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domingo, 22 de novembro de 2009

CARTA ABERTA Á SÉRGIO CABRAL (BELTRAME) - MAIS UMA!

JORNAL DO BRASIL:
Carta aberta ao governador do Rio
Marcelo Migliaccio
mm@jb.com.br
jblog.com.br/rioacima.php
Governador Sérgio Cabral, permita-me tratá-lo por “você”, porque finalmente a nossa geração chegou ao poder. Decidi escrever-lhe esta carta após o nosso encontro do último dia 12, quando, com muita coragem, você defendeu a legalização das drogas – desde que numa decisão internacional respaldada pela ONU e a OMS – como alternativa para frear os violentos combates entre policiais e traficantes.
Ocorre que essa decisão, se um dia vier a ser tomada, ainda está longe de acontecer. E, enquanto as liberdades individuais não chegarem a esse requinte, muitas pessoas inocentes vão morrer pelo simples fato de viverem em favelas. Os embates entre traficantes armados até os dentes e policiais militares e civis atingiram uma virulência impensável, capaz de derrubar helicópteros e avariar veículos blindados.
Pela lei brasileira, um gover-nador de estado não tem o poder de acabar com a proibição das drogas, mas pode colocar um ponto final nesta guerra que não leva a nada, a não ser à desgraça de famílias que não têm dinheiro para morar longe dos esconderijos das quadrilhas.
A cada três meses, o Instituto de Segurança Pública divulga os números do combate ao crime: quilos e mais quilos de drogas apreendidas, novas prisões de bandidos que superlotam as cadeias. Mesmo assim, o poder do tráfico só aumenta. No lugar de um traficante morto ou capturado, há sempre, infelizmente, um substituto pronto para entrar.
Governador, há décadas, a nossa polícia está enxugando gelo.
Os policiais – também pais de família – estão morrendo por nada, porque não há efeito prático nenhum nessas operações. Crianças, trabalhadores, aposentados são vitimados quase semanalmente pelas famosas balas perdidas. Não são meus filhos, governador, nem seus.
Mas são os filhos do garçom que nos serve no restaurante, da faxineira que deixa nossas casas um brinco ao fim de uma dura jornada de trabalho, dos operários que movem nossas indústrias. Essas são as maiores vítimas de uma guerra que pode mudar de rumo com uma simples decisão sua.
Não dá para ler no jornal que crianças de escolas públicas estão sendo treinadas para se abrigar de tiroteios. Nem que o estresse delas é semelhante ao dos meninos e meninas iraquianos ou bósnios.
Acabe com isso, governador, você pode. Dê-nos de presente de Natal a paz!
Invista mais em Unidades de Polícia Pacificadora, e menos em caveirões. Fiscalize melhor as fronteiras estaduais por onde entra esse armamento pesado.
Quando o estado chega com cidadania, a bandidagem some.
Sem um tiro sequer.
Incomoda o fato de a polícia agir de formas diferentes em situações análogas, revelando preconceito.
Quando recebem um aviso de que há um assalto com reféns, como os policiais procedem? Cercam o lugar. Não invadem para não colocar em risco a vida de inocentes. Isso é ensinado em qualquer academia de formação de oficiais e praças: preservar a vida do cidadão primeiro, depois tentar prender o marginal.Mas, nas favelas, onde a população é obrigada a conviver com os traficantes – já que é refém da sua própria condição financeira – esse preceito é ignorado. Em suas incursões, a polícia contraria seu primeiro mandamento, que é resguardar o cidadão honesto que está na linha de tiro.
Vamos investir na inteligência, no combate ao crime com precisão, na antecipação dos conflitos entre quadrilhas e das invasões como a desta semana na Tijuca. Cerquemos as favelas, asfixiemos a venda de drogas e quando a polícia entrar, que seja para ficar. Mas não disparemos mais nenhum tiro. Podemos vencêlos sem desgraçar famílias cujos mortos não serão repostos no dia seguinte como acontece com drogas, armas e soldados do tráfico.
Domingo, 22 de Novembro de 2009
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

JORNAL DO BRASIL - FERIDAS PSICOLÓGICAS DOS MILITARES DE POLÍCIA


Cabeça, o novo inimigo da PM
Marcelo Migliaccio

Como acontece em todas as guerras, as feridas psicológicas são as mais difíceis de fechar. No front da batalha urbana fluminense não é diferente: em 2007, os transtornos da mente tornaram-se a segunda maior causa de concessões de licença na Polícia Militar. Foram 1.161 casos, número só superado pelas lesões traumáticas (2.961), segundo estatística do Departamento Geral de Saúde da corporação.
- O policial não é uma arma ou uma farda ambulante. Trata-se de um ser humano que sofre, tem família e sente-se fragilizado como qualquer outro - constata a tenente Márcia, membro da primeira turma de oficiais psicólogos da PM. - O nível de estresse do dia-a-dia é o problema principal, pois eles estão expostos ao perigo o tempo todo, mesmo na folga.
A depressão é um dos problemas mais freqüentes e está ligada não só ao risco diário, mas também à imagem que a população e a mídia fazem da Polícia Militar.
- O policial, em geral, é muito carente, se arrisca e não tem seu trabalho reconhecido - diz Maria Leila Alves da Silva, psicóloga civil da PM e da Fundação Assegura, que apóia policiais afastados com seqüelas graves e famílias de PMs mortos. - Eles têm a mágoa de abrir o jornal e ver a polícia tão achincalhada. Uma queixa comum é a de que os direitos humanos só existem para o transgressor, há um sentimento de revolta.
Formada em psicologia há oito anos, a tenente Alexandra está na PM desde 2002. Depois de passar por dois batalhões, ela agora trabalha no Centro de Fisiatria e Reabilitação, em Olaria.
- Quando eu entrei na polícia, tinha uma idéia pré-concebida, mas, ao iniciar o trabalho, tudo que eu pensava caiu por terra. São pessoas normais, diferentes entre si, não se pode continuar colocando todos no mesmo saco - ressalta.
Além da depressão, ela lida com traumas decorrentes da tensão permanente vivida nas ruas.
- Alguns policiais feridos em serviço desenvolvem até síndrome do pânico. Só de pensar em voltar à ativa, eles podem ter calafrios e até incontinências fisiológicas.
Depois das sessões de análise com um dos 50 psicólogos da PM, a maioria dos militares volta ao trabalho, que pode se tornar interno, dependendo da gravidade do problema. Qualquer que seja o caso, a participação da família é fundamental para a solução.
- O sucesso da reabilitação depende muito dos parentes - atesta a tenente Alexandra.
Segundo a tenente Márcia, psicóloga há 15 anos e na PM desde 2001, o problema pode ser detectado pelo próprio policial.
- Ele vê que precisa de ajuda por estar muito nervoso, ou não conseguir dormir nem comer direito. - exemplifica. - Mas o comando também pode encaminhar aquele que apresenta alguns sinais de comportamento, como atrasos ou faltas freqüentes, descuido na farda. Até mesmo reclamações da família quanto nervosismo em casa pesam.
Amanhã: a reintegração de policiais e bombeiros afastados do trabalho com seqüelas graves
[ 14/01/2008 ] 02:01



PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CORREGEDOR INTERNO