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quarta-feira, 10 de março de 2010

JORNAL FOLHA UNIVERSAL - AGRADECIMENTO.

O jornal Folha Universal número 933 (De 21 a 27 de fevereiro de 2010) apresenta uma grande reportagem sobre a vida dos policiais no Rio de Janeiro:
"CORAGEM: A vida dos policiais do Rio de Janeiro que enfrentam o crime organizado e os baixos salários".
A matéria aborda o risco, os baixos salários, o número de policiais assassinados, o uso do armamento, etc.
Eu fui um dos entrevistados, agradeço a oportunidade e logo escreverei um artigo sobre o dilema do fuzil.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quinta-feira, 27 de março de 2008

FOLHA UNIVERSAL - O PREÇO DA TRAIÇÃO - JULIANA VILAS


"Se a vingança é prato que se come frio, a traição é remédio amargo que não cura, mas gera efeitos colaterais, muitas vezes irreversíveis, não só em quem foi traído, mas também no traidor. Que o diga o ex-governador de Nova York, Eliot Spitzer, que renunciou ao cargo depois que suas relações freqüentes com prostitutas vieram à tona, no início do mês. Spitzer, filiado ao partido Democrata, apoiava a candidatura de Hillary Clinton. Sim, a mulher do antigo presidente Bill Clinton.
Logo depois que o escândalo tornou-se público, a equipe da campanha da ex-primeira-dama e pré-candidata à presidência dos Estados Unidos rejeitou o apoio publicamente. Não por acaso. Afinal, quem não se lembra do episódio Monica Lewinsky?
Em 1998, o mundo todo ficou sabendo, com riqueza de detalhes sórdidos, do romance extraconjugal que o então presidente Clinton mantinha com Lewinsky, estagiária da Casa Branca. Assim como no caso Clinton, a vida privada de Spitzer ficou conhecida por todos e ele foi perdoado pela mulher traída. Quando o governador assumiu pela primeira vez o envolvimento com a rede de prostituição, ela estava ao lado dele no palco, em silêncio. Quando o ex-presidente assumiu o caso com a estagiária, Hillary também estava ao lado dele. Aliás, está até hoje. Só que, agora, é candidata com grandes chances de assumir a presidência e o coadjuvante da história é ele. Ela perdoou, como boa parte das mulheres traídas nos Estados Unidos prefere fazer quando descobre a infidelidade do marido famoso, mas renega o apoio de Spitzer, até por estratégia eleitoral: sabe que 70% dos moradores de Nova York pediram a renúncia dele por causa do escândalo.
Embora ninguém esqueça do caso Lewinsky, Hillary conseguiu reverter a situação positivamente e apagar sua imagem de esposa resignada e digna de dó.
Se a traição, na maioria dos casos, destrói lares felizes, carreiras políticas e romances perfeitos, pode também revolucionar de forma positiva a vida das pessoas.
Segundo o escritor e filósofo russo Vassili Vassilievitch Rozanov (1856-1919): “Das grandes traições iniciam-se as grandes renovações”.
Pode ter sido o caso de Hillary. E foi, sem dúvida, o caso da enfermeira paulista Marizia Coelho, de 47 anos, que depois de separar-se do marido, que insistia em manter duas famílias, deu a volta por cima, fez faculdade depois dos 40 e criou os filhos com suor e dignidade. “Se ele tivesse terminado com a outra quando descobri da primeira vez, eu o teria perdoado.Mas ele prometeu ser fiel, manteve o caso com a amante e continuou mentindo. Não pude suportar ser enganada”, lembra. Se ainda estivesse com ele, Marizia não teria saído de casa e não teria as experiências profissionais e pessoais que viveu (leia depoimento na pág. 11).
Nem sempre, entretanto, a traição é impulso renovador.
Na maior parte dos casos, ela é devastadora e só causa dor, raiva e remorso.
Quem já foi traído sabe que a vingança é o primeiro desejo a vir à mente quando a mentira é descoberta. Com o passar do tempo, essa vontade se esvai, mas a confiança, algo quase sagrado para a maioria das pessoas, não se reconstrói facilmente.
O cientista político e doutor em sociologia Aluizio Alves Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estudou o impacto da deslealdade nas relações sociais.
Ele defende que a traição é o procedimento mais execrável entre todos, segundo os valores da cultura cristã ocidental.
Usando o exemplo de Judas Iscariotes, que traiu Jesus Cristo (leia quadro ao lado), ele afirma: “Judas traiu o que há de mais sagrado pelo que há de mais profano: entregou Cristo por 30 moedas. O peso de sua própria consciência, por ter praticado ato tão vil, levou-o ao suicídio.
A traição existe quando um membro de um grupo social ligado por algo sagrado rompe com tal sacralidade, voltando as costas ao grupo em troca de algo profano, como algum benefício material ou prazer momentâneo”, explica Aluizio.
Por isso, a traição, seja nas relações amorosas, de trabalho ou de amizade, é imperdoável na maior parte dos casos.
O temor de ser traído tem também razões biológicas.
Segundo Jorge Nogueira, psicólogo evolucionista, ele é fruto de uma programação genética.
“A infidelidade sexual é perigosa porque pode encerrar a linha hereditária do indivíduo, pode representar a morte de seus genes. Por isso, a humanidade desenvolveu um instinto de precaução contra esse mal”, atesta Nogueira.
Em épocas remotas, o fato de um homem se apaixonar por outra e ir embora significava a morte da mulher e da prole dela. Já para o macho humano, esse instinto pode evitar que ele cuide do filho de outro.
A reportagem da Folha Universal ouviu, nas ruas, a opinião das pessoas sobre traição e constatou: na hora H, quem está prestes a trair avalia principalmente se vale a pena perder a confiança de alguém importante em troca de algumas horas de prazer ou qualquer recompensa material.
Demagogia ou não, a maior parte dos entrevistados garante que o “crime” não compensa.
Todos os que já foram traídos e não perdoaram afirmaram que sentiram muita vontade de se vingar ou de ver seu traidor sofrer de culpa. Mas depois, descobriram que a indiferença é o melhor remédio.
Confiar duas vezes em quem o traiu, no entanto, nem pensar!"


JULIANA VILAS



JUNTOS SOMOS FORTES!



PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CIDADÃO BRASILEIRO PLENO

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

ENTREVISTA - JORNAL FOLHA UNIVERSAL

10 perguntas para coronel Paúl o homem que sacudiu a segurança pública do Rio
Por Daniel Santini

Ex-corregedor da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o coronel Paulo Ricardo Paúl é um dos principais críticos da atual política de segurança fluminense. Integrante e um dos articuladores dos Barbonos – grupo de coronéis insatisfeitos, que desde abril de 2007 briga por melhorias na PM –, ele denuncia a falta de condições na corporação e insiste que, com “salários baixos” (de acordo com a PM, um soldado começa a carreira ganhando R$ 909,49), a corrupção continuará a ser uma crescente.
Paúl foi exonerado pelo atual comandante-geral, Gilson Pitta, seu antigo aliado nos Barbonos. O movimento é assim chamado em alusão ao antigo nome da rua onde está o quartel-general da PM, no Centro do Rio.
1 - Como foi ser afastado da corregedoria?
O então comandante-geral Ubiratan Ângelo tinha colocado o coronel Mauro Assad do Couto na corregedoria e eu assumiria a Diretoria de Ensino e Instrução em seu lugar. Era o que eu queria, mas acabei sendo exonerado com a troca de comando (o coronel Gilson Pitta assumiu no final de janeiro). Foi muito chocante a maneira como tudo aconteceu. Fiquei dois dias sem dormir, o médico até me internou.
2 - O governador disse que o movimento é “tolo, quer confronto, balbúrdia e desordem”. O que achou das críticas?
Tudo o que fizemos foi dentro da hierarquia e da disciplina. Quando criamos o movimento, eram nove coronéis. Elaboramos a carta dos Barbonos com várias reivindicações, inclusive a de reajuste salarial, e nos reunimos com a cúpula da segurança e o governador do Estado. No meio de 2007 foi anunciado um reajuste de 25% em 24 parcelas. Dava R$ 8 por mês. Dissemos que a proposta era indigna. O governador suspendeu as negociações, anunciou um aumento de 4% e não tocou mais no assunto. Depois disso, nosso movimento ganhou o apoio de 44 coronéis dos cerca de 60 da ativa do Rio. O Pitta havia apoiado e, assim como os demais, se comprometido a nunca assumir o comando da corporação.
3 - Sua equipe de segurança foi mantida?
Sim, e tem que ser mantida. Fui corregedor por quase três anos, tenho muitos desafetos e sou conhecido. Só de policiais afastados, foram mais de 550. Eu preciso de segurança.
4 - A saída da corregedoria foi creditada a um artigo em que o senhor relacionava corrupção a baixos soldos?
Parte da imprensa não tem a independência que deveria ter, até por questões comerciais. Escrevi um artigo em que dizia que o policial, o herói social desgastado por um segundo emprego e sem dinheiro, vira uma presa fácil para os corruptos ativos. O problema é que fizeram uma associação ao caso de PMs que se apropriaram de umas cervejas e repetiram isso exaustivamente. Mas não foi o que me derrubou e continuo acreditando que, se a polícia ganhar bem, fica mais difícil. Começa a ficar tão caro que não vale à pena.
5 - A polêmica com o Batalhão de Operações Especiais (Bope) o prejudicou?
O senhor pediu uma investigação sobre o filme Tropa de Elite?
Disseram que eu teria instaurado um inquérito, mas não foi nada disso. Houve um desentendimento interno. O comandante do Bope reclamou de uma entrevista do capitão Rodrigo Pimentel e o caso foi parar na corregedoria. Não foi iniciativa minha. Aliás, eu nem vi o filme. Queria, isso sim, abrir um inquérito para apurar o que está no livro.O Bope é a melhor tropa urbana do mundo, mas, como toda unidade da PM, tem desvios de conduta.
6 - E as condições atuais?
São péssimas.
O profissional desmotivado trabalha pouco, ainda mais quando é obrigado a trabalhar em um segundo emprego. São raríssimos os PMs que não fazem bicos. Tem gente que dirige táxi, que ajuda a esposa, tem mecânico, pedreiro, professor. A sociedade merece bons policiais, mas tem que pagar bem para isso. Os policiais trabalham com armas de guerra, e têm que tomar decisões em frações de segundo. Não podem estar tão desgastados. Temos hoje policiais estressados, em condições desfavoráveis.
7 - E a parte de infra-estrutura?
As viaturas estão caindo aos pedaços. Não tem coletes para todo mundo. Os quartéis estão caindo aos pedaços, ruindo. Em algumas áreas, não se pode entrar porque tem o risco de desabar.
A PM foi abandonada.
O dinheiro que a gente usa é o que economizamos da verba de alimentação. Com isso, dá para consertar um quartel, uma viatura. E se às vezes não prender um pára-lama com arame, a viatura não sai mesmo.
8 - O senhor deixaria seu filho ser PM?
Não deixaria. Quer dizer, o aconselharia a não ser. O risco é grande, até para oficiais. Todo dia morre gente. Meu filho estuda história e será professor.
9 - O que os Barbonos farão agora?
Faremos uma nova caminhada nesse domingo (17). Temos diversas reivindicações e não desistiremos. Vamos insistir no fim da Secretaria de Segurança Pública. É um órgão caro e desnecessário. O ideal seria um grupo gestor multidisciplinar, com o comando da PM, da polícia civil e dos bombeiros.
10 - E os seus planos pessoais?
Eu vou continuar nessa mobilização, não vou parar nunca. Faltam três anos para me aposentar, depois, quero dar aula. Sou professor de biologia, meus planos são esses. Não quero ser comandante geral e não vou concorrer a nenhum cargo eletivo."
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CIDADÃO BRASILEIRO PLENO