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domingo, 7 de março de 2010

HOMEM DE BEM, DÊ SEU JEITO, QUERO UMA SOLUÇÃO ...

Homem de bem, dê seu jeito, quero uma solução...
O presente artigo contém uma parte destinada ao leitor que acessa pela primeira vez o nosso espaço democrático, na verdade uma apresentação.
Eu sou Coronel da Polícia Militar, após ser aprovado no concurso público fui matriculado no Curso de Formação de Oficiais no dia 26 de fevereiro de 1976. No dia 26 próximo passado completei trinta e quatro anos no serviço ativo da PMERJ, embora esteja na “geladeira”, encostado e sem função, desde o dia 30 de janeiro de 2008, após ter participado da mobilização envolvendo os 40 da Evaristo e os Coronéis Barbonos, grupo de Coronéis de Polícia que fui acusado de liderar, na luta por melhores salários e por adequadas condições de trabalho.
Caro leitor de primeira hora, permita-me avançar no mote desse artigo, você poderá obter facilmente maiores detalhes sobre a mobilização nos artigos desse blog ou no livro “Cabral contra Paúl, um governador contra um Coronel de Polícia” ( http://govcabralcelpaul.blogspot.com ).
Indo em frente.
Eu pago só de imposto de renda, o tal imposto da justiça social, vinte e sete e meio por cento, ou seja, trabalho mais de três meses por ano apenas para pagar esse “assalto”, se me permitem esse desabafo, que ao lado de outros “assaltos”(impostos, taxas, contribuições, etc) termina engordando os cofres públicos administrados pelo governo nos seus diferentes níveis.
Eu não recebo nenhuma “bolsa”, pago todas.
Hoje eu cansei!
Após ler um artigo da Revista Veja dessa semana, mais um sobre escândalos relativos à subtração do nosso dinheiro, envolvendo o governo, eu cansei.
Homem de bem, dê seu jeito, quero uma solução...
Sim, você, homem de bem que ainda existe nesse Brasil, eu quero uma solução, dê seu jeito, como falam para o Policial Militar que deve superar diariamente incontáveis dificuldades no exercício profissional.
Eu não agüento mais, basta, não quero mais trabalhar meses para ser roubado diariamente, quero uma solução para esse Brasil criminoso, com o qual sou forçado a conviver.
Eu defendo a presunção da inocência, portanto, não quero condenar previamente qualquer pessoa, entretanto, não agüento mais esse “sistema” que me rouba e os seus incontáveis integrantes, uns novatos e outros velhos conhecidos.
Quero uma solução e quero rápido.
Hoje só tenho uma dúvida:
- O crime infiltrou seus tentáculos no governo ou o crime governa o Brasil?
Não quero assistir operações transmitidas ao vivo pela Rede Globo, com presos vestindo ainda pijamas; não quero ver imagens de políticos na cadeia, feitas entre frestas de cortinas; não quero ouvir que nunca se investigou tanto, uma tremenda falácia, pois está claro que nunca se roubou tanto no Brasil e muito menos, quero ouvir que a solução será obtida através da educação, que nos trará a sonhada cidadania, basta!
A educação no Brasil é tão ruim que nem em mil anos ela nos conduzirá à cidadania.
Homem de bem, dê seu jeito, quero uma solução...
Eu não quero ser surpreendido na caminhada da manhã com a presença de tanques nas ruas, efetivamente, não quero.
Não quero que prendam indiscriminadamente baseado no famoso “consta que”.
Quero que os direitos humanos sejam respeitados.
Não quero nem torturadores, nem terroristas.
Mas quero uma solução e quero agora, não quero ler outro escândalo amanhã.
Enquanto a solução não chega, não quero mais alimentar essas quadrilhas com o suor do meu trabalho.
Quero que ver o povo na rua, desejo que o povo pratique a desobediência civil, ampla, geral e irrestrita.
Não quero dar mais um único centavo a esses criminosos.
Homem de bem, dê seu jeito, quero uma solução...
Caso contrário, terei que dar razão ao meu amigo, Coronel de Polícia Rosette, quando diz em linguagem metafórica:
- Paúl, vamos apanhar um fuzil na Reserva Única de Material Bélico.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
EX-CORREGEDOR INTERNO

sábado, 29 de dezembro de 2007

O RECURSO DA DESOBEDIÊNCIA CIVIL - MARCOS COIMBRA

Posto um novo artigo do Professor Marcos Coimbra encaminhado através de email.
O RECURSO DA DESOBEDIÊNCIA CIVIL
Prof. Marcos Coimbra
Membro efetivo do Conselho Diretor do CEBRES (Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos), Professor aposentado de economia na UERJ e Conselheiro da ESG.

Mahatma Gandhi foi um dos principais líderes mundiais, de todos os tempos. De estatura modesta, magro, movimentava milhões de indianos contra a opressão inglesa. Foi preso, sofreu muito, mas acabou alcançando seu objetivo principal: a independência da Índia. Um dos mais importantes instrumentos utilizados por ele foi a desobediência civil, na qual o povo indiano desarmado (pelos antecessores do Viva Rio) enfrentava a tirania dos poderosos, escudados em canhões, navios de guerra, metralhadoras, enfim toda a parafernália bélica da qual o império britânico era detentor.
Analisando a conjuntura brasileira, identificamos o Poder Executivo, utilizando a mídia amestrada, docemente corrompida, com "musos e musas" do entreguismo, com o poder de censurar e vetar até qualquer referência a quem desagrade aos "donos do mundo", seus patrões, fazendo o que quer. E ainda possuem a desfaçatez de pregar, contra a censura, em favor da liberdade de expressão, quando são os primeiros a exercer seu arbítrio, censurando os que pensam diferentemente. E, para agravar o quadro, o Executivo chega ao desplante de criar uma “TV pública” com o claro objetivo de consolidar o pensamento único, calcado na mediocridade e na cooptação, com o objetivo de perpetuação no poder dos “cumpanheiros” e seus aliados.
O Poder Legislativo, inteiramente submisso, mendigando cargos e verbas, com honrosas exceções. Até o Poder Judiciário, considerado antigamente como última esperança, dobra-se, decidindo normalmente a favor da administração central, como foram os casos da validação da contribuição dos aposentados e da maioria dos artigos inconstitucionais do famigerado estatuto do desarmamento.

A administração Lula, grande e verdadeira responsável pela grave crise sistêmica enfrentada pela Nação, da qual o “apagão aéreo” é um mero exemplo, possui poderes ditatoriais. Amanhã, se quiser, com a complacência do Legislativo e do Judiciário, vai impor a pena de açoite aos pobres cidadãos. Quem não se submeter aos seus caprichos, levará chibatadas, em praça pública, com transmissão direta de TV, através da principal cadeia de comunicação do Brasil.
A propósito da resistência da administração Lula em enviar, de fato, proposta de uma reforma tributária justa, em um país onde a carga tributária chega a 36% do Produto Interno Bruto (PIB) e a classe mais pobre acaba pagando mais em termos relativos, sem a contrapartida adequada, sob a forma de prestação de serviços de atendimento às necessidades coletivas (saúde, educação, segurança, energia, transportes, comunicações e outras), fica a idéia de que a única solução é a desobediência civil. Se ninguém mais pagar os tributos e assemelhados, não só a União, como os Estados e Municípios terão que rever a injustiça do sistema existente. Esta taxa de incêndio, cobrada em alguns Estados do Brasil, como no Rio de Janeiro, até com a cobrança retroativa e a inclusão de honorários advocatícios de 5%, para cidadãos que nem chegaram a receber o boleto de cobrança, é um exemplo flagrante do abuso e do desrespeito. A sociedade quer saber onde são aplicados estes recursos, considerando a precariedade dos meios usados pelos bravos “soldados do fogo”, quando em ação, em contraste com o luxo ostentado pela cúpula da corporação.
Além disto, até hoje, nenhuma instituição de proteção ao consumidor, nem qualquer partido político questionou seriamente a questão dos exorbitantes lucros auferidos pelo sistema bancário no Brasil, do qual um dos pilares é a cobrança de tarifas, além do irresponsável crédito consignado. Ora, quem detém o controle do fator de produção trabalho recebe em contrapartida sua remuneração, ou seja, salários. E estes poderiam ser pagos, como antigamente, na boca do caixa, ou como é feito ainda hoje pelo SENAC-Rio, para quem quiser, em espécie, através de envelopes com o numerário no interior. Só recebe no banco, quem assim o desejar.
Na realidade, os empregadores, inclusive as administrações públicas, escolhem a instituição bancária que pagará os proventos a seus empregados, recebendo até vultosas compensações financeiras para isto. Usando a justificativa de que o empregado pode utilizar a denominada “conta salário”, isenta de tarifas, leva sutilmente o empregado a ficar dependente de um determinado banco. Dificilmente, com a onda de consumismo existente no país, ele consegue limitar-se ao especificado. Então, passa a ser cobrado por tudo e os bancos, como um todo, chegam a receber 150% das despesas com pessoal apenas com o recebimento de tarifas e congêneres. O valor arrecado a este título ultrapassa o da CPMF.
Por que os sindicatos, as centrais de trabalhadores não agem neste sentido? Será que também vão obrigar os cidadãos a terem conta nos bancos, uma para cada fonte empregatícia, escolhida pelos patrões, em função de seus interesses?
Fica a sugestão para os partidos ditos de oposição, para os candidatos e para as centrais sindicais e entidades estudantis, que, ao invés de defenderem os verdadeiros interesses dos cidadãos, entram em conchavos vergonhosos com a administração Lula, usufruindo as benesses de cargos e verbas, como é o caso da UNE. Lutem, enquanto é tempo, por bandeiras justas como esta. Se não lutarem, estarão jogando o povo no caminho da desobediência civil, praticada atualmente por milhões de pessoas, que não pagam conta de luz , pois possuem "gatos" (ligações clandestinas), bem como também não pagam por outros serviços, como água, tv a cabo etc
A autoridade governamental que quiser verificar é só conferir, por exemplo, no Rio de Janeiro, comparando a escuridão nos bairros de classe média, em comparação com outros logradouros, fartamente iluminados. Ou então observar os milhares de ambulantes que vendem de tudo, sem pagar qualquer tributo, impedindo o livre trânsito das pessoas, em frente dos comerciantes legalmente estabelecidos. Alguns deles também vendem suas mercadorias pelos dois meios, a fim de fugir da carga tributária excessiva. Ou nas centenas de "vans" que praticam irregularmente o transporte coletivo, estacionando em local proibido, engarrafando o já caótico trânsito das grandes cidades.
Será que somente a prática da desobediência civil trará um resquício de lucidez aos detentores do poder político no Brasil?

Correio eletrônico : mcoimbra@antares.com.br
Sítio: www.brasilsoberano.com.br (Artigo escrito em 24.12 para o MM).
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL
CORREGEDOR INTERNO