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sábado, 9 de abril de 2011

BOLSONARO E O FUZILAMENTO DA DIREITA - GUILHERME FIUZA.

REVISTA ÉPOCA
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Bolsonaro e o fuzilamento da direita

No Brasil de hoje, como se sabe, ninguém é de direita. Ou melhor: a direita existe, mas é uma espécie de sujeito oculto, que só aparece para justificar os heroicos discursos da esquerda – eterna vítima dela. Lula governou oito anos, promoveu seus companheiros aos mais altos cargos e salários estatais, fez sua sucessora, e a esquerda continua oprimida pela elite burguesa. É de dar pena. Nessa doce ditadura dos coitados, é preciso cuidado com o que se fala. Os coitados são muito suscetíveis. Foi assim que o deputado federal Jair Bolsonaro foi parar no paredão.
Capitão do Exército, Bolsonaro é filiado ao Partido Progressista, mas é uma espécie de reacionário assumido. Defende abertamente as bandeiras da direita – que, como dito acima, não existem mais. Portanto, Bolsonaro não existe. Mas fala – e esse é seu grande crime. Depois da polêmica entrevista do deputado ao CQC, da TV Bandeirantes, o líder do programa, Marcelo Tas, recebeu e-mails de telespectadores revoltados. Parte deles protestava contra o próprio Tas, por ter dado voz a Jair Bolsonaro. Na Constituição dos politicamente corretos – assim como nas militares –, liberdade de expressão tem limite.
A grande barbaridade dita por Bolsonaro no CQC, em resposta à cantora Preta Gil, foi que um filho seu não se casaria com uma negra, por não ser promíscuo. Uma declaração tão absurda que o próprio Marcelo Tas cogitou, em seguida, que o deputado não tivesse entendido a pergunta. Foi exatamente o que Bolsonaro afirmou no dia seguinte. Estava falando sobre homossexualismo, e não percebeu que a questão era sobre racismo: “A resposta não bate com a pergunta”, disse o deputado.
Se Jair Bolsonaro é ou não é racista, não é essa polêmica que vai esclarecer. No CQC, pelo menos, ele não disparou deliberadamente contra os negros. Estava falando de promiscuidade, porque seu alvo era o homossexualismo. O conceito do deputado sobre os gays é, como a maioria de seus conceitos, reacionário. A pergunta é: por que ele não tem o direito de expressá-lo?
Bolsonaro nem sequer pregou a intolerância aos gays. Disse inclusive que eles são respeitados nas Forças Armadas. O que fez foi relacionar o homossexualismo aos “maus costumes”, dizendo que filhos com “boa educação” não se tornam gays. É um ponto de vista preconceituoso, além de tacanho, mas é o que ele pensa. Seria saudável que os gays, com seu humor crítico e habitualmente ferino, fossem proibidos de fustigar a truculência dos militares?
A entrevista também passou pelo tema das cotas raciais. Jair Bolsonaro declarou o seguinte: “Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista”.
O conceito do deputado sobre os gays é reacionário. Mas por que ele não tem o direito de expressá-lo?
É a resposta de um reacionário, um dinossauro da direita, proscrito pelas modernas ideologias progressistas e abominado por sua lealdade ao regime militar. Mas é uma boa resposta. E agora?
Agora o Brasil bonzinho vai fazer o de sempre: passar ao largo do debate e choramingar contra a direita. Eis um caminho de risco zero. Processar Bolsonaro, o vilão de plantão, é vida fácil para os burocratas do humanismo. No reinado do filho do Brasil, até o nosso Delúbio, com a boca na botija do mensalão, gritou que aquilo era uma conspiração da direita contra o governo popular. O filão é inesgotável.
Cutucar o conservadorismo destrambelhado de Bolsonaro é atração garantida. Mas censurá-lo em seguida não fica bem. Parece até coisa dos antepassados políticos dele. A metralhadora giratória do capitão dispara absurdos, mas não está calibrada para fazer média com as minorias – e isso é raro hoje em dia.
De mais a mais, se manifestantes negros podem tentar barrar um bloco carnavalesco que homenageia Monteiro Lobato, por que um deputado de direita não pode ser contra o orgulho gay e as cotas raciais? Vai ver o preconceito também virou monopólio da esquerda.
Guilherme Fiuza
COMENTO:
O autor acerta no centro do alvo quando escreve que a direita parece não existir mais no Brasil e mantém o acerto quando trata do radicalismo de Jair Bolsonaro, assim como quando afirma que ele deve não ter entendido a pergunta da cantora, algo que pareceu evidente no descompasso entre pergunta e resposta.
Penso que devemos ouvir novamente Bolsonaro, permitir que ele expresse a sua opinião com clareza, mas para isso temos que vencer um defeito crônico dos nossos chamados liberais: o RADICALISMO.
O Brasil é um país pródigo em liberais que não aceitam opiniões contrárias.
São libertários de suas próprias convicções, mas querem aprisionar as opiniões diferentes.
Garantir uma vida igualitário para hetero e homossexuais é um dever de todos nós, mas isso não pode significar que tanto o homossexualismo, quanto o heterossexualismo, sejam criticados livremente, afinal expressar a nossa opinião é um direito constitucional.
Ser contra ou a favor das cotas nas universidades também deve merecer a livre expressão, assim como, a preferência pelo casamento dos filhos.
O cerne da questão é a liberdade, nosso segundo maior bem.
Lutar para que os homossexuais tenham todos os direitos é um dever de todos.
Se manifestar contra o homossexualismo e afirmar que não quer que seu filho ou filha seja homossexual é um direito de todos nós.
Simples.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"AS ZELITES E AS ZESQUERDAS NAS ZAMÉRICAS" - ALEXANDRE CARVALHAES ROSETTE - CORONEL DE POLÍCIA.

Nestes últimos anos a América Latina está tentando dar uma guinada para a esquerda com um discurso meio atrasado, anacrônico e fora do contexto histórico.
Falam dos males da globalização e debatem isso. Os “zesquerdistas” de várias partes do mundo se organizam em Fóruns onde debatem meios de impedir a integração social, cultural e econômica entre os países.
Parece brincadeira! Produzem até relatórios! Alguns até trocam idéias através de e-mail (provavelmente chamado por eles de “carta eletrônica”), sem se tocarem que isso se deve à “maldita” Internet, uma invenção imperialista ! A máxima é o “socialismo ou muerte”, como disse o Chapolin “Carajo” Colorado da Venezuela, que na ânsia de implementar sua “revolucion bolivariana” impediu até a imagem de Papai Noel por acreditar ser um símbolo da cultura norte-americana.
Quanta besteira! Enquanto o Chapolin vai tomando essas atitudes pitorescas e caricatas, o povo distraído parece nem perceber que está sendo subtraído em tenebrosas transações, como diria o “zesquerdista“ Chico Buarque.
Esse sentimento de nacionalismo só não existe nas “zesquerdas” brasileiras quando o assunto é defender os interesses internos. Eles acreditam na tal dívida histórica do Brasil com os vizinhos. São “românticos”. Não resta dúvida, porém, que se fôssemos levar essa idéia ao pé da letra ainda falaríamos tupi-guarani; afinal português é língua do imperialismo lusitano, certo?
A deturpação mental de alguns “revolucionários” tupiniquins chega a tal ponto que se encontra na rede mundial de relacionamentos, Orkut, o seguinte comentário sobre um trágico episódio havido no Rio de Janeiro:
“...está indignado com a "barbárie" do assassinato do João Hélio? Você quer pena de morte, redução da maioridade penal, quer alerta nacional, polícia na rua, exército, força tarefa e o escambau? ha ha ha classe média! Estão colhendo o fruto que a burguesia plantou, que o capitalismo gerou...”.
A declaração deste “botocudo” não merece comentário. Como diria um outro amigo: “só não relincha porque tem beiço curto”!
Mas voltemos ao “zesquerdismo” das “Zaméricas”.
Quais seriam os horizontes culturais para esses jovens que rejeitam essa “prosperidade burguesa”?
Não os que optam por intercâmbios em países desenvolvidos, que vão a busca da evolução do conhecimento e dos muitos avanços conquistados através desse conhecimento. Os países asiáticos são símbolos da importância e da necessidade desse intercâmbio na formação de empresários, intelectuais e líderes. São os países que mais enviaram estudantes para os EUA e Europa nas últimas décadas. Agora já estão se transformando em produtores e exportadores de conhecimento, a maior riqueza da sociedade contemporânea.
Mas e os nossos jovens “zesquerdistas”?
Aonde podem fazer intercâmbio cultural?
Faltam países socialistas!
Mas eles têm que ir!
Por isso, para cuidar desses pobres e infelizes “sem-intercâmbio”, vamos preparar um roteiro de viagens para o segmento; para esse “nicho de mercado”.
Mercado sim ! Porque mesmo sendo companheiros, vão ter que pagar.
A Venezuela não vale, é muito próxima e não acrescentaria nada, além do mais, o Chapolin Colorado não permitiria a intromissão de uns rebeldes brasileiros. Poderiam “subverter” a cabeça dos estudantes de lá.
A Bolívia é um bom destino, principalmente para a especialização em ataque biológico. O primeiro módulo será: como disseminar a febre aftosa.
A turma que dizimou o cacau na Bahia tem direito a um desconto.
A Albânia... esquece!
A ex-socialista Rússia é um destino legal, quer dizer: até letal, já que a especialidade é em métodos de contaminar e matar adversários com venenos radioativos. Alô turma que queima pneus e prejudica a camada de ozônio! Usar plutônio contra o prefeito é mais eficiente e não colabora para o aquecimento global.
Tinha a França.
Ah, Paris! Paraíso e berço da revolução e sonho dos “zesquerdistas” chiques. Destino certo de intelectuais socialistas, que adoram tomar um cafezinho em suas cafeterias charmosas enquanto falam bem de Cuba. Pena que acabou, com a eleição de Sarkozy, o “direitista”.
Tem Cuba também, e lá teremos várias opções de cursos. Tem o de formação de professores de bóias-frias, onde o “zesquerdista” faz um aperfeiçoamento em corte de cana sem o uso de máquinas. Outra opção é o curso de medicina. Trariam pra cá todos os avanços conquistados lá. Só tem um probleminha: o mesmo sistema de saúde pública de uma ilha daquele tamanho, sendo implantada em um país do tamanho do Brasil aumentaria muito o índice de VDM (*).
Mas esse é o desafio!
Para se adequar à cartilha da boa prostituta do Ministério brasileiro do Trabalho (ele existe mesmo), Cuba, que ano após ano vem se despontando como paraíso do turismo sexual, oferece o curso de boas maneiras para a prostituta. O legal para as “zerquerdas” é que lá a figura do cafetão foi estatizada, e diante do sucesso no combate à desigualdade social depois da estatização do cafetão, Cuba disponibiliza seus conhecimentos para os “zesquerdistas” que sonham com uma estatização ampla, geral e irrestrita.
Tem o Irã, também. Mas alguns dirão: “- não é socialista” ; mas como é contra o imperialismo americano, também vale. Mas já aviso: as mulheres vão ter que seguir as regras e usar o xador, o que é fantástico para quem condena essa “mostração” ocidental. Esse destino é indicado para as “zesquerdistas” desprovidas do “padrão ocidental de beleza”.
O último destino é a Coréia do Norte, onde a principal atração é o cabelinho estranho do ditador Kim Jong II. Mas lá o forte mesmo é a bem sucedida implantação de um programa de combate à fome, a base de sopa de grama e canibalismo. Lindo, todos comendo todos. Para os “zesquerditas” gordinhos seria bem interessante: um Spa na marra !
É isso aí. “Socialismo ou muerte”!
E viva a integração das “Zaméricas”!
E viva a comunhão das “Zesquerdas”!
(*) índice de VDM – Vai Dar Merda
ALEXANDRE CARVALHAES ROSETTE
CORONEL DE POLÍCIA

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

sábado, 21 de março de 2009

REVOLUÇÃO DE 1964 - JORNALISTA JOSÉ MARIA E SILVA.

Revolução de 1964.
O Regime Militar de 64 é a muleta moral dos intelectuais - eles o acusam de todos os crimes para melhor acobertarem os próprios.
José Maria e Silva.
www.josemariaesilva.com
"A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida."
Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, defendendo os fuzilamentos sumários comandados por Che Guevara e Fidel Castro.
Com quantas vidas se faz uma ditadura?
Na belíssima novela de John Boyne, O Menino do Pijama Listrado, essa pergunta é respondida pelo espanto de Bruno, um menino de nove anos. Sempre que ele se surpreende com o mundo do Fúria à sua volta, seus olhos se arregalam, sua boca faz o formato de um O e seus braços caem ao longo do corpo. A obra, uma elegia à inocência da vida que não sabe da morte, deveria ser lida - e meditada - pelos 3.949 intelectuais que, até agora, assinaram um manifesto contra a Folha de S. Paulo, repudiando o editorial "Limites a Chávez", publicado em 17 de fevereiro último, no qual a ditadura militar brasileira é indiretamente chamada de "ditabranda".
O Menino do Pijama Listrado (o livro, não vi o filme) demonstra, metaforicamente, a abissal diferença entre um regime autoritário (circunscrito à esfera política) e um regime totalitário (que permeia todas as instâncias sociais).
As primeiras reações ao editorial da Folha partiram da socióloga Maria Victória Benevides, professora da Faculdade de Educação da USP, e do advogado Fábio Konder Comparato, professor aposentado pela mesma instituição.
Esquecendo-se que a universidade que representam arrasta até hoje um cadáver insepulto (o do estudante de medicina morto num trote em 1999), Benevides e Comparato encenaram uma indignação que jamais sentiram diante das quase 100 mil mortes perpetradas pela Trindade Cubana (Fidel, Guevara e Raúl Castro) - 17 mil na boca dos fuzis, em execuções sumárias, e 80 mil nos dentes dos tubarões, em fuga para os Estados Unidos.
Como a Folha de S. Paulo chamou a atenção para essa dúbia moral de Benevides e Comparato, lembrando que eles jamais protestaram contra a ditadura cubana, os dois intocáveis uspianos se sentiram feridos e, em resposta, fizeram o que os intelectuais de esquerda mais sabem fazer quando são pegos sem argumentos - conclamaram o rebanho para um manifesto.
O inefável Antonio Candido, decano dos intelectuais de esquerda, encabeça o repúdio à Folha, que também conta com figuras como o indefectível Emir Sader, intelectual que, diante de Che Guevara, cai de joelhos por terra, parafraseando a missa: "Guevara, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo".
Quem duvida que Emir Sader é capaz dessa oração diante do guerrilheiro argentino, leia o que ele escreveu num artigo publica do em Carta Maior:
"Não vou gastar palavras inúteis para falar do Che. Basta reproduzir algumas das suas frases, que selecionei para o livro Sem Perder a Ternura".
Também diante de Marx e Fidel, Sader emudece:
"O que falar de Marx que permaneça à sua altura?
O que escrever sobre Fidel?"
Se o ensino superior no Brasil, público e privado, não fosse mero aparelho ideológico da esquerda, Emir Sader jamais teria virado doutor em ciência política pela USP e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de orientador de teses e dissertações. Sem dúvida, estaria até hoje tentando passar no vestibular e sendo reprovado sempre, por não ter argumentos para retratar personagens da história. Que universidade isenta aceitaria um aluno que, ao ouvir falar de Marx, Guevara e Fidel, não fosse capaz de articular uma só palavra e se comportasse feito os silvícolas do Anhangüera, embriagado pelo álcool incandescente da revolução?
Já imaginaram se um intelectual de "direita" dissesse não ter palavras diante de Karl Popper?
Seria acusado de ignorante e charlatão. Emir Sader é um paradigma da universidade brasileira.
Ele é a prova cabal de que, por trás da cantilena de "produção do conhecimento" , o que há nos mestrados e doutorados do país é uma usina de produção de marxismo e derivados.Estou plenamente convicto de que a universidade brasileira não é solução para nada - ela é parte essencial do problema. As principais mazelas do Brasil são fomentadas artificialmente pela universidade, que, desde a década de 50, na ânsia de criar um novo mundo, especializou-se em destruir o existente. Isso fica muito claro quando se estuda a origem social dos guerrilheiros que pegaram em armas contra o regime militar. Eles vieram, em sua maioria, das universidades. Não tinham o menor apoio popular. Como é que o povo podia apoiar um bando de tresloucados que, de arma em punho, pregavam a derrubada de uma ditadura imaginária?
Porque até o final de 1968, com a edição do AI-5, só havia ditadura na imaginação dos universitários.Foi exatamente durante os propalados "Anos de Chumbo" que o Brasil viveu uma das maiores efervescências culturais de sua história, com os festivais, a imprensa alternativa, a Tropicália, o Cinema Novo, Chico e Vandré, Caetano e Gil. Ao contrário de Cuba, onde Chico Buarque seria fuzilado ou condenado a 20 anos de prisão se falasse mal de Fidel Castro, no Brasil, o máximo que lhe aconteceu foi ser admoestado pelos militares, o que lhe garante até hoje uma conta bancária maior do que seu indiscutível talento.
Num ambiente assim, existe alguma razão plausível para se pegar em arma ou até para se perpetrarem atentados terroristas, como fizeram muitos grupos guerrilheiros?
Obviamente, não.
Em toda guerra, os primeiros sacrificados são os inocentes, portanto, a opção pela luta armada para derrubar um regime só se justifica quando e se regime é sanguinário e opressivo, incidindo sobre toda a vida social e não apenas sobre a esfera política. Era o que acontecia na terra do Menino do Pijama Listrado, daí o Levante do Beco de Varsóvia, em 1943, quando judeus desesperados - não tendo senão uma morte horrenda como alternativa - preferiram abreviar a vida numa luta suicida contra as tropas nazistas.
Mas esse não era o caso do Brasil dos militares.
Aqui, os guerrilheiros eram homens e mulheres bem nascidos que, por puro espírito de aventura, jogavam fora o futuro como médicos, engenheiros e advogados e se arvoravam a libertadores da pátria, sem notar que a maioria esmagadora da população - provavelmente mais de 90 por cento - não se sentia oprimida nem pedia para ser libertada.
Pelo contrário, o regime instalado em 1964 teve forte apoio popular e quando começou a ser repudiado nas urnas, em 1974, com a expressiva vitória do velho MDB, esse repúdio era mais de caráter econômico que político.
A inflação estava recomeçando e os pobres votaram contra a "carestia", que é como chamavam a inflação na época.
Já escrevi repetidas vezes, mas a ocasião me obriga a escrever de novo: quem acha que no Brasil houve uma ditadura sanguinária, totalitária, nos moldes nazistas (é essa a visão que se tem dos militares nas escolas) deve ler Pedagogia do Oprimido, o panfleto de auto-ajuda marxista do pedagogo Paulo Freire.
Esse livro - que faz uma defesa explícita da luta armada e santifica Che Guevara, Fidel Castro e Mao Tsé-Tung - foi publicado em pleno ano de 1970, no Rio de Janeiro, pela Editora Paz e Terra, ligada aos padres da Teologia da Libertação. Em 1981, Pedagogia do Oprimido já estava na 10ª edição. Um verdadeiro best-seller, levando em conta que não é um livro comercial e o Brasil tinha muito menos estudantes universitários do que tem hoje.
Ora, se o regime militar foi o período "mais sombrio da nossa história", como dizem os intelectuais de esquerda, como se explica o sucesso editorial de uma obra que o combatia?
Em Havana seria possível publicar um livro do gênero contra Fidel Castro, o santo fardado de Buarques e Sáderes?
Mas nem é preciso recorrer à ditadura cubana para demonstrar que os intelectuais brasileiros mentem descaradamente quando dizem que o regime militar de 64 foi uma ditadura sanguinária. A própria história recente do Brasil - contada mentirosamente por eles - mostra a contradição em que incorrem. É só comparar a "Revolução de 30" com a "Ditadura Militar" (ponho as expressões entre aspas para remeter ao modo como os dois períodos costumam ser chamados nos livros de história).
Qual a diferença entre os dois períodos?
A rigor, nenhuma.
Salvo o fato de que Getúlio Vargas era um ditador civil, obviamente apoiado por militares, porque toda ditadura precisa de armas.
Sob o ponto de vista da repressão, Vargas foi muito pior do que os militares. O seu período, sim, foi literalmente "anos de chumbo". Enquanto os militares procuraram preservar as instituições, garantindo eleições legislativas e a independência do Judiciário, Vargas centralizou todos os poderes em suas mãos, destituindo governadores e nomeando interventores em seu lugar. São Paulo se rebelou, na chamada Revolução Constitucionalista de 32, e Vargas bombardeou o Estado - o episódio mais sangrento da história brasileira no século passado, apesar de ofuscado pela preferência dos intelectuais pela Guerrilha do Araguaia.
Todavia, mesmo quem não pegava em armas, não ficava ileso.
O escritor Graciliano Ramos, individualista nato, incapaz de arregimentar qualquer movimento político, acabou sendo preso durante quase um ano, num presídio comum, sem julgamento.
Seu único crime: escrever o romance São Bernardo, entre outros escritos tidos como comunistas. Bem que merecia, mas não teve indenização alguma pelo arbítrio de que foi vítima.
Ao contrário dos fanfarrões que pegaram em armas contra os militares, o Velho Graça tinha vergonha na cara.
Se a sanguinária ditadura de Getúlio Vargas merece, nos livros de história, o epíteto de "Revolução de 30" (justificadamente, por sinal), por que os governos militares não podem ser chamados de "Revolução de 64", levando em conta que também mudaram a face do Brasil?
Vargas já era ditador desde o início de seu governo, antes mesmo da implantação do Estado Novo, em 1937, quando a tresloucada Intentona Comunista de 35 levou ao recrudescimento do regime. Já os militares só foram verdadeiramente ditadores a partir de 12 de dezembro de 1968, quando editaram o AI-5, obrigados pelos atos de terror da esquerda armada, treinada e financiada por Fidel Castro e abençoada por intelectuais como Paulo Freire. Mesmo assim, foi uma ditadura cirúrgica, circunscrita aos inimigos declarados do regime. Tanto que não chegou a matar nem 500 pessoas, como reconhecem os próprios autores de esquerda nos balanços que fizeram do período. As vítimas inocentes, em sua maioria, tombaram por terem sido usadas como escudo pelos adversários do regime.
Um dos argumentos de Maria Victoria Benevides para criticar o editorial da Folha é que não se mede ditadura com estatísticas:
"Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar `importâncias´ e estatísticas".
Em artigo publicado, na terça-feira, 24, o jornalista Fernando de Barros e Silva, editor de Brasil da Folha, corrobora a tese da socióloga:
"Algumas matam mais, outras menos, mas toda ditadura é igualmente repugnante. Devemos agora contar cadáveres para medir níveis de afabilidade ou criar algum ranking entre regimes bárbaros?"
Claro que devemos - respondo eu.
Todo crime só se iguala em repugnância para aquele que é sua vítima, mas para quem o analisa de fora, especialmente se esse alguém for um historiador, há uma enorme diferença entre matar 100 pessoas ou matar 100 mil.
Se Hitler tivesse matado apenas uma centena de judeus, o nazismo seria a encarnação do mal no imaginário do mundo contemporâneo?
Só não vê que ditadura também se mede com estatísticas aqueles que têm medo dos números. Ao ver que nenhuma ditadura capitalista até hoje conseguiu igualar os mais de 100 milhões de mortos do comunismo no mundo, a esquerda inventou esse argumento falacioso de que uma só morte perpetrada por uma ditadura diminui toda a humanidade, como se o homem-massa da revolução marxista tivesse lugar na poesia metafísica de John Donne. Justamente a esquerda, que não faz conta do individuo de carne e osso, só da massa de manobra da revolução. O regime militar não apenas matou muito menos gente do que outros regimes autoritários - também foi capaz de criar um modelo de ditadura que deveria ser exportado.
Toda ditadura costuma ser encarnada por um homem só, que se torna escravo do poder que concentra, perdendo inclusive os freios morais. Daí a profusão de ditadores sádicos, pessoalmente sedentos de sangue humano.
No Brasil isso não ocorreu.
Os militares criaram uma espécie de ditadura institucional, em que o poder não era encarnado por nenhum homem, mas pela instituição - as Forças Armadas. Nem o principio federativo foi quebrado num primeiro momento, como ocorreu de imediato com a ditadura de Getúlio Vargas.
Antes do recrudescimento da luta armada, ainda houve eleição para governadores e, mesmo depois que elas foram suspensas, o legislativo continuou funcionando. Essa quase normalidade institucional propiciou até o surgimento e fortalecimento de uma oposição que jamais houvera em toda a história do Brasil - a oposição institucional, criada e mantida pelas próprias entranhas do Estado.
Boa parte do chamado movimento social - que hoje alimenta o PT e demais partidos de esquerda - começou a ser construído graças a esse processo de institucionalização do país gestado pelos militares.
Começando pelas próprias universidades federais - cobras a quem os militares deram asas. A Reforma Universitária feita pelos militares em 1968 profissionalizou o ensino superior no país, instituindo antigas reivindicações da própria comunidade acadêmica, como dedicação exclusiva de docentes, introdução de vestibular unificado e implantação de mestrados e doutorados.
Valendo-se dessa estrutura, os intelectuais de esquerda se infiltraram nas universidades e, a partir delas, forjaram em todo o país um movimento social de proveta, destinado não a resolver problemas, mas a fomentá-los.
Um exemplo são os quase 50 mil homicídios que ocorrem anualmente no país.
Eles decorrem, em grande parte, da irresponsabilidade doentia dos intelectuais brasileiros, que, à força de pressionar o Congresso Nacional, levaram à completa lassidão das leis penais, hoje irreversível, já que a mentalidade pueril da esquerda parece ter contaminado até os ministros do Supremo.
Não é a toa que o ministro Gilmar Mendes deixa entrever que, a qualquer momento, pode soltar nas ruas 189 mil dos cerca de 440 mil presos do país, muitos deles homicidas e estupradores. Aí, sim, teremos um verdadeiro genocídio da população indefesa, em parte porque a esquerda, com o objetivo de demonizar os militares, transformou o falacioso conceito de direitos humanos num dogma divino.
Como se vê, a criminalização paranóica dos militares só atende a um objetivo - esconder que os intelectuais de esquerda forjaram um país muito pior que o deles.

Publicado no Jornal Opção, de Goiânia, em 1º de março de 2009.

Divulgação: www.juliosevero.com

Leia também:
”Uma data que não pode ser esquecida”.
"Você pode não nos ver, mas nós estivemos, estamos e estaremos sempre presentes".


PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

WARFARE STATE - O NOVO BUNKER - FELIPE SVALUTO PAÚL

Artigo copiado do blog:
http://warfarestate.blogspot.com/

Sábado, Fevereiro 02, 2008
O COMENTÁRIO QUE JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS NÃO PUBLICOU - OU: "O JORNALISTA É ALGUÉM QUE SAI DA FACULDADE SEM SABER FALAR SOBRE NADA, MAS QUE TRABALHARÁ FALANDO SOBRE TUDO"
Em meio à atual crise na polícia fluminense, o que segue seria inequivocamente uma bobagem, uma perfumaria, quase um luxo. Em momento no qual tanto se joga e se decide, cada caracter digitado aqui ou em qualquer outro blog, site ou editor de texto deveria ser precedido de uma reflexão fundamental: o tópico que proponho é mais urgente que a discussão já existente? Toda frivolidade, toda picuinha, toda crônica de costumes deveria ficar em suspenso, esperando o desenlace da coisa - ao menos no Rio de Janeiro, para não dar também ao caso proporções de recessão americana. Mas o fato objetivo é que não fica; apesar de tudo - e a referida crise é apenas a parte mais evidente e atualmente mais midiática desse todo -, a sociedade insiste em manter o passo, insiste na crença de que tudo segue, insiste na crença de que, afinal, é Carnaval. O lado negativo dessa alienação é óbvio e transparece com maior clareza a cada eleição, a cada estatística referente a nossos indicadores sociais - embora possa também ser percebido sem dificuldades no dia a dia, nas relações pessoais mais distantes da frieza dos números. Mas há também um lado positivo na coisa: essa inércia impede ao mesmo tempo a revolução e a anomia, a mudança e a desistência.
Fosse talvez mais consciente em relação aos grandes temas nacionais, nossa população poderia tanto irromper em uma fúria súbita - e provavelmente sanguinária - quanto se entregar absolutamente, abandonar a vida cotidiana que é, afinal, a vida. Para o mal e para o bem, seguimos: seguimos com Big Brother, com a domingueira televisiva, com o futebol - e estamos tão errados quanto certos nisso. O fato objetivo, porém, é que seguimos. E é por isso que também seguimos - eu inclusive - com Joaquim Ferreira dos Santos, o cronista da frivolidade em O GLOBO.
Joaquim Ferreira dos Santos, para quem não conhece, é o responsável último pela coluna "Gente Boa", publicada de domingo a domingo no Segundo Caderno - além de autor de uma outra coluna na última página desse suplemento, acredito eu que às quartas-feiras, talvez às quintas. Escritor razoável - o que se depreende mais dessa coluna semanal do que da coluna diária -, Joaquim se dedica fundamentalmente a dois temas: a crônica de um Rio que passou - exercitada fundamentalmente na coluna semanal - e a leve ironia em relação ao mundo das celebridades instantâneas, tema que tem no próprio O GLOBO outro e mais explícito representante, o colunista Artur Xexéo. Nesse último exercício, Joaquim parece querer conferir uma gravidade à futilidade, tentativa sempre complicada.
Ele, assim como Xexéo, parece querer denunciar exatamente "o ponto a que chegamos", quando a fama decorrente de algum feito distintivo se torna a fama pela fama, o sujeito é famoso meramente por ser, por ter aparecido nesse ou naquele programa de tv, fundamentalmente, na maioria das vezes fazendo algo bizarro ou absolutamente sem sentido - como é o caso dos intermináveis dias de conversa estúpida no Big Brother, talvez o título de atração televisiva na história que mais vilipendia a sua referência original, em última instância o excelente 1984 de George Orwell. Nessa função, Joaquim é também bastante razoável - até por não ser trabalho que exige muito, tantas são as notícias bizarras a comentar e tantos parecem ser (aqui segundo Xexéo) os assessores de celebridades dispostos a divulgá-las. O problema é quando Joaquim pretende alcançar uma altura minimamente mais séria, quando pretende sugerir em notinha algo um pouco mais discutível.
Foi o que Joaquim tentou fazer nessa quinta-feira que passou, na notinha que segue na íntegra:"A GEOGRAFIA PIROU
O filme "Ainda não sei o que você fez no verão passado" passava no Universal Channel, 0 43 da Net, quando uma personagem da trama recebe telefonema de uma rádio com a pergunta 'Qual é a capital do Brasil'. A moça pega um saco de café, lê o invólucro e responde vibrando que 'Rio é a capital do Brasil'. Vibrando mais ainda, o locutor diz que ela acertou e acabou de ganhar uma passagem para as Bahamas.
Esses americanos não decepcionam quando a matéria é geografia"
Diante do absurdo, escrevi o seguinte e cordial e-mail, também reproduzido na íntegra aqui:
"Joaquim,Você errou feio em nota desta quinta-feira. O filme do Universal Channel ao qual se refere é "Eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado", seqüência de "Eu sei o que vocês fizeram no versão passado" - e não "Ainda não sei o que vocês fizeram no verão passado", como você escreveu.
Além desse erro menor, a nota toda se baseia em um equívoco: tivesse visto mais um pouco do filme - realmente um sacrifício, o filme é ruim mesmo para um fã de terror como eu - perceberia que o dito telefonema da rádio foi um trote montado pelo psicopata do filme para atrair a personagem principal a uma ilha, na qual ele pretendia matá-la. O trote é descoberto pela personagem exatamente quando - já fugindo do psicopata - ela acha um globo terrestre no saguão do hotel da ilha em que se hospeda e confere que a capital do Brasil é... Brasília. Ou seja, o psicopata aceitou "Rio de Janeiro" apenas porque queria vê-la na ilha de qualquer jeito.
Um abraço,Felipe Svaluto Paúl"
Enviada para o e-mail citado no rodapé da coluna, essa mensagem deve ter chegado ao seu destinatário. Apesar disso, não houve qualquer comentário a respeito nas colunas de ontem e de hoje.
Retomando o início desse texto, o leitor pode estar se perguntando: "Felipe, o que há de relevante nisso? Não seria melhor escrever sobre a crise na PMERJ?" Respondo ao caro leitor: seria e é mais relevante, e é exatamente isso que estou fazendo, estou escrevendo sobre a crise na PMERJ, ou ao menos sobre aspecto que já é fundamental em todo o processo - a leviandade com a qual nossos profissionais de jornalismo escrevem coisas. O exemplo do Joaquim, que trata de tema tão diferente, é significativo: como digo em meu e-mail, bastaria ter assistido mais um tanto do filme - ok, mais da metade dele - para que o jornalista recebesse a confirmação daquilo que qualquer espectador médio brasileiro imaginou quando da ligação para a personagem, que a coisa toda se tratava de um trote. Joaquim - ou alguém da sua equipe - não apenas foi enganado pelo truque bobo do horrendo filme, mas o usou em notinha tentando ajudar a confirmar aquilo que é crença absoluta em quinze entre dez representantes da sua espécie, o esquerdista-caviar zonasulense: que os americanos são uns caipiras ignorantes que desconhecem absolutamente o mundo para além do Rio Grande, sua História e Geografia. Nunca se soube ao certo a que eles opõem essa ignorância especial, já que qualquer visita à Europa - para além dos redutos intelectuais e descolados que eles talvez freqüentem - mostrará exatamente a mesma coisa, ou seja, padeiros franceses considerarão em massa que a capital do Brasil é o Rio, e não Brasília; eu mesmo tive experiência com isso, entre meus parentes italianos, em sua maioria pessoas bem mais velhas e com pouco estudo, todos obviamente se surpreenderam diante desse dado que para nós é tão evidente. Mas a soma de caipirice carioca - uma caipirice que realmente afeta cosmopolitismo; viva Evaldo! - com nosso antiamericanismo fundamental resultou em uma crônica estabanada e, acima de tudo, leviana.
Mas que tem isso a ver com a crise da PMERJ, afinal? Tudo, caros. A crise da PMERJ vem repercutindo em uma imprensa acostumada exatamente a essa leviandade, ao "passar de olhos" - do Joaquim no Universal Channel - ou do "ouvir dizer" - de um colaborador do Joaquim, que passou a informação ao jornalista supostamente responsável, que não a conferiu. A leviandade com a qual a nossa mídia trata de assuntos sérios - sim, pois o filme é tosco, mas discutir os conhecimentos educacionais dos americanos é coisa séria, parte fundamental do nosso antiamericanismo - é bizarra, reflexo ainda da falta de profissionalismo e de uma mídia excessivamente galhofeira, de botequim, alimentada no Rio pela velha tradição da esquerda-etílica, prima bebum da esquerda-caviar. Enquanto é para ironizar celebridades, isso serve muito bem; mas quando é para informar qualquer coisa minimamente relevante, tenha sempre os pés atrás - não para se proteger dos "jornalões de direita", como acusam os conspiracionistas da esquerda, mas sim para se proteger da velha e fundamental incompetência.
E lembre sempre do adágio universitário que colabora com o título desse texto: o jornalista é, fundamentalmente, um ser que não é especialista em nada - mas que tem o reconhecimento social que lhe permite falar sobre tudo. E da forma mais porca possível.
Felipe Svaluto Paúl(Isquindô!)
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CIDADÃO BRASILEIRO PLENO