Prezados Policiais Militares e Bombeiros, esse é mais um daqueles artigos que escrevo sabendo que vou levar pancada dos radicais de plantão, mas como não consigo ficar em cima do muro, insisto no equívoco de não ser politicamente correto e repito o erro de não escrever o que as pessoas querem ler. Ao contrário, escrevo para incomodar, para tirar da área de conforto, tendo como objetivo o sucesso da nossa luta de anos e anos.
Peço que façam uma reflexão a respeito do que nós queremos alcançar quando anunciarmos a possibilidade da deflagração de uma paralisação, a partir do dia 10 FEV 2012.
1) Queremos pressionar o governo para que ele atenda principalmente aos nossos anseios salariais?
2) Queremos efetivamente fazer a paralisação?
A resposta parece óbvia, o item 1. Todavia se nós analisarmos tudo o que está acontecendo, desde os primeiros chamamentos na internet, que sinalizaram para uma greve no dia 13 MAI 2012 (lembram?), até os dias atuais, a obviedade começará a ser abalada.
Primeiro, pego emprestado uma fala do Cel BM Sérgio Simões, Secretário de Estado da Defesa Civil e Comandante Geral do CBMERJ, Oficial com qual não lembro de ter tido nenhum contato na vida profissional:
"(...) Definitivamente não é momento de sermos manipulados por uma rede de interesses em que vale tudo para consolidar candidaturas e o que menos importa é a solução de nossos problemas".
Longe de afirmar que ele esteja certo, considero que devemos pensar a respeito. Usar cada pedaço do quebra-cabeças para montá-lo e não para atirarmos as peças uns nos outros.
Sinceramente, em vários momentos ao longo da mobilização unificada tenho percebido pretensões na direção de querer a greve e não de solucionar os nossos problemas, para eleitoralmente a deflagração de uma greve no Rio de Janeiro, poder ser usada como ferramenta de campanha eleitoral. Não percebo em todos a preocupação com o alcance dos nossos objetivos e sim com a concretização da greve, apenas isso.
Sou contrário ao movimento grevista, sou inativo, me sentiria um covarde estimulando uma greve que não fiz na ativa, mas sou completamente favorável a um movimento forte e organizado através da deflagração da tolerância zero (padrão) tão empregada na Polícia Federal e com efeitos quase idênticos aos de uma greve. Os PMs do batalhão de Campos usaram recentemente essa operação, quando se recusaram a sair para as ruas sem os coletes balísticos apropriados. Fizeram horas de "paralisação". O efeito foi alcançado, penso que sim. Alguém foi preso? Penso que não.
Prezados, peço que pensem sobre alguns pontos:
- Por que estamos fazendo apenas uma série de visitas e reuniões interna corporis com a presença dos representantes, ações certamente indispensáveis para a conscientização do efetivo, mas não estamos divulgando nas ruas para a população, trazendo o povo para o nosso lado? Será que só estamos preocupados na interação com os futuros eleitores, os PMs e os BMs? Por que não estamos panfletando nas ruas? Por que os representantes não apoiaram o ato da UEMRJ realizado ontem (poucos eleitores?)? Sugiro que leiam a capa do jornal O Globo desse sábado e pensem sobre o que teria levado um jornal claramente pró-Cabral a estampar na capa: "Com PMs em greve, Bahia enfrenta caos na segurança". Não esqueçam que O Globo é lido por formadores de opinião. A manchete coloca o povo fluminense a favor ou contra a nossa greve?
- No último domingo, os PMs, BMs e PCs deram um show de mobilização em Copacabana. Sensacional! Pergunto: Quem estava organizando a caminhada no chão? Ninguém, mas muitos disputaram espaço no caminhão de som, buscando o microfone, nem sempre de forma educada, por assim escrever.
- Até mesmo entendendo a greve como último recurso, por que não programamos a mobilização com o aumento gradativo de pressão e implantamos inicialmente a tolerância zero, sem qualquer risco para os PMs, BMs e PCs? Aliás, o Inspetor Chao da Polícia Civil (representante) tratou desse tema na histórica reunião no SINSPREV, onde foi celebrada a primeira mobilização unificada da área de segurança pública do Rio de Janeiro.
Obviamente, todos tem o direito as suas pretensões eleitorais, mas existe um tempo para cada coisa, a hora é de conquistar objetivos. O reconhecimento virá com a vitória e com ela os votos. Nunca vi a tropa da PMERJ e do CBMERJ tão motivada para lutar pelos seus direitos, o que significa que a oportunidade não pode ser perdida, em face de interesses pessoais. Perdida, poderá ter sido a última. Parabéns a todos e a todas que estão determinados em deixar de receberem esses salários de fome. Um voto de aplauso especial aos PMs e BMs do Interior, pois estão dando exemplos de idealismo e destemor incomum.
Escrevi esse artigo para somar, não para dividir, como alguns alegarão. Fiz isso porque ainda existe tempo para realizarmos as adequações e começarmos pela operação tolerância zero (padrão), preservando a tropa de represálias e pela conscientização da população que ainda está do nosso lado (Pesquisa Rádio Tupi), situação que o governo quer mudar.
O artigo já está longo demais, dei munição suficiente para que atirem contra mim, mas espero ter provocado reflexões nos que não estão visceralmente interessados na greve, mas sim na conquista dos nossos objetivos, pois esse deve ser o objetivo de todos nós. Os que querem a greve pela greve, esses me espancaram, certamente.
Juntos Somos Fortes!

