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domingo, 1 de novembro de 2009

ESTUDO SOBRE A BLOGOSFERA DA SEGURANÇA PÚBLICA.

TERRA:
Blogs de PMs apontam temor a retaliações e ameaças de prisão.
Rio - Análises e comentários sobre a realidade da
segurança pública vem num crescente debate em blogs. A pesquisa Blogosfera Policial no Brasil - do Tiro ao Twitter, realizada em uma parceria da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil com o Centro de Estudos de Segurança e Cidadanmia da Universidade Cândido Mendes (CESeC), aponta que o "temor às retaliações" é presente entre os donos dos blogs. Entre os 73 entrevistados, 27 disseram já ter sido censurados ou reprimidos. As ameaças de prisão e transferência vêm em primeiro lugar, com quase 26% dos casos.
Coordenada pelas pesquisadoras Silvia Ramos e Anabela Paiva, do CESeC, a publicação é a primeira investigação em profundidade sobre a mais recente e relevante tendência na cobertura de polícia, criminalidade e políticas de segurança. O levantamento de informações e a análise dos blogs foram realizados por meio de perguntas formuladas na internet e respondidas por 73 policiais blogueiros, autores de 70 blogs, entre maio e junho deste ano.
Nos depoimentos coletados, os entrevistados dividem a percepção de que, no passado, em análises e debates sobre polícia e policiais, quase nada era dito pelos próprios agentes de segurança. Segundo eles, os debates sobre o setor reuniam somente profissionais de meios de comunicação, especialistas e governantes.
Esse cenário mudou com o surgimento dos blogs sobre segurança e a abertura de espaços destinados a reflexões pouco divulgadas na mídia tradicional, segundo o estudo. Entre os assuntos tratados pelos agentes na internet, foram identificadas abordagens raras ou inexistentes nas páginas de jornais, como política salarial e condições de trabalho das forças policiais.
Fenômeno recente
O estudo aponta que, entre os blogs avaliados, apenas 12 foram criados em 2006 ou em anos anteriores. Os dados caracterizam o fenômeno como especialmente recente e em franco desenvolvimento. Entre janeiro e início de agosto deste ano, foram criados 15 novos blogs policiais. Em função desse crescimento, a pesquisa avalia que os sites jornalísticos são apenas a ponta mais visível, porém menor e talvez menos importante, da blogosfera policial.
Os dados coletados indicam que a maior parte da comunidade virtual é formada por conteúdos assinados por policiais das regiões Sudeste (43), seguida das regiões Centro-Oeste (9), Nordeste (7), Sul (7) e Norte (4). O Rio de Janeiro é o Estado que concentra o maior número dos blogs sobre segurança, com 22 conteúdos.
Segundo a pesquisa, o predomínio é de policiais militares por trás das postagens. No universo pesquisado, 58% dos entrevistados são oriundos da PM (35,6 oficiais e 23,3% praças), 15,1% da guarda municipal e 13,7% da Polícia Civil. Ainda segundo o estudo, a maioria dos blogueiros acredita contar com o apoio de seus colegas (91,8%). Quando se trata de superiores hierárquicos, porém, as avaliações se dividem: apenas 24,3% acham que suas iniciativas são aprovadas, enquanto 20% acham que elas são reprovadas e 21,4%, que são vistas com indiferença.
Além de política salarial e condições de trabalho, outros temas sensíveis, como direitos humanos, investigações de corregedorias, projetos comunitários e inquéritos abandonados, são tratados pelos blogs com freqüência e destaque.
"Como é que pode sob a justificativa de preservar a hierarquia e disciplina, ressalte-se em tempo de paz, cercear direitos humanos e fundamentais como é o caso do direito de reunião?", dizem os autores de um dos blogs pesquisados ao atribuírem o nascimento da página a uma "demanda reprimida".
As informações são do Terra.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
Ex-CORREGEDOR INTERNO

quarta-feira, 30 de julho de 2008

BLOG CASO DE POLÍCIA - EXTRA ONLINE.

1) Política do desrespeito
Onde está o governador Cabral?
A diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, Julita Lemgruber, agradeceu a presença no debate promovido pelo Extra do vice-governador, Luiz Fernando Pezão, com um tom provocativo, diante de uma platéia de 500 pessoas:
- O Pezão se transformou numa figura muito simpática e querida, pois temos muitos amigos em comum, como o Junior, do Afroreggae, por exemplo. Mas gostaria muito que o Cabral tivesse vindo para discutir conosco. Cadê o governador Sérgio Cabral que eu conversei no início do governo? O policial na ponta talvez seja o menos culpado por essa matança que está aí.
Em referência à ação desastrosa de PMs no caso que vitimou o menino João Roberto, de três anos, na Tijuca, Julita condenou a postura do governador de colocar a culpa nos policiais:
- Quando a gente responsabiliza o policial na ponta, às vezes ele é o menos culpado. O governador precisava ter pensado dez vezes antes de chamar os PMs de insanos e débeis mentais. Ele desrespeita os policiais quando os chama de débeis mentais.
No fim, a socióloga leu uma mensagem escrita pelo comandante do 11º Batalhão (Nova Friburgo), com normas de conduta, dizendo que é um exemplo a ser seguido:
- Existem comandantes de batalhão que estão mandando mensagens completamente diferentes para seus subordinados.
2) Socióloga contesta política do confronto
A socióloga Julita Lemgruber abriu sua apresentação no debate sobre segurança falando da política de combate do atual governo. Segundo ela, de três anos para cá, o número de autos de resistência (morte em confronto) quase dobrou.
- Em 2005, foram 385 mortes e em 2008 já estamos em 649 - disse a socióloga que é também diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (Cesec).
- Política de confronto foi adotada pelo Rio de Janeiro para se abraçar o problema da violência no Rio - disse.
Julita questionou o resultado de tal política:
- Para cada pessoa morta, em 2007, o Rio prendeu 250 pessoas. Para cada pessoa morta, em São Paulo, por exemplo, a polícia paulista prendeu 1.593. A diferença é realmente muito impressionante.
A diretora do Cesec também falou das mortes que não são contabilizadas, como as pessoas desaparecidas.
- A gente tem uma subida impressionante no número de pessoas desaparecidas. 70% são pessoas que morreram na guerra do tráfico ou vitimadas pela polícia cujos corpos não aparecem - disse.

3) 'Não vamos mudar 199 anos de problemas em um ou dois anos'
O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, iniciou seu discurso com dados positivos sobre a política de segurança do estado:
- Vários índices diminuiram no Rio: roubos a residências, de carros, a estabelecimentos comerciais, furtos de veículos, inquéritos relatados com autoria. As prisões também aumentaram sensivelmente. Só a Polinter prende um homicida a cada dois dias.
Apesar de todo otimismo, Beltrame fez questão de ressaltar alguns problemas das polícias Civil e Militar:
- Temos problemas de contingente, de salários, de estrutura, mas acho que a polícia vive melhores dias, e os números estão aí para provar o que eu estou dizendo. Vejo um norte comprometido com mudanças. As respostas não são rápidas, mas estão sendo dadas. Não podemos, de uma hora para a outra, baixar índices de delitos que estão corroendo nossa sociedade há tempos.
O secretário termina seu discurso de abertura com mais dados preocupantes:
- Não vim aqui só para trazer notícias boas. Os autos de resistência sobem. Roubos a transeuntes sobem vertiginosamente de 2004 para cá. Não vamos mudar 199 anos em um ou dois anos. Temos que traçar metas e perseguir resultados.
4) Beltrame: 'Vamos extingüir o fuzil'
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, anunciou no debate promovido pelo jornal Extra que vai tirar o fuzil de circulação (ouça a íntegra da declaração do secretário).
- Ia fazer isso em outubro, mas decidi antecipar. Esse bandido chamado fuzil, quero aposentá-lo. Vamos extingüir o fuzil. As vítimas das chamadas balas perdidas, 80% das vezes são atingidas por estilhaços de fuzil - disse o secretário.
Segundo ele, a idéia é substituir o armamento por carabinas, menos letais. Beltrame disse ainda que a violência no Rio também atinge os policiais.
- Meu segurança que foi alvejado por 52 tiros, quando estava de terno e gravata, indo para o trabalho, isso não existe - disse o secretário, completando:
- Tenho 12 ameaças de morte e não ligo a mínima para elas. Estamos fazendo melhorias na política de segurança, mas sabemos que temos muito a fazer.
Rebatendo as críticas da socióloga Julita Lemgruber, de que a polícia de São Paulo é menos letal do que a do Rio, Beltrame respondeu:
- A criminalidade do Rio é totalmente diferente da de São Paulo e isso eu digo com propriedade porque morei em São Paulo. Aqui o bandido trabalha com a política do "Aqui é Nóis". Eles manejam um fuzil como nós manejamos um celular. São Paulo não tem facção, tem o PCC, mas nós temos três facções. Lá não tem a geografia e nem o histórico de violência que nós temos - disse o secretário, que finalizou:
- No Rio de Janeiro há uma legião de excluídos, que não sabem os seus direitos e não sabem o que é lei.

sexta-feira, 14 de março de 2008

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

CeSEC/CÂNDIDO MENDES RECEBE REPRESENTANTES DOS BARBONOS, EVARISTOS E INDEPENDENTES - GUSTAVO DE ALMEIDA

ARTIGO COPIADO DO BLOG DO JORNALISTA GUSTAVO DE ALMEIDA:
O Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Candido Mendes entrou na briga: os coronéis Barbonos e outros oficiais interessados no resgate da cidadania dos policiais serão recebidos pelos pesquisadores da instituição (referência em estudos da violência e da segurança no Rio) nesta quinta-feira, dia 21 de fevereiro, às 18h, no 42º andar da universidade (na Rua da Assembléia 10).
Por enquanto, ainda sem a presença da imprensa ou de órgãos governamentais.
O Cesec divulgou nota oficial sobre o assunto na manhã desta quarta-feira:
"Oficiais da Polícia Militar do Rio – representantes de um grupo intitulado Barbonos, Evaristos e Independentes – nos procuraram solicitando apoio a uma manifestação pública de policiais. Ponderamos que além de escassas informações sobre a agenda do movimento, nos ressentíamos da absoluta ausência de diálogo ao longo da crise aberta pela demissão do Comandante Geral. Sabemos que esta situação não é exclusiva do CESeC e que a maioria dos pesquisadores e instituições que trabalham com temas relacionados à violência e à segurança pública no Rio de Janeiro têm a mesma percepção.
Portanto, estamos partindo da lista de pesquisadores que há exatamente um ano, em processo iniciado em fevereiro de 2007, produziram o documento “Em defesa da vida”, para convidar para um encontro com representantes do grupo Barbonos, Evaristos e Independentes para tentar estabelecer canais de diálogo – que no futuro pode se estender a outros setores da polícia e a gestores da segurança.
Por ser o primeiro, o encontro será aberto apenas a pesquisadores e a representantes de organizações dedicadas à segurança pública (jornalistas e representantes governamentais não estarão presentes nesta primeira reunião) e será realizado na quinta-feira, dia 21 de fevereiro, às 18h, no 42º andar da Universidade Candido Mendes."
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CIDADÃO BRASILEIRO PLENO