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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

SISTEMA POLICIAL BRASILEIRO – COMENTÁRIOS.

COMENTÁRIO POSTADO:
1) Coronel Paúl, sou Sargento PM formado pelo CFS I/2005. Tenho 19 anos de caserna e 16 em unidades operacionais; contudo, sempre procurando entender as mazelas de nossa Instituição... Mesmo sabendo que Praça só pode mudar a si próprio, como eu fiz.
Se a PM é considerada improdutiva, deve-se exclusivamente ao fato de que deixamos de nos comportar como policiais ostensivos para nos comportarmos como infantes implacáveis – sem contar que nossos administradores não se contentam com a missão atribuída pela Constituição e vivem querendo “abraçar” outras missões do poder público –, então expõe a PM aos constantes e severos corretivos da mídia, políticos e população.
A Instituição se recusa a acompanhar as mudanças ocorridas na sociedade desde o início do processo de redemocratização, bem como as mudanças no perfil do seu público interno. Desde 1993, quando entrei para o CFAP, vejo o policial “holywoodiano” sendo explorado (depois abandonado) e, ao mesmo tempo, sendo exaltado pelos comandantes: esqueceram que as práticas dos anos 1970, por exemplo, não caberiam mais. Os oficiais continuaram tratando seus soldados como meros cumpridores de ordens, porém, perderam a honra dos oficiais de outrora: hoje, praça trabalha para o oficial “X” e não para a PM. Esqueceram também que a globalização, a influência das liberdades de imprensa e pensamento fariam com que tudo fosse acompanhado em tempo real de qualquer parte do mundo.
Um número sem fim de Unidades/PM é criado constantemente, apenas, para abrigar mais um comando e mais um estado maior, mas o policiamento ostensivo sagrado de cada dia... às favas. Hierarquia não é problema, mas solução. E é isto que anda faltando na PM. Vemos os oficiais tratando o serviço (e praças) como instrumento particular para “ganhar algum”, o famoso policiamento vendido nunca foi investigado pelas corregedorias porque oficial é corporativista com oficial, e em casa militar oficial é deus.
Por conseguinte, essa organização militar farsante não condiz com uma democracia. Usar uniformes, simplesmente, não a tem feito presente. Por que tantos oficiais aquartelados e tão poucos praças policiando as ruas? Usar militares na defesa da sociedade? Nunca! Pois o pensamento militar é pensamento de guerra, quando o que se espera prover ao cidadão é a paz. Quando se fizer necessário usar uma força militar para defender o povo, as FFAA estarão lá para fazê-lo, pois o inimigo será um estrangeiro. E no caso de uma intervenção especial – como, por exemplo, os casos em que haja tomador de refém – aí sim, poderiam usar uma unidade tática. Um soldado é aquele profissional treinado para cumprir as ordens superiores de maneira incondicional; um policial profissional em tese treinado para cumprir e fazer cumprir as leis em prol da convivência harmoniosa entre os indivíduos daquele povo, precisa pensar e decidir sozinho porque passa a maior parte do tempo sozinho sendo o mediador das crises.
2) A Polícia Civil é tão ineficiente quanto a Polícia Militar, sim. Mas devemos considerar suas especificidades. O que falta à Civil são investimentos para capacitá-la na arte de investigar e menos ingerência eleitoreira. Ela é ruim, mas não o é porque é um órgão civil. Pois se o fato de não ser militar fosse o seu aleijão poderíamos dizer que a Microsoft, a Coca-Cola e tantas outras empresas bem sucedidas são dirigidas por generais. Falta levar a Polícia Civil ao seu papel constitucional, mas isso não se realiza sem recursos financeiros e investigadores nas ruas sem uniforme, com veículos descaracterizados de verdade, aparato tecnológico e pensamento científico. Hoje, temos uma polícia judiciária que se limita em registrar ocorrências e inventar factóides para apresentar ao MP; temos uma polícia judiciária verificando pagamento de IPVA de motociclistas infratores; temos uma polícia judiciária fardada e brincando de operações especiais (vide a CORE), e, quase na totalidade, somente resolve crimes com prisão em flagrante delito ou denúncias anônimas.
Por tudo isto, precisamos reformular o sistema policial brasileiro. Não precisamos de uma polícia ostensiva que não se faz presente nas ruas, mas voa, navega, entra em florestas, etc.; mas também não precisamos de uma polícia judiciária que não elucida os crimes, mas voa, veste uniforme e apresenta inquéritos muito mal instruídos ao MP, possibilitando ao malfeitor permanecer nas ruas rindo deste sistema esdrúxulo e antiquado.
3)Desmilitarizando a PM teríamos uma Instituição com a maior parte dos seus integrantes patrulhando as ruas. Pois a escola formadora de oficiais encharca a PM com tantos homens em gabinetes, mais de 70 novos administradores por ano copiando, colando e carimbando os mesmos papéis de sempre. Note que a expressão patrulhar, numa acepção mais moderna, nada tem a ver com deslocamentos militares, mas sim com o modo dinâmico de promover segurança. A PMERJ, por exemplo, está sendo engolida pela Guarda Municipal, que veste uniforme, entra em forma, mas na execução dos serviços não é militar (inclusive vem sendo mais ostensiva que a PM).
Essa nova Instituição Policial teria hierarquia como em qualquer empresa, mas não seria força auxiliar do Exército – que hoje pode se servir de qualquer cidadão ao convocá-lo – nem teria como premissas profissionais sem direito algum daqueles tantos previstos no Art. 5º da CFB, pois é inconcebível ter um homem desrespeitado diariamente e depois exigir que ele respeite o seu público. Repito: o pensamento militar não é condizente para o trato polícia e cidadão.
Grosso modo, a base da pirâmide dessa nova polícia ostensiva – cuja denominação poderia ser esta mesma – seriam os agentes policiais uniformizados, a pé, em veículos, em duplas ou quartetos circulando pelos bairros. Não seriam necessários tantos quartéis com suas famigeradas instalações e burocracias, as quais, hoje, aprisionam Tenentes, Capitães, Majores, TenCel, Coronéis e Praças em gabinetes que poderiam ser geridos por gente contratada para atuar em único local. Exemplo: Divisão de transportes, de pessoal, de finanças, de logística, etc., em um mesmo prédio (hoje, vemos dezenas de quartéis). A atividade operacional seria gerida por um número menor de superiores, diferentemente do que se pode ver nas polícias militares do país: incontável número de oficiais com suas medalhas e barretes sem saber o que é policiar uma rua. Corregedorias fortes e imparciais seriam imprescindíveis, porque as de hoje não acompanham de perto o público interno e ainda são lotadas por muita gente que, apesar de ter o nome limpo nos órgãos de proteção ao crédito – uma das principais exigências para trabalhar lá –, se sofrerem uma devassa por órgão superior, serão esvaziadas.
Esta nova polícia ostensiva seria subordinada ao Ministério Público Estadual, órgão isento das manipulações políticas. Os chefes dos agentes seriam como os capitães do departamento de polícia Yankee, isto é, aproveitaríamos aquele modo de se fazer presente nas ruas.
“Enfim, Precisamos de uma nova concepção para formação de policiais destinados ao policiamento ostensivo”. Precisamos de uma polícia ostensiva de verdade!
4) Fala-se em reforma política, reforma previdenciária e outros tipos de reforma. Por que não falamos em Reforma Policial a nível nacional? Boa discussão, Coronel Paúl!
O ideal para que pudéssemos ter uma polícia transparente seria a subordinação direta ao Ministério Público que é órgão independente – não pode ser submisso a partido político, nem se permite ser. E, assim, sem intervenções que visam atendimento de assuntos pessoais ou políticos, sem o toque de “chefes” elegíveis ou daqueles que têm pretensão de se tornarem elegíveis, fazendo falsos discursos moralistas para os policiais, mídia e sociedade, possamos um dia contar com policiais que se atrelem, somente, com a missão constitucional, ou então teremos que nos conformar com este modelo arcaico de polícia e de fazer segurança pública, sob pena de pagarmos um preço alto pela falta de desejo de uma reforma, num futuro não muito distante. Se nós acreditarmos que lutar por uma polícia melhor é morrer por uma causa perdida, sem merecer qualquer consideração, então, no mínimo, nossas consciências terão de pagar o preço pela falta de paz que nossa covardia está plantando: nossos filhos e netos colherão violência urbana desenfreada em safra muito mais farta do que esta que herdamos de nossos pais e avós.
Sgt Foxtrot (anônimo por não ser reconhecido cidadão, mas sim PM).
Juntos Somos Fortes!

domingo, 25 de dezembro de 2011

REFORMA DAS POLÍCIAS - COMENTÁRIOS - PROPOSTAS.

Os nossos comentaristas estão externando suas idéias nos comentários sobre a unificação das polícias e sobre o fim do concurso externo para delegados, tenho acompanhando com atenção e estou evitando comentar  de propósito, considerando que quero fazer uma proposta. 
Consideremos hipoteticamente que o Rio de Janeiro é um país, portanto, podemos alterar o seu sistema policial. Sabemos que tanto a polícia ostensiva (Polícia Militar), quanto a polícia investigativa (Polícia Civil), são ineficientes no Rio de Janeiro. Partindo dessa verdade respondamos aos seguintes questionamentos:
1) A Polícia Militar é improdutiva em razão da sua organização militar? Por que?
2) A Polícia Civil não é organizada militarmente, porém é tão ineficiente quanto a Polícia Militar. Qual é a causa (s) que tamanha ineficiência da nossa polícia investigativa?
3) Desmilitarizando a Polícia Militar, como será organizada a nova Instituição?
4) Como será organizado o sistema policial do Rio de Janeiro como um todo?
Juntos Somos Fortes!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

NOSSO BLOG: A VOZ DOS LEITORES!

COMENTÁRIO POSTADO:
A Polícia Civil do Rio de Janeiro soluciona mais casos de homicídios (em números brutos) que qualquer outra no mundo. Foram mais de 400 homicídios elucidados, só no ano de 2010. Nenhuma polícia investigativa do mundo tem estes índices. Percentualmente, obviamente o índice é baixíssimo, devido a total ineficiência da polícia preventiva. Se na Suíça teve 3 homicídios em um ano, todo aparato policial, com mais de 100 policiais para investigar CADA UM, conseguiu elucidar dois deles, e mesmo com todos os recursos deixou um sem solução, o índice percentual vai ser de 66% de elucidação, mesmo só tendo investigado dois réles homicídios. Já no Rio, os Delegados e seus agentes se desdobram para, entre as funções de Central de Flagrantes, atender público, administrar Delegacia, ter cerca de 500 inquéritos CADA UM, em um lugar onde não existe polícia preventiva (só se houve falar em policiamento preventivo quando a própria policia preventiva comete os crimes, o que representa mais da metade dos casos), um número de 400 casos elucidados é FANTÁSTICO.
Mas vai continuar sendo enxugar gelo, enquanto a PM não for extinta ou aquartelada (como era antes dos anos 70), se devolvendo o policiamento preventivo para uma instituição civil (ou Guardas Municipais, as quais deverão ser proibidas de serem comandadas por PMs, fortalecendo o policiamento comunitário, ou para as próprias Polícias Civis, como era nas antigas Guardas Civis). Seja de uma forma ou de outra, o Capitão Nascimento está certo: a PM tem que acabar (não só a do Rio, no Brasil inteiro), visto que modelo militar de Polícia só existe no Brasil e em dois países da Àfrica cujo nome não consigo lembrar.
Anônimo.
COMENTO:
Agradeço o comentário postado e destaco que respeito a interpretação dos fatos feita pelo anônimo, embora discorde quase que inteiramente dela, pois só concordo quando a direção é pela reformulação do sistema. Concordo, caso a Polícia Militar continue com o seu pífio desempenho ostensivo, melhor que seja extinta. Todavia, o mesmo caminho deve ser adotado com relação à Polícia Civil, instituição que possui apenas uma missão constitucional, a investigação, sendo desastrosa a sua baixíssima produtividade. Incluindo as prisões em flagrante feitas pelos Policiais Militares, nem 5% dos assassinos são identificados e condenados.
Temos que banir o corporativismo e com o sonho de alguns Policiais Civis de incorporar a Polícia Militar, isso não nos conduzirá a lugar nenhum, temos que reformular o modelo policial e caminhar para o modelo da polícia completa adotado em todo mundo, as meias polícias brasileiras são um fracasso completo, tanto as Civis, quanto as Militares.
É hora de agir, a insegurança pública nos oprime.
Temos que fazer nascer uma NOVA POLÍCIA, uma instituição moderna de ciclo completo, organizada militarmente ou não, mas muito distante das atuais e das ineficientes Polícias Civil e Militar.
O Rio deve ser o nascedouro do novo modelo, pois temos a segurança pública mais atrasada do país, portanto, a mais fácil de ser reformulada.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 29 de agosto de 2010

NOSSO BLOG, A VOZ DO LEITOR.

EMAIL RECEBIDO:
Coronel sobre o que o senhor falou sobre os custos de transferência de criminosos do estado, para as prisões de segurança máxima, realmente tem um preço alto, porque desses 8 bandidos alguns são pés de chinelo e um fato interessante e que essas prisões federais tem poucas vagas, porque quando houve a transferência de presos para o Rio de Grande do Norte o custo foi de 20 mil como comprova a matéria:
http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/post.asp?t=r-20-mil-para-levar-chefoes-do-trafico-para-longe-do-rio&cod_Post=272180&a=443.
E a agora, já não deve existir vaga na mesma penitênciária para novos bandidos. Mas uma coisa que está implícita nesse custo, e a transferência na qual deve ter sido usado o GOE que realiza esse tipo de operação nas prisões do estado,o que evidencia um custo maior ainda que é o diz respeito as tropas de elite nesse estado e em muitos outros, mas nesse estado são usadas 4 elites: Bope, Core, GOE da Seap e Gae da guarda municipal. E todos realizam ações que na policia americana existe só um grupo para atuar em tais situações de que é a SWAT que são: controle de motins em prisões como faz o GOE, o GAE que atua no controle de motins nos prédios municipais (com armas de choque) mas que em pode daqui a pouco tempo começar a atuar armada, Core nas prisões de alto risco e o Bope o trabalho que todos já devem saber. Nisso vemos mais dinheiro que o povo paga para o cumprimento de funções que não são de suas competência constitucionais, sendo assim, sobrecarregando algumas instituições como é o caso das delegacias da policias civil em que não se adiantou a adoção do programa delegacia legal, por falta de mão-de-obra, isso pode ser constado pelas vítimas que reclamam nos jornais a demora para se registrar uma ocorrência fazendo assim, com que várias ocorrências não sejam registradas nas delegacias por se tratar de objetos de pequeno valor, gerando assim resultados cada vez melhores nos índices do ISP, necessitando assim de adidos da PM tirando-os, então da competência constitucional que é policiamento ostensivo esse é apenas um exemplo. Mas, para mim, a saída desse caos é a unificação da polícias ou existe outra alternativa?
Concordo, vivemos em um caos completo na segurança pública do Rio.
Penso que a unificação das polícias seja uma alternativa, mas só caminhando para a federalização das polícias, uma única polícia, ciclo completo e federal. O problema é unir instituições bicentenárias tão diferentes.
A alternativa é a adoção do ciclo completo pelas polícias estaduais, com divisão geográfica para definir área de atuação.
Escreverei um artigo sobre esse tema.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

VENCER O INIMIGO INVENCÍVEL...

Viver não é tarefa fácil, sobretudo em um país do terceiro mundo, onde a obsessão por levar vantagem em tudo está inserida em corações e mentes de parte significativa da população.
O importante é "se dar bem"...
Nessa direção ocorrem fatos que a primeira vista parecem ser motivados pelo desconhecimento, porém a vista mais atenta revela que pode existir algo de podre nessa bela viola.
O que motivaria pessoas cultas a aumentar cada vez mais o número de usuários de um tipo de transporte coletivo, sem aumentar os meios para transportar essa demanda crescente de usuários?
Sinceramente, não consigo colocar a culpa na ignorância.
Por que seguem inaugurando novas estações do Metrô do Rio, aumentando o número de usuários, sem aumentar o número de composições?
Isso é um erro grosseiro, impróprio para as mentes que nos governam.
O Metrô ultrapassou o seu limite e se transformou em um caos, um sofrimento para seus usuários, que hoje vaiaram o secretário de transportes Júlio Lopes (leia).
Certamente, algo precisa ser melhor observado.
Há algum tempo eu escrevi (e ainda escrevo) que o Policial da ponta da linha, o Praça da Polícia Militar, deve ganhar mal para ser mais facilmente corrompível, o "sistema" precisa dessa corrupção barata.
O Praça da Policial Militar está nas ruas, nessas ruas onde os ilícitos abundam por todos os lados, ilícitos que para funcionarem precisam da tolerância da Polícia, sobretudo da Polícia Ostensiva.
Uma tolerância comprada a preço baixo.
Isso é verdade.
Por motivos óbvios, os Oficiais que fazem parte do "querer se dar bem", usufruem dessa tolerância, direta ou indiretamente.
O "sistema" precisa desses policiais recebendo salários famélicos e a nossa luta por salários dignos acabou por ameaçar o próprio "sistema". Toda essa estrutura ilícita precisa do beneplácito da Polícia, a quem presenteia com migalhas ou com malas, dependendo da importância do destinatário.
Cidadão fluminense, os Policiais precisam ganhar bem, assim como, precisam estar sob constante vigilância dos organismos de controle interno e externo das Polícias, caso contrário, a parceria Polícia-Crime florescerá cada vez com maior abundância.
Em 2007, iniciou-se uma luta para reverter esse processo destrutivo para a sociedade fluminense, ação que foi violentamente reprimida, mas que sobreviveu e que tenta retomar a sua força, congregando homens e mulheres de bem que queiram enfrentar o "sistema".
Una-se a nós, precisamos de todos.
A luta é contra um adversário quase invencível, que possui milhares de braços que se estendem em todas as direções.
Venha lutar conosco.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

AS NOSSAS POLÍCIAS INVESTIGATIVAS NÃO ESTÃO NADA BEM NO BRASIL.

TERRA NOTÍCIAS
Delegado: 80% dos casos levados à PF não são resolvidos
09 de novembro de 2009 • 07h15 • atualizado às 07h36
Pesquisa do delegado Gustavo Schneider, do Rio Grande do Sul, indica que cerca de 80% dis crimes comunicados à Polícia Federal (PF) não são esclarecidos. O estudo indica ainda que nos últimos 20 anos o número de inquéritos abertos pela PF aumentou em 2.000%. A pesquisa é baseada em dados do Tribunal de Contas de União (TCU). As informações são do jornal O Estado de São Paulo.
Segundo o jornal, o delegado acredita que a melhor maneira de reverter o quadro seria adotar "critérios científicos de seletividade e absolutamente objetivos". Problemas na própria investigação e a demora da Justiça contribuiriam para os dados negativos.
"As autoridades policiais devem ter maior independência para atuar com isenção em relação a processos políticos, às injunções governamentais de ocasião", afirmou ao Estado. "Nossas polícias judiciárias, tal como o Ministério Público e o Poder Judiciário, têm de ser instituições de Estado, não de governo", disse o delegado à reportagem. Schneider é o responsável pelo inquérito sobre um esquema de desvio de verbas no Detran do Rio Grande do Sul. Entre os acusados de participar do esquema está a governadora do Estado, Yeda Crusius.
"O Brasil precisa criar conselhos comunitários, integrados por membros do Ministério Público, da Justiça e da polícia para decidir quais casos devem ser priorizados (...) o interesse da comunidade é que tenhamos uma seletividade baseada em critérios científicos", disse ao jornal.
Ainda de acordo com o Estado, a pesquisa indica que, no Rio Grande do Sul, em 2004, foram abertos 217 inquéritos sobre infrações previdenciárias, sendo que, até agosto de 2007, 77 haviam recebido sentença judicial. Desse total, a Justiça arquivou 61, absolveu os réus em outros 14 e condenou em dois.
"Esses números são de chorar. Revelam que nossa atividade de polícia judiciária não está atingindo o princípio constitucional da eficiência", disse ao jornal. "Grande parte dos casos terminou assim por ausência de justa causa, ou seja, atipicidade do fato (...) houve extinção da punibilidade por causas diversas, prescrições e pagamento de tributos", afirmou o delegado à reportagem.
Segundo o jornal, Schneider afirma que esse número é negativo em todo o mundo, mas especialmente no Brasil. "Isso ocorre em razão da observância quase religiosa do princípio da obrigatoriedade da abertura de inquérito. Isso tem natureza ideológica. Sempre desinteressou que a polícia priorizasse casos de relevante valor social, como os crimes do colarinho branco, contra o meio ambiente, contra a ordem econômica, contra a ordem tributária. Crimes que lesam de maneira impactante a comunidade", disse ao Estado.
O delegado afirmou ao jornal também que o quadro ainda deve piorar, mas não defende que a autoridade policial decida o que investigar. "Seria antidemocrático e uma fonte potencial de corrupção. Não é isso que se quer. Queremos um processo democrático de escolha (...) a maior parte dos crimes são patrimoniais, cometidos por determinada camada populacional", disse ao Estado.
De acordo com a reportagem, Schneider vê no Projeto Tentáculos, criação do delegado Carlos Eduardo Sobral, de Brasília, uma saída. O projeto propõe colocar em um único inquérito todos os delitos cometidos por uma mesma organização, e não "pulveriza os esforços em inquéritos inúteis que não vão dar em nada."
Enquanto existirem no Brasil meias polícias, que não realizam o ciclo completo como acontece no mundo civilizado, tanto a Polícia Ostensiva, quanto as Polícias Investigativas, continuarão fracassando e o povo pagando a conta.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO