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segunda-feira, 1 de junho de 2009

AS CONDIÇÕES DE VIDA, TRABALHO E SAÚDE DOS POLICIAIS MILITARES DO RIO DE JANEIRO E SUAS IMPLICAÇÕES NA MISSÃO DE SERVIR E PROTEGER - MÔNICA REIS .

“As condições de vida, trabalho e saúde dos policiais militares do Rio de Janeiro e suas implicações na missão de servir e proteger”
Por Mônica Reis.
"Alguma vez você já perguntou sobre as reais condições de trabalho e saúde dos policiais militares do Rio de Janeiro? Não? Mas o Claves (Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde) perguntou e as respostas estão no livro “Missão Servir e Proteger: condições de vida, trabalho e saúde dos policiais militares”. Lançado no dia 9 de dezembro de 2008, com “orelha” escrita pelo coronel Mário Sérgio (ex-comandante da Academia da PM e ex-comandante do Bope, entre outros cargos importantes em seu currículo), teve origem em importante pesquisa realizada entre os anos de 2005 a 2007 com 1.120 policiais militares (46% dos ouvidos são soldados; 16%, cabos, e os outros 38% oficiais e suboficiais) que responderam, sem necessidade de se identificar, um questionário de 107 itens, divididos em blocos sobre qualidade de vida, condições sócio-econômicas, de saúde e trabalho.
Aqueles que dizem se importar com a segurança pública de nosso estado e sobretudo, os responsáveis por estes trabalhadores, não podem ignorar algumas conclusões preocupantes obtidas nesta pesquisa: mais de 50% dos policiais dormem mal; 35% se queixam de cansaço constante; aproximadamente 16% têm tremores nas mãos; 48% sentem-se nervosos, tensos ou agitados e 5% admitem pensar em suicídio. Mais de 60% estão acima do peso por falta de exercícios físicos e alimentação inadequada. O relato de uso frequente de bebida alcoólica é superior a 40%; já 13,9% dos oficiais e 8,5% dos praças entrevistados relatam uso de tranqüilizantes. O aspecto do trabalho policial para o qual atribuíram a menor nota foi para os salários recebidos, e para complementar a renda, 51% dos oficiais e 61% dos cabos e soldados relataram ter outra atividade, sendo que a maioria se emprega na segurança particular. Essas atividades extras de complementação de renda consomem o tempo que poderia ser utilizado para o sono, convívio familiar e lazer. 90% avaliam como insuficiente a formação que tiveram e disseram não terem recebido outro curso desde a entrada na polícia. Apenas 38% dos praças afirmam receber ordens claras sobre como proceder na rua e em 72% das respostas admitem que precisam burlar ordens para conseguir concretizar suas tarefas (lembram do policial do filme “Tropa de Elite” que trabalhava numa oficina?). No entanto, cerca de 60% dos cabos e soldados escolheriam novamente a PM se suas condições fossem melhores.
Os números apurados nesta pesquisa são mais graves do que os 8% de policiais afastados do trabalho citados em recente entrevista ao jornalista Jorge Antônio Barros pelo secretário Beltrame. São mais graves porque contribuem para que os policiais possam cometer erros, alguns fatais, ao atuarem nestas condições de trabalho, de sofrimento físico e psicológico. Quem são os responsáveis por estas condições? Quando um policial com formação deficiente e em condição de estresse, segundo dados da pesquisa, comete um erro, o estado pode se eximir à responsabilidade? A sociedade pode ignorar todo o processo social e político no qual estes policiais estão inseridos e apenas cobrar que atuem de forma exemplar?
Estes agravos à saúde devem ser encarados como doenças relacionadas ao trabalho e como todos os outros trabalhadores, estes policiais tem direito de exercerem suas funções de forma saudável e em condições adequadas. Não posso encerrar sem lembrar as palavras do coronel Mário Sérgio em seu blog: “(...) NÃO HÁ NADA NA OBRA QUE DESMEREÇA A PM E SEUS INTEGRANTES, OU SEJA, NÓS MESMOS! Ela só nos revela nossa humanitude”.
Fontes consultadas: Blog Segurança Pública – Idéias e Ações. Revista Radis - Comunicação em Saúde/ Fiocruz. Claves – Fiocruz - "Jornal "O Estado de São Paulo"
MÔNICA REIS é médica e aprendeu a amar a Polícia Militar.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

quinta-feira, 14 de maio de 2009

CRIAR UMA POLÍTICA DE SAÚDE PARA OS POLICIAIS MILITARES.

O GLOBO - G1.
Pesquisa revela que 13,9% dos oficiais da PM do Rio usam tranquilizantes.
Padrão nacional de uso de calmantes é de 5,8%, entre jovens.
Estudo da Fiocruz mostra que 48% dos oficiais bebem semanalmente.

Sob forte tensão e risco de morte, 13,9% dos oficiais e 8,5% dos subordinados da PM fazem uso de tranquilizantes, segundo pesquisa da Fiocruz.
Para suportar a pressão e o estresse do dia a dia do trabalho e da violência na cidade, 13,9% dos oficiais, suboficiais e sargentos e 8,5% dos cabos e soldados da Polícia Militar do Rio de Janeiro fazem uso constante de tranquilizantes.
O levantamento foi feito pelas pesquisadoras Edinilsa Ramos de Souza, Maria Celina de Souza Minayo e Patrícia Constantino, do Centro Latino-Americano de Estudos da Violência e Saúde (Claves), da Fundação Oswaldo Cruz.Entre os medicamentos mais utilizados estão ansiolíticos (que diminuem ansiedade e tensão), barbitúricos (calmantes), sedativos e anfetaminas (remédios para emagrecer).
Segundo a pesquisadora Edinilsa, esse percentual está acima do padrão nacional da população, que gira em torno de 5,8%, entre os jovens.
Pilha de nervos
A pesquisa feita com 1.300 policiais, – homens e mulheres de até 45 anos, das mais variadas patentes - entre 2006 e 2007, mostrou ainda que para extravasar os momentos de estresse, tensão, risco e falta de condições satisfatórias de trabalho, 48% dos oficiais, suboficiais e sargentos e 44,3% dos cabos e soldados consomem bebida alcoólica semanalmente. “O consumo de bebida está dentro do padrão da população, daquelas pessoas que tomam um chopinho no fim de semana. Mas o percentual dos que usam tranqüilizantes é preocupante. Chama a atenção para a quantidade de policiais que precisa recorrer a medicamentos para dormir e relaxar”, disse Edinilsa.
O consumo de substâncias lícitas, afirma a pesquisadora, está ligado ao cotidiano de tensão e violência na cidade - onde os índices de criminalidade são altos – que gera angústia, medo e estresse. Essas situações, aliadas às condições precárias de trabalho, falta de equipamentos adequados e ao constante risco de morte, transformam as pessoas numa pilha de nervos. “Os policiais não conseguem relaxar e dormir. Isso não quer dizer que sejam dependentes ou viciados. Mas mostra que é necessário criar uma instância dentro da corporação para tratar da saúde mental desses policiais. Iniciativas neste sentido já existem, mas precisam ser ampliadas”, defendeu a pesquisadora. Durante a pesquisa muitos policiais confidenciaram que não fazem o tratamento por se sentirem discriminados, não só no trabalho, mas também pela família e pela sociedade. Todos os policiais estão trabalhando normalmente em suas funções dentro dos batalhões.
A pesquisa mostra ainda que, dos PMs que admitiram consumir bebidas alcoólicas ou tranqüilizantes, cerca de 90% são oficiais, suboficiais ou sargentos, segundo a pesquisadora.
Devido ao estresse, são eles os que mais se arriscam a fazer sexo sem proteção (21,9% contra 18,6% de cabos e soldados), mais têm problemas com a família (15,9% contra 13,2%) e mais têm crises nervosas (13,1% contra 9%). Os cabos e soldados só superam os superiores em acidentes de trânsito (6,3% contra 5,1%). “São os oficiais que talvez tenham mais consciência dos problemas e sejam mais exigentes com relação à qualidade de vida que levam. Embora não estejam na linha de frente dos confrontos, têm a responsabilidade, a pressão e a tensão de responder por toda uma guarnição ou um batalhão”, justifica a pesquisadora. Edinilsa espera que a pesquisa, que resultou no livro “Missão prevenir e proteger”, as autoridades percebam a necessidade de se pensar numa política de saúde para os policiais. “Essa não é a polícia que nós queremos e nem que os próprios PMs querem. Espero que esse estudo sirva para toda a sociedade pensar e refletir sobre o que podemos fazer para melhorar as condições de trabalho e qualidade de vida desses profissionais que estão padecendo com problemas psicológicos”, concluiu a pesquisadora.
G1

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORONEL BARBONO

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O GLOBO - 19/02/2.008 - ANCELMO GOIS


Prezado jornalista Ancelmo Gois:
A atividade de um Policial Militar é extremamente estressante, aliás, os problemas emocionais foram a segunda causa de afastamento do serviço no ano passado, como a mídia já noticiou.
A Polícia Ostensiva e de Preservação da Ordem Pública - os Militares de Polícia - vivem situação semelhante à vivenciada nas guerras, a síndrome da morte iminente.
No Rio de Janeiro, vítima de erros sucessivos nas políticas de segurança pública, o simples fato de estar fardado nas ruas, em uma viatura ostensiva, já significa um risco significativo de ser vítima da criminalidade violenta.
Pior, isso já aconteceu várias vezes.
Além dessa situação de desequilíbrio emocional, o Policial Militar obrigatoriamente precisa complementar o seu salário, o que faz através do denominado "bico", o qual via de regra é muito mais rendoso que o salário/dia que recebe para arriscar a vida, menos de R$ 30,00 (trinta reais) por dia.
Portanto, o Policial Militar tem uma sobrecarga de trabalho, sem direito ao lazer e ao repouso indispensável.
Em consequência, a obesidade, os problemas de presão, circulatórios e ortopédicos são comuns na nossa profissão.
E embora possa parecer absurdo ao cidadão comum, os Policiais Militares não possuem um plano de condicionamento físico, apesar de precisarem estar em forma para correr atrás de um torcedor que invada o gramado do Maracanã ou de um meliante que pratique um furto na via pública.
As escalas não permitem esse condicionamento físico, isso sem contar que na segunda folga o Militar de Polícia pode ser escalado em um "serviço extra não remunerado".
Inclusive, normalmente, muitos dos Militares de Polícia que atuam no Maracanã estão nessa situação - "serviço extra não remunerado".
Procure imaginar alguém trabalhando além do horário normal, sem receber "horas extras", no mundo civilizado!
E como pode perceber, caro Ancelmo Gois, tudo começa pelos baixos salários e pelo desgaste excessivo do patrimônio da Polícia Militar - o Militar de Polícia.
Realmente, os 3 (três) estão bem acima do peso, melhor falando, os 4 (quatro), considerando que nesses quase 3 (três) anos na função de Corregedor Interno da PMERJ, eu acumulei um sobrepeso de quase 15 (quinze) quilos.
Por derradeiro, informo que não são 3 (três) Soldados, na realidade um deles é um Coronel.
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CIDADÃO BRASILEIRO PLENO