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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

POLÍTICA E MILITARISMO


“Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razões.”

Versos da música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré.

O militar é apolítico!
Sem dúvida, poderíamos citar essa frase como uma das máximas da vida castrense.
Servidores da pátria, os militares não deviam se envolver com a política.
Essa era uma das lições ensinadas nos quartéis.
E veio o ano de 1964.
Repressão.
Censura.
E veio o ano de 1982.
E a vida seguiu em frente!
Militares viraram políticos.
Guerrilheiros viraram políticos.
E a vida seguiu em frente!
Após a reabertura política, os quartéis da Polícia Militar do Estado viveram uma nova realidade.
Surgiu o discurso a respeito da necessidade da eleição de Policiais Militares para que a Instituição tivesse voz no cenário político.
Isso seria fundamental para que obtivéssemos aumentos salariais, por exemplo, através da eleição de Deputados Estaduais.
Policiais Militares foram eleitos e o resultado não foi o esperado.
Entretanto, surgiu o aprendizado, ficou clara a necessidade imperiosa de aprender novas lições.
Nesse período a política entrou nos nossos quartéis e produziu efeitos deletérios.
A expressão “ações politicamente corretas” passou a ser o principal referencial das nossas ações.
Ora reprimir, ora não reprimir o tráfico de drogas.
A Polícia Militar passou a ser governo e se afastou do seu maior parâmetro, a legalidade.
E como já escrevi, no ano de 2006, Policiais Militares começaram a lutar pela reversão dessa interferência política, que tanto mal causou à Polícia Militar.
Fomos ao Judiciário buscar soluções e dele esperamos decisões em conformidade com os interesses públicos e especificamente, com os interesses da Polícia Militar.
Surgiram mobilizações de Oficiais e de Praças com o objetivo de resgatar à cidadania do Policial Militar através da concessão de salários dignos e de adequadas condições de trabalho, principalmente.
E as mobilizações, os atos cívicos, foram sempre ordeiros, disciplinados e pacíficos, afinal, somos Policiais Militares, cultuamos a hierarquia e a disciplina.
Todavia, somos cidadãos e essa foi a grande lição que aprendemos, após a invasão política que sofremos.
Nós somos a nossa voz!
Nós falamos por nós!
Nós somos cidadãos!
As nossas fardas não são prisões dos nossos ideais, elas são o nosso orgulho, a nossa honra.
Aprendemos que temos que estar atentos a todos os passos da política, para que possamos alcançar os nossos objetivos.
Os interesses de cada um de nós precisam ser os interesses Institucionais, para que sejam os interesses de todos nós.
E assim sendo, vemos com bons olhos a notícia publicada pela Revista Veja - Edição 2038 – ano 40 – nº 49 – 12 de dezembro de 2007:

COLUNA RADAR
LAURO JARDIM

LULA AFAGA CABRAL
O clima de sedução entre Lula e Sérgio Cabral já rendeu nesse ano ao Rio de Janeiro 3,4 bilhões de reais de repasses federais para obras. É mais do que o estado recebeu nos dez últimos anos somados.

E como estamos mobilizados pela equiparação salarial entre as Instituições Policiais Estaduais, quanto mais dinheiro entrar no estado, melhor para todos.

E mais alguns versos da música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré:

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL
CORREGEDOR INTERNO