Prezados leitores, o ato programado pela UEMRJ para a próxima sexta-feira, dia 03 FEV 2012, adquiriu uma relevância muito grande, não só pelo significado da presença dos nossos familiares na luta pela nossa dignidade, mas também pelo fato de cobrir uma lacuna muito grande, o espaço de tempo que separa o ato realizado no domingo passado, dia 29 JAN 2012, do próximo ato público, a assembleia da Cinelândia, marcada para o dia 09 FEV 2012.
Todos e todas sabem que no momento que se estabelece uma pressão política, ela não pode ser enfraquecida, caso contrário o governo se recupera do golpe, como ocorreu na mobilização do SOS Bombeiros. O ato da UEMRJ será a manutenção do governo no canto, acuado e tentando se defender. O governo Sérgio Cabral (PMDB) sabe que tem que agir com todo cuidado, pisando em ovos, não pode sair retaliando os mobilizados, diante da sua desastrosa ação contra o SOS Bombeiros, logo após a invasão do Quartel General. Até hoje os governistas lamentam os erros do governador no transcorrer da coletiva, erros que colocaram toda a população a favor dos Bombeiros e que fez com que quase 30.000 pessoas participassem da caminhada em Copacabana no ano passado.
A luta que se avizinha penderá para o lado que minimizar os erros do passado e que buscar as melhores soluções, portanto, planejar é imprescindível.
A presença nessa quarta-feira do secretário da Casa Civil na ALERJ, onde foi anunciar o reajuste já divulgado pela imprensa, serviu para mostrar algumas cartas desse jogo.
Posso estar errado, mas arrisco algumas táticas que o governo poderá usar para enfraquecer a mobilização e para colocar a população contra os mobilizados:
- Os comandantes gerais da PMERJ e da CBMERJ seguirão na linha de que estão fazendo de tudo para resolver a questão salarial, usando um discurso sinalizando que estão ao lado da tropa e sempre enaltecendo as missões heróicas dos Bombeiros e Policiais Militares, a responsabilidade com a população.
- Nos próximos dias os comandantes de OPMs e OBMs irão realizar palestras tentando desestimular a tropa da ideia de iniciar um movimento grevista, informando os crimes e/ou transgressões que essa mobilização poderá acarretar. Penso que o tom não será de ameaça, mas sim de orientação.
- A inserção de boatos também deverá ocorrer. Um boato que já circula é alterçaõa da forma de pagamento para subsídio. Outro é o que dá conta que todos os que recebem pecúnia serão prejudicados no caso da implantação dos subsídios, o que coloca esses beneficiados contra a mudança na forma de pagamento, gerando divisões.
- Por sua vez, o governo vai usar a mídia amiga para noticiar sempre com grande destaque a concessão dos reajustes e outros possíveis benefícios, demonstrando assim que reconhece o problema e destacando que está fazendo o possível para pagar melhores salários. Usará a queda do tempo para as promoções dos Praças, recentemente implementada, como um desses benefícios já concedidos e demonstrará que isso também acaba sendo um "aumento salarial". Assim, o governo demonstrará que está de boa vontade, o que poderá soar de forma positiva na formação da opinião pública.
- Paralelamente, o governo deve estar elaborando estudos para demonstrar tecnicamente que é impossível pagar os reajustes pretendidos. Podemos esperar aqueles estudos que demonstram o impacto na folha de cada centavo concedido como reajuste, demonstrando que apesar de toda boa vontade governamental, não existem recursos suficientes para atender as pretensões dos mobilizados.
- Não creio em uma repressão antecipada, a decretação de uma prontidão no dia 09 FEV 2012, por exemplo. Penso que nesse momento a avaliação da inteligência é que o movimento está ganhando força, mas que não ocorrerá uma paralisação generalizada, nem no CBMERJ, nem na PMERJ.
- Caso seja desencadeada a paralizasão, a resposta repressiva do governo dependerá da amplitude do movimento. Certo é que a mídia chapa branca irá de imediato tentar colocar a população contra os mobilizados, que serão acusados de radicalismo, diante da boa vontade do governo em negociar e das concessões já feitas.
Eis algumas ilações, certas ou erradas, o importante é que os mobilizados tenham uma reação planejada para cada ação do governo. Quem for pego de surpresa, terá enormes dificuldades em alcançar seus objetivos.
Infelizmente, não conheço a PCERJ de forma adequada para arriscar como a questão será tratada interna corporis.
Por derradeiro, ratifico que não sou favorável a greve, pelos motivos que exaustivamente já comentei, sou favorável a seguir o caminho da Polícia Federal, o desencadeamento da operação tolerância zero (operação padrão). Torço que se os mobilizados optarem pela paralisão, pelo menos desenvolvam a tolerância zero antes desse derradeiro recurso.
Juntos Somos Fortes!

