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quinta-feira, 9 de abril de 2009

POLICIAR É UMA CIÊNCIA, NÃO EXISTE ESPAÇO PARA "ACHISMOS POLÍTICOS".

Governo dos EUA promoverá 'Raio X' sobre situação atual da atividade policial norte-americana.

O Instituto Nacional de Justiça do Ministério da Justiça dos Estados Unidos da América (EUA) vai fazer um verdadeiro `raio x` da situação atual da segurança pública norte-americana, avaliando seu sistema de justiça criminal e respectivas polícias. Como de costume, uma Instituição de pesquisa, desta vez ligada ao ensino superior (IES), proverá o necessário suporte técnico-científico ao governo federal daquele país, depois de qualificada em um processo competitivo público.
Para tal propósito, a Universidade do Estado de Illinois em Chicago (UIC) foi a ganhadora do processo público de credenciamento para obtenção de financiamento para realização de um longo e abrangente estudo sobre as polícias dos EUA, a ser levado a cabo sob os auspícios do governo federal daquele país. O próprio estado de Illinois é berço de importantes e históricos estudos criminológicos (sobre o crime, criminosos e questões conexas), em sua conotação com a estrutura e o funcionamento do sistema de segurança pública dos EUA, lá objeto de estudo acadêmico da chamada `justiça criminal`.
A justiça criminal é uma área própria de estudos, incluindo a gestão da segurança pública, em países como EUA, Canadá e Austrália. É clássica a referência à "Escola de Chicago", bem como sua associação a gestores policiais de carreira e acadêmicos que por lá passaram, caso de Orlando Winfield Wilson, do Departamento de Polícia de Chicago. Wilson foi um dos principais mentores de Herman Goldstein, considerado hoje o `pai` da celebrada filosofia de gestão da segurança pública que se convencionou chamar "Polícia Comunitária" e depois "Polícia Orientada por Problemas", a última das duas uma versão ainda mais contemporânea do modelo criado por Goldstein, `Professor Emérito` da Universidade de Wisconsin.
O Estudo da UIC, a ser realizado ao longo dos próximos três anos, abrangerá uma amostra de 25 das mais de 18 mil organizações policiais dos EUA, correspondendo a uma avaliação (e depois difusão dos respectivos estudos) do impacto e respectivos processos daquelas que sejam consideradas como boas práticas policiais, tanto em nível de recursos humanos quanto de gestão gestão operacional e gestão policial institucional em geral. Tal estudo deverá enfatizar aspectos da vida e do trabalho dos profissionais de segurança pública dos EUA, devendo poder promover, em um futuro não muito distante, um aperfeiçoamento técnico do sistema de justiça criminal como um todo.
O sistema de justiça criminal norte-americano está desdobrado em nível municipal, de `condado`, estadual, federal e em áreas de responsabilidade de organizações policiais específicas e autônomas. A questão da `qualidade de vida` desse contingente de centenas de milhares de servidores públicos, aí incluída sua saúde e bem estar, é bastante enfatizada pela liderança acadêmica que realizará o estudo, coerente com o fato da UIC ser uma das mais importantes referências nacionais na área de saúde pública dos EUA.
O modelo de metodologia da pesquisa a ser empregado pela UIC terá como princípio e objetivo o desenvolvimento de uma `Plataforma Nacional de Pesquisa sobre a Polícia`, a qual orientará e sedimentará dinamicamente os estudos de campo das atividades hoje realizadas pelas instituições policiais das cidades pré-selecionadas do país que fazem parte do estudo. É esperado que o modelo metodológico utilizado permita a identificação e descrição exaustiva de novas `boas práticas policiais`, portanto já em utilização, mas ainda restritas localmente. Identificadas e descritas, elas poderão ser assim difundidas em nível nacional pelo governo federal e seus órgãos de liderança central da segurança pública (equivalentes norte-americanos do Ministério da Justiça e da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Brasil).
Entre as áreas geográficas incluídas no estudo da UIC estão a própria Chicago em Illinois, na região dos Grandes Lagos; Boston em Massachusetts, no nordeste dos EUA e Los Angeles, Califórnia, na costa oeste. Parte importante do estudo da UIC, em sua localização espaço-temporal em Chicago, Illinois, inclui o desenvolvimento e avaliação técnico-científica de um modelo para recrutamento, seleção e treinamento de um `policial do futuro`, no que tange inovações na formação policial tendo em conta incrementos na qualidade da atividade-fim e das relações entre a polícia e a comunidade.
Fonte: Agência Fenapef.


PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A FALTA DE VALORES - UMA GESTÃO EQUIVOCADA.

Willian Andrew, que trabalhou na reestruturação da polícia de Nova York, declarou durante uma entrevista para a Revista Época que para alcançar resultados positivos era necessário investir no policial e melhorar a gestão.
Eu concordo plenamente.
Uma organização que no terceiro milênio não possui plenamente definidos e operacionalizados a sua MISSÃO, os seus VALORES e a sua VISÃO DE FUTURO está condenada ao fracasso.
Cabe destacar que as instituições policiais têm as suas MISSÕES definidas na Constituição Federal, porém precisam estabelecer os seus VALORES INSTITUCIONAIS e definir a sua VISÃO DE FUTURO.
Quais são os VALORES das instituições policiais?
Qual é a VISÃO DE FUTURO destas instituições?
Infelizmente, gerenciamos as Polícias ao sabor da política e sem essa visão empresarial, agindo assim, não implementamos mudanças, ficando presos a arcaicos paradigmas e acabamos por repetir estratégias erradas, considerando que desviamos o FOCO, comprometendo todo o processo.
Dias atrás eu compareci a uma empresa particular (LABS D’OR) e logo na entrada, tive a oportunidade de ler em um cartaz os VALORES da empresa:
"VALORES:
- HUMANIZAÇÃO - Tratar todo cliente com respeito, prevalecendo a generosidade e a solidariedade na relação.
- CREDIBILIDADE – Construir relações verdadeiras com todos os clientes, através da confiança e da transparência.
- ÉTICA – Praticar conduta moral, humana e profissional despertando o orgulho de trabalhar na empresa.
FOCO NO CLIENTE – Fazer com que o cliente se sinta sempre importante e especial.
COMPROMETIMENTO – Agir consciente de que a participação de cada um é fundamental para o sucesso do negócio.
RECONHECIMENTO – Valorizar a contribuição individual nos resultados com senso de justiça e celebrando o sucesso."
Uma rápida leitura nos permite identificar claramente que a empresa cultua VALORES focados no SUCESSO da EMPRESA, nos FUNCIONÁRIOS e nos CLIENTES.
Os FUNCIONÁRIOS são colaboradores para o sucesso da EMPRESA.
Fazendo um paralelo com a atual política de segurança pública implementada no Rio de Janeiro, percebemos que existe uma preocupação com o SUCESSO POLÍTICO, porém o FOCO não tem sido o CLIENTE e muito menos o FUNCIONÁRIO.
O CLIENTE - o cidadão fluminense - parece estar se transformando mais em vítima da “política” de segurança do que em CLIENTE dessa segurança pública, que deveria estar voltada para a proteção da vida, acima de tudo.
O FUNCIONÁRIO – o Policial - cada vez mais esquecido pelo poder político, recebe um salário famélico que o obriga a procurar outro emprego para garantir o sustento de sua família. Ele trabalha em duas ou mais EMPRESAS e na maioria das vezes a EMPRESA PÚBLICA – Polícia – vira o “bico”.
O FUNCIONÁRIO – o Policial – desgastado física e emocionalmente, totalmente desmotivado, não consegue interagir corretamente com o CLIENTE.
Refém de uma "política" equivocada VITIMIZA O CLIENTE e VITIMIZA A SI PRÓPRIO, considerando que a ele todas as culpas e todas as penas legais.
Por favor, releiam os VALORES da LABS D’OR e analisem como a “política” de segurança pública trata os CLIENTES e os FUNCIONÁRIOS.
Como trata os POLICIAIS e os CIDADÃOS.
O resultado só poderia ser um, o fracasso da EMPRESA.
Concluindo, a GESTÃO está totalmente equivocada!