Eu sou contra a greve, desde o primeiro momento e sempre destaquei a relevância do desencadeamento da Operação Tolerância Zero na luta pelos nossos direitos. Operação utilizada várias vezes pela Polícia Federal e que não constitui nem crime e nem transgressão disciplinar, muito pelo contrário. É preciso aprender a planejar e agir em conformidade com a preservação dos nossos direitos. Ao investir no movimento grevista, os que agem em tal direção acabam ficando sujeitos a acusações como as feitas em desfavor do Cabo BM Daciolo, mas cada um é senhor de seus pensamentos e de suas ações.
Escrito isso entro no tema que deu origem ao título do artigo.
Prezados leitores, vamos voltar ao artigo anterior, a matéria do G1 e extrair um trecho:
" (...)
Cabral solicita gravações.
O governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral solicitou ao governo da Bahia as cópias das gravações telefônicas, nas quais o cabo do Corpo de Bombeiros do Rio, Benevenuto Daciolo, planejava estratégias de deflagração de atos grevistas no Rio. As escutas foram exibidas no Jornal Nacional nesta quarta-feira (8).
Em nota enviada à imprensa, Cabral diz que seu objetivo "é que sejam tomadas as providências cabíveis para a manutenção da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro".
Confira a íntegra da mensagem enviada por Cabral ao governador Jacques Wagner.
"Prezado Governador Jacques Wagner,
Tomei ciência pelo Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, que o bombeiro militar do Estado do Rio de Janeiro, cabo Benevuto Daciolo, manteve conversas telefônicas, gravadas com autorização da Justiça, com diversos interlocutores, nas quais planejava estratégia de deflagração de atos grevistas no meu Estado que, se deflagrados, colocariam em risco a ordem pública.
A fim de que eu possa tomar as providências cabiveis para a manutenção da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro, solicito que me sejam enviadas cópias de todas as gravações que tenham tido como interlocutor o bombeiro militar acima referido ou qualquer outro servidor do Estado do Rio de Janeiro.
Agradeço desde já a colaboração do Estado da Bahia na manutenção da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro.
Abraços,
Parece brincadeira, não parece?
Mas não é. Pode conferir no link, realmente existe uma carta de um governador pedindo a outro governador que forneça cópias de gravações de aúdios provenientes de escutas telefônicas autorizadas pelo poder judiciário ("A fim de que eu possa tomar as providências cabiveis para a manutenção da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro, solicito que me sejam enviadas cópias de todas as gravações que tenham tido como interlocutor o bombeiro militar acima referido ou qualquer outro servidor do Estado do Rio de Janeiro").
Isso é uma desmoralização.
A lei 9296/96 foi jogada na lixeira.
O inquérito da Polícia Federal está sendo esculhambado e ninguém fala nada.
Será que o governador não sabe que a autorização do poder judiciário é para a feitura das gravações e não para a divulgação das conversas?
Não sabe que o que aconteceu no Jornal Nacional ofende à legalidade?
A fala do apresentador do Jornal Nacional leva o cidadão comum a entender que a revelação das escutas foi por ordem judicial, mas não é isso, muito pelo contrário, o delegado da Polícia Federal é o responsável da manutenção do sigilo, as conversações NÃO PODEM SER REVELADAS.
Será que o governador não sabe que os autos deverão ser encaminhados ao poder judiciário e ao ministério público?
Será que ele não sabe que como Chefe do poder executivo não lhe cabe tal solicitação ao governador do estado onde ocorreram os fatos?
Situações como essas explicam facilmente dois fatos:
1) O fato de eu ter sido preso ilegalmente no dia 03 FEV 2012, ter sido mantido preso ilegalmente por três dias e ainda, ter sido constrangido com a apreensão ilegal do meu rádio, meu celular, minha internet móvel e meu notebook; e
2) O fato de eu ter comunicado tudo isso ao poder judiciário, ao ministério público, à CGU, à Corregedoria Interna da PMERJ, entre outros órgãos e passados mais de 8 meses, NENHUMA INVESTIGAÇÃO foi instaurada.
É a desmoralização do estado democrático de direito.
Juntos Somos Fortes!