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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

GOVERNANTES DESPREPARADOS E OMISSOS - GIL CASTELO BRANCO.

Governantes despreparados e omissos
Gil Castelo Branco

O primeiro homem público que demonstrou preocupação com os fatores climáticos foi D. Pedro II, quando prometeu: "Venderei até o último brilhante da minha coroa para acabar com a seca no Nordeste." A coroa intacta, com todos os brilhantes, está exposta no Museu Imperial de Petrópolis, e milhares de nordestinos, ao longo de 150 anos, foram sepultados em seus estados.
Desde o Império, portanto, a natureza anda de mãos dadas com a falta de planejamento e a debilidade do Estado, nas esferas municipal, estadual e federal. Na raiz do problema está a questão habitacional. Por muitos anos, o financiamento da casa própria atendeu somente às classes mais favorecidas. Em função da inflação e dos juros elevados, a correção das prestações superava os reajustes salariais, inviabilizando as operações, notadamente para as famílias de baixa renda. Desta forma, surgiram as ocupações precárias e as invasões, sob a vista grossa dos governantes.
Diante do caos consumado, as tragédias apresentam aviso prévio. No calendário nacional já estão fixadas entre o Natal e o carnaval. Os estados e as cidades onde os eventos historicamente acontecem são conhecidos - e até as áreas de riscos iminentes -, mas o poder público é omisso em relação à atuação preventiva.
De 2000 a 2010, o Ministério da Integração Nacional - onde está alocada a Secretaria Nacional da Defesa Civil - aplicou R$6,3 bilhões na "resposta aos desastres e reconstrução", e apenas R$542 milhões na "prevenção e preparação para desastres". No ano passado, por exemplo, foram gastos 13 vezes mais após as catástrofes do que em medidas que poderiam minimizar os seus efeitos. Além disso, nos últimos 11 anos, de cada R$5,00 do orçamento da União para evitar calamidades naturais, somente R$1,15 foi efetivamente investido.
Em 2010, para acentuar o rol de absurdos, dos R$167,5 milhões aplicados em prevenção, 50,5% foram utilizados na Bahia, terra natal do então ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, candidato derrotado nas últimas eleições para governador. O Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a distribuição de recursos e recebeu a informação de que a Bahia havia apresentado maior quantidade de projetos. Mas será que projetos dessa natureza são como o acarajé, que os baianos fazem como ninguém?
Já o Ministério das Cidades desenvolve o programa de "urbanização, regularização e integração de assentamentos precários", com ação destinada a financiar o mapeamento municipal das áreas de risco. No entanto, além do pequeno valor aplicado nessa iniciativa específica, o TCU constatou a falta de diálogo com o Ministério da Integração, que promove a transferência de recursos para projetos de prevenção a desastres.
A Secretaria Nacional da Defesa Civil, por sua vez, não possui articulação com os órgãos semelhantes nos estados e municípios. Embora "no papel" existam representações da defesa civil em 77% das cidades brasileiras, não chegam a 10% as comissões/coordenadorias municipais estruturadas e atuantes. Na maioria delas, os responsáveis são pessoas despreparadas que acumulam o cargo com alguma outra função na prefeitura.
Na verdade, a Defesa Civil, criada na Segunda Guerra Mundial, ainda não encontrou a sua identidade. Não há sequer padrão. Em alguns estados está vinculada à Casa Militar do governador, em outros ao Corpo de Bombeiros. Também é possível encontrá-la subordinada a secretarias da área social. A coordenação é exercida tanto por civis como por militares.
Diante da precariedade do sistema de defesa civil, o recém-designado secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, está correto ao considerar essencial a criação de espaço próprio e adequado para o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad). O órgão funciona atualmente em condições precárias, em três salas do ministério, sem um meteorologista, sequer.
Com perfil mais técnico do que político, é de se esperar que a presidente Dilma fortaleça as ações da Defesa Civil, especialmente as de prevenção, aprimorando a gestão e ampliando os valores aplicados, mesmo que, para isso, seja necessário vender os brilhantes da coroa de D. Pedro II.
Gil Castelo Branco é economista e dirigente da organização não-governamental Contas Abertas.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

QUEM SÃO OS CULPADOS PELAS ENCHENTES NA BAIXADA FLUMINENSE?

EX-BLOG DO CESAR MAIA:
PAC-2012!
1. (Em 9 de julho de 2009). "Obras do PAC da Baixada começam a ser entregues em agosto. O Projeto de Controle de Inundações e Recuperação Ambiental das Bacias dos rios Iguaçu/Botas e Sarapuí – ou Projeto Iguaçu – foi concebido com ênfase no combate às enchentes na Baixada Fluminense, sobretudo em Nova Iguaçu, Mesquita, Belford Roxo, Nilópolis, São João de Meriti, Duque de Caxias. O projeto consiste em obras, principalmente de dessasoreamento das bacias dos rios Iguaçu, Botas e Sarapuí e seus respectivos afluentes, numa área correspondente a 726 quilômetros quadrados. A população beneficiada é estimada em 2,5 milhões de habitantes. O valor de R$ 270 milhões é oriundo do PAC para a execução da primeira fase do projeto, que prevê várias intervenções. Os trechos previstos para serem entregues em agosto são os seguintes: Rio Botas, entre a Rua Mauá e a Estrada Branco, em Belford Roxo. Já no Rio Botas, será no bairro do Rocha, entre São João de Meriti e Mesquita. - Estas obras vão beneficiar muito a população da Baixada Fluminense que sofre com as cheias – disse a secretária.
2. (Em 31 de março de 2008),( site do ministério das cidades). O ministro das Cidades, acompanhou o presidente Lula a Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense, onde, nesta segunda-feira (31), foi autorizado o início de obras do PAC Urbanização de Favelas e Saneamento em vários municípios do Estado. Na solenidade também estiveram presentes o governador e seu vice, a presidente da CEF e prefeitos da Baixada Fluminense. O ministro afirmou que o presidente Lula é o comandante do PAC. “Não faltam recursos para a execução das obras”, garantiu. Falou também da importância da parceria com o governo estadual para a realização de diversas obras iniciadas hoje, como drenagens para o controle de inundações. O ministro destacou que muitas das medidas do PAC visam a recuperação ambiental da região.
3. (Em 16 de novembro de 2009- RJ.TV-02) Baixada volta a ficar debaixo d´água. A situação é pior em Belford Roxo, onde a prefeitura mantém a situação de emergência. Pouca gente se arriscou a sair de casa. Três casas no bairro Parque Fluminense estão, aos poucos, sendo tomadas pela terra que desce de uma encosta. Todos tiveram que sair correndo às 5h para não morrer. “Eu perdi tudo. Não sei o que vou fazer. Só queria uma ajuda”, disse uma das moradoras. Em Duque de Caxias, muitas ruas também continuam alagadas. “Ninguém dormiu nesta noite. Todo mundo ficou preocupado. Temos crianças doente em casa. Tem criança com hepatite, com pneumonia, tudo dentro de casa”, contou uma senhora. Uma creche e uma escola tiveram que suspender as aulas. No bairro do Pilar, uma barreira cedeu".
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO