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segunda-feira, 9 de maio de 2011

A DESCRIMINAZAÇÃO DA MACONHA E OS SERVIÇOS PÚBLICOS ESSENCIAIS.

Publico dois artigos do jornalista Reinaldo Azevedo sobre a descriminização da maconha, os quais foram encaminhados na forma de comentário por um dos nossos leitores, mas neste momento não pretendo discutir o tema, mas sim chamar a atenção para um aspecto que me parece esquecido nas discussões: os serviços públicos essenciais.
Vivo no Rio de Janeiro, o segundo estado em arrecadação do Brasil, onde o governo é completamente ineficaz na prestação de saúde, segurança e educação públicas para a sofrida população fluminense. Os três serviços são desenvolvidos de forma lastimável. Ninguém está seguro em lugar nenhum, não importando dia ou horário. Na educação o estado está em penúltimo lugar no Brasil e na saúde pública não temos UTI neonatal nos hospitais públicos e nem leitos suficientes em CTIs, o que causa a morte de quase dez pessoas por dia.
Diante dessa calamidade, desse governo completamente incapaz, imaginem como funcionaria no Rio a comercialização da maconha descriminizada e o uso terapêutico dessa erva.
Veja / Blog Reinaldo Azevedo
Trecho Extraído

08/05/2011 às 6:51
Escarnecendo dos brasileiros - Comissão de que faz parte secretária nacional de Segurança Pública propõe descriminação da maconha e liberação de produção para consumo próprio.
Há coisas que chegam a dar certa vergonha de noticiar e de comentar, mas fazer o quê? Estão aí, não é? Podem desafiar a nossa compreensão e, às vezes, a nossa paciência, mas temos de lidar com elas. Antes que vá ao ponto, uma questão geral, para reflexão. “Eles” estão perdendo o senso de limite, avançando muito além do razoável. Haverá a hora, estejam certos, em que a sociedade acabará reagindo — desde que haja vozes políticas que resolvam expressar o sentimento da maioria dos brasileiros em relação a alguns temas. Por enquanto, “eles” estão na fase do surto. Não tardará, e os efeitos desastrosos de certas medidas vão se fazer sentir. E então começaremos a despertar para os fatos. Ao ponto.
O Brasil está sendo tomado por uma nova droga, ainda mais devastadora do que o crack: o oxi. Entrou no Brasil pelo Acre, o paraíso marino-petista na Terra, e já se espalha por vários estados. A presidente Dilma Rousseff, no quinto mês de governo, ainda deve ao país o seu plano para combater o crack, promessa solene de campanha. Por enquanto, seu governo está apenas dando marretada em garrucha velha e produzindo mistificações com uma campanha do desarmamento. A Polícia Federal, que tem de vigiar as fronteiras, viu reduzida a verba destinada a esse fim. O tal oxi vem da Bolívia, do companheiro Evo Morales, origem de 80% da cocaína consumida no país.
Dada a realidade devastadora do crack e agora do oxi, em que se ocupa o governo? Em criar facilidades para os maconheiros — que vêm a ser, como querem alguns, os “consumidores recreativos de maconha”..."
Blog Reinaldo Azevedo
Continuação

"... Voltei
Não é apologia, tá? Paulo Teixeira, por exemplo, que integra essa comissão, concedeu, não faz tempo, uma entrevista a um site de… maconheiros! Para defender a descriminação da maconha. Sua militância, no momento, é em favor da criação das cooperativas para a produção do mato destinado apenas ao consumo dos “cooperados”. Ele é líder do PT na Câmara.
Um dos principais problemas das escolas públicas Brasil afora, acreditem ou não!, é a segurança. Em muitos casos, professores vivem sob uma espécie de regime do terror. É assim hoje, quando não há um claro incentivo ao porte e ao consumo de droga. Se a proposta que vai no documento acima for aprovada, os traficantes farão o óbvio: aliciarão adolescentes, alunos ou não, para que levem a droga às escolas — cada portador terá consigo apenas a quantidade que caracteriza “consumo pessoal”. Ninguém poderá molestá-los. E não poderá impedi-los de passar a droga adiante.
As escolas particulares dos filhos dos ricos terão condições de coibir o tráfico em suas dependências porque dispõem de recursos para isso. As públicas ficarão ao deus-dará. Se, hoje, com as restrições legais existentes, a droga já circula entre estudantes, imaginem quando não houver mais amarras. Os filhos dos pobres estarão sendo entregues aos traficantes.
Repressão e medicalização
O debate das drogas vai tomando um caminho perigoso, pautada por uma vigarice intelectual espantosa. A medicalização da questão está tomando o lugar da articulação de políticas púbicas para coibir o tráfico. Sim, a droga é também um problema de saúde, mas, lamento afirmar, é, antes de mais nada, um problema das polícias, que têm a obrigação de reprimir o tráfico.
Um estado que legalizasse as drogas e decidisse arcar com o custo de tratamento dos drogados estaria, em prazo não muito longo, inviabilizando o sistema público de saúde. Seria um sorvedouro sem fim de recursos, porque as gerações iriam se sucedendo na busca do tratamento. Acho que o estado tem, sim, de procurar se equipar para recuperar os viciados, mas não com a descriminação.
É preciso um mínimo de coerência. Ou bem se admite que estamos diante de uma questão de interesse coletivo, e o estado tanto reprime as drogas quanto trata dos dependentes, ou bem entendemos, como querem alguns, que se trata de uma escolha individual. A ser assim, então o estado não tem de gastar um tostão com viciados. Eles não podem “escolher” ter o barato — seja lá com que porcaria for — e depois bater às portas do estado (a coletividade) para pedir socorro. Ou vamos lançar também o Bolsa Maconheiro, o Bolsa Cocaína e o Bolsa Crack?".
Por Reinaldo Azevedo
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

UMAOPINIÃO SOBRE A DESCRIMINAÇÃO DA MACONHA.

Carlos Bolsonaro: Contra a descriminação da maconha.
Vereador (PP).
Rio - Ao fim do regime militar nossos bravos e endinheirados guerrilheiros se voltaram contra tudo o que de bom fizeram os militares. Naquela época, a família era sagrada, os professores, respeitados e os criminosos, tratados com rigor. Hoje, sob a justificativa de “direitos humanos”, se promovem políticas para quem mata, estupra, sequestra ou comete crimes contra os que trabalham.
A grande desgraça em nosso País é a busca do voto a qualquer preço, e os consumidores de maconha e outras drogas, que não são poucos, são alvo. ONGs proliferam às custas do erário e não se vê preocupação com vítimas ou parentes.
Não se deve escancarar a porta de entrada do vício, pela maconha, sob pena de legalizar o caos, pois o próximo passo seria a tolerância da cocaína, do “ecstasy” e do “crack”.
O aumento do número de usuários — que devem ser tratados como criminosos, ainda que com pena mais branda — aumentaria os crimes praticados por esses irresponsáveis que, na Justiça, alegariam estar sob efeito de alucinógenos legais e não poderiam ser condenados.
A bancada da maconha não tem argumentos para justificar tamanha excrescência já que não encontram eco nas famílias e na religião, bases de toda sociedade. Quem não tem um familiar ou amigo viciado ignora o malefício que qualquer droga pode causar e, por isso, não pode estar ao lado da descriminalização, na certeza que tal prática estimularia o ingresso nesse submundo.
Quem defende a descriminalização de drogas, se não for em causa própria, que contrate para sua casa motoristas e domésticos usuários de maconha, cocaína, haxixe, etc. Assim, começarei a pensar em honestidade de propósito.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

sexta-feira, 15 de maio de 2009

MACONHA - RUMO AO ABISMO OU À IMBECILIDADE - MOYSÉS T. LOPES - PUBLICITÁRIO.

A campanha da liberalização da maconha e outras drogas poderiam intitularem-se de “rumo ao abismo ou à imbecilidade”.
Alguns defensores desta bobeira dizem que a sociedade não está preparada para esse debate. Eles acertaram dessa vez! Como reconhecer como promissor,útil e viável de legalização algo que só atrai desgraças e continuamente estamos observando os fatos destruidores que as mesmas proporcionam e que até alguns usuários mais inteligentes e perspicazes querem sair após alguns “tapinhas” com uma simples maconha ao observarem seus efeitos nocivos em tempo?
As desgraças são notórias em fatos gritantes registrados em noticiários até casas de recuperação, piores do que o uso da bebida alcoólica, pois sustentados pelo altíssimo teor corrosivo e suicida de suas substancias fazem do ingênuo e inocente usuário seu escravo que até se torna ladrão, assassino, prostituto ou inverte seu sexo muitas vezes para manter esse vício.
Também não está preparado para o mesmo debate o dependente desse flagelo epidêmico, pois idêntico ao alcoolismo a maioria dos viciados em drogas ficam com o tempo de uso sem noção do que é certo e errado e do limite da razão e da liberdade, sentem-se donos delas e do poder de agirem como querem para imporem seus hábitos aos não usuários em qualquer lugar público (transportes de passageiros,praias,bares, etc.) e que eles sintam desejos.
Já vi casos de mulheres grávidas não usuárias vomitarem e terem que saltar antes de seus pontos de localizações devido a inalação indireta da fumaça de um simples cigarro de maconha fumado em transportes coletivos por grupo de viciados que provocaram inclusive tumultos nesse coletivo; embates causados por não usuários e viciados devido aos abusos cometidos por esses irresponsáveis quando se acham no direito de manter suas transgressões em locais públicos; estudantes e empresários bem sucedidos que viciados só com maconha - que dizem que é uma droga leve - viverem suas derrotas e insucessos tornando-se inúteis para si e para a sociedade.
Se com toda a proibição vigente já observamos transtornos e desenvolvimentos de problemas diversos, o que virá com a liberalização?
É uma ingenuidade também, se dizer que a violência e o combate ao tráfico irá reduzir-se com esse comércio liberado. Será que nosso traficante pagará impostos e encargos sociais além de outras exigências empresariais para o país sem manter paralelamente um outro clandestino com custo baixo para recuperar esse prejuízo deduzido e outras compensações?
Quem está interessado na evolução desse absurdo flagelo?
Tal como acontece com países onde está liberada a compra de drogas, sempre o viciado em seu desespero de consumo continuará a roubar e matar para sustentar seu vício, porque já que com certeza se tornará um incapaz física e mentalmente, de onde ele extrairá recursos para financiar seu prazer devastador?
E quando estiver em casas comerciais esse absurdo para ser comprado e o viciado na sua agonia não tiver dinheiro para comprá-lo,será que os assaltos irão diminuir assim como aconteceu em uma loja de conveniências no RJ onde foi assassinada covardemente uma funcionária sem reagir só por puro prazer do assassino para fazer tiro ao alvo na cabeça da vítima e isto ocorreu após tê-la roubada em poucos recursos ?
Porque em países como China, alguns do Oriente Médio, Cuba e até em províncias próximas do Tibete – algumas inclusive próxima do Tibete vivem da exportação do ópio - não existe o número de viciados, violência e combates com traficantes que temos em nosso país?
Porque além da conscientização junto da fase infantil dos flagelos causados por esses vício destruidor, existem penas rigorosas que dependendo do teor da criminalidade pode chegar até a pena de morte.
Se as práticas desse absurdo fossem boas e salutares como querem convencer seus dependentes, traficantes inteligentes e de alta periculosidade não matariam seus auxiliares quando viciam-se devido preocupações com “suas vacilações” que é a gíria usada para as perdas de suas saúdes mentais e reflexos na linguagem da bandidagem. Se tal idiotice ficar liberada em nosso país onde convivemos com sérias deficiências de progresso,mal uso e investimento de nossas terras com potenciais ricos e mal desenvolvidos diversos setores econômicos do país, estaremos facilitando inclusive controles e domínios estrangeiros com mais facilidade de nossa economia e de nossas riquezas para proveito de algumas ambições tal como aconteceu em diversos países estrangeiros que a história universal pode contar.
MOYSÉS T. LOPES
Um ex-reporter policial de uma época em que segurança pública era algo que realmente dava certo devido seus controles rígidos.
Atualmente sou publicitário e espero estar contribuindo com alguma solução para o futuro do Brasil.


PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

sexta-feira, 8 de maio de 2009

UM DEPOIMENTO SOBRE A MACONHA (DROGA LEVE) E O CRACK (DROGA PESADA) - O COMEÇO.

Polícia 24/04/2009 05h38min
Mãe relata a dor de ter perdido o filho para o vício do crack.
"Hoje vivo um dia após o outro" diz Flávia Costa Hahn após a tragédia que se abateu sobre sua família.
Duas horas e meia após depor à Delegacia de Homicídios e Desaparecidos, a representante comercial Flávia Costa Hahn, 60 anos, recebeu Zero Hora e Diário Gaúcho para falar sobre a tragédia que se abateu sobre sua família desde o domingo de Páscoa, quando empunhou o revólver que matou o único filho, Tobias Lee Manfred Hahn, viciado em crack.
Sentada na sala de sua casa de três pavimentos com piscina na região conhecida como Sétimo Céu, no bairro Tristeza, em Porto Alegre, ela relembrou durante uma hora momentos dramáticos da sua trajetória como mãe, com a ressalva deque não falaria sobre o dia da morte de Tobias. - Foi um acidente - repetiu, garantindo que foi ela a autora do tiro disparado de um revólver do marido Manfred Oto Hugo Hahn, 75 anos.
A seguir, trechos do desabafo de Flávia:
O FILHO SONHADO.
"Fui mãe aos 34 anos. Um filho desejado. Estávamos nos Estados Unidos e nunca tivemos casa própria. Vivíamos como ciganos de um país para o outro. No dia que eu engravidei, a gente decidiu fazer essa casa para o nosso filho. Nasceu aqui, mas logo fomos morar na Venezuela. Eu ficava com ele, não trabalhava. Era um menino espoleta, bagunceiro, hiperativo. Ficou lá até aos nove anos, quando voltamos para o Brasil.
"A MACONHA NO COLÉGIO."
Quando a gente voltou, logo consegui trabalho. Acho que foi ali o meu erro. Pensando que ele estaria bem no colégio, tinha uma pessoa muito boa (uma empregada) cuidando dele. À noite e nos finais de semana, eu estava sempre em casa. Pensei que isso seria suficiente, mas não foi para o Tobias. Ele saía com os amiguinhos, começou com a maconhazinha no colégio. Acho que não fui enérgica o suficiente.
"A SUPERPROTEÇÃO."
Filho único. Ele sempre me dominou. Tinha um jeitinho de pedir as coisas que eu não podia negar. Quando não estava no crack, era muito carinhoso. Era a mãezona dele. Às vezes, eu brigava com meu marido, que era mais enérgico, para defender ele. Foi muito mimado por mim. Acho que foi esse meu defeito.
"O INÍCIO DO PESADELO."
O Tobias usava droga desde os 14 anos. Da maconha, passou para a cocaína. Em 2002, ele se meteu com uma gangue e teve problemas com a polícia. Mas mantinha o vício assaltando, roubando. E eu, como mãe, nem sabia. A gente é sempre a última a saber. Então eu consegui um trabalho em Brasília e fui para lá. O meu marido ficou aqui, desesperado, não aguentou a situação. O Tobias batia no meu marido, maltratava a pessoa que cuidava do meu marido. Então, levei ele para Brasília.
"AS NAMORADAS E A PASSARELA."
Brasília foi um santo remédio. Ele deixou a cocaína, ficou na maconha. Ele teria de ter amigos e não tinha. Passou três meses suando no apartamento. Não sabia que a falta de cocaína dava essa suadeira nele. Conseguiu outros amigos, uma namorada. Fez curso de modelo, cuidava da pele, fazia musculação. Fiquei um ano e meio em Brasília. Ele ganhou dinheiro desfilando, as gurias correndo atrás dele. Era loirinho e chamava a atenção. Depois fui para o Rio. Continuou com a maconha, mas nunca me pediu dinheiro além da mesada de R$ 300. Ele ia à praia, fez curso de guia de turismo e trabalhava como modelo. Até a Xuxa chamou ele para entrevista.
"O RETORNO E O CRACK NA PORTA DE CASA."
O inferno começou em 2006. Voltei para minha casa para ser representante da empresa em que trabalhava. Fiquei aqui, viajando pelo Estado e por Santa Catarina, e ele reencontrou antigos amigos e começou a usar crack direto. Aqui é muito fácil. Vivemos em uma zona residencial classe A, mas se caminha 200 metros e tem uma vila com três traficantes e do outro lado tem um beco com um monte de traficantes. O crack é muito barato. Qualquer um tem R$ 5 para comprar.
"AS INTERNAÇÕES."
Ele não aceitava. A primeira foi pelo meu plano de saúde. Chamei uma ambulância e, enquanto ele dormia, vieram aqui, o pegaram e levaram. Ficou 30 dias na Clínica São José. Saiu de lá bem, tomando remédio, um antidepressivo e um remédio que bloqueia o cérebro e não dá vontade de usar drogas. No momento em que parou com o remédio, voltou para a droga. Internei ele seis vezes. Meu plano de saúde pagava só uma vez por ano e até 15 dias. Era muito caro, R$ 400 por dia. Quando eu não tinha dinheiro, pedia via ordem judicial. Dizia ao oficial de Justiça a hora em que o Tobias estava em casa dormindo e que tinha de vir com a Brigada. Eles chegavam aqui, pé por pé, eu abria a porta, acordava ele, e ele ia para o PAM 3, na Vila Cruzeiro do Sul, aguardando vaga em um hospital em SUS.
"AS ROUPAS QUE VIRAM DROGA."
Em 2007, comprei uma moto nova (Honda 125 cilindradas) para ele, e ele começou a trabalhar como motoboy. Eu viajava muito naquele tempo e não conseguia controlar ele. Depois, ele disse que roubaram a moto. Trabalhou no Clube Jangadeiros, lixando barcos, gostava muito. Consumia tudo que ganhava. Nunca comprou uma peça de roupa para ele. Tudo eu dava. No ano passado, consegui um emprego em uma grande transportadora em Manaus. Comprei a passagem aérea para ele fazer entrevista. O voo saía as 2h, mas ele sumiu. Me deixou com a mala e a roupa nova comprada. Perdi a passagem. Depois, ele vendeu a roupa. Era uma coisa a mais que ele tinha para vender para consumir drogas.
"MÃE VIRA BANCO 24 HORAS."
Quando surtava, ele me batia. Me bateu várias vezes. Às vezes, ele dava tapas no meu rosto e a cabeça voava. Ficava toda machucada. No Natal passado, ele queria dinheiro, eu não tinha, e ele me tirou a soco de casa até o bar do seu Adão, que é meu amigo, aqui perto, para pedir R$ 20. Estava fechado. Ele me empurrou a soco, escadaria acima, até a casa do seu Adão. Eu caía, levantava, ele me empurrava para ir mais rápido. Não tinha ninguém. Tive de voltar em casa, pegar o cartão de crédito e ir no banco sacar dinheiro. Eu era o banco 24 horas dele.
"TROCO ESCONDIDO EM CASA."
Nos dias 30 e nos dias 6 ou 8 , quando meu marido e eu recebíamos, ele infernizava a minha vida. Pedia dinheiro, três, quatro vezes por dia. Eu já deixava escondido. Trocava uns R$ 200 por notas de R$ 5, R$ 10, R$ 20. E quando ele incomodava muito, dava R$ 5. Aí, ele ficava mais uma hora pedindo, a noite toda. Dava dinheiro para ele não roubar outras pessoas. Pela violência dele, podia cometer um crime. Eu tinha de caminhar uns 20 minutos (2,3 quilômetros) até um caixa 24 horas buscar dinheiro. Isso à noite, de madrugada. Ultimamente, eu ia dormir na casa de uma amiga. Meu carro (um Gol) está parado há um ano. Não quis arrumar. Ele vendeu a bateria e o estepe, a chave de roda, e deixei assim.
"ACESSO PROIBIDO AO FILHO."
Primeiro foram as roupas dele. Depois, o meu guarda-roupas. Os meus casacos de pele, meus sapatos. Um dia entrei lá e não tinha mais nada. Depois acabou com a roupa de cama, tapetes. Coisa de valor, ele empenhava com os traficantes por R$ 50. Eu dava o dinheiro e mandava ele buscar. Deixava a casa toda chaveada. Só deixava acesso à cozinha e ao quarto dele. Ultimamente, ele só ameaçava colocar fogo na casa. Tinha medo dele.
"A FAMÍLIA DEPENDENTE."
O crack mantém a gente refém dele. Os familiares, as mães, os pais, pensam 24 horas no crack. A gente também é viciado nela. É uma maldição. Tu pensa: daqui há pouco vou ter de dar dinheiro para o crack. É incrível. A gente fica pensando quando isso vai acabar. De cada mil pessoas, acho que uma pessoa se livra do crack. Nunca perdi a esperança que ele sairia das drogas.
"AS AMEAÇAS E O TIRO."
Nunca pensei que pudesse ter uma atitude radical com o Tobias. Só peguei aquele revólver para assustá-lo. Foi um tiro só. Um acidente. Não direcionei a arma, não apontaria para o rosto dele. Ele passou correndo por mim, estava desnorteado. Tentou me explodir com gás dentro da cozinha, foi dramático. Estou na mão de Deus e da Justiça. A coisa mais preciosa que eu tinha, já perdi. Tudo que vier, vou receber como tem de ser.
"O TRATAMENTO NA PRISÃO."
Me trataram muito bem no presídio (Penitenciária Feminina Madre Pelletier). Menos as detentas. Diziam: `a assassina do filhinho? Não a queremos na cela´. Me colocaram em uma solitária, e elas (agentes) me disseram: `não se preocupe, a gente está com a senhora´. Me deram café da manhã, almoço. Cheguei lá na madrugada e fiquei até as duas da tarde.
"O ANIVERSÁRIO E O CEMITÉRIO."
A vida parece que parou. O centro das minhas atenções era meu filho. Por mais que me usava para comprar droga, eu estava sempre perto dele. A vida está vazia. Domingo passado era aniversário dele. Fomos ao cemitério, levei flores e rezei por ele. Vou a uma igreja espírita. O pior momento dessa tragédia foi ver o meu filho sem vida. Hoje vivo um dia após o outro.
"UM RECADO ÀS MÃES."
É preciso procurar toda a ajuda, como eu fazia. O crack é tão forte que, quando a pessoa consome muito, bloqueia todo o sistema nervoso. Então, a pessoa não é mais ela. Não se pode desistir nunca. Não tive sorte de salvar meu filho, mas pode ser que outras tenham. Na infância, acho que a mãe deve deixar de trabalhar e se dedicar absolutamente às famílias.
"O DIA DA MORTE."
A rotina trágica da família em 12 de abril, um domingo de Páscoa:
5h - Tobias obriga a mãe a ir com ele até um banco 24h para sacar dinheiro. Após pegar R$ 20, sai para comprar crack.
8h - O jovem retorna e faz a mãe sair outra vez para retirar mais dinheiro.
14h - O jovem volta à residência e discute com os pais, pedindo mais dinheiro. Ameaça atear fogo à casa, quebra louças e empurra a mãe, que cai em cima de cacos e corta o braço direito.
17h - Desesperada, Flavia vai até o quarto e pega o revólver calibre 44 do marido. Segundo ela, a arma dispara acidentalmente contra o pescoço de Tobias, que morre na hora".

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

QUEM TEVE ACESSO À EDUCAÇÃO FORMA OPINIÕES.

O brasileiro possui uma formação generalista, ou pensa que possui, o que o leva a dar opinião sobre praticamente qualquer tema.
Futebol, política, religião, economia, dependência química, segurança pública, medicina, educação, etc.
Ele sempre parece ter uma opinião fundamentada, embora quase nunca consiga explicitar adequadamente esses fundamentos.
Não podemos esquecer que o acesso à educação no Brasil, ainda é muito restrito, no que diz respeito a uma educação de qualidade.
E, diante desse quadro, o brasileiro apóia ou crítica, aplaude ou vaia, quem defenda ou quem ataque qualquer tema, como por exemplo, a liberação do consumo das "drogas leves".
É o exercício da liberdade de expressão, um direito constitucional, mesmo que a expressão não seja muito coerente, em algumas oportunidades.
Caro leitor, você teve acesso a uma educação real, o que significa dizer que você é responsável pela formação da opinião de outras pessoas, o que é muito importante.
Assim sendo, antes de defender ou de atacar a liberação das "drogas leves", faça uma imersão teórica prévia nesse mundo de dores e de sofrimentos, para só depois formar opiniões.
Uma opinião fundamentada promove mudanças, enquanto, uma opinião mal fundamentada, provoca distorções.
Então, responda:
- Existe "droga leve"?
- O que é dependência química, quais são seus sintomas e quais são as suas consequências?
- Quanto custa ao Estado o tratamento de cada dependente químico?
- Você é contra ou a favor da liberação das denominadas "drogas leves"?
- O usuário de drogas deve ser tratado apenas como um "doente" ou também criminalmente, como sendo o "cliente" que alimenta o comércio de drogas ilícitas?
- Você é contra ou a favor da liberação da denominada "marcha da maconha"?
Participe!
Opine!

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

quarta-feira, 25 de março de 2009

SEGURANÇA PÚBLICA, UMA POLÍTICA EM DESCOBRIMENTO - SARGENTO DE POLÍCIA JOSÉ LUIZ BARBOSA.

Segurança pública, uma política em descobrimento.
* José Luiz Barbosa
Ao nos debruçarmos sobre a avaliação das políticas de segurança pública, uma coisa é certa, durante muitos des'governos, o que tivemos foi a boa vontade e dedicação dos policiais para o enfrentamento do problema, seja atuando basicamente na ponta da linha reprimindo ou em ações isoladas de natureza social.
A bem da verdade, nunca tivemos ao longo da história brasileira, uma política de segurança pública que objetivasse o monitoramento e avaliação do fenômeno criminal e suas nuances seja na esfera municipal, regional ou em nível nacional, o que poderia ser componente essencial para o planejamento e construção de uma política, senão eficaz, pelo menos de igual escala a evolução da criminalidade e da violência.
O crime como fenômeno, se equipara a ação comercial, levada a efeito pela via de atos ilícitos e infrações penais, que esta diretamente ligado a equação, risco da atividade criminosa e rentabilidade de seu resultado.
Sendo assim, quanto mais rentabilidade e menos risco, maior a incidência da modalidade criminosa, a exemplo do tráfico de drogas, sequestro relâmpago, assaltos de qualquer natureza, principalmente os que oferecem menos resistência e obstáculos a sua execução como nos bancos, sequestros entre outros, este último em declínio pela complexidade de sua etapas, e o cuidado que se requer no tratamento e encarceramento da vítima.
Interessante de se notar, que o crimes na quase totalidade, estão vinculados ao “ter”, o que demonstra que o patrimônio ainda é o campeão das infrações penais, tendo como consequência a violência que acaba em lesões corporais e morte. Uma das pragas do capitalismo selvagem trata exatamente do ter sobrepondo-se ao ser, o que torna as pessoas mais individualistas, ambiciosas e materialistas, mais isso é uma questão para debate da filosofia.
Fica claro no entanto, que sem investimentos maciços e participação do cidadão, fica cada vez mais difícil o enfrentamento do crime, que se constitui em ações de prevenção, como prima ratio, e a repressão como ultima ratio, vez que aí se conclui que todas as fases de prevenção falharam.
A parte que mais de perto é obrigação do Estado é a do planejamento e elaboração de políticas públicas de segurança, que deve incluir como pilar fundamental a mobilização e participação do cidadão, mas para isso é necessário estabelecer uma relação de confiança e colaboração reciproca, sem as quais fica quase impossível o sucesso de toda estratégia para reduzir e conter o avanço da criminalidade.
A Polícia como instituição estatal, mas em sua essência composta de homens e mulheres que também são destinatários dos serviços, e que lutam pelo reconhecimento de sua condição de cidadãos, num total paradoxo democrático, vem desempenhando seu papel com zelo e dedicação, até com o sacrifício da própria vida, o que pode ser constatado cotidiamente, estando sujeito ainda, a todas as agruras e mazelas imersas no tecido social, provenientes da fragilidade e ausência de políticas públicas concretas que garantam o mínimo de dignidade aos cidadãos.
Muitas das vezes, por desconhecimento, escamoteamento ou para dar resposta política ao clamor social, um problema social é transformado em problema policial, que dado a sua complexidade afeta todo o sistema de defesa social, favorecendo sua climatização criminógena derivando em outros crimes de menor ou até maior potencial ofensivo.
Com a devida vênia e citando o ex-presidente Fernando Henrique, um exemplo bem real e pratico de tudo isso, se dá com o uso da maconha, que dado a sua popularização, tornou-se hábito quase corriqueiro entre seus usuários, no entanto como faz parte do rol de drogas ilícitas, veio a se tornar uma atividade criminosa extremamente rentável, de fácil capilaridade, o que dificulta o seu combate, tanto no que se refere a apreensão e prisão dos infratores, quase nunca proprietários e lideres do tráfico, estes últimos muitas vezes protegidos sob o manto social, por isso a defesa de sua descriminalização para uso, o que a deixaria sem atrativos financeiros, em razão de elevar sua oferta.
Mas vamos avançar um pouco mais sob esta ótica, e não se trata aqui de apologia ao crime, mas de uma lógica mercantil e raciocínio prático, nesta onda quase incontida de uso e abuso de drogas, temos um problema mundial dos mais visíveis que é o uso do álcool e do tabaco, dentre muitas outras drogas licitas. Não podemos olvidar que o mercado se regula pela chamada oferta e procura do produto.
A redução e abolição do uso do álcool, sofre com sua sociabilidade, o que expande sua aceitação e incentiva seu uso, o tabaco no entanto, gradativamente contabiliza perdas e adeptos, tudo resultado de campanhas educativas e orientativas públicas e privadas de seu mal e consequencias, numa união de esforços.
Partindo para uma conclusão, e levando em consideração o custo-benéficio das drogas mais populares e de mais fácil acesso para seus usuários, temos atualmente o crak, que vem causando verdadeira devastação entre o jovens, destruindo sua vida e abarrotando o sistema de saúde pública, assim como o álcool.
Respeitando posições divergentes, já não seria chegado a hora, de sermos mais pragmáticos e menos hipócritas, e descriminalizarmos a maconha, pois isso parece-nos o mais racional, por cooperar até na diminuição do uso do crak, que veio a se disseminar, em especial pelo seu reduzido custo para aquisição. Trata-se de uma relação custo-benéficio, neste sentido talvez possamos caminhar um pouco mais sobre estas e outras questões, se começarmos a mudar a visão que temos e passarmos a adotar outra visão para o mesmos problemas.
Discordamos da opinião simplista do secretario Beltrame, que reputa a responsabilidade pela violência do tráfico aos usuários, primeiro que isto não é verdade por uma série de fatores, segundo porque se o tráfico se expandiu foi exatamente por ter se tornado uma atividade que possibilita o enriquecimento rápido e fácil, em terceiro pela falência múltipla e total falta de investimentos nos órgãos de segurança pública, o que caberia outra avaliação, a começar pela desvalorização da atividade policial, que mais se aproxima no consciente coletivo de “lixeiros da sociedade”, e por derradeiro, não dá para não vermos que tais problemas, deveriam mais ser tratados como uma questão de saúde pública.
Para prevenir é fundamental educar sob parâmetros de uma vida digna, começando na infância, prova disto é o que mencionamos sobre a redução do tabagismo e sua crescente erradicação como droga licita socialmente aceita, tornando o que insistem no vicio em desajustados sociais, passíveis de reprovação e sanção moral, afinal tudo mundo tem necessidade de ser aceito no seu grupo social.
Acreditamos que se descobrirmos a importância de uma política integrada de segurança pública, o Estado poderá a partir de seus diagnósticos enfrentar preventivamente outros problemas sociais que afligem e atemorizam o cidadão, tudo dependendo do trabalho individual e coletivo de todos.
José Luiz Barbosa, Sgt PM
Presidente da Associação Cidadania e Dignidade.
Bacharel em direito.
E-mail –
cidadaniaedignidade@yahoo.com.br
Acesse nosso site – www.cidadaniaedignidade.com.br
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO