O GLOBO:
Criminalidade despenca no Dona Marta e na Cidade de Deus, comunidades ocupadas por UPP (leia). Tenho defendido constantemente que um dos gravíssimos problemas das polícias fluminenses (Federal, Militar e Civil) é o descumprimento das suas missões constitucionias.
A Federal não previne e não reprime o tráfico de drogas e o contrabando de armas, a Militar e a Civil foram transformadas em tropas de assalto para invadir comunidades, apartadas de suas missões.
A matéria do jornal O Globo comprova que a realização das missões constitucionais é muito importante, enquanto não adotamos o ciclo completo para todas as instituições policiais, algo cada vez mais necessário.
Nas Unidades de Polícia Pacificadora a Polícia Militar se desenvolve o policiamento ostensivo, uma das missões constitucionais da Polícia Militar e o faz com uma tática clara, a saturação do território com policiais.
A relação habitante/policial é muito maior nas comunidades com UPP do que no restante do território fluminense.
Quem não gostaria de vivenciar o seu bairro saturado com policiamnto ostensivo?
Quem não gostaria de uma grande operação para solucionar todos os inquéritos policiais em andamento na delegacia do seu bairro?
Todos nós ficaríamos satisfeitos.
As UPPs não representam uma invenção, na verdade são um grande Destacamento de Policiamento Ostensivo, com um efetivo agigantado, nada mais. Porém, não podemos negar que a simples presença dos policiais na comunidade resolve alguns problemas sérios, como a presença de homens armados de fuzil na porta de sua casa.
Longe de serem a solução, pois todos nós conhecemnos os seus problemas não ostensivos, as UPPs são a comprovação de que o Coronel de Polícia Carlos Magno Nazareth Cerqueira estava certo na década de oitenta quando exigia que o Policial Militar estudasse, conhecesse a sua profissão.
O conhecimento é poder!
As UPPs lembram no saturamento o Policiamento de Bairros que era feito por grupos de policiais utilizando kombis e que saturavam um bairro com policiamento, além de interagirem com a população para conhecerem os problemas da comunidade, produzindo conhecimento na área da segurança pública, o que as UPPs ainda não conseguem.
O Policiamento de Bairros era itinerante, não possuía a eficiência da permanência no terreno, porém contribuía para o aumento da sensação de segurança em vários bairros e era eficiente enquanto presente, por motivos óbvios.
As UPPs destroem a tática do "tiro, porrada e bomba" defendida por Sérgio Cabral, Beltrame, Mário Sérgio e Allan Turnoesky, que continuam insistindo nela teimosamente.
A cúpula da segurança pública continua inteiramente perdida e querem a ajuda de Rudolph Giuliani, quando basta ler alguns livros e notas de instrução da época do Coronel de Polícia Cerqueira, isso seria muito mais eficiente e infinitamente mais barato.
Cidadão fluminense, enquanto não buscarmos o CONHECIMENTO continuaremos na teimosia do ensaio e erro, o que determina que a população fluminense como um todo continue apavorada (leia). JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO