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segunda-feira, 14 de março de 2011

O LÍDER E O LIDERADO.

Algumas pessoas acreditam que o Líder é o melhor, em todos os aspectos, inclusive e principalmente, em nível salarial em relação aos Liderados. Existe um grande equívoco dentro deste contexto, uma vez que as posições acima não correspondem, necessariamente, a algo cognitivo, ou seja, intelectual, e sim a algo emocional, como lidar com situações de tensão, metas, gente e outros.
Será que já nos perguntamos: O Liderado pode ser melhor que o Líder?
Quando falamos em âmbito escolar, o aluno pode saber mais que o professor? Por que não? A relação pedagógica se dá numa visão de ensinagem, ou seja, troca, reciprocidade. Eu sou, também, educador e posso afirmar que por várias vezes fui aprendente na minha própria sala de aula ao invés de ensinante e nem por isso deixei de ser Líder. Mas por que não aprendente e ensinante? A visão é bem construtivista, óbvio que reflete a pura e genuína verdade escolar em todos os níveis, sejam, infantis, primária, secundária e universitária, todos transcendem seus horizontes de aprendizagem.
Podemos entender então, que a relação Líder – Liderado, é como duas setas em sentidos opostos, explicitando a troca de informações construídas a partir de suas experiência e relações com o mundo, com as pessoas, com o planeta, com a natureza, com os símbolos – Vygotsky – tendo em vista que o homem é fruto de um contexto cultural, lingüístico e genético, dentre outras várias complementações totalizando-o como ser humano.
Ainda existe certa supremacia não democrática, e puramente neoliberal, que acomodam os Líderes como seres intocáveis, merecedores, auto-suficientes e vários outros adjetivos mentirosos como se todos estes méritos fossem conquistados sem a intensa movimentação dos neurônios de seus Liderados. Não quero aqui desmerecer o Líder, muito pelo contrário, reconhecê-lo e desmistificá-lo como super herói, uma vez que não se existe um protagonista, mas vários, visão de parceria, de cumplicidade, de amabilidade e de várias outras palavras que reflitam a verdadeira intenção da Liderança – A motivação.
Para mim uma das maiores características do Líder é a empatia, a arte de se colocar em situações holísticas a fim de perceber, sondar e buscar respostas nos mais desconhecidos sentimentos intrínsecos de nossa alma, é algo impressionantemente humano. Elogiável ainda, o Líder que se faz presente mesmo ausente, sua marca deixada aos ouvidos e na consciência: Dá-se então a oportunidade de pensar, produzir, criar, responsabilizar-se e acreditar em sua capacidade subestimada na cultura empresarial instaurada em nosso subconsciente.
Ser Líder, acima de tudo, é acreditar no potencial de seus Liderados, acreditar sem desconfiar, sem bisbilhotar, sem espionar, porque sabemos que algumas empresas vigiam para ver se não tem ninguém “enrolando”. É preciso acreditar até se provar o quanto àquela pessoa precisa ser mais orientada, mais liderada, mais humanizada, é preciso ser Líder de Liderados, de cultivar, de valorizar e de massagear o que temos de mais importante, a autoestima.
Líder ainda é aquele que briga pelos seus liderados, que abraça e é abraçado, que fala e é ouvido, que canta e é aplaudido. Líder não é algo que se aprende em Faculdades e Universidades, ser Líder é ser, simplesmente, Líder.
João Neto
Pedagogo, Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional e atualmente cursando Especialização em Tecnologias Digitais na Educação.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

J’ACUSE ! - (Eu acuso !) - IGOR PANTUZZA WILDMANN.

Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente.
(Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público.
A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição;
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais.
Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão.
É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

domingo, 10 de outubro de 2010

POLÍCIA MILITAR – APM D. JOÃO VI - UM CRITÉRIO ESTRANHO DE AVALIÇÃO.

A Polícia Militar abriu as portas da corporação para permitir que Sérgio Cabral (PMDB) possa levar adiante o seu projeto eleitoreiro das UPPs. Tudo tem sido feito para facilitar a aprovação de candidatos para o curso de formação de soldados (CFSd), inclusive a retirada do concurso da prova de matemática. Tenho postado e continuarei postando algumas questões da última prova que demonstram a facilidade do teste.
Em contrapartida, na APM D. João VI, inventaram um critério de avaliação esdrúxulo.
As provas (verificações) têm como objetivo primordial avaliar se o processo ensino-aprendizagem foi exitoso. Assim sendo, as provas são aplicadas quando ao final de uma matéria ou ao final de uma parte da matéria, quando a carga horária é muito extensa, promovendo a realização de duas ou três provas para avaliar toda a matéria.
Na APM D.João VI, antiga Escola de Formação de Oficiais (EsFO), as provas são denominadas verificações correntes (VC), que podem ser uma, duas ou três, dependendo da carga horária.
O aluno que não conseguir a média de aprovação na matéria fará uma verificação final (VF) e, caso não seja aprovado, uma verificação suplementar (VS).
Os alunos da APM cursam cerca de trinta matérias por ano letivo e eles são três, em regime integral.
Historicamente, a média para aprovação direta em cada matéria era sete, ou seja, o aluno que conseguisse nota sete ou mais na média das VCs, estava automaticamente aprovado na matéria. Portanto, por exemplo, o aluno que tivesse dez na média das VCs em cada matéria estaria aprovado. Estaria, pois agora, mesmo os alunos que tiram nota sete ou mais na média das VCs, são obrigados a participar da verificação final (VF).
Por que?
Percebam o absurdo: comprovado que o processo ensino-aprendizagem foi um grande sucesso (média dez), mesmo assim o processo deve ser avaliado novamente.
Isso faz com que os alunos sejam obrigados a participar da VF de todas as matérias.
Quem descobriu tal pérola pedagógica?
Pior, caso um aluno tenha obtido a média oito nas VCs e tenha qualquer problema que prejudique o seu estudo para a VF, que o leve a receber uma nota três, estará REPROVADO.
A VF tem peso dois, portanto:
8 + (3 x 2) = 14.
A média será inferior a cinco e ele estará automaticamente REPROVADO, mesmo após ter obtido uma excelente nota (oito) na média das VCs.
O aluno irá para a VS, caso a média VC + 2 (VF) fique entre 5 e 6,9. Nota igual ou maior que sete aprova na matéria.
Na VS a nota terá que ser igual ou superior a cinco.
O aluno que tiver que realizar mais de duas VSs estará também REPROVADO.
Penso que seja um processo de avaliação equivocado.
Espero que tenha entendido errado e que na verdade seja diferente.
Os alunos da APM D. João VI estão com a palavra.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quinta-feira, 19 de junho de 2008

"O futuro não é uma coisa escondida na esquina. O futuro se constrói no presente" - PAULO FREIRE

(Paulo Freire)

“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão.”
(FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 1987.)

“O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. (...) É nesse sentido também que a dialogicidade verdadeira, em que os sujeitos dialógicos aprendem e crescem na diferença, sobretudo, no respeito a ela, é a forma de estar sendo coerentemente exigida por seres que, inacabados, assumindo-se como tais, se tornam radicalmente éticos. É preciso deixar claro que a transgressão da eticidade jamais pode ser vista como virtude, mas como ruptura com a decência. O que quero dizer é o seguinte: que alguém se torne machista, racista, classista, sei lá o quê, mas se assuma como transgressor da natureza humana. Não me venha com justificativas genéticas, sociológicas ou históricas ou filosóficas para explicar a superioridade da branquitude sobre a negritude, dos homens sobre as mulheres, dos patrões sobre os empregados. Qualquer discriminação é imoral e lutar contra ela é um dever por mais que se reconheça a força dos condicionamentos a enfrentar."

(FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia, 1996).