EMAIL RECEBIDO:Caro amigo Paul
Com relação à desmilitarização, só farei um breve comentário no final, até porque concordamos não ser ela necessária, no que se refere ao Quadro Complementar há também uma concordância , tenho inclusive um trabalho sobre o assunto , deixarei para abordar em futuro próximo por ser extenso e inoportuno no momento.
No que se refere a porta de entrada única, muito embora respeite a sua opinião, retorno ao assunto, pois no que me concerne não ficou bem esclarecido.
Portanto com todo o respeito, que nutro por nossa amizade e nossos pontos de vista, me permito fazer uma dissecação sobre as suas colocações ao mencionado artigo.
Esclareço, outrossim, ter levado todo este tempo para retornar ao assunto pois nos fins de semana viajo e no interior desligo-me da internet, o companheiro sabe que ainda estou exercendo a profissão, por ter trabalhado segunda-feira e terça-feira, o dia inteiro, apenas agora houve disponibilidade de tempo para tal abordagem.
Vamos a ela, quando falo em exigência de formação em direito para o ingresso na Academia D. João VI, é tão somente com o objetivo de elevar o nível dos cadetes e com isso poderíamos reduzir o tempo de permanência dos mesmos nos bancos escolares, onde lhes seriam ministrados todos os conhecimentos relativos ao exercício da profissão, podendo ser considerado um curso de pós-graduação.
As demais carreiras de nível superior que fossem de interesse da instituição, fariam parte integrante do Quadro Complementar.
As praças continuariam com o concurso específico, mas a formação precisa ser totalmente reformulada.
A criação de um quadro de sargentos, com ingresso direto também é de bom alvitre, os quais poderiam tanto ser combatentes, como exercer funções administrativas, caso tivessem formação.
Existe uma tendência viciosa na corporação, que vem sendo posta em prática faz muito tempo, em afirmar ser bom só o operacional, isto é uma ignomínia não há em lugar nenhuma organização com bom desempenho na atividade fim, se possuir uma atividade meio capenga.
Quanto ao argumento, que Oficiais QOA, apresentam melhor desempenho que Oficiais QOPM, em início de carreira isso é normal. Se formos usar esse ponto como justificativa para entrada única, veremos que em todas as profissões o fato ocorre, os técnicos experientes via de regra tem melhor desempenho em tarefas operacionais, se comparados aos profissionais de nível superior recém saídos das universidades, nem por isso achamos que o engenheiro deva começar pela base como peão.
Os professores em início de carreira temem enfrentar uma turma, o amigo conhece bem o problema, não estou dizendo que tenha passado por ele, mas é professor e já deve ter visto muitos colegas em situações delicadas.
Pretendo ser breve, conciso, objetivando ser claro, sem ser prolixo, assim acho que usar o argumento mencionado antes destes dois parágrafos, como axioma é refutável.
Aliás, tudo na vida, ou quase é refutável, tanto que toda unanimidade é burra como dizia Nelson Rodrigues.
Quanto ao uso do sistema de mérito, para ascensão funcional em nosso país, é um perigo, temos os bajuladores de plantão, os que gostam de ser bajulados, talvez algo misto, tipo cursos de aperfeiçoamento, antiguidade e mérito, todos juntos ou pelo menos nos dois itens.
No tocante ao militarismo, vejo essas manifestações porque com a permissividade hoje existente, as pessoas se negam a obedecer regras.
Há que se entender, para ser respeitado tem que ser dar ao respeito.
Tudo evolui, em assim sendo os regulamentos e normas precisam ser aperfeiçoados e modernizados, sempre fui favorável.
Quando fizeram o concurso, sabiam que seriam militares, não foram laçados na rua, foram voluntários.
Vou divagar um pouco, todavia acredito ser necessário, por ter pouco tempo disponível, comentarei vários assuntos.
Quero registrar aqui, que a aproximadamente três anos foi perdida talvez a maior oportunidade da década, quando Coronéis Barbonos e os Quarenta da Evaristo, não tiveram o apoio necessário das entidades de classe, por egoísmo ou motivação política, para levar avante os seus projetos e reivindicações, na história da PM foi a primeira vez em ocupantes do último posto da corporação participaram de um movimento, pois nos anteriores, em que participei, éramos tenentes, capitães e no máximo majores.
Outra falácia é essa PEC 300, eu nunca acreditei nela, alguns dizem ser bom manter vivo o movimento, respeito a opinião, porém isso em nada incomoda o governador, a pressão precisava ser em cima dele.
Neste item a maior dificuldade encontra-se na falta de mobilização e num problema crônico, que é a maldita corrupção.
Infelizmente os corruptos têm visão e pensamento curtos, não enxergam que se lhes acontecer um acidente em serviço e pior ainda fora dele, acarretando uma incapacidade permanente, além de miseráveis de direito, também o serão de fato, a fonte secará totalmente.
Essa deterioração vem de longa data, teve seu início quando governadores começaram a conceder gratificações incorporáveis a um grupo reduzido de oficiais e principalmente aos coronéis para que estes segurassem a tropa, desrespeitando o escalonamento vertical.
Hoje vejo coronéis companheiros de turma se lamuriando, porque detentores de tais benesses, são ceifados por ultrapassar o teto do estado, aproveito para falar é justo, não, porém é bem feito, porque quando ocupavam cargos de mando, ao invés de pleitear, o beneficio para todos só queriam saber da condição pessoal.
Posso falar, pois não incorporei nada.
Em virtude de estar fora faz muito tempo, mesmo quando na ativa não me identificava como tal, hoje com mais razão, é por isso que ao conversar, as pessoas contam-me as barbaridades praticadas por integrantes da corporação.
Daí reafirmar que a maior contaminação está no seio das praças.
Sei que vão espernear, vociferar, perder o senso crítico, mas é verdade.
Basta verificar quase sempre uma notícia envolvendo, truculência, arbitrariedade, corrupção e extorsão, lá estão praças, raras vezes oficiais.
Outrossim, reafirmo que ninguém com 3° grau bem feito irá ser praça na PM.
Na época em que iniciei a carreira, nem se falava em segurança, os oficiais que possuíam formação universitária exerciam sua respectiva profissão, ou partiam para o magistério, as praças exerciam normalmente uma função técnica fora da PM, uns poucos eram portadores de nível universitário, nem por isso eram menos nobres no exercício da segunda profissão.
Depois é que apareceram as seguranças, vou causar polemica de novo, no meu entender nesse momento começaram de forma subrepticia a criar dificuldade para vender facilidade.
Avançando no tempo vieram as vantagens concedidas a uns poucos em detrimento da maioria.
Tenho certeza que essas benesses dadas aos ocupantes dos cargos mais altos da corporação empurraram inexoravelmente a base para a pratica de ilícitos e no momento atual, também está forçando os oficiais em início de carreira a adoção das mesmas práticas.
Afirmo isso, mas não defendo, nem justifico tais práticas.
Isso é um esfacelamento perverso e programado pelos governantes, visando a completa desmoralização da instituição, facilitando no futuro sua extinção.
Dando continuidade a este programa, agora estão a cada concurso para ingresso na corporação baixando mais e mais o nível, permitindo a entrada de elementos totalmente despreparados, visando somente inchar o quadro, para depois alegar que o enorme quantitativo inviabiliza a concessão do um aumento de salário descente.
A admissão de gari da COMLURB é mais rigorosa, sem desmerecer tais profissionais.
Os que defendem a desmilitarização pensam que ao se tornarem civis vão ser colegas dos policiais civis, não se iludam, a instituição incorporada, ou absorvida pela outra chegará sempre em posição hierarquicamente inferior e submissa, esses ávidos pela transformação serão meros amarra-cachorro dos agentes da civil.
A reversão deste quadro é muito difícil.
A mudança da designação em nada vai alterar o quadro atual.
Sempre defendi também a criação da pensão militar, desde tenente, para dar aos descendentes, condições dignas de sobrevivência após o falecimento do policial militar.
Por derradeiro meu amigo, aquela diminuta turma de analfabetos funcionais, que posta comentários para o seu blog no anonimato, tem uma cultura impar pelos erros crassos de grafia cometidos, podemos ver o quão preparados são.
Devem ter extrema dificuldade de ler, entender e analisar o que está escrito, como explicar novamente escrevendo, é tarefa impossível, melhor seria desenhar, porém não tenho essa habilidade, ficarei em débito com item.
Um forte abraço.
J. S. F.
Major de Polícia Helio Vitor Ramos da Rosa
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO