Prezados leitores, como prometi comento o artigo da jornalista Vera Araújo, publicado ontem no jornal O Globo.
A integra do artigo está transcrita no nosso blog (leiam), eu retirei apenas os principais pontos para comentar.
Peço aos leitores que não leram ainda o artigo “O GLOBO DESMASCARA O SECRETÁRIO BELTRAME E RATIFICA A MINHA OPINIÃO”, (leiam) que o façam antes de prosseguir na leitura.
“UMA ESCOLHA COM TOQUE DE GESTÃO EMPRESARIAL.
Secretário de Segurança Pública recorre a sua própria formação em administração para escolher a nova cúpula da PMERJ.
Por Vera Araújo
(...)
O primeiro passo do secretário foi se reunir com o grupo para buscar quais as qualidades necessárias para o novo comandante da PMERJ, descartando o que não gostaria de ver no sucessor do coronel Mário Sérgio. (Beltrame vai tinha nomeado antes três Comandantes Gerais, será que fez isso sem conhecer as qualidades necessárias para o exercício da função?) Depois de horas de encontros, regados a cafezinhos, não houve consenso num nome, mas num time formado por três oficiais.
Não precisamos de um homem só. Nós precisamos de um time - disse o secretário durante o processo de seleção (Como três nomes? Beltrame só tem competência para nomear o Comandante Geral, cabendo a esse comandante nomear todos os seus assessores. O trecho demonstra a interferência de Beltrame interna corporis, deixando o futuro Comandante Geral em uma situação absurda e extremamente delicada, ter que aceitar assessores impostos por Beltrame e logo os assessores imediatos e mais importantes).
CREDIBILIDADE E HONESTIDADE PARA ESTIMULAR A TROPA.
Havia consenso de que toda a equipe deveria passar credibilidade e honestidade a tropa, uma vez que a corporação está desestimulada por uma onda de denúncias de corrupção. (Novidade? Será que todos os escolhidos por Beltrame não tinham que passar credibilidade e honestidade?) Para o mais alto cargo da PMERJ, o que pesou na escolha do coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, de 54 anos, foi justamente o espírito de liderança, a fama de não atender apelos políticos (Eu só conheço um caso no qual o Coronel PM Costa Filho disse não a um político. Será que um caso demonstra que essa é uma característica do Oficial? Alguém conhece outro caso?) e a antiguidade no posto de Oficial. (Aqui o ponto mais importante, a continuidade da leitura demonstrará que o preferido de Beltrame era o Coronel PM Pinheiro Neto, que não teria sido escolhido em razão de ser um dos mais modernos da Polícia Militar. Portanto, foi principalmente a antiguidade de Costa Filho que determinou a sua nomeação).
Por ter sido pego de surpresa com a queda de Mário Sérgio, Beltrame teve que abrir mão de uma carta que tinha na manga para a sucessão no futuro: O coronel Alberto Pinheiro Neto. (Pinheiro Neto era o preferido). Beltrame recorreu às lições de gestão, nomeando o oficial para chefe de Estado-Maior, que lida com a parte operacional da corporação. (Não podendo nomear Pinheiro Neto, Beltrame o impõe a Costa Filho, o colocando como a segunda pessoa na PMERJ. Ratifico que Beltrame só tem competência para nomear o Comandante Geral, quem nomeia o Chefe do Estado Maior é o Comandante). O objetivo era um só: motivar Pinheiro Neto e mostrar a tropa que a ideia é esculpir quem deverá suceder Costa Filho mais adiante (Estranho que só agora Beltrame tenha resolvido usar o que aprendeu na faculdade, pois não adotou esse procedimento de esculpir quem sucederá o Comandante Geral quando nomeou Ubiratan, Pitta e Mário Sérgio).
Responsável pela Coordenadoria de Assuntos Estratégicos (Caes) - que cuida dos projetos para o copa do Mundo de 20 14 e Olimpíadas de 2016 - até a última quinta-feira, Pinheiro Neto tem como qualidade de ser antenado com as novidades tecnológicas. (Justificativa asem sentido para a escolha de um Chefe de Estado Maior. Lembro que Pinheiro Neto chegou a Chefe do Estado Maior pelas mãos de Beltrame, tendo comandado apenas uma Organização Policial Militar, portanto, experiência no comando não é uma de suas características). No momento, ele foi também a solução para dar ânimo aos integrantes das unidades operacionais, como o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), que já ficou sob o comando do Oficial (Risível essa justificativa, como alguém pode ser escolhido por ela?).
Por fim nomear a coronel Kátia Boaventura como chefe de Gabinete também foi mais uma manobra para estimular as mulheres (Outra justificativa sem qualquer sentido. Lembro que Beltrame também não tem competência para escolher o Chefe de Gabinete do Comandante Geral). Afinal, nunca uma chegara a um posto tão alto dentro da PMERJ. Embora não exista esta figura na gestão privada, na pública, o cargo representa poder, pois tudo tem que passar pelo chefe de gabinete.
Neste caso, há algo a mais: um toque feminino (A Coronel PM Kátia é competente e honesta, sempre se destacando nas funções que exerceu na PMERJ, as justificativas utilizadas para a sua escolha acabam diminuindo a sua importância institucional)".
Fim do artigo.
Prezados leitores, o artigo de Vera Araújo mostra uma face de Beltrame que a população não conhece, a de um secretário que interfere diretamente na PMERJ, não dando autonomia para o Comandante Geral escolher nem seus principais assessores, sobretudo o Chefe do Estado Maior, que nunca poderia ter sido imposto.
A interferência feita por Beltrame nos conduz a uma reflexão: Será que Mário Sérgio teve alguma autonomia?
Será que a colocação de "caveiras" no comando de batalhões foi ideia de Mário Sérgio ou veio da SESEG, considerando a preocupação de Beltrame com o BOPE?
Lembro que Mário Sérgio ao pedir para sair fez questão de afirmar que foi ele quem escolheu o Ten Cel Cláudio para comandar, algo inteiramente desnecessário pois cabe ao Comandante Geral nomear os comandantes subordinados.
Ele fez questão de explicar o que não carecia de qualquer explicação.
Será que tinha surgido algum boato sobre a "indicação" de Cláudio ter partido de alguém?
A interferência de Beltrame colocou Costa Filho na seguinte saia justa:
Ele sabe que Beltrame queria Pinheiro Neto no seu lugar e tem a sombra de Pinheiro Neto como sendo o segundo homem na PMERJ.
Logo correrão boatos pelos corredores castrenses que o homem forte da Corporação é Pinheiro Neto, o preferido de Beltrame, podem anotar.
O culpado: Beltrame, o que nunca tem culpa de nada.
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚLPROFESSOR E CORONEL
Ex-CORREGEDOR INTERNO


