Uma preocupação constante quando estou escrevendo um artigo ou analisando um artigo recebido de um amigo, trata-se de verificar se o tema é adequado aos objetivos da nossa mobilização e se permite uma contextualização adequada com os demais artigos postados.
Vez por outra, posto artigos que aparentemente parecem se afastar da nossa mobilização cívica pelo resgate da cidadania do Policial Militar, através da concessão de salários dignos para quem arrisca a vida em defesa da sociedade e ainda, da obtenção de adequadas condições de trabalho, considerando que as atuais são péssimas.
Esse é um artigo que a primeira vista irá parecer meio que sem sentido para a mobilização, porém afirmo que talvez seja um dos mais importantes.
A leitura atenta levará a todos - principalmente a parte da mídia que continua independente - a começar a compreender alguns fatos que estão ocorrendo no nosso estado, sobretudo a respeito do "intervencionismo" feito na Polícia Militar.
E vamos iniciar.
No dia 23 de janeiro de 2.008 eu postei um artigo, o qual foi utilizado pela Rede Globo de Televisão - sem me consultarem a respeito do que escrevi - para fazer um link com a reportagem sobre a apropriação de refrigerantes e cervejas por integrantes da Polícia Militar, lotados no 3o BPM.
Um parágrafo foi transformado em uma frase, dando a entender que eu estava justificando a ação dos integrantes da Polícia Militar.
Tal analogia construída pela Rede Globo replicou por dias, em seus principais jornais, espalhando-se por parte da mídia como um vírus destruidor da minha honra.
Óbvio que a leitura do artigo ou pelo menos de todo o parágrafo, desacreditava de imediato a versão da Rede Globo. Entretanto, quem não leu o artigo, a esmagadora maioria da população fluminense, ficou com a versão apresentada pela Rede Globo e as críticas a mim se multiplicaram geometricamente.
O parágrafo escrito foi o seguinte:
"O Soldado – o herói social por excelência – mal pago e sem as condições de trabalho, está desmotivado, fisicamente desgastado pelo segundo emprego, desestabilizado emocionalmente e se transforma em uma “presa” fácil para os corruptos ativos de cada esquina."
Transformar esse parágrafo em um apoio aos Policiais Militares do 3o BPM, além de absurdo, não é tarefa fácil de ser feita, tal transformação não pode ser creditada a um erro de interpretação, ela foi tendenciosa, pensada e dolosa.
Sem dúvida, uma tentativa de monitorar a opinião pública, semelhante as que nós assistimos no vídeo postado nesse blog: "A ditadura da mídia".
Assistir novamente ao referido vídeo ajudará o entendimento.
A frase seguinte do artigo, não foi citada:
"E como existem corruptos ativos prontos a tirar proveito dessa dura realidade."
Eis aí o grande problema do meu artigo, pela primeira vez alguém afirmava e deixava claro que o fato do Policial Militar ganhar mal interessa a alguém - aos corruptos ativos e por via de consequência, aos outros corruptos passivos!
E o autor da frase foi um especialista em Segurança Pública, um especialista com mais de 31 (trinta e um) anos de serviço na Polícia Militar - Um Coronel de Polícia e acima de tudo, o Corregedor Interno da PMERJ que a mais tempo exercia a função, quase 3 (três) anos!
Eis o problema e a tentativa desesperada de desmerecer o autor da frase.
O Policial Militar - o representante direto do Estado nas ruas do Rio de Janeiro - mal pago é presa fácil para os corruptos ativos e eles estão por todos os lugares.
E esses corruptos ativos corrompem outros corruptos passivos além dos Policiais!
Ganhando menos de R$ 30,00 (trinta reais) por dia, os que não possuem a integridade moral e ética próprias do Herói Social - se corrompem por tostões.
A mídia já fez reportagens sobre integrantes da Polícia MIlitar que recebiam R$ 2,00 (dois reais) para permitir a passagem de kombis clandestinas de transporte de passageiros.
A Corregedoria Interna de forma proativa prendeu e excluiu das fileiras da gloriosa Polícia Militar inúmeros integrantes da Polícia Militar envolvidos com a corrupção passiva.
E como existem corruptos ativos tentando fazer acordo com os Policiais.
Vamos citar apenas os envolvidos com transporte clandestino de passageiros:
- ônibus piratas;
- ônibus clonados;
- táxis piratas;
- moto-táxis;
- vans clandestinas e
- kombis clandestinas ("cabritinhos").
Esses transportes clandestinos tem uma grande estrutura: veículos, motoristas, cobradores, pontos de embarque, seguranças, fiscais, etc.
Movimentam milhões e milhões de reais!
E para poderem exercer as suas atividades clandestinas precisam da omissão ou da cumplicidade dos representantes do Estado nas ruas do Rio de Janeiro.
Precisam da simbiose corrupto ativo (transportes clandestinos) e o corrupto passivo (o representante do Estado que deveria coibir a prática clandestina).
E como toda atividade clandestina, os transportes alternativos causam graves e pesados prejuízos as empresas legalizadas.
Nesse caso específico, os táxis e as empresas de ônibus, essas que amargam um prejuízo bilionário com a proliferação constante dessses transportes coletivos.
As empresas de ônibus tem uma "associação de classe" - por assim dizer - a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro - FETRANSPOR, que publicou no jornal EXTRA, do dia 1 de fevereiro de 2.008, a matéria publicitária que encerra esse artigo.
O site da FETRANSPOR, onde você poderá conhecer mais sobre a federação:
Além dos Policiais, dos Guardas Municipais, existe um órgão específico do Governo do Estado do Rio que fiscaliza os transportes, o Departamento de Transportes Rodoviários - DETRO.
O site do DETRO, onde vocês poderão conhecer a missão do órgão estadual:
O DETRO vem realizando constantemente inúmeras operações contra os transportes clandestinos, com o apoio de Policiais Militares e até de Policiais Civis, como a mídia tem noticiado exaustivamente.
Inclusive trabalham Oficiais da Polícia Militar no DETRO, sendo que recentemente um Oficial Superior teria sido ameaçado em razão da sua ação na repressão aos transportes clandestinos.
Portanto, a ação do DETRO está coibindo os transportes alternativos clandestinos e obviamente, diminuindo o grande prejuízo diário dos filiados à FETRANSPOR.
Oportunamente, tratarei mais do assunto.
Encerro repetindo a frase do meu artigo que a Rede Globo ignorou:
"E como existem corruptos ativos prontos a tirar proveito dessa dura realidade".
Certamente, todos nós sabemos disso, porém não custa lembrar que os corruptos passivos que se beneficiam das ilicitudes e das ilegalidades que convivem conosco nesse estado, não são apenas os Policiais Militares, os Policiais Civis ou os Guardas Municipais.
A seguir a propaganda da FETRANSPOR, dividida em duas metades, pois ocupou a largura de uma página:

PAULO RICARDO PAÚLCORONEL DE POLÍCIACIDADÃO BRASILEIRO PLENO