A tática do governo Sérgio Cabral (PMDB) de distribuir gratificações para pequenos grupos na Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros é conhecida por todos, ela tem objetivos bem definidos: o primeiro, dividir a tropa, fazendo com que os gratificados (alguns com valores equivalentes a cerca de 100% do salário, como o BOPE) não lutem por melhorias salariais e o segundo, não conceder aumento para todos os ativos, nem para os inativos e as pensionistas.
É uma tática cruel, sobretudo para os Praças inativos que estão com idade avançada, com a saúde enfraquecida e impedidos de continuarem a trabalhar no “bico” e com as pensionistas. Uma postura desumana de um governante que não ama o povo, mas ama os empresários que prestam serviços para o governo, como a mídia tem noticiado.
Além dessas verdades, a concessão de tais gratificações subverte por completo a hierarquia, pois faz com que inferiores hierárquicos ganhem mais que seus superiores, algo inconcebível. Um Cabo, seja da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros ou das Forças Armadas, tem que ganhar mais que um Soldado da sua organização militar. No Rio de Janeiro, Soldados ganham mais que Cabos, Cabos mais que Sargentos, Sargentos mais que Tenentes e por aí vai, nesse circo do absurdo. Tudo isso diante de Comandos Gerais estáticos nas suas confortáveis cadeiras e com seus bolsos regiamente gratificados, bem como, diante de um Ministério Público ainda adormecido, embora eu o tenha “catucado” por assim dizer, comunicando formalmente essa vergonha e esse desrespeito às Instituições e aos seus integrantes.
Basta dar uma lida rápida, um passar de olhos nos decretos que criam essas gratificações para perceber que as concessões são completamente insustentáveis, as motivações alegadas são inaceitáveis, risíveis.
A última gratificação concedida por Cabral foi para o Batalhão de Polícia de Choque (BPCh), no valor de R$ 1.000,00 para cada Policial Militar, ela apresenta os mesmos problemas descritos, sendo inteiramente inaceitável. Todavia, no caso do BPCh, a concessão da gratificação ganhou uma peculiaridade especial, pois o objetivo parece ser “comprar” a tropa, fazer com que ela passe para o lado do governo, considerando que no dia 03 JUN 2011, a tropa do BPCH escreveu uma página gloriosa na história da OPM, ao ficar ao lado dos Bombeiros Militares, negando-se a usar da força física contra os companheiros que ocupavam o Quartel Central.
Naquele dia, coube ao BOPE mostrar o preço a ser pago um “por fora”, fazendo o trabalho sujo para o governo Sérgio Cabral (PMDB).
Os resultados dessas ações antagônicas foram imediatos, o BPCh saiu como a verdadeira tropa de elite da Polícia Militar e o BOPE inteiramente desmoralizado, algo que todos devemos lamentar.
Aliás, permitam-me uma janela para perguntar:
Como anda o IPM que apura os fatos que ocorreram no interior do quartel por ocasião da “retomada” do QG do CBMERJ, ele ainda não foi concluído?
Ocorreram ou não disparos de fuzil no interior do quartel?
Quem fez esses disparos?
Quais os resultados das perícias nas viaturas?
Existem muitas perguntas a serem respondidas, inclusive:
Por que a autuação foi feita pela Corregedoria Interna da Polícia Militar se a autoridade de polícia judiciária militar era o Comandante Geral do Corpo de Bombeiros?
Tenho certeza que dessa vez Cabral vai dar com os murros na água, o BPCh não vai mudar de lado. Não adiantará nada ele tentar “comprar” a tropa da OPM, no intuito de usá-la contra o funcionalismo público, pois ele sabe que com a proximidade das eleições de 2012, cada vez mais os funcionários públicos tomarão as ruas do Rio de Janeiro para evitarem que o seu parceiro, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) seja reeleito. Cabral sabe que vai precisar do BPCh e concedeu antecipadamente o agrado, que será inócuo tenho certeza.
No dia 30 AGO 2011, os Bombeiros Militares voltarão para a ALERJ e já anunciaram que farão um deslocamento, levando novamente as mazelas desse péssimo governo para as ruas do Rio de Janeiro, no curso de uma nova festa democrática.
Governador, grite pelo BOPE, torça para que os caveiras ainda sejam leais ao seu governo, uma gestão que humilha e ofende os funcionários públicos.
O Batalhão de Polícia de Choque não foi “comprado”.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO