JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO
Blog do Coronel Paulo Ricardo Paúl - Um espaço democrático destinado à discussão sobre estratégias para impedir que o Brasil seja transformado em uma cleptocracia e sobre os serviços públicos das áreas da segurança, da saúde e da educação pública, objetivando a construção de um país de verdade e a prestação de serviços de qualidade para o povo através da qualificação e da valorização dos funcionários públicos. Comunique ao organizador qualquer conteúdo impróprio ou ofensivo.
Eu recebi e postei um comentário anônimo, no qual o comentarista afirma que gosta de mim, o que determina que eu deixe claro que a recíproca é verdadeira. O Brasil precisa mudar!
A minha segunda retrospectiva do ano de 2.007 começa um pouco antes, no segundo semestre de 2006, no auge da campanha eleitoral.
Nós, Policiais Militares, enfrentávamos toda sorte de dificuldades.
Nós, Policiais Militares, recebíamos salários baixíssimos, que nos excluíam da cidadania.
Nós, Policiais Militares, empurrávamos as viaturas.
Nós, Policiais Militares, amarrávamos peças das viaturas com arames, para que não despencassem.
Nós, Policiais Militares, conseguíamos pneus segunda vida, no borracheiro do setor.
Nós, Policiais Militares, trabalhávamos em quartéis, companhias, postos de policiamento comunitário e destacamentos de policiamento ostensivo com instalações precárias.
Nós, Policiais Militares, não tínhamos equipamentos de proteção suficientes para todos.
Eles, políticos, discursavam.
Eles, políticos, prometiam.
Eles, políticos, prometiam valorizar os Policiais Militares e Civis.
Eles, políticos, tinham solução para tudo.
Eles, políticos, faziam promessas em nossos clubes e associações, onde nos reunimos para ouvi-los.
Era a campanha eleitoral!
Nós, Policiais Militares, acreditamos.
Nós, Policiais Militares, confiamos neles, mais uma vez.
Nós, Policiais Militares, convencemos nossos familiares.
Nós, Policiais Militares, nos enchemos de esperança.
Nós, Policiais Militares, votamos neles.
Nós, Policiais Militares, convencemos nossos familiares a também acreditarem nas promessas e a votarem neles.
Eles, políticos, se elegeram.
Eles, políticos, festejaram.
Nós, Policiais Militares, confiando neles, também festejamos.
Nós, Policiais Militares, iniciamos 2007 acreditando nas promessas de campanha.
Eles, políticos, iniciaram 2007 com total credibilidade.
A mídia explodia de novidades!
A segurança, a educação e a saúde seriam prioritários, cantavm em prosa e verso.
Nós, Policiais Militares, vivenciamos os dias passando e nada mudando.
Nós, Policiais Militares, continuamos a acreditar.
Nós, Policiais Militares, continuamos trabalhando duramente.
Nós, Policiais Militares, continuamos morrendo e sendo transformados em Bandeiras Nacionais, entregues aos nossos familiares.
Nós, Policiais Militares, realizamos um policiamento primoroso no PAN do Rio.
Nós, Policiais Militares, tivemos a companhia da Força Nacional de Segurança Pública com suas excelentes diárias, suas viaturas e equipamentos melhores do que os do denominado primeiro mundo.
Nós, Policiais Militares, cansados de acreditar, nos indignamos e clamamos pelas promessas.
Nós, Policiais Militares, desarmados e de folga, realizamos atos públicos, ordeiros e pacíficos.
Nós, Policiais Militares, encaminhamos documentos contendo nossas reivindicações justas a Eles.
Eles, políticos, se reuniram para encontrar soluções, embora na campanha eleitoral tivessem todas as respostas.
Eles, políticos, se desculparam, novamente.
Eles, políticos, acabaram por trazer as mesmas desculpas do passado, como que arrancadas das velhas gavetas do poder.
Eles, políticos, nos ofereceram um aumento em 24 (vinte e quatro) parcelas, cada uma de 1% (um por cento), a partir de setembro de 2007.
Nós, Policiais Militares, nos indignamos e não aceitamos.
Eles, políticos, prometeram reavaliar o aumento e realizaram reuniões.
Eles, políticos, acabaram nos concedendo um aumento de 4% (quatro por cento), de uma só vez, em setembro de 2007, nada mais.
Nós, Policiais Militares, mais uma vez, nos indignamos.
Eles, políticos, prometeram reavaliar novamente o aumento, reabrindo as negociações.
Eles, políticos, realizaram várias reuniões com nossos representantes.
E assim o ano de 2007 acabou.
Acabou para eles, políticos e para nós, Policiais Militares, sem qualquer avanço.
Nós, Policiais Militares, desacreditando totalmente na concretização das promessas da campanha eleitoral, palavras que se perderam no vento.
Nós, Policiais Militares, indignados.
Eles, políticos, desacreditados.
E o ano de 2008 iniciou assim, diametralmente diferente do início de 2007.
Nós, Policiais Militares, mobilizados para a obtenção das justas nossas pretensões.
Nós, Policiais Militares, mobilizados para buscar a nossa cidadania através de salários justos e da disponibilidade de adequadas condições de trabalho.
Nós, Policiais Militares, querendo a implementação das soluções da campanha eleitoral.
Nós, Policiais Militares, desacreditando neles.
Nós, Policiais Militares, unidos para só votarmos baseados em fatos, nunca mais em promessas.
Nós, Policiais Militares, mudamos!
Eles, políticos, parecem que continuam os mesmos!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORREGEDOR INTERNO