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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

POR QUE O POVO NÃO SAI ÁS RUAS?

EMAIL RECEBIDO:
Autor: Affonso Romano de Sant’Anna.
As pessoas estão se perguntando, diante dos escândalos no Senado, "por que o povo não sai às ruas"?
E além da indagação exalam uma auto crítica desalentada: " o povo brasileiro é muito passivo".
A isto seguem-se frases de impotência e ceticismo quanto aos políticos em geral. A situação torna-se ainda mais incômoda quando essas mesmas pessoas lembram dos " caras pintadas" que, há quase 20 anos, saíram às ruas para depor Collor.. Olham para o passado recente e não conseguem entender porque hoje o povo não se rebela, porque a história não se repete. Os cientistas políticos deveriam/poderiam explicar isto. Sem ser cientista, parece-me que, para entender esse impasse, temos que convir no seguinte:
1.é uma ilusão pensar que o "povo" espontaneamente sai às ruas para protestar e exigir reformas;
2.os movimentos sociais desta natureza exigem duas coisas complementares: liderança e militantes. Este tipo de atuação tem algo de fanatismo, de evangélico, de messianismo, misturado ao sonho e à utopia;
3.sem liderança e militantes que articulem manifestações, as insatisfações flutuam sem direção.
A imprensa pode alardear o que quiser, que o pasmo ficará como uma bolha que se esvai no ar. Cadê então as lideranças e a militância? Onde estão? Quem são aqueles que deveriam e poderiam ser líderes?
Há que cruamente considerar os seguintes fatos:
1. até pouco tempo, grupos militares, religiosos e facções políticas tradicionalmente fizeram esse trabalho de militância. Hoje, no entanto, no quadro brasileiro, não há nenhum partido ou organização capaz de exercer esse papel. Se não, vejamos:
2. os militares brasileiros, que organizaram as manifestações populares que desembocaram em 1964 estão de quarentena e desgastados politicamente; 3. As organizações religiosas que lutaram contra a tortura e a ditadura hoje não têm nem a penetração nem a liderança que tinham há décadas atrás;
4. Os partidos de esquerda como o PT, PC, PCdo B, PSB, chegaram ao poder e se distanciaram das ruas, tornando-se fisiológicos, seus militantes renderam-se ao lado afrodisíaco do poder; o PSDB e o DEM não têm militância para isto e o PSOL não tem capilaridade para movimentos de rua, como tinha o falecido PT, que está cometendo em público uma série de harakiris;
5. A OAB que teve um papel importante na luta contra a ditadura através de Raymundo Faoro, não tem voz que se faça ouvir a nível nacional;
6. Os partidos de centro-direita têm um discurso frouxo e tendem para inércia, para os acordos e só aglutinam os subordinados para interesses próprios;
7. Os estudantes que seriam uma reserva disponível não podem ser mobilizados porque a UNE caiu numa armadilha: perdeu a independência, recebe dinheiro do governo, está com a consciência paralisada ou adormecida.
Esta situação é motivo de júbilo para alguns políticos da situação que esfregam descaradamente na cara dos caras pintadas ou não pintadas, o fato de que se "lixam para a opinião pública" e que tal "opinião é volúvel".
Estão tripudiando porque sabem que falta o elo, a argamassa da liderança e militância popular capaz de estremecer o poder.
Militância e liderança que é fruto do trabalho alucinado de alguns "missionários", "revolucionários" que queimam suas vidas atuando 24 horas por dia para que seus sonhos e alucinações aconteçam. Diante desse quatro, assinale-se que a cultura chamada pós-moderna incentiva cada vez mais a fragmentação da consciência.
Alguém poderia esperançosamente dizer que resta a internet e o twitter, como se o socorro pudesse vir sozinho do milagre eletrônico. Mas, convenhamos, até mesmo a internet e o twitter só funcionam política e socialmente se indivíduos fisicamente presentes e reconhecíveis assumirem o risco da liderança e romperem a crosta do pasmo e da desilusão.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

BRASIL, UM PAÍS QUE SE AFOGA EM UM MAR DE FRAUDES E CORRUPÇÃO

Mais um concurso público anulado!
Texto extraído do blog da amiga CHRISTINA ANTUNES FREITAS:




Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

SÓ MUDOU A MÔSCA ...


Este texto foi escrito a muitos anos atrás, quando pesquisas informavam que Fernando Henrique Cardoso deveria ser eleito Presidente do Brasil.
É triste constatarmos a atualidade do tema:

PARECE QUE FOI ESCRITO HOJE !


SOBRE A VERGONHA DE SER BRASILEIRO

Affonso Romano de Sant'Anna

"Que vergonha, meu Deus!
ser brasileiro
e estar crucificado num cruzeiro
erguido num monte de corrupção.
Antes nos matavam de porrada e choque
nas celas da subversão.
Agora
nos matam de vergonha e fome
exibindo estatísticas na mão.
Estão zombando de mim.
Não acredito.
Debocham a viva voz e por escrito
É abrir jornal, lá vem desgosto.
Cada notícia é um vídeo-tapa no rosto.
Cada vez é mais difícil ser brasileiro.
Cada vez é mais difícil ser cavalo
desse Exu perverso
nesse desgoverno terreiro.
Nunca vi tamanho abuso.
Estou confuso, obtuso,
com a razão em parafuso:
a honestidade saiu de moda
a honra caiu de uso.
De hora em hora a coisa piora:
arruinado o passado,
comprometido o presente,
vai-se o futuro à penhora.
Valei-me Santo Cabral
nessa avessa calmaria
em forma de recessão
e na tempestade da fome
ensinai-me a navegação.
Este é o país do diz e do desdiz,
onde o dito é desmentido
no mesmo instante em que é dito.
Não há lingüista e erudito
que apure o sentido inscrito
nesse discurso invertido.
Aqui o discurso se trunca:
o sim é não.
O não, talvez.
O talvez, nunca.
Eis o sinal dos tempos
este o país produtor
que tanto mais produz
tanto mais é devedor.
Um país exportador
que quando mais exporta
mais importante se torna
como país mau pagador.
E, no entanto, há quem julgue
que somos um bloco alegre
do ‘‘Comigo Ninguém Pode’’
quando somos um país de cornos mansos
cuja história vai dar bode.
Dar bode, já que nunca deu bolo,
tão prometido pros pobres
em meio a festas e alarde
onde quem partiu, repartiu
ficou com a maior parte
deixando pobre o Brasil.
Eis uma situação
totalmente pervertida
uma nação que é rica
consegue ficar falida,
o ouro brota em nosso peito,
mas mendigamos com a mão,
uma nação encarcerada
que doa a chave ao carcereiro
para ficar na prisão.
Cada povo tem o governo que merece?
Ou cada povo
tem os ladrões a que enriquece?
Cada povo tem os ricos que o enobrecem?
Ou cada povo tem os pulhas
que o empobrecem?
O fato é que cada vez mais
mais se entristece esse povo num rosário de contas
e promessas num sobe e desce de prantos e preces.
C’est n’est pas um pays sérieux!
já dizia o general.
O que somos afinal?
Um país-pererê?
folclórico?
tropical?
misturando morte e carnaval?
Um povo de degradados?
Filhos de degredados
largados no litoral?
Um povo-macunaíma
sem caráter-nacional?
Por que só nos contos de fada
os pobres fracos vencem os ricos nobres?
Por que os ricos dos países pobres
são pobres perto dos ricos
dos países ricos?
Por que
os pobres ricos dos países pobres
não se aliam aos pobres dos países pobres
para enfrentar os ricos dos países ricos,
cada vez mais ricos,
mesmo
quando investem nos países pobres?
Espelho, espelho meu!
há um país mais perdido que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um governo mais omisso que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um povo mais passivo que o meu?
E o espelho respondeu
algo que se perdeu
entre o inferno que padeço
e o desencanto do céu."

Aff!
Mais contemporâneo, impossível!!!!

Um abraço,

CHRISTINA ANTUNES FREITAS

Fico pensando sobre as mentiras que teremos que inventar para os nossos descendentes para justificar o país que estamos deixando para eles.

Talvez, só usando a "DUALÉTICA"
Blog do Reinaldo Azevedo - 13 de dezembro - quinta-feira
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/


PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL
CORREGEDOR INTERNO