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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

"CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ (JOÃO 8:32) - I


TRECHO DA "CARTA DOS BARBONOS" - 03 de julho de 2.007

Documento entregue ao Comandante Geral da PMERJ, ao Secretário de Segurança Pública e ao Governador do Estado do Rio de Janeiro.


"Os nossos parâmetros são a busca ininterrupta dos objetivos institucionais; não recuar jamais nessa busca; a preservação da honra e da dignidade profissional; o respeito a hierarquia e a disciplina militares; o apoio integral ao Comando Geral da Polícia Militar, para o desenvolvimento de um projeto de comando para os próximos 4 (quatro) anos, desde que respeitados os objetivos da Polícia Militar e o compromisso de não assumirmos, nesse período, as funções de Comandante Geral ou de Chefe do Estado Maior Geral, em nenhuma hipótese, caso convidados."



A INTEGRA DO DOCUMENTO HISTÓRICO ESTÁ NO ARTIGO:




CÓPIA DE UMA ATA DE REUNIÃO DO "GRUPO DOS BARBONOS", DEVIDAMENTE ASSINADA:















PAULO RICARDO PAÚL

CORONEL DE POLÍCIA

CIDADÃO BRASILEIRO PLENO



E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ" (JOÃO 8:32)

São 01:30 horas, madrugada do dia 30 de janeiro de 2.008 e sei que não conseguirei dormir, o corpo tem o seu próprio tempo para voltar ao equilíbrio fisiológico, o que ainda demorará a acontecer, diante dos últimos acontecimentos.
Aliás, todos que viveram esse dia 29 de janeiro de 2.008, na Associação dos Militares Estaduais do Rio de Janeiro – AME/RJ, também enfrentarão esse problema, a insônia.
Os Coronéis com mais de 34 (trinta) e quatro anos de serviço policial militar e os jovens Tenentes que ainda não tinham experimentado essa situação.
Os inativos.
Os Militares de Polícia e os Bombeiros Militares.
Todos nós teremos dificuldades para encontro o sono.
A calma da madrugada, apesar de coexistir com a escuridão que amedronta alguns, também trás consigo a paz da solidão.
E quando estamos sós, isolados do mundo, costumamos refletir sobre o dia e sobre a vida.
O dia que acabou foi histórico para a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, um dia de grandes vitórias e de derrotas amargas, dolorosas ao extremo.
O que aconteceu na AME/RJ está nos sites online e amanhã estampará todas as manchetes dos jornais do Brasil, portanto agora não vou abordar o que aconteceu no antigo Clube dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militares.
Não tenho dúvidas, apesar de todo esforço que tem sido feito para que os fatos sejam deturpados, a verdade começará a surgir.
E não tratarei da exoneração do nosso Comandante Geral – Coronel Ubiratan Angelo de Oliveira e nem do nosso Chefe do Estado Maior – Coronel Samuel Dias Dionísio.
Apenas, amigo Ubiratan, nesse momento de tanta dor, me permita corrigir uma frase que você disse para mim hoje:
“Nós permitimos que os inimigos vencessem!”
Meu amigo, eu estava certo, os inimigos não poderiam nos vencer e não venceram, os “amigos” é que pensam que nos venceram, pensam.
Nesse instante, prefiro voltar no tempo e falar sobre o Coronel Francisco Carlos Vivas, atual Diretor Geral de Pessoal da Polícia Militar, meu amigo há mais de 31 (trinta e um) anos.
Na verdade, um irmão que eu pude escolher ao longo da vida e como a vida tem me permitido escolher irmãos.
Irmãos que não param de surgir a cada dia.
Em uma das muitas crises enfrentadas ao longo desse processo, Vivas disse que nós alcançaríamos os nossos objetivos, pelo fato de DEUS ESTAR NO COMANDO!
Meu irmão Vivas, eu nunca tive dúvidas, mas hoje tive todas as certezas.
A força das suas orações nos fortaleceu e nos orientou.
Nesse momento, eu quero falar da verdade, começar a falar algumas verdades e esse é o momento ideal quando esse blog está sendo lido por todo o Brasil.
O surgimento de um Grupo de Coronéis de Polícia reivindicando cidadania para o Militar de Polícia, através de salários dignos e de adequadas condições de trabalho, foi um fato inesperado, com o qual ninguém contava.
Nos últimos anos, com as devidas exceções, os Coronéis esqueceram os Soldados, esqueceram que não existem líderes sem liderados.
Esqueceram que não existem líderes sem legitimidade.
Tinham esquecido que a base de toda Instituição Militar é o Soldado, o responsável pela atividade fim – o representante da Instituição Militar junto ao povo.
O Soldado é o herói social!
Os Soldados foram transformados em números, em registros gerais, que eram deslocados de um lado para o outro, nas escalas de serviço.
O tempo passou e os Tenentes também viraram apenas números.
Os Coronéis esqueceram que eles precisavam de viaturas, de armamento, de equipamentos e acima de tudo de cidadania, o que só se consegue com salários dignos – a justa contrapartida para heróis que arriscam a sua vida em defesa da sociedade.
Os Coronéis permitiram que Soldados ganhassem menos de R$ 30,00 (trinta reais) por dia para arriscar à vida.
E como DEUS ESTÁ NO COMANDO, não foi apenas o Grupo de Coronéis que se lembrou do Soldado, um grupo numericamente muito maior de Oficiais e Praças também se lembrou do Soldado.
Ordeiramente e pacificamente, disciplinados e respeitando à hierarquia, os Coronéis produziram documentos e concederam entrevistas à mídia, informando ao povo fluminense as mazelas institucionais.
Coronéis que não se calam!
Ordeiramente e pacificamente, disciplinados e respeitando à hierarquia, o outro grupo realizava atos cívicos nas ruas dessa cidade maravilhosa, sem causar qualquer transtorno à população.
Inclusive doaram sangue no Hemorio, ajudando ao povo fluminense e simbolizando o sacrifício diário desses heróis sociais.
No domingo, os dois grupos caminharam pela orla da zona sul, ordeira e pacificamente.
Bandeira Nacional, Hino Nacional e Canções Militares.
O povo aplaudiu!
A sociedade fluminense começava a fazer a sua parte, o que certamente fará cada vez mais.
Tudo dentro da ordem, na mais completa legalidade e nos acusam.
Exoneram nosso Comandante Geral e exoneram o nosso Chefe do Estado Maior Geral.
Como eles poderiam impedir um ato cívico ordeiro e pacífico, praticado por cidadãos brasileiros, desarmados.
Deveriam nos ameaçar?
Deveriam nos exonerar?
Deveriam nos punir?
E o que fariam com a legalidade, a transformariam em arbitrariedade.
A lei é para todos ou não?
Autoridades nos ameaçam e parece que estamos voltando no tempo, um tempo de repressão, um tempo onde a liberdade de expressão foi calada e onde os direitos individuais foram suprimidos.
Eu não quero voltar a esse tempo, não importa a roupagem que a opressão vista, fardas ou ternos.
Alegam insubordinação, onde só existiu civismo e idealismo.
E claro, eles sabem o que é insubordinação, mas mesmo assim transfiguram os fatos.
Transformam um parágrafo inteiro de um de meus artigos em uma única frase – exaustivamente repetida na mídia - e espalham que o Corregedor Interno estaria defendendo maus policiais.
Porém, esqueceram que DEUS ESTÁ NO COMANDO e que o autor desse blog foi o Corregedor que mais tempo permaneceu na função, publicando mais de 8.000 (oito mil) soluções, dentre procedimentos apuratórios, recursos administrativos e processos administrativos disciplinares.
Mesmo perdendo efetivo de Oficiais Relatores, sendo que dentre os que saíram, 3 (três) Majores e um Capitão foram trabalhar fora da Polícia Militar, nessa evasão que ninguém consegue parar.
Assessoramos 2 (dois) Comandantes Gerais que excluíram mais de 550 (quinhentos e cinqüenta) integrantes da Polícia Militar que praticaram desvios de conduta.
Nesse período foram inauguradas mais 2 (duas) Delegacias de Polícia Judiciária Militar (Baixada Fluminense e Zona Oeste), dobrando a operacionalidade correcional.
Foi criado o Gabinete Geral de Assuntos Internos, uma ampliação da área correcional.
Foi criado o 1º Curso de Assuntos Internos do Brasil, para Oficiais e Praças.
Foi criado o Programa de Controle de Disparos de Armas de Fogo de Policiais Militares em Serviço.
Tudo fruto do esforço dos Oficiais e dos Praças da Corregedoria Interna.
Obviamente, eu não compactuo com ilegalidades.
Reclamaram da soltura dos Policiais Militares do 3º BPM que se apropriaram indevidamente de cervejas e de refrigerantes, divulgaram isso aos 4 (quatro) cantos, embora soubessem que eles obrigatoriamente – por força de regulamento – deveriam ser soltos da prisão administrativa.
Embora soubessem que eles não estavam em estado de flagrância, tanto que não foram autuados.
Embora soubessem que não existiam fundamentos legais para solicitar a prisão preventiva, clamaram que o fariam, produziram decretos enfraquecendo a autoridade do Comandante Geral e do Corregedor e avocaram os autos para a Corregedoria Geral Unificada.
Agora se calam, não tem o que dizer diante da declaração do FISCAL DA LEI, o Ministério Público da AJMERJ – o Promotor Sidnei Rosa, que investiga o caso, que disse não pretender requerer à Justiça a prisão preventiva dos Policiais Militares, uma vez que não há indícios que mostrem a necessidade da medida. (Globo Online).
E para não duvidar da inteligência de ninguém, não vou explicar a velha estratégia de escolher um integrante de um grupo para transformá-lo em líder, derrubá-lo e enfraquecer o grupo.
Isso é primário demais e eu fui vítima de várias frituras e “possíveis exonerações”.
Primeiro, o EXTRA me exonerou por ser líder dos Coronéis Barbonos.
Depois, seria exonerado em razão de ter intimado o Diretor de um filme, quando a intimação, como a lei determina, foi um ato do Encarregado do IPM.
Diretor que foi aconselhado a não depor.
Esse IPM que foi instaurado para apurar a participação de atores nas instruções do BOPE, entre outros fatos, será solucionado pelo próximo Corregedor Interno a ser nomeado pelo novo Comandante Geral.
Eu li todo o IPM e as conclusões obtidas, porém em razão dos meus princípios éticos e do meu dever funcional, não posso comentar o resultado da apuração, mas sei o que está nos autos.
Finalmente, eu fui exonerado, talvez por ser um Corregedor que protege os maus integrantes da Polícia Militar ou por exercer a minha cidadania.
Quem sabe por possuir um blog, o que deve ser um crime, que ainda desconheço em razão de minhas limitações intelectuais.
Talvez, quem sabe, por eu ter dito a verdade:
O Soldado – o herói social por excelência – mal pago e sem as condições de trabalho, está desmotivado, fisicamente desgastado pelo segundo emprego, desestabilizado emocionalmente e se transforma em uma “presa” fácil para os corruptos ativos de cada esquina.
E isso incomodou muita gente.
A quem interessa um Militar de Polícia mal pago, “presa” fácil para os corruptos ativos de cada esquina?
Ao povo fluminense certamente não!
E antes que pensem em mais represálias, por favor, leiam o Decreto nº 41.140, de 23 de janeiro de 2.008.
http://celprpaul.blogspot.com/2008/01/decreto-n-41140-de-23-de-janeiro-de.html
E não esqueçam a frase do Coronel Vivas, um dos muitos irmãos que eu pude escolher ao longo da vida:
“DEUS ESTÁ NO COMANDO”.
Entretanto, como sei que sou o alvo preferencial, já fui orientado pelo meu advogado e peço principalmente aos membros do Judiciário e aos membros do Ministério Público, que conhecem o meu trabalho, que tenham olhos e ouvidos atentos.
Por derradeiro, ratifico publicamente que só acreditarei que o Coronel Pitta aceitou ser Comandante Geral e que o Coronel David aceitou ser Chefe do Estado Maior, quando ouvir isso deles.
Eu os conheço há mais de 30 (trinta) anos e me reservo o direito de conceder a eles o benefício da dúvida.

PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CIDADÃO BRASILEIRO PLENO