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domingo, 31 de maio de 2009

BANALIDADE DO MAL - MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA - SOCIÓLOGA.

BANALIDADE DO MAL
Maria Lucia Victor Barbosa
29/05/2009
Estaremos no fim de uma era? Essa pergunta não pretende uma interpretação milenarista de cunho profético ou religioso, que prevê catástrofes destruidoras da ordem vigente, a qual seria substituída por tempos de felicidade. Mesmo porque, dificilmente dá para imaginar um mundo onde o mal deixe de ser o locatário.
Seja como for, não se pode deixar de constatar que o mal tem estado bastante ativo. Pior. Está se vivendo a banalidade do mal, expressão da filósofa judia, Hannah Arendt, que tomo emprestado. Isto não é difícil de constatar, pois nessa época em que valores foram perdidos, os horrores da violência, da impiedade, da indiferença à vida, aumentaram substancialmente. Lideranças perniciosas manipulam a maioria incapaz de discernir sua própria ruína. Através de conceitos deturpados governos utilizam o “duplipensar”, termo criado por George Orwell em “ 1984” . Desse modo, despotismo passa por democracia. Populismo é visto como defesa dos interesses do povo. Arbitrariedades de toda espécie são apresentadas como exercício de soberania. Intoxicadas pela propaganda enganosa as massas louvam e cultuam personalidades equivocadas. Evolui no mundo o terrorismo que se alimenta do fanatismo religioso. Avoluma-se a corrupção nos meios governamentais e políticos estão se lixando para a opinião pública. Eles sabem que na verdade opinião pública inexiste. Mesmo porque, façam o que fizerem, são eleitos e reeleitos.
Se tudo é processo, foram gestadas nas mudanças mundiais figuras malignas, entre as quais se destacam Mahmoud Ahmadinejad, o fanático e despótico presidente do Irã, e Kim Jong-il, o tirano comunista da Coreia do Norte.
Ahmadinejad, que nega o holocausto, tem como obsessão destruir Israel. E enquanto o presidente norte-americano, Barack Hussein Obama, prefere as luvas de pelica da diplomacia, Ahmadinejad, o odiento, avança em seu programa nuclear pondo em risco não só Israel, mas todo o mundo.
Quanto ao ditador Kim Jong-il, deu demonstração de força ao realizar neste mês de maio seu segundo teste nuclear. Ele explodiu um artefato que pode ter potência comparável à bomba que os Estados Unidos lançaram em Hiroshima, em 1945. Isto além dos mísseis que vem lançando, o que põe em alerta especialmente a Coreia do Sul e o Japão. Um dos mísseis que fazem parte do arsenal da Coreia do Norte, o Taepodong, pode atingir o Alasca e o Havaí. Naturalmente tais atos desencadearam a reprovação mundial, inclusive, a do Conselho de Segurança (CS) da ONU. Até a China, que sustenta a miserável Coreia do Norte se posicionou contra as provocações do homenzinho.
O leitor pode indagar: o que o Brasil tem a ver com tais turbulências? Respondo que tem a ver com a banalização do mal. Isto porque, nossa política externa, comandada de fato por Marco Aurélio Garcia, tem demonstrado uma atração irresistível para o que não presta.
Por exemplo, Ahmadinejad foi convidado a nos visitar mesmo após seu discurso violento contra Israel, pronunciado na conferência sobre racismo promovida pela ONU. Felizmente ele cancelou a vinda e pesaram para isso os protestos de judeus e de movimentos sociais contra a presença nefanda. Ahmadinejad deixou, por assim dizer, seu anfitrião e presidente da República, Lula da Silva, esperando no aeroporto.
Kim, chamado de o “Grande Sol do século 20” , também merece a paixão de nossa diplomacia. Tanto é que pela primeira vez o Brasil poria uma embaixada na Coréia do Norte. O presidente Lula da Silva teve que recolher às pressas a tal embaixada, que ficou postergada para quando o tresloucado tirano, quem sabe, ficar mais calmo e parar de provocar o mundo do alto de seus sapatos de plataforma, tentativa de aumentar sua diminuta estatura.
Na ONU o Brasil vem consolidando a posição de poupar países acusados de violar direitos humanos, como a Coréia do Norte e o Congo. Tampouco menciona esses direitos em seus negócios com a China. E votou a favor de uma polêmica resolução na ONU que poupa críticas ao governo da Sri Lanka e evita investigação internacional sobre crimes de guerra.
Estamos à beira de perder mais um cargo internacional, entre os muitos que já perdemos, diante da escolha do Itamaraty que recai sobre um egípcio antissemita para diretor da UNESCO, em detrimento de um brasileiro.
Na América Latina existe um indisfarçável caso de amor entre Lula da Silva e seus admirados companheiros da esquerda caudilhista: Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correia, Fernando Lugo e o eterno ditador do Caribe, Fidel Castro. Na áfrica o presidente da República visita ditadores e pergunta como fazer para ficar tanto tempo no poder.
Para culminar, o terrorista e assassino italiano, Cesare Battisti, é nosso, sem possibilidade de extradição para a Itália. E, segundo Janio de Freitas, colunista da Folha de S. Paulo, em 26/05/09, “está preso no Brasil, sob sigilo rigoroso, um integrante da alta hierarquia do Al Qaeda, identificado como responsável pelo setor internacional da organização”.
Posteriormente foi dito que o homem chamado apenas de K tinha sido solto e o ministro da Justiça, Tarso Genro, defensor da permanência de Battisti no Brasil, desmentiu o relacionamento de K com a organização terrorista. Será isso mesmo?
Tudo é aceito com indiferença. Tudo está banalizado. Inclusive, o mal.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
JUNTOS SOMOS FORTES!

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

sábado, 7 de fevereiro de 2009

VELHOS, ANACRÔNICOS OU OBSOLETOS? - CORONEL DE POLÍCIA ROSETTE.

VELHOS, ANACRÔNICOS OU OBSOLETOS?

Toda sociedade evolui e se transforma. Isto tanto é verdade quanto uma equação matemática.
No início da civilização, durante a formação dos primeiros agrupamentos humanos, nos sistemas sociais tribais dos primórdios da civilização, o homem sempre buscou um ordenamento jurídico para a convivência comum. Aqueles indivíduos que violavam as regras do grupo eram banidos.
Esses renegados, condenados a perambular pelo mundo, sem identidade familiar, sem tribo, mas ainda seres sociais, não raro encontravam-se e associavam-se, o Homem é gregário. Suas vicissitudes os aproximavam, ao mesmo tempo os embruteciam. Revolta, indignação e vingança são sentimentos que os unem e os organizam – constituem verdadeiros “exércitos de rejeitados sociais”.
Antigas lendas dão conta das invasões de aldeias pelas hordas constituídas pelos filhos renegados, que ao voltarem praticavam o parricídio, o rapto e o estupro e, na ausência do ordenamento jurídico, imperava a lei do mais forte, a dominação pela força física, pela brutalidade, a submissão dos mais fracos, a escravização, enfim, o império da barbárie.
Toda a História nos apresenta, sobejamente, exemplos de dominação e subversão – revoltas, guerras, conflitos sociais, golpes de estado, tudo a reboque da dominação histórica do homem pelo homem.
O que se vê hoje no Brasil é um golpe de estado bem mais desonesto e, pior, totalmente descompromissado de qualquer perspectiva de reconstrução institucional, é um golpe predatório e inconseqüente, cujo fim está em si mesmo – a perpetuação no poder – é uma profecia auto-realizável.
Ele tenta se escudar na “blindagem da bandalheira”, e pretende tornar inimputáveis pelos seus atos, mesmo em traição ao juramento Constitucional, os ocupantes das mais elevadas funções do Estado. E, na esteira dessa impunidade, oferece em perspectiva, como se fora uma fatalidade promíscua, a sagração do absurdo e a garantia da corrupção no paradigma de uma governança factóide. O maior risco hoje no Brasil, é a dificuldade crescente de distinguir-se o bom senso daquilo que lhe é absolutamente incompatível. Risco que se aumenta e radicaliza pela dificuldade de identificar-se, de baixo até em cima, dentre os cidadãos e a classe dirigente, em que ponto se encontram no ‘continuum’ que vai da lucidez à insanidade, do erro pelo apedeutismo ao cinismo pela amoralidade. É sabido que, nestes últimos extremos, se conjuga o legado mais trágico da história ainda recente:

“O súdito ideal do governo totalitário é aquele para quem já não exista diferença entre o fato e a ficção (isto é, a realidade da experiência) e a diferença entre o verdadeiro e o falso (isto é, os critérios do pensamento).” [ARENDT, Hannah - Origens do Totalitarismo. São Paulo, Companhia das Letras, 3ª ed., 1998]

Senão vejamos o artigo escrito por Dom Hélio Adelar Rubert – Bispo Diocesano de Santa Maria-RS:

A Grande Semana Santa
Muitos artigos escrevi e muitas palestras fiz ao longo dos últimos quinze anos combatendo certas frentes: as ideologias utópicas, a influência marxista na Igreja através da tal Teologia da Libertação, o apoio de muitos bispos e padres aos métodos revolucionários do MST e ao próprio PT, e as estratégias de ação desse partido. Reconheço que fui um chato de galocha, cumprindo, não sem padecimento pessoal, o papel missionário que a consciência política e a formação católica me impunham. Emitia opiniões num tempo em que não ser petista já constituía pecado grave e combater o PT era caso de excomunhão. Enfrentava apenas idéias, mas me tornei objeto da velha tática stalinista da difamação e das agressões pessoais. A carteirinha do PT era o oitavo e o mais efetivo dos sacramentos e negar que assim fosse constituía insuportável sacrilégio.
O Partido dos Trabalhadores se exibia como estuário de toda virtude nacional. No leque ideológico, só havia pecado a leste do PT, que cumpria, com furores de Torquemada, o papel de grande inquisidor das heresias políticas desalinhadas da beata esquerda tupiniquim.
E eu, do alto de minhas surradas tamancas, ousava dizer que não era bem assim.
Para zilhões de brasileiros, o PT e seus correlatos eram tudo. Encarnavam a decência, a inteligência acadêmica e a conseqüente solução para todos os problemas. Eram a locomotiva capaz de levar a classe operária ao paraíso. Havia invasões, atos criminosos, quebra-quebras. Distribuíam-se, a esmo, injúrias e difamações. Mas a moral revolucionária, para ser salvadora, não pode dar bola a pequenos valores burgueses do Estado de Direito. Ali estava, por fim, o partido da sociedade de massa, do Brasil urbano, opondo-se às práticas rasteiras e corruptas das elites rurais que costumeiramente cabresteavam, com pequenos favores, o miserável eleitorado dos grotões.
De tudo isso eu me lembro. E agora, olho para as pesquisas de opinião e vejo que é exatamente ali, nos grotões, à custa de farta distribuição de donativos, “bolsas”, vales e sacolões que Lula se entrincheira para o pleito de outubro.
A força da gravidade, inclemente, traz para baixo tudo que foi cuspido para o alto. A decência não resistiu ao menor contato com o pragmatismo. A inteligência não pariu um único projeto para o Brasil. Impôs-se o império da mentira.
Operário não viaja nem como pingente no vagão para o paraíso, que trafega lotado de banqueiros. E quem viver, verá: o sucesso petista na eleição presidencial depende do mais subalterno, desinformado e corruptível dos eleitores – aquele que pode ser comprado com favores oficiais.
Publicação: A Razão / Segunda-feira, 10 de abril de 2006.


Nós estamos hoje dentro desse abismo. O atual estágio da crise político-institucional sinaliza para um ponto de não-retorno, em que a insanidade domina a consciência histórica e a irracionalidade tende a prevalecer. Será esta a neo sociedade brasileira, transformada pelo “bolsismo”?
É importante prevenir-se, pois, como esse desfecho se costura nos equívocos e nas lacunas de um enorme desconjunto de intenções e decisões, flagrantemente malévolas, às vezes sob o manto ingênuo do “assistencialismo” ou simplesmente, e cinicamente, a se justificar os meios pelo fim, tecendo a rede da sua inexorabilidade. Talvez assim, pela análise mais atenta de uns, pelo comportamento mais conseqüente de outros, enfim, pelo envolvimento mais cidadão de todos nós que participamos desse cotidiano e sofremos as suas conseqüências, seja ainda possível romper a blindagem da bandalheira, chamar a mentira pelo seu próprio nome, caixa 2 de crime e não de “recursos não contabilizados”, “mensalão” não é um “pequeno erro” mas corrupção mesmo, peculato, concussão, improbidade administrativa, responsabilidade, tráfico de influências, lavagem de dinheiro, não são atos de “aloprados”, mas de criminosos mesmo e não podem ser “perdoados”, não só porque não pecaram apenas, mas cometeram crimes, mas principalmente porque quem perdoa é DEUS, assim mesmo diante de um arrependimento fervoroso, o que parece não ser o caso, além do que a Divindade não está aqui na Terra, tampouco no Brasil e muito menos em Brasília. Em suma, eles têm que ser presos mesmo. Se não agirmos assim não se deterá a fatalidade da catástrofe, o caos social. Caso contrário, a prevalecer o oposto, resta-nos perguntar a nós mesmos: estamos velhos, anacrônicos ou obsoletos?
Se estivermos, corremos o risco de sermos descartados.
ALEXANDRE CARVALHAES ROSETTE
CORONEL DE POLÍCIA
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA