O DIA ONLINE:
16/1/2008 02:00:00
Bolsas para 18 mil policiais
Governo federal oferece gratificação para PMs com salários até R$ 1.400 que voltarem a estudar
Maria Mazzei e Paula Sarapu
Rio - Os 18 mil policiais militares do Rio que ganham menos de R$ 1.400 por mês poderão dobrar sua renda se forem para as salas de aula. Essa é a proposta do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), segundo o secretário Nacional de Segurança Pública, Antônio Carlos Biscaia. Para receber a Bolsa Formação, como é chamada, os PMs terão que trocar armas por computadores e livros a cada 12 meses. São 22 cursos gratuitos que podem ser presenciais ou a distância, dependendo da complexidade de cada tema.
“Além de se especializarem em suas áreas, ainda terão um complemento para seus salários. Não estamos querendo comprar ninguém, apenas criar um atrativo e motivar cabos e soldados da PM a se tornarem mais bem preparados. Afinal, são eles que enfrentam, diariamente, o tráfico”, ponderou Biscaia.
De acordo com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), terão prioridade no programa os três mil PMs que forem selecionados para atuar na ocupação no Complexo do Alemão. Esse grupo deve começar a receber o benefício a partir de março. O objetivo é garantir a segurança para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, orçado em R$ 1 bilhão. Só na comunidade serão investidos R$ 495 milhões.
POLÊMICA
O aumento anunciado pelo secretário já começou a causar polêmica. Para o comandante do 16º BPM (Olaria), tenente-coronel Marcus Jardim, todos os policiais envolvidos na ação deveriam receber o benefício, independentemente da patente. Ele fez duras previsões para a execução das obras e criticou o valor que deverá ser pago. Para Jardim, os policiais mereceriam, no mínimo, o mesmo que recebem agentes da Força Nacional de Segurança — cerca de R$ 2.800.
“O cenário é de guerra e o risco é o mesmo para oficiais, que comandam frações de tropa. Há aqueles que trabalham no suporte, consertando Caveirão. Ninguém vai se render ao PAC e vamos ter grandes embates. Marginais vão morrer e, infelizmente, inocentes e policiais também poderão ser atingidos”, alerta.
Para o presidente do Clube dos Oficiais, coronel Dilson Anaide, o aumento só para praças vai criar constrangimento. “O soldado vai ganhar quase como um tenente, o que fere a hierarquia e a disciplina.”
O comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Angelo, afirmou, porém, que o pagamento de um valor extra não vai atingir o nível hierárquico, mas a questão salarial. “Dois soldados não ganham a mesma coisa. Há primeiros-sargentos que ganham mais que segundo-tenente, por tempo de casa. O aumento vai atender à classe”, disse. O calendário dos cursos oferecidos para o Rio ainda não foi fechado, mas os interessados já podem procurar informação nos telecentros da Senasp ou pelo site www.mj.gov.br/ead. Há cursos de apenas 40 horas e outros que exigem mais dedicação e duram 2 anos.
“Além de se especializarem em suas áreas, ainda terão um complemento para seus salários. Não estamos querendo comprar ninguém, apenas criar um atrativo e motivar cabos e soldados da PM a se tornarem mais bem preparados. Afinal, são eles que enfrentam, diariamente, o tráfico”, ponderou Biscaia.
De acordo com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), terão prioridade no programa os três mil PMs que forem selecionados para atuar na ocupação no Complexo do Alemão. Esse grupo deve começar a receber o benefício a partir de março. O objetivo é garantir a segurança para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, orçado em R$ 1 bilhão. Só na comunidade serão investidos R$ 495 milhões.
POLÊMICA
O aumento anunciado pelo secretário já começou a causar polêmica. Para o comandante do 16º BPM (Olaria), tenente-coronel Marcus Jardim, todos os policiais envolvidos na ação deveriam receber o benefício, independentemente da patente. Ele fez duras previsões para a execução das obras e criticou o valor que deverá ser pago. Para Jardim, os policiais mereceriam, no mínimo, o mesmo que recebem agentes da Força Nacional de Segurança — cerca de R$ 2.800.
“O cenário é de guerra e o risco é o mesmo para oficiais, que comandam frações de tropa. Há aqueles que trabalham no suporte, consertando Caveirão. Ninguém vai se render ao PAC e vamos ter grandes embates. Marginais vão morrer e, infelizmente, inocentes e policiais também poderão ser atingidos”, alerta.
Para o presidente do Clube dos Oficiais, coronel Dilson Anaide, o aumento só para praças vai criar constrangimento. “O soldado vai ganhar quase como um tenente, o que fere a hierarquia e a disciplina.”
O comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Angelo, afirmou, porém, que o pagamento de um valor extra não vai atingir o nível hierárquico, mas a questão salarial. “Dois soldados não ganham a mesma coisa. Há primeiros-sargentos que ganham mais que segundo-tenente, por tempo de casa. O aumento vai atender à classe”, disse. O calendário dos cursos oferecidos para o Rio ainda não foi fechado, mas os interessados já podem procurar informação nos telecentros da Senasp ou pelo site www.mj.gov.br/ead. Há cursos de apenas 40 horas e outros que exigem mais dedicação e duram 2 anos.
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORREGEDOR INTERNO
