Ouvi que o novo comandante geral trouxe de volta as penas restritivas de liberdade previstas no Regulamento Disciplinar da PMERJ, penas que Mário Sérgio tinha interrompido, embora elas continuassem a existir, os Policiais Militares punidos não ficavam retidos no quartel.
Não quero discutir se Costa Filho está certo ou errado, nesse momento, quero demonstrar como a PMERJ perdeu por completo a sua identidade, seus valores e sua visão de futuro.
A atual PMERJ está completamente perdida, pior que cego em tiroteio, não sabe qual o seu próximo passo.
Como uma Organização Militar, bicentenária, não sabe se quer acabar com as penas restritivas de liberdade ou não?
Mário Sérgio acabou, dois anos depois, Costa Filho, trás de volta.
Uma Instituição minimamente organizada já teria discutido esse aspecto e incorporado no seu DNA a decisão, a qual poderia no futuro ser alterada, em face de uma ampla discussão motivada por fatos novos, o que não foi o caso.
Pior, a justificativa foi no sentido de que isso melhorará o combate aos desvios de conduta, como se antes de Mário Sérgio revogar, milhares de Policiais Militares não ficassem presos e detidos anualmente, sem que isso diminuísse o crescimento da banda podre.
Quem está certo?
Mário Sérgio que revogou?
Costa Filho que trouxe de volta?
Não sei, mas tenho certeza quem está errada: a PMERJ.
Analisemos outro exemplo.
Na área correcional existia um planejamento, uma visão de futuro.
Em 2005, iniciamos um aumento no número das Delegacias de Polícia Judiciária (DPJM), dobrando o número em 2007, duas para quatro e com a visão de implantarmos uma DPJM em cada Comando Intermediário na gestão do Coronel PM Ubiratan, totalizando sete DPJMs.
Paralelamente, criamos e avançamos na proatividade das ações de controle interno com as equipes comandadas por Oficiais nas quatro DPJMs, os Grupamentos de Supervisão Disciplinar, que realizavam fiscalizações nas ruas em viaturas reservadas e usando trajes civis.
Outro objetivo era criar uma estrutura capaz de gerar conhecimento na área correcional, trabalhando em conjunto com a Inteligência, para inclusive desenvolver com eficiência as investigações sobre os Comandantes, Chefes e Diretores.
O Gabinete Geral de Assuntos Internos (GGAI) foi criado por decreto.
Implementos o protótipo de um programa para controlar os disparos de armas de fogo efetuados por Policiais Militares em serviço, o que entre vários produtos vantajosos, permitiria um controle dos autos de resistência.
O Coronel Ubiratan foi exonerado em 2008, passaram dois comandos gerais (Pitta e Mário Sérgio) e nada foi feito. Além disso, a proatividade correcional deixou de existir com a assunção de Mário Sérgio.
O GGAI não foi implementado até a presente data.
O projeto de controle dos disparos de arma de fogo foi abandonado.
Em síntese, andamos para trás.
De joelhos diante dos políticos, sem identidade, sem valores e sem visão de futuro, a Polícia Militar agoniza.
Por derradeiro, vocês lembram o escândalo que Beltrame fez a respeito dos Oficiais da PMERJ que trabalhavam para uma empresa de um Coronel PM, a qual prestava serviço para a Liga das Escolas de Samba, a LIESA?
Lembram que Beltrame condenou os Oficiais em razão da LIESA ter envolvimento histórico com os bicheiros?
Pois é ...
Atualmente, ter trabalhado para tal empresa que presta serviço para a LIESA não é mais problema.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO