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quarta-feira, 16 de março de 2011

CAMORRA, O SISTEMA.

Eu estou tateando na leitura do fascinante livro GOMORRA (Roberto Saviano), escrito a partir da infiltração do autor na máfia italiana, que atualmente vive sobre proteção policial constante e sem endereço fixo.
Optei por ir comentando os aspectos mais relevantes do livro no nosso espaço democrático, sobretudo os que penso guardar alguma relação com a realidade brasilheira.
Hoje trago uma informação: os integrantes da máfia italiana não se referenciam como pertencentes da Camorra e sim, como integrantes do SISTEMA, termo que uso habitualmente para referenciar cada grande estrutura criminosa organizada que gerencia atividades ilícitas nas terras do Brasil.
Tanto lá, como cá, essa estrutura é tão forte quanto a sua capilaridade, ou seja, a capacidade de se infiltrar nas polícias; nos poderes executivo, legislativo e judiciário; na imprensa; no mundo empresarial; etc.
Cooptar a imprensa é fundamental para o SISTEMA, para encobrir (não noticiar) as atividades ilícitas e para reforçar a pseudo legalidade de suas atividades.
A sua força decorre também de outra característica, a diversificação e atividades, ou seja, investir nos mais variados negócios de forma invisível, o que faz com que ganhem uma aparência de completa legalidade.
Na Itália, a Camorra investe muito na alta costura.
Isso, alta costura, roupas caríssimas que o SISTEMA produz idênticas às originais e coloca no mercado por preços muito maias baixos.
Tenho certeza que você foi surpreendido com essa informação.
Isso nos ensina que o SISTEMA pode estar por trás de qualquer atividade que gere dinheiro e seja aparentemente legal.
Obviamente, o SISTEMA também investe em atividades claramente ilegais, como ocorre no Rio de Janeiro, onde investe no jogo dos bichos; maquininhas; bingos; transporte clandestino; combustíveis adulterados; etc.
No Brasil e no Rio, uma fatia das mais rendosas para o SISTEMA são as LICITAÇÕES dos órgãos públicos, como a mídia já noticiou infinitas vezes. É comum que a empresa integrante do SISTEMA forneça as outras empresas (laranjas) necessárias para dar legalidade ao processo de licitação, citando uma forma de agir dessas organizações criminosas.
Recentemente, a mídia fluminense noticiou fortíssimos indícios de fraudes na compra superfaturada de medicamentos e na manutenção das ambulâncias utilizadas pelo Corpo de Bombeiros, ambos os casos ocorridos na secretaria de saúde do governo Sérgio Cabral.
Prezado leitor, fico por aqui, lembrando que o SISTEMA na verdade é um conjunto de sistemas maiores ou menores e não esqueça:
- O SISTEMA pode estar bem próximo de você, travestido de legalidade e enriquecendo as máfias.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

terça-feira, 16 de novembro de 2010

RIO DE JANEIRO: JOGO DOS BICHOS E CRIMINALIDADE - EXPLICAÇÃO.


O leitor não policial nem sempre consegue perceber a gravidade que o jogo dos bichos representa para a segurança pública no Rio de Janeiro. A contravenção é considerada como algo folclórico, que não provoca nenhum mal, que serve para distrair e para dar emprego para aposentados e para desempregados. Assim sendo, a população convive naturalmente com os pontos do jogo dos bichos que existem em quase todas as esquinas do Rio de Janeiro.
Os bingos também sofrem essa interpretação deformada, parecem não fazer mal nenhum.
Infelizmente, a verdade não é essa, o jogo dos bichos representa um grave perigo para a segurança pública e deveria ser continuamente reprimido pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, o que não ocorre no Rio.
Para que você possa entender, usarei uma analogia.
Você é vendedor, recebe um salário fixo, com o qual você consegue pagar as suas principais despesas e recebe comissões que completam o pagamento das despesas e que tenha uma sobra para outras despesas.
O jogo dos bichos funciona como o salário fixo, o ganho certo, que sustenta uma série de outros ilícitos, sobretudo quando esses não rendem o desejado.
O jogo dos bichos pode pagar os salários das quadrilhas, quando as outras fontes estão enfraquecidas, como ocorre no caso das repressões às máquinas de caça-niqueis e aos bingos, por exemplo.
Portanto, reprimir o jogo dos bichos significa desarticular na base uma série de crimes, pelo corte da receita básica.
No Rio, o jogo dos bichos não é reprimido, o que diminui quase a zero os efeitos das repressões aos bingos, às maquininhas e a outros ilícitos.
Urge que o governo Sérgio Cabral trate o jogo dos bichos como ele deve ser tratado, um ilícito perigoso, que precisa ser combatido diariamente em todos as esquinas do Rio de Janeiro.
Além disso, como já escrevi neste espaço, quando um ilícito funciona livremente e ostensivamente, alguém está levando malas de dinheiro.
Combater o jogo dos bichos ajudará muito no combate às bandas podres das polícias, da política, do poder judiciário, do ministério público, da mídia, etc.
Deixar o jogo dos bichos funcionar significa a prática de crimes contra a população fluminense.
Alguém deve ser responsabilizado.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
PROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

OPERAÇÃO CONTRAS AS MAQUININHAS, SERÁ QUE ANUNCIARÃO O VALOR ARRECADADO?


A Polícia Civil do Rio de Janeiro está realizando uma mega operação para apreender máquinas caça-níqueis, uma ótima notícia.
O chefe da Polícia Civil, delegado Allan Turnowsky, que chefia a operação, foi entrevistado no RJ TV, quando declarou que cada maquininha pode arrecadar mais de R$ 1.500,00 por semana.
Vamos torcer para que dessa vez, ao final da operação, seja divulgado publicamente o valor total em dinheiro arrecadado no interior das maquininhas apreendidas, algo que nunca acontece, como se as maquininhas estivessem "fora de uso".
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO