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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

TEMOS QUE LUTAR POR SALÁRIOS, DIGAM NÃO AS GRATIFICAÇÕES, AS FAMÍLIAS AGRADECERÃO.

Foto: Pedro Pantoja


PAUTA DO DIA - ROBERTA TRINDADE:
POLICIAL TOMBA E PERDE GRATIFICAÇÃO.
"Um dos policiais que participou da Operação Família S.A. vive um drama. Lotado na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), desde 2003, o agente Theophilo Augusto de Azambuja Neto, 47 anos, foi até o Morro do Borel, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, na manhã do dia 30 de novembro do ano passado executar a etapa operacional da ação que terminou com a prisão de 23 pessoas ligadas ao traficante Isaías Costa Rodrigues, o Isaías do Borel.
Na linha de frente da ocupação da comunidade, Theophilo avistou no interior da favela uma casa usada como local de endolação de drogas, de onde dois suspeitos fugiam. Na perseguição à dupla, o agente escorregou no terreno cheio de lama e rompeu o ligamento do joelho esquerdo, provocando uma gravíssima lesão no menisco.
O policial foi socorrido pelos colegas até o Hospital Geral do Andaraí, no bairro de mesmo nome, também na Zona Norte, onde foi constatada a gravidade da lesão. O policial entrou de licença no mesmo dia por acidente de trabalho.
O que o agente com quase 25 anos de Polícia, casado e pai de dois filhos, não sabia é que, em razão do acidente, a instituição a quem se dedicou a vida inteira lhe negaria o direito à gratificação de cerca de R$ 1 mil que recebia mensalmente.
A decisão decorre de uma regulamentação feita pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, com base no decreto do Governo do Estado, que instituiu a gratificação para policiais que trabalham nas unidades de Delegacia Legal. De acordo com a resolução, a gratificação deixa de ser paga aos policiais que entrarem em licença médica.
“Já tentamos dialogar com o secretário de Segurança no sentido de derrubar essa resolução, que acaba punindo aqueles policiais que se acidentam no cumprimento do dever, mas não há indicação alguma de que a Secretaria irá fazer qualquer coisa para modificar isso”, diz Francisco Chao, diretor jurídico do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol).
Enquanto aguarda a recuperação, que deve durar cerca de 8 meses, resta ao policial, às voltas com a necessidade da compra de medicamento e exames, reorganizar o orçamento familiar.
“Não é nem tanto o dinheiro, mas a falta de reconhecimento que me revolta. Essa determinação pode ser legal, mas é injusta. Foi uma grande decepção com a instituição em que investi tudo na minha vida. Fiz uma faculdade de Direito, diversos cursos. O ferimento físico cicatriza, mas essa facada não dá pra esquecer porque é profunda e dói muito. Hoje vejo que se eu tivesse morrido no cumprimento do dever minha família ficaria desamparada”, desabafa o agente.
Procurada pela equipe de reportagem do Jornal POVO do Rio, a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que Théofilo deixou de receber o benefício, pois não concluiu o curso de homicídio que estava fazendo na Academia de Polícia Civil Sylvio Terra (Acadepol). As informações foram passadas à assessoria através do 2° Setor Geral de Administração e Finanças.
O policial explicou que o curso era destinado apenas a agentes lotados em unidades de Delegacia Legal. Até o fechamento desta edição, a instituição não enviou nova resposta".
A nossa luta tem que ser por salários, as gratificações são provisórias, não incorporam aos salários e nem as pensões que deixamos para nossos familiares.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PÁUL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

RECONHECER O FRACASSO DA ATUAL E PARTIR PARA UMA NOVA POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA.

EX-BLOG DO CESAR MAIA:
IMAGENS -SÓ- NÃO DESMONTAM O NARCOVAREJO!
1. É natural que, quando os governos enfrentam desafios de solução em médio e longo prazo, procurem criar fatos em curto prazo que despertem esperanças e criem a sensação de um processo em andamento. A ocupação de comunidades, nessa terceira etapa (a segunda foi o GPAE, sugerido em estudos com a ONG Viva-Rio, apoiado pela imprensa e experimentado no Pavãozinho e na Providência), é uma necessidade.
2. Mas a escolha de pequenas comunidades isoladas (Dona Marta, 4 mil pessoas; Babilônia, 2 mil pessoas) ajuda muito a produção de fatos e imagens. Mas não tendo economia de escala em outras comunidades conturbadas (como seria o caso da Tijuca, Alemão...) terminam por serem enclaves. A entrada e depois saída do Complexo do Alemão, este sim com amplo alcance, até hoje é inexplicável. O que foi daquela operação de guerra, com Força Nacional, trincheiras, abrigos de sacos de areia nas entradas de Nova Brasília e Grota...? Dizem que se tornou uma espécie de território livre de preocupação com a polícia. E foram várias semanas, com pelo menos 40 mortes informadas.
3. O equívoco em tratar o narcovarejo como atacado (pela experiência anterior do atual secretário na área de "inteligência" da PF), na busca de grandes paióis e depósitos que inexistem, num processo contínuo de recepção, endolagem batizada e venda, termina por decepcionar os informados e os experts.
4. O boom do crack, nos últimos meses, sublinha os fatos. Imagens de transformação de pseudo-cracolândias em pracinhas, e de detenção de um grupo de usuários nas ruas, que retornaram, segundo o secretário municipal da área social, no dia seguinte, com fotos e imagens na TV, terminam sendo o que sempre foram: enxugar a pia sem fechar a torneira. O aumento de 500% de crack apreendido indica que a circulação deve ter crescido nessa mesma proporção. Em 3 anos de governo é um fracasso de grande dimensão que a "inteligência policial" da equipe do secretário não conseguiu identificar. E aí, certamente poderia.
5. Agora vem a Operação Família SA, no Morro do Borel (7 mil habitantes), remindo ao traficante Isaias, preso há mais de 15 anos. Contas bancárias, celulares, apartamento..., tudo somado, que mal representa uns dias nessa boca de fumo de pequeno porte. Outro equívoco. Não que não se deva fazer. Deve-se. Mas criar a expectativa que se está afetando as "finanças" do narcovarejo é uma piada.
6. O narcovarejo não acumula capital para suas operações. As compras eventuais de imóvel e mesadas são a "previdência" dos familiares. Os traficantes têm a certeza de que até os 25 anos estarão presos ou mortos. A substituição é automática. Quem acumula e opera com capital de giro são os atacadistas -traficantes internacionais ou matutos, atacadistas internos.
7. A Operação Família SA (necessária para coibir o uso de dinheiro ilícito) produzirá imagens, mas nem arranhará o narcovarejo. Especialmente porque os traficantes nascidos e criados nas comunidades são cada vez mais peças raras na guerra pelos pontos de venda de drogas. Com a divulgação juvenil e desnecessária, produzirá violência como retaliação, que custará a vida de mais policiais. Sem qualquer resultado ou desdobramento. E espera-se não se tratar de uma Operação Sherman (general da guerra de secessão nos EUA), de aterrorizar a população civil para acelerar o fim da guerra. No caso, só intensificaria a violência e viriam novas cenas de terror.
8. Essa é mais uma ação em busca de melhorar as expectativas após o choque da derrubada do helicóptero da polícia. Mas quando se cria expectativas e as frustra, o desdobramento é mais pessimismo e incerteza. Políticas públicas equivocadas, independente das boas intenções, ocorrem com alguma frequência. O que cabe é reconhecer seu fracasso, rever o diagnóstico e propor uma Nova Política de Segurança Pública e Combate ao Narcovarejo. Sempre há tempo, e se for adequada, não há porque o próximo governador não mantê-la, seja qual for o seu partido.
CESAR MAIA
www.cesarmaia.com.br
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO