "se trata de um trabalho acadêmico, logo, passível de críticas".
A sua tese sobre polícia está disponível no site "Domínio Público".
Os interessados poderão fazer contato com o autor através do email:
O livro aborda o movimento reivindicatório dos Policiais Militares da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, ocorrido no ano de 1997.

JUNTOS SOMOS FORTES!
CONHECER PARA MUDAR!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CIDADÃO BRASILEIRO PLENO