Os boatos políticos sobre a exoneração de Mário Sérgio devem ser analisados com muita cautela, embora os sinais políticos estejam sinalizando esse desfecho há algum tempo.
Tudo pode não passar de um boato ou apenas o início de um processo de fritura de Mário Sérgio, o que significaria que a exoneração aconteceria um pouco mais tarde.
Todavia não podemos ignorar que é de domínio público que Mário Sérgio se desgastou demasiadamente com as suas posturas iniciais, logo ao assumir a cadeira, talvez se considerando inteiramente blindado por Beltrame, que nunca escondeu a sua preferência em tê-lo como comandante geral.
A verdade é que ele se perdeu inteiramente, isso é um fato.
Preliminarmente, não expressando a minha opinião sobre eles, citarei alguns desses fatos que tiveram uma leitura política totalmente contrária ao comandante geral:
- A bipartição do Estado Maior Geral que se mostrou totalmente ineficiente.
- A nomeação dos Coronéis Millan e Álvaro como Chefes Administrativo e Operacional desse Estado Maior, respectivamente, atos que geraram inclusive uma leitura interna corporis foi desfavorável.
- O rápido afastamento dos Coronéis mais antigos da Polícia Militar, o que foi agravado em razão do modo totalmente desrespeitoso como eles foram afastados. Isso gerou grandes inimizades que certamente não ficaram inertes nas articulações políticas.
- A nomeação da esposa como Diretora de Assistência Social, uma função de posto superior ao dela, preterindo Coronéis e Tenentes Coronéis, foi considerada como um ato de “nepotismo”.
- A nomeação de Oficiais sem qualquer experiência em funções de Estado Maior para comandar Unidades Operacionais.
- Entre elas a nomeação para comandar o BOPE de um Oficial que estava há mais de 10 anos fora da Polícia Militar foi a mais grave, sendo considerado um caso de apadrinhamento.
- A alteração do Regulamento Disciplinar de forma inteiramente equivocada, tendo em vista ser o regulamento um decreto lei, portanto não pode ser alterado por uma decisão do comandante geral.
- As críticas foram muitas em face da extinção das punições disciplinares restritivas de liberdade, algo considerado um suicídio por vários Oficiais, inclusive junto aos jovens Oficiais, tendo em vista que a Polícia Militar atravessa a sua pior fase no que diz respeito aos desvios de conduta (a corrupção, por exemplo).
- O enfraquecimento da Corregedoria Interna e a eclosão de casos de graves desvios de conduta foi uma combinação que também desgastou o comando.
- O caso do 13º BPM foi muito desgastante para o comando por envolver um Oficial do posto de Capitão.
- As nomeações e as exonerações em curtíssimo tempo de comandantes de Unidades Operacionais, o que demonstra no mínimo a incapacidade de escolher corretamente.
Eu poderia citar outros fatos, entretanto esse artigo ficaria com uma extensão que desencorajaria os leitores mais dedicados.
Nesse ponto alguém deve questionar se a balança só pende contra Mário Sérgio?
Respondo que não.
Em minha opinião ele tem a seu favor dois fatos, os quais são muito fortes nessa decisão:
- Ser o preferido de Beltrame, o todo poderoso do atual governo estadual, alguém inatingível.
- A sua exoneração simbolizaria a incompetência de quem tem escolhido os comandantes gerais (Beltrame), pois alcançaríamos o quarto comandante em menos de três anos de governo, algo que nunca aconteceu em nenhuma Polícia Militar brasileira.
Diante do exposto, a queda de Mário Sérgio pode já ter sido decidida e não surpreenderia ninguém que veste azul ou que percorre os lamacentos corredores políticos do Rio de Janeiro, isso é uma opção factível.
Um outro fato que sinaliza para essa possibilidade foi o rápido movimento nos bastidores políticos na busca pela cadeira do comandante geral, logo após Mário Sérgio ter demonstrado que não estava com a “mão boa” nas suas decisões iniciais.
Nomes começaram a borbulhar...
Lopes, Jardim e Aristeu Leonardo foram os mais comentados.
Lopes tem o perfil do “tiro, porrada e bomba” que tanto agrada Sérgio Cabral, porém não está mais na ativa e tem uma rejeição na tropa muito grande.
Jardim também é um partidário do “tiro, porrada e bomba”, tem o apoio dos Coronéis do antigo Estado do Rio de Janeiro (treme terras), fala a linguagem da tropa, porém quando solta as suas frases de efeito os resultados são devastadores. Inclusive, ele andava calado até poucos dias atrás.
Leonardo tem uma ótima aceitação na imprensa e tem um padrinho político forte, o deputado estadual Wagner Montes (PDT), parecendo ser o favorito entre os três.
O seu surgimento na mídia como Assessor de Imprensa interino pode ter sido um sinal, uma forma de avaliação quanto a sua aceitação.
Contra si o fato de ser um integrante do grupo que está comandando há muito tempo na PMERJ, o que sinaliza que poucas mudanças acontecerão nas principais funções da corporação, devendo acontecer mais uma troca de cadeiras, com exceção dos dois chefes do Estado Maior Geral que passariam para a geladeira.
Obviamente, muito mais existe para ser analisado, o que é impraticável em um único artigo.
Assim sendo, prefiro encerrar nesse ponto, destacando que como Coronel de Polícia me sinto muito envergonhado com a atual situação da Polícia Militar, uma instituição que agoniza em uma cama do Hospital Central da Polícia Militar, precisando de um remédio que não pode ser comprado, porque Cabral deve mais de R$ 150 milhões ao Fundo de Saúde da corporação.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO