
Uma vergonha que rasga o peito e dilacera a alma.
Acabo de responder a uma mensagem encaminhada por um cidadão fluminense, que após diversas tentativas infrutíferas de informar à Polícia Militar, sobre graves desvios de conduta de Policiais Militares, acabou descobrindo na internet o meu email e resolveu desabafar.
Ele começa a mensagem com uma avaliação a meu respeito, o “senhor que parece ser um policial honesto”.
Eu tenho vergonha.
Uma vergonha da minha incapacidade de modificar a realidade das polícias no Rio de Janeiro, apesar dos meus mais de 33 anos de serviço, dedicados exclusivamente a minha corporação.
O cidadão aflito e que não me conhece, fez uma colocação perfeita, diante da triste realidade que ele é obrigado a vivenciar diariamente nas ruas dessa cidade que já foi maravilhosa.
Policiais Militares isolados, sem utilizar qualquer técnica policial, que foi ensinada nos curso de formação, tenho certeza absoluta, abordando veículos com 2 ou 3 ocupantes.
O interesse fica claro é a concussão.
É ganhar dinheiro, a segurança pessoal e das pessoas que estão em volta, isso não importa, o que importa é o dinheiro.
Eu tenho vergonha.
Vergonha de presenciar o vírus da corrupção infestar as instituições policiais estaduais, conduzindo ambas para o CTI, aguardando uma morte iminente, causada pela infecção generalizada e pela falência múltiplas de todos os setores.
A indignação do cidadão, caso se espalhasse por toda a sociedade, a “banda boa” da sociedade, sem dúvida, seria o remédio mais eficaz, talvez o único para deter a infecção virulenta.
Milícias dominando o Estado do Rio de Janeiro.
Milhões e milhões de reais nas mãos da criminalidade.
E, a polícia, usando um grupo de milicianos para combater o outro, ainda dando destaque na mídia.
Eles perderam a vergonha.
Eles nada temem.
Tem um padrão de vida faraônico, embora não tenham nada no seu nome, são proletariados, só possuem a prole.
Utilizam veículos que nunca poderiam comprar, custando o equivalente a 50, a 100 salários mensais.
Usam cordões e pulseiras de ouro que parecem correntes.
O nextel e os celulares são de primeiríssima geração.
É o “kit corrupto”.
Eu tenho vergonha.
A vergonha de ouvir o diálogo entre a atendente do 190 e uma senhora desesperada porque a “polícia” está dando tiros para o alto, tiros na direção do seu portão e está prestes a invadir a sua casa.
A ordem para a sua filha se esconder embaixo da cama é o retrato do Estado do Rio de Janeiro, governado há muito tempo pelo PMDB.
Um PMDB que o seu candidato a governador participou da campanha política ao lado de um ex-chefe da Polícia Civil, acusado de incontáveis crimes, dentre eles a venda de delegacias.
Ele e candidatos ao Senado e à Câmara de Deputados, homens de Brasília, que hoje fazem pose, são “senhores da moralidade”.
E, cidadão, tal história comercial pode ter algum fundo de verdade, considerando que o mesmo candidato, durante a campanha disse que iria acabar com o loteamento de batalhões e delegacias.
Ora, se um candidato ao governo do estado fez tal promessa, a possibilidade do loteamento existe.
Mais uma promessa de campanha, como a promessa de recuperar a perda salarial dos policiais e dos bombeiros.
Até hoje não sabemos se as vendas aconteciam, agora, se alguém vendia, alguém comprava, isso é a regra do mercado.
Quem “talvez” vendesse está preso e foi expulso da Polícia Civil e quem “talvez” comprasse, qual é a situação atual?
Eu tenho vergonha de ver a nação acabar.
Sim, acabar.
Uma nação pode deixar de existir de algumas maneiras, sendo que a nação brasileira está sendo destruída pela criminalidade.
Os criminosos das ruas conseguiram se unir com os criminosos infiltrados nos poderes constituídos e nos serviços públicos.
É a festa do crime.
É a festa da impunidade.
O país é deles!
Eles perderam inteiramente a vergonha e talvez esse seja o grande erro deles, a nossa única esperança de vencê-los.
Quem perde a vergonha, ou quem nunca teve, acaba se expondo em demasia.
Melhor que eles não tenham vergonha...
Eu tenho vergonha, vergonha deles e vergonha da minha incapacidade.
Uma vergonha que rasga o peito e dilacera a alma.
Muito obrigado cidadão, nós vamos enfrentá-los e esses bandidos serão responsabilizados.
JUNTOS SOMOS FORTES!
(A QUEM QUER, NADA É DIFÍCIL)
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO



