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sábado, 18 de julho de 2009

O PRESIDENTE LULA E O HOMEM COMUM - RUTH DE AQUINO.

O presidente Lula e o homem comum.
Ruth de Aquino é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro.
"Foi a maior gafe de Lula desde que caiu nos braços do povo, em 1º de janeiro de 2003.
Mesmo quem não votou nele se emocionou quando um homem comum chegou à Presidência pelo voto democrático e limpo.
Na semana passada, Lula disse que o senador José Sarney "não pode ser tratado como se fosse uma pessoa comum".
Lula foi sincero. Amaciado pelo poder, envaidecido pelas lisonjas e pela popularidade, ele acredita que uns são mais iguais que outros.
E leva o pragmatismo político às últimas conseqüências.
Lula nasceu em Pernambuco de uma família de oito filhos. Morou com a mãe, Eurídice, e irmãos num cômodo atrás de um bar em São Paulo. Trabalhou como engraxate e Office-boy. Fez curso técnico de torneiro mecânico, perdeu um dedo numa prensa hidráulica. Em São Bernardo, tornou-se diretor do sindicato dos metalúrgicos. Testava seu carisma. Tentou cinco vezes a eleição para presidente.
Uma história impressionante de persistência e sucesso.
Sempre disse o que pensava.
Em 1986, chamou Sarney de "grileiro do Maranhão".
Em 1987, chamou Sarney de "ladrão" - perto dele, Maluf não passaria de "um trombadinha".
Em 1993, disse que, "de todos os deputados no Congresso, pelo menos 300 são picaretas".
Agora, Lula depende da bancada do PMDB, a maior do Senado.
Em terras remotas, no Cazaquistão, defendeu Sarney e o colocou num pedestal.
O que seria hoje, em 2009, um homem comum para Lula?
De que princípios, de que vísceras ele seria constituído?
Um dos fundamentos da democracia é que os governantes sejam vistos e cobrados como homens comuns.
Qual seria o tratamento ideal para os poderosos no Brasil de Lula?
Espera-se de um presidente do Senado a mesma dignidade e retidão de caráter de um chefe de família comum?
Como é punido o homem comum que cai no desvio?
Como deve ser punido o político "com história suficiente para não ser tratado como uma pessoa comum"?
Que valores o líder transmite para o povo, com um discurso que trai sua própria história?
Lula é hoje parte da elite que sempre criticou com ferocidade. Natural. A elite não é má por definição, já descobriu o presidente.
Mas, por isso, ele se solidariza com figuras como Renan Calheiros, Severino Cavalcanti, Jader Barbalho?
De vez em quando, Lula incorpora o sindicalista (lá fora) e critica os ricos e poderosos, em surtos de demagogia atabalhoada.
Diante do premiê britânico, Gordon Brown, disse que "a crise foi causada por gente branca com olhos azuis".
Pegou mal.
Amaciado pelo poder, ele acredita que uns são mais iguais que os outros.
E, pragmático, defende Sarney Foram mudanças profundas em seis anos.
É saudável mudar com o aprendizado. Ao assumir a Presidência, Lula deixou a economia do país a cargo de quem entendia do assunto. Seu pragmatismo econômico manteve o Brasil nos trilhos.
Mas, e os valores essenciais? Direitos humanos, por exemplo.
Como explicar sua insistência em dizer que há democracia de sobra na Venezuela censora de Chávez?
Como aceitar a omissão do Brasil em relação a uma ditadura como a da Coréia do Norte?
Toma lá dá cá?
O outro deslize da semana foi a reação primária e açodada de Lula aos protestos nas eleições no Irã. Além de defender o embaraçoso presidente Mahmoud Ahmadinejad, Lula minimizou a revolta contra a teocracia dos aiatolás chamando os manifestantes de "vascaínos contra flamenguistas", uma turma que não sabe perder.
Lula aproveitou para atacar a imprensa brasileira, por, a cada dia, "arrumar uma vírgula a mais" no "denuncismo" contra o Congresso. Como se fosse um vírus denunciar malversação de verba pública, nepotismo, favorecimento ilícito, farra de passagens aéreas e atos secretos no Congresso.
"Não tem fim, e depois não acontece nada", disse Lula, como se o problema fossem as denúncias, e não a impunidade.
"Vai desmoralizando todo mundo, e a imprensa corre o risco de ser desacreditada".
Senhor presidente, a imprensa só fica desacreditada se as denúncias forem mentirosas. Ou se ela se omitir e fizer o jogo do poder. Uma imprensa medrosa e submissa ao governo - não importa o partido dominante - é uma imprensa sem credibilidade. Não faz jus a uma democracia madura como a brasileira.
Ou a transparência só vale para o homem comum?"
Um ótimo artigo.
A cada dia eu fico mais convencido de que o Brasil não é real.
Ele é uma grande ficção e cada um de nós é um personagem dessa invenção jocosa.
O Brasil é uma grande piada que está sendo contada há mais de 500 anos!
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

domingo, 31 de maio de 2009

O RECEBIMENTO ILEGAL DO AUXÍLIO MORADIA.

REVISTA ÉPOCA - RUTH DE AQUINO
JUNTOS SOMOS FORTES!

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

sábado, 11 de abril de 2009

REVISTA ÉPOCA - CONGRESSO É A CASA DA MÃE JOANA - RUTH DE AQUINO.

AS CASAS DA MÃE JOANA.
RUTH DE AQUINO é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro:
"Casa, comida, empregada doméstica, roupa lavada, celular ilimitado, reforma de apartamentos, decoração, combustível, lazer, passagens aéreas, entrega de pizzas quentinhas, notas geladas, presentes para amigos, mordomias para parentes, aluguel de jatinhos, favorecimentos ilícitos. Casa-grande e senzala, financiadas com dinheiro do povo. Os sustentados da mãe joana, na Câmara e no Senado, se aferram a suas regalias e voltam atrás nas promessas de moralização e transparência.
Sentem-se vítimas de uma campanha de execração. Por isso, vão tirar os bodes da sala. O Senado decidiu fechar com vidro a tribuna de imprensa do plenário, para impedir o acesso dos jornalistas ao cafezinho dos senadores. O presidente da Câmara, Michel Temer, critica “a pancadaria nos jornais”. O senador Gerson Camata, na defesa de um apadrinhado, afirma: “Está um denuncismo de assustar”. O deputado federal Silvio Costa lamenta o “sadomasoquismo”: “A imprensa bate, e o Parlamento fica calado, parece que está gostando”.
É dinheiro demais diante dos grandes roubos? Não. Mas ninguém atura mais as malandragens cotidianas. O senador petista Tião Viana empresta seu celular de parlamentar para a filha viajar para o México em janeiro, e ela gasta R$ 14.758? Viana só pagou a conta de seu bolso depois de ter sido desmascarado na imprensa. E a denúncia de que a Câmara paga o salário da empregada do ex-vice-líder do PPS Arnaldo Jardim? Logo Jardim, da Frente Parlamentar Anticorrupção. Maria Helena de Jesus ganha R$ 1.608 por mês como secretária parlamentar, mas cozinha, lava e serve cafezinho no apartamento de Jardim. O deputado Betinho Rosado (DEM-RN) consegue ser reembolsado por uma única nota de R$ 4.100, gastos com combustível em determinado posto de gasolina. O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) apresenta nota fiscal de R$ 2.500, pagos a uma empresa de cobranças por serviço de consultoria. A generosidade do povo brasileiro é tamanha que, aparentemente, sustentamos há seis anos uma funcionária fantasma: a sogra de um assessor de Renan Calheiros, o líder do PMDB no Senado.
Na Câmara e no Senado – como nos bordéis medievais –, cada um faz o que bem entende.
Nem os políticos se entendem. Os 432 apartamentos funcionais de quatro quartos em Brasília passarão mesmo a ser ao todo 528? A reforma custará R$ 74 milhões ou R$ 150 milhões? Vai acabar ou não o auxílio- -moradia de R$ 3 mil mensais? A cada dia, um deputado ou um senador desautorizam e desmentem uns aos outros. A “verba indenizatória” mensal de R$ 15 mil continuará a ter uso indiscriminado pelos deputados? No ano passado, o Senado gastou R$ 8,6 milhões com as contas de seus celulares. Tudo legal.
O presidente Lula tem suas obsessões e manda demitir o presidente do Banco do Brasil por considerar imorais (não ilegais) os lucros de um banco público. O eleitor tem hoje uma obsessão: moralizar o Congresso.
O senador Cristovam Buarque propôs um plebiscito para saber se a população quer manter aberto o Congresso. O amigo Roberto Freire crucificou Cristovam: “É uma asneira golpista vinda de um democrata e homem de bem”. Muito criticado, Cristovam insistiu: “O Congresso não dura para sempre se não tiver legitimidade diante da opinião pública, se não for capaz de virar o centro das aspirações, dos desejos, da pauta do povo”.
De tanto escândalo e toma lá dá cá, o Congresso virou a casa da mãe joana para boa parte da população brasileira. Joana viveu no século XIV, foi rainha de Nápoles, exilou-se em Avignon, França, depois de ser acusada de conspiração, e regulamentou os bordéis da cidade com uma norma: “O lugar terá uma porta por onde todos possam entrar”. Joana podia até ter boas intenções, mas acabou assassinada em 1382. A expressão “casa da mãe joana” foi para Portugal e veio para o Brasil como um lugar onde cada um faz o que quer, onde imperam a desordem, a desorganização e o desmando.
Com todo o respeito pelo senador Cristovam Buarque, há em seu discurso impulsivo um erro de princípio. Não se confunde a instituição com aqueles que ali estão. Mas, em algum momento, o sono dos congressistas será perturbado pelo clamor popular".
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO